Como ajudar seu filho quando um animal de estimação morre

Como Ajudar seu Filho Quando um Animal de Estimação MorreÉ muito triste perder um animalzinho, mas para nós adultos às vezes se torna um pouco mais fácil aceitar e entender, porém para as crianças, perder seu melhor amigo não é tarefa fácil de aceitar ou compreender.

Por isso perguntamos à psicanalista de São Paulo, Camila Flaborea, qual a melhor conduta a ser seguida nesse momento, e vamos tentar ajudar você e sua família nessa difícil tarefa.

1- Os pais devem explicar para a criança que o pet está já doente? Como deve ser feita essa preparação psicológica inicial?

Contar a verdade é sempre a melhor opção, desde que as informações sejam dadas dentro de um parâmetro que a criança possa  entender e absorver.

Usar a linguagem dela, dizer que o pet “está dodói, que vai ao hospital tomar um remédio e lá vão fazer tudo que eles podem pra ele melhorar” pode ser uma boa opção, desde que a criança já tenha compreensão do que seja ir ao médico/hospital, e que ela possa absorver essa informação.

Caso a criança seja pequena demais, não há utilidade nisso. À grosso modo, por volta de 2 anos, as crianças já começam a ser capazes de entender isso.

2 – Caso o pet morra os pais devem esconder a informação no primeiro momento e só contar depois?

Novamente, a idade da criança é fundamental. Por exemplo, um bebê vai sentir falta do animalzinho, e alguma comunicação deve ser feita, mas para uma criança que já se comunica pelas palavras é preciso dar uma explicação um pouco maior.

Seja a respeito do animal que acabou de falecer ou caso haja algum questionamento por parte da criança sobre um falecimento anterior, depois que ela cresce um pouco.

É preciso que os adultos saibam que as crianças são seres extremamente sensíveis e, ainda que não encontrem palavras, elas sentem e refletem as mudanças em seu ambiente, formado por pessoas ou animais.

Como Ajudar seu Filho Quando um Animal de Estimação Morre

3- A criança de acompanhar os processos? Como ir no veterinário, nas consultas ou se despedir do pet numa possível eutanásia?

Esses processos costumam ser muito doloridos, inclusive para os adultos. A criança, quanto menor for, deve ficar o mais distante possível disso. Os adolescentes devem ser consultados e orientados pelos responsáveis em outros parâmetros. Ver o animal sofrendo ou sendo encaminhado para a eutanásia é excessivo para o psiquismo da criança.

4- É certo dizer a criança que o pet virou estrelinha? Ou fazer alguma dessa analogia, ou devemos falar a verdade na hora que o bichinho morre?

Muitos caminhos podem consolar a criança diante dessa separação: o pet virou estrela, está no céu dos cachorros/gatos, está brincando nas nuvens, etc. Todas são consoladoras, caso ainda façam sentido para a criança que passa a entender que o pet está bem, feliz de novo e não mais doente.

No caso dos adolescentes, o conceito de morte já adquire um significado que pode ser absorvido e elaborado. Mas sempre é preciso que seja considerada a crença familiar. Os pais devem avaliar o que pretendem passar a respeito do conceito de morte para seus filhos e em que momento introduzí-lo.

5- Os pais devem demonstrar também suas dores nessa hora, ou devem se mostrar fortes a seus filhos? 

Os pais podem demonstrar a tristeza pela partida do pet desde que não assuste ou reprima a  expressão da criança. Nesse momento, compartilhar a dor entre todos da família pode ser muito saudável, desde que a criança não sinta que a dor dos pais ocupa todo o espaço e elas ficam sem ter quem as console e acolha sua tristeza. Isso seria estar triste E ser forte ao mesmo tempo.

6- Se depois de alguns dias a criança continuar triste e chorando, os pais devem ser solidários ainda ou devem Como Ajudar seu Filho Quando um Animal de Estimação Morreestimular que ele já está grandinho e precisa entender que isso faz parte da vida?

O processo de luto demanda tempo. Pets são membros da famíla. A criança deve ter seu tempo de luto respeitado, sempre, seja com um pet ou um humano.

7- Como ajudá-lo a superar essa perda? Existe algo que possa ajudar nessa hora?

Acolher seu choro, sua saudade, reforçar as idéias consoladoras do destino do pet, normalmente é o suficiente. O tempo do luto se encerrará por si. Caso essa situação demore mais tempo do que os pais julgam saudável, o ideal seria encaminhar para uma avaliação com um profissional.

As crianças, assim como os adultos, podem precisar de ajuda para superar perdas e, com o papel de membro da família que os pets adquirem cada dia mais, isso não se torna nada diferente da perda de um humano. Ainda pode haver a hipótese da criança não manifestar imediatamente a dor da perda; isso pode ocorrer bastante tempo depois e ainda assim os eventos estarem relacionados.

Também é importante observar se a perda do pet não desperta na criança o medo de perder outros membros da família.

8- Muitas pessoas para tentar fazer o filho superar mais rápido acabam dando outro bichinho no lugar, isso é uma boa prática?

No meu modo de ver, a pessoa estará pronta para outro pet depois que o luto pelo anterior se encerrou. E isso é um processo absolutamente individual. Cada indivíduo tem seu tempo, independentemente da idade.

Tentar apressar esse processo normalmente é uma estratégia que serve mais para que os pais não vejam os filhos tristes.

No entanto, poder ficar triste e aprender a superar as dores da vida com o auxílio da família é uma oportunidade preciosa de desenvolvimento psíquico que não devemos negar às crianças.

Esse texto foi escrito pela psicanalista Camila Flaborea (contato: [email protected]) e não deve ser copiado sem autorização prévia de nosso blog!

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Cachorro morto: como ajudar a criança superar a morte de um cachorro

Na maioria das vezes, quando um animal de estimação falece, esse é o primeiro contato que temos com a morte e a dor do luto. Para as crianças, lidar com a morte de cachorro é ainda mais difícil.

Crianças não podem entender o conceito de morte até que passarem por isso. A simples ideia de ver seu cachorro morto pode ser um momento bastante traumático.

Por esta razão, é muito importante saber como ajudar as crianças a superar a morte de um cachorro.

Em pouco tempo, o convívio com o cachorro faz florescer um sentimento de amor enorme entre as pessoas que vivem com ele. Ou seja, o cachorro passa à ser muito mais que um animal – é um amigo e um companheiro. Se os adultos se apegam rapidamente, imagine como é para uma criança. Cachorros e crianças possuem uma relação muito especial.

Por isso, quando um cachorro morre na família, é um momento muito triste e bastante estressante para uma criança.

No entanto, quando o assunto é abordado de um jeito adequado, a morte de um cachorro querido pode se tornar uma experiência positiva para ela.

Portanto, é importante abordar o assunto de forma que a ideia do cachorro morto possa ajudá-la a lidar melhor com situações igualmente difíceis no futuro.

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Cachorro morto: Beagle doente deitado descansando.

1. Como dar a notícia do cachorro morto

Quando você tem que contar a uma criança que o cãozinho dela faleceu, o melhor é dizer a verdade. Não tente inventar outras histórias.

Como por exemplo, que o cachorro foi viver em algum outro lugar ou que fugiu. Ou seja, o melhor é ser honesto. No entanto, dê a notícia do cachorro morto com cuidado e de maneira gentil.

Lembre-se também que a forma como você vai dar a notícia depende principalmente da idade da criança.

Se, por exemplo, o cachorro está doente há um tempo, então você pode ajudar a criança a se preparar para a sua possível morte com antecedência. Assim, a ideia do cachorro morto não será um grande choque quando ele realmente falecer.

Às vezes, quando o cachorro tem que ser sacrificado pelo veterinário, a criança fica brava com os pais por terem permitido isso acontecer. Principalmente se ela acreditava que ele iria se recuperar.

Se o cachorro morto foi mesmo sacrificado, explique para a criança que tudo ocorreu da forma mais suave possível. Explique que ele não sentiu dor e que tudo foi feito para que ele não sofresse mais.

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Cachorro morto: Filhote de Buldogue francês preto deitado sob deck da varanda.

2. Responda a todas as perguntas sobre o cachorro morto

A morte de um cachorro ou de qualquer outro animal de estimação pode levar a criança a fazer uma série de outras perguntas. Isto é, elas podem querer saber onde o cachorro está agora que morreu, ou perguntar o que acontece quando uma pessoa morre.

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Responda a todas as perguntas da forma mais honesta que puder. No entanto, sempre levando em conta a idade da criança. Embora as respostas irão depender das suas crenças e da sua fé, se você não souber como responder, tudo bem.

Ñao tem problema dizer: “Eu não sei”. A ideia de uma possível vida pós-morte pode ser confortante para crianças mais novas, mas se o conceito não for compatível com a sua crença, também não tem problema. Você sempre poderá dizer que cada um acredita naquilo que deseja acreditar. Pessoas diferentes acreditam em coisas diferentes.

3. Faça uma pequena cerimônia para o cachorro morto

Embora nem sempre seja possível fazer o sepultamento do cachorro, a criança ainda pode tirar algum proveito de uma cerimônia, nem que seja simbólica. De fato, a cerimônia pode até ser muito útil durante o processo de luto até para o adulto.

Permitir que outros familiares também possam dizer algumas palavras sobre o quanto o cachorro significou para a família pode ser terapêutico.

Além disso, isso ajuda a criança a colocar em palavras os sentimentos que ela estaria vivenciando. Você pode enterrar (caso não seja possível enterrar o próprio cachorro morto) um dos brinquedos favoritos do cachorro.

Ou você pode também plantar uma pequena muda de árvore ou flor para celebrar a vida dele.

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Cachorro morto: Nos apegamos rapidamente aos filhotes quando eles chegam, mais difícil é nos despedir quando morrem.

4. Não se apresse em substituir o cachorro morto por outro

Mesmo que você acredite que a maneira mais rápida de ajudar a criança a superar a morte de um cachorro seja substituindo-o, é melhor esperar. Espere, pelo menos, algumas semanas antes de sugerir um outro cachorro.

As crianças são mais sensíveis e podem ser até demasiadamente fiéis aos seus animais de estimação. Com isso, podem achar que você não está ligando ou sofrendo o suficiente pela falta do cachorro morto se sugerir uma substituição tão cedo.

Para concluir:

Ninguém no mundo gosta de perder alguém querido, mesmo sendo ele um cachorro.

O ser humano possui essa característica de necessitar criar vínculos amorosos e com os animais de estimação não é diferente.

Os cachorros, por exemplo, são como membros da família, e a morte deles é sempre dolorosa. Mesmo assim, sabendo lidar com a morte de cachorro de forma adequada você vai conseguir superar essa dor.

Jamais esqueceremos dos momentos felizes que passamos com eles, e a saudade vai sempre existir. No entanto, a vida segue o seu curso e nós devemos seguir em frente sempre.

Se mesmo assim você achar que está tendo dificuldade para lidar com a morte do seu cachorro, ou não está conseguindo ajudar o seu filho(a) a superar a morte dele, a Blue Cross beneficência oferece uma linha exclusiva para suporte, acesse aqui.

Ajude seu filho a entender a morte de um animal de estimação

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Foto: Thinkstock

Independente do tipo de animal de estimação, lidar com a morte dele não é uma tarefa fácil para ninguém. Ainda mais quando o animalzinho é considerado parte integrante da família. Para as crianças, essa perda pode ser ainda mais difícil e, em alguns casos, bastante traumática.

Mas como ajudar o seu filho a lidar com a perda? A psicóloga Eliana Vieni diz que “é preciso conversar com os pequenos sobre tudo. Claro, de uma maneira mais suave e respondendo qualquer tipo de dúvida que eles tiverem. Muitas vezes, a morte de um animal de estimação é a primeira grande perda e precisa ser levada com atenção e muito carinho”.

Diga sempre a verdade

Não adianta em nada dizer que o animal não vai voltar mais ou usar qualquer tipo de comparação com as crianças. Elas apenas ficarão mais nervosas e confusas. “Dizer que ele foi embora ou escapou não é a melhor forma. Diga sempre a verdade, independente de qual for. A criança precisa saber que ele estava velhinho demais ou que morreu de alguma doença ou acidente”, comenta a psicóloga.

Para isso, fale com voz suave e dê o apoio necessário ao pequeno. “Fale com calma e explique que ele estava sofrendo. Mostre que se ele ficasse junto com vocês, ficaria com mais dor e que onde ele está, ele vai ser feliz”, diz Eliana.

Respeite a opinião da criança

Eliana sugere “que é preciso deixar que os pequenos chorem o quanto for necessário. Tentar consolá-lo só irá piorar a situação. Chore com ele e explique que essas coisas são naturais e que vocês fizeram tudo o que estava ao alcance para ajudar o animalzinho”.

Mostre que você também está triste e que vão superar essa perda juntos. “Dê muito carinho ao seu filho e deixe claro que você também está chateado. Diga que você está junto com ele sempre que precisar e oriente para que ele pense nos momentos bons em que eles tiveram quando a criança sentir muita saudade do bichinho”, diz a psicóloga.

Deixe com que a criança de despeça do bichinho. “Peça para ela fazer um desenho e se ela quiser, deixe dizer adeus ao animalzinho. Essa atitude confortará o seu filho”, comenta a psicóloga.

Evite adotar ou comprar em seguida outro animal. “A criança tem que entender que nenhum animal é substituível e que no momento certo, ela terá outro bichinho”, orienta Eliana.

Mas qual é o momento ideal para ela ter outro bichinho? “Após uns 6 meses da morte, pergunte à ela se gostaria de ter outro amiguinho. Depois de um certo tempo, a criança vai entender que cada animalzinho é um animalzinho e todos farão parte das boas memórias e momentos que passaram juntos”, sugere Eliana.

Como lidar com a perda do pet – Filhos – iG

Toda morte, seja para a criança ou adulto, gera um sentimento de tristeza e desamparo.

Para os pequenos, a situação costuma ser pior: a capacidade de aceitar a morte de um animal de estimação ainda não está bem elaborada e, quanto maior a conexão com o bichinho, maior será a necessidade de acolhimento e explicação dos pais.

Segundo Ivete Gattas, psiquiatra da infância e adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), se o sentimento de luto que surge após a perda do animalzinho não for explicitado, a criança pode ficar sem saber como lidar com a dor.

“Independentemente da idade, alguma compreensão deve ser passada”, afirma. É preciso estar atento aos sinais dados pela criança. “As mais novinhas irão mostrar os sentimentos chorando ou pela dificuldade para dormir, por exemplo. As mais velhas já terão mais capacidade de falar do que aconteceu”, completa.

Como Ajudar seu Filho Quando um Animal de Estimação Morre Getty Images

Quanto maior a conexão da criança com o bichinho, maior será a necessidade de acolhimento e explicação dos pais

Se a criança tiver menos de sete anos, por exemplo, é provável que seja necessária uma explicação mais leve, falando que o bichinho foi para o céu com outros bichinhos ou virou uma estrela. Se ela for mais velha, no entanto, é preciso explicar a ela com mais objetividade.

Mas, de acordo com a psicóloga especialista em comportamento infantil e adolescente, Maria Cristina Capobianco, a delicadeza nesta hora é muito importante: “Quanto menor a criança e mais apegada ao bichinho ela for, maior é o cuidado que os pais devem ter”, completa.

Para que tudo fique mais bem resolvido na cabeça da criança, Gattas explica que a morte do bichinho deve ser valorizada.

“Se o peixe do aquário morre, por exemplo, e os pais jogam o bichinho pela privada, isso demonstra uma forma muito superficial de lidar com a situação e a criança não elabora essa perda da melhor maneira possível”, explica. Os rituais posteriores à morte existem justamente para que haja a realização da perda, portanto, enterrar o bichinho é uma ótima atitude.

A culpa foi minha?

As crianças podem ver a morte do bichinho de estimação de maneiras bem diferentes. De acordo com Capobianco, algumas crianças podem achar que a morte do pequeno amiguinho aconteceu por algo de errado que ela fez. “É importante que ela não se sinta culpada pela morte, que ela aprenda a discriminar isso”, afirma. Para a especialista, isso pode acontecer se a família tiver o costume de colocar a culpa na criança quando algo dá errado no dia a dia.

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Além disso, outro aspecto que pode surgir para a criança é que, quando ela começa a perceber o significado da morte do animal, começa a ampliá-la para suas outras relações. “Elas vão questionar que, se o animal morre, ela e os pais também podem morrer”, explica Capobianco. “Então, um leque enorme de sentimentos pode aflorar”, completa.

Outro animal

Embora alguns pais tenham a sensação de que arrumar um substituto é um jeito da criança esquecer logo a morte do bichinho, esta não é a melhor saída. Para Gattas, são as perdas menores que sofremos ao longo da infância que nos treinam para a vida adulta.

“Se não respeitarmos o momento de sofrimento da criança e o anularmos com outro animal, ela não terá a possibilidade de elaborar o sentimento”, afirma a psiquiatra. Capobianco ainda conta que, comprar outro bichinho logo após a morte do primeiro acaba se tornando uma válvula de escape, e não dá tempo da criança aprender sobre a morte.

“A criança pode acabar desenvolvendo o comportamento parecido ao de pessoas que bebem muito ou vão às compras quando estão deprimidas”, explica. No entanto, conta que após três ou quatro meses, se a criança se interessar, é uma boa ideia que ela escolha outro bichinho.

Mas é importante lembrá-la dos bons momentos que o animal anterior proporcionou e que nenhum deles é substituível. Quando a morte do animal não é bem elaborada, a criança pode ficar mais agressiva, perder o entusiasmo ou até se recusar a fazer coisas que antes fazia normalmente. “Cada um tem o seu ritmo”, explica Capobianco.

A especialista alerta que, neste momento, é uma boa ideia também conversar com os professores da escola sobre o assunto. “Pode ser que a criança não fique bem na escola, então é legal que o professor a acolha e até converse sobre a situação com ela”, completa.

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Como Ajudar seu Filho Quando um Animal de Estimação Morre

Os cães não são considerados os melhores amigos do homem por acaso. Presentes em muitas residências brasileiras, esses animais de estimação fazem parte da família e compartilham da maioria dos momentos de alegria e também das tristezas, como ocorre em situações de desaparecimento ou morte.

“A perda de um animal pode ser sentida por todos, independentemente da faixa etária da pessoa.

Tristeza, solidão, culpa, choro fácil, mudanças no sono, falta de apetite, falta de prazer, sensação de vazio e vontade de estar com quem se foi são sintomas frequentemente experimentados diante da morte de um companheiro querido. No entanto, o sentimento de luto pode ser mais intenso e prolongado na criança”, explica a médica psiquiatra Valéria Pagnin.

A criança vive desde cedo em um mundo cercado por imagens de animais, seja em contos, filmes ou em desenhos animados.

Esses animais, dotados de falas e virtudes humanas, ensinam conceitos como amizade, lealdade, moral e ética.

Nos EUA, cerca de 3/4 da população infantil convivem com um animal de estimação e existem mais crianças convivendo em lares com pets do que em casas com ambos os genitores.

“As crianças que convivem apenas com um genitor, assim como as que não possuem irmãos, tendem a se ligar mais a estes companheiros.

No mundo real, eles são percebidos como um irmãozinho ou um amigo especial e funcionam como um importante ponto de apoio para os mais tímidos e introvertidos. Eles ensinam a ter responsabilidade, bondade, cuidado e preocupação com outro ser vivo.

Mais tarde, também vão ajudar a criança a entender o ciclo da vida e a lidar com as perdas, no momento do falecimento”, destaca Valéria.

Entenda como funciona o luto na perda de animais de estimação e veja dicas de como superar essa dificuldade na entrevista completa com a médica psiquiatra.

Por que algumas pessoas sentem mais e outras menos esse tipo de perda?

As pessoas que mais sentirão a perda serão aquelas que possuíam maior vínculo afetivo com o companheiro. Quanto mais forte a ligação afetiva, mais intenso será o luto.

Outro ponto a ser destacado é que não existem regras sociais para o luto nestes casos, então a maioria das pessoas esconde seus sentimentos. Muitos temem a rejeição social e receiam ser considerados insanos ou frágeis.

Manifestar publicamente ou não o luto é, antes de tudo, uma questão pessoal, mas com forte influência cultural. A nossa cultura atribui um valor menor à vida animal e naturalmente banaliza o luto por ela.

Para ilustrar a importância do padrão cultural na expressão das emoções, vale a pena citar o Egito Antigo, onde cães e gatos eram honrados e adorados como deuses. Quando um destes companheiros falecia, os proprietários manifestavam o luto raspando as sobrancelhas e lamentando em voz alta por vários dias.

O que explica esse sentimento de luto pela perda de um animal?

Em termos neurobiológicos, o luto pela perda de um companheiro seria modulado pelos mesmos mecanismos neurais que regulam o luto por humanos.

Pesquisadores da Universidade da Columbia University e do New York State Psychiatric Institute defendem que a ligação entre a amígdala, estrutura reguladora das emoções, e as regiões pré-frontais do córtex cerebral é responsável por regular o foco da atenção e os sentimentos de tristeza dos enlutados.

Estes mecanismos seriam os responsáveis por manter os pensamentos recorrentes com o ente falecido e pela tristeza, sintomas cardinais do luto. Porém, para entender completamente o luto, seria necessário entender a complexa relação entre o homem e estes queridos companheiros.

Anna Quindlen, em “Good Dog Stay”, descreveu a relação com seu cão como a única relação não complicada em sua vida: “o que você vê é o que você tem”.

Fromma Walsh, professora e fundadora do Chicago Center for Family Health, descreve que muitas pessoas, de crianças a idosos, experimentam uma profunda afinidade com o companheiro de estimação e que isso transcende a dimensão espiritual da experiência humana.

Poderíamos ainda dizer que esta relação se dá pelo amor fraterno, despertado pela compaixão pelo mais fraco e indefeso.

Foi tentando entender a natureza da associação homem-pet que alguns estudos se debruçaram sobre a Teoria do Apego, descrita na década de 80 pelo psicanalista John Bowlby.

Segundo Bowlby, o apego caracteriza-se, entre outras coisas, pelo desejo de estar perto, aconchegar-se, cuidar, segurar, necessidade de estabelecer contato visual e sorrir na presença do outro. O apego está presente na relação entre genitores e bebês, em relacionamentos românticos entre humanos e entre animais e seus filhotes.

É provável que a relação bilateral de apego homem-animal seja o fator determinante para o desenvolvimento do sentimento de luto. Podemos dizer que um forte apego preanuncia uma reação de luto mais intensa.

O luto por uma morte abrupta pode ser mais difícil de superar do que o luto por uma morte já esperada?

As mortes por acidentes, bem como as mortes por desastres naturais, são bastante traumáticas. O sentimento preponderante nestes casos é a culpa, já que muitos cuidadores acreditam que poderiam ter evitado o acidente. Depressão, pensamentos recorrentes com o acidente, estresse agudo e estresse pós-traumático já foram relatados nestes casos.

Sentimento de culpa também costuma ocorrer em casos em que a morte se deu por eutanásia. Alguns estudos apontam que o arrependimento e a culpa acometem mais o cuidador que autorizou o procedimento. Dúvidas frequentes costumam ser: “eu fiz a coisa certa?”, “eu tomei a decisão muito cedo?”, “esperei demais para tomar a decisão?”, “ele sofreu?”.

Alguns estudos também apontam a figura do médico-veterinário como um provedor de conforto nos dias que seguem a morte. Este seria um fator importante na diminuição da intensidade do luto. No entanto, nos casos de eutanásia, o cuidador frequentemente desenvolve sentimentos contraditórios em relação à figura do médico-veterinário.

O luto pela perda de um animal, para algumas pessoas, chega a ser maior do que na perda de algum parente. Esse tipo de comportamento pode ser considerado normal ou depende de alguns fatores?

Ainda são poucos os estudos comparando este sentimento ao luto pela perda humana. Mas, em um destes, algumas pessoas relataram sentimentos de igual ou maior intensidade do que na perda de um parente.

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Esse comportamento pode ser considerado normal em casas onde o companheiro foi amado, respeitado e incorporado como parte da família. Esse sentimento vai depender também de alguns fatores, tais como o apego e o papel que aquele companheiro representou para o indivíduo.

Nestes mesmos estudos, os participantes relataram que a presença do companheiro havia ajudado a superar períodos críticos da vida, como separação conjugal, desemprego e morte de familiares.

Quanto tempo o luto pela perda de um animal pode durar?

Não existem muitos estudos sobre o assunto, mas o tempo parece oscilar entre semanas e meses. Em um estudo, 1/3 dos entrevistados relataram luto e sentimento de tristeza por até 6 meses. Mas, de modo geral, o luto pela morte de um companheiro dura menos do que o luto pela perda de um parente próximo.

A ausência de protocolos e rituais sociais para esse tipo de luto é um fator que pesa para seu encurtamento. Nesses casos, o cuidador tem que lidar com a contradição entre seus sentimentos e os sentimentos da sociedade.

A falta de suporte social acaba fazendo com que o indivíduo ceda às pressões externas de continuar a vida sem deixar que seus sentimentos interfiram em suas atividades diárias. A evolução normal do luto é a diminuição gradual de intensidade até que reste a lembrança do ente querido, desprovida da tristeza e da dor inicial.

Quando isso não ocorre, ou em casos em que o luto se torna muito intenso e insuportável, ele passa a ser considerado patológico.

Qual é a melhor forma de lidar com esse sentimento?

A melhor forma de lidar com o sentimento é aceitá-lo. A saudade, a dor e a tristeza fazem parte do processo do luto necessário para reorganizar a vida. Embora a lembrança nunca se vá, a tristeza a ela associada vai perdendo intensidade. Enquanto isso não ocorre, algumas atitudes que marquem um encerramento podem minimizar a dor e trazer algum apoio:

  • – uma cerimônia de sepultamento em cemitério para animais ou em propriedade privada;
  • – inteirar-se das necessidades de um abrigo de animais próximo de casa, reunir amigos e familiares para uma doação em memória do companheiro;
  • – falar sobre a morte com amigos ou familiares que sabidamente se importam;
  • – plantar uma flor ou árvore em memória do companheiro;
  • – organizar um livro memorial com fotos;
  • – escrever em obituário na internet;
  • – buscar grupos de apoio ao luto;
  • – para as crianças: escrever uma carta ao companheiro falecido;
  • – e quando estiver pronto: adotar um outro companheiro.

Dra. Valéria de Queiroz Pagnin é médica formada pela Faculdade de Ciências Médicas da UERJ. Residência Médica e Mestrado em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Doutorado em Psiquiatria pela Università Degli Studi di Pisa – Itália.

Especialista em Psiquiatria pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Professora adjunta e Chefe do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal Fluminense.

Filiada ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro – CREMERJ – sob o nº 5257377-0

7 dicas para ensinar o filho a lidar com a morte do bicho de estimação

Seja qual for a idade, despedir-se para sempre de um grande amigo nunca é fácil. E a morte de um bicho de estimação pode ser a primeira experiência de perda que uma criança vivencia. Nesse contexto, os pais precisarão estar preparados para agir com cuidado e carinho.

Segundo a psicóloga Maria Júlia Kovács, coordenadora do Laboratório de Estudos sobre a Morte, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), esse é o momento em que a família pode começar a apresentar à criança duas questões fundamentais relacionadas à morte: a universalidade e a irreversibilidade.

“Todos vamos morrer um dia. É importante que a criança saiba que não terá mais o bicho como ele era, mas poderá guardá-lo na memória. O rompimento é da presença, não da relação com o animal”, afirma.

Por isso, os especialistas recomendam: não se pode esconder ou negar o fato. “Os pais não devem tentar pular esse aprendizado, com intuito de proteger a criança do sofrimento e, sim, usar esse acontecimento a fim de prepará-la para outras mortes que ela enfrentará”, fala Rita Calegari, psicóloga da rede de hospitais São Camilo, de São Paulo.

Veja, a seguir, sete dicas para ensinar o filho a lidar com a situação.

1 – Explique claramente o que aconteceu

Não tenha medo de usar a palavra “morte”. Dê a notícia de forma tranquila, simples e clara, recomenda Rita. O nível de compreensão da criança dependerá da idade. Quanto menor ela for, menos entenderá a irreversibilidade da morte.

“Após os sete anos, compreenderá melhor esse conceito e será mais fácil –porém, mais dolorido– explicar o que ocorreu”, diz Rita. Para as menores, o uso de desenhos animados que tratam a morte de uma forma mais realista –como “Bambi” e “O Rei Leão”– pode ajudar.

2 – Não use linguagem figurada

“Evite dizer que o animal está dormindo ou que foi viajar, por exemplo –a criança poderá achar que quem dorme não acorda mais ou quem viaja não volta, o que a deixará ansiosa frente a essas situações do cotidiano”, afirma a psicóloga Rita Calegari.

3 – Responda ao que for perguntado

Se a criança fizer perguntas sobre a morte do mascote, procure respondê-las de forma simples e objetiva. Mas se limite a responder apenas aquilo que ela quiser saber. “Responder à criança na medida certa colabora na elaboração emocional da situação.

Explicação demais pode acrescentar ainda mais angústia e ansiedade à que a criança naturalmente está vivendo”, diz a psiquiatra Ivete Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência do Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo.

4 – Acolha o sentimento

“Não tente mudar de assunto, distrair a criança ou tentar fazê-la esquecer a perda para poupar-lhe a dor. Simplesmente acolha o sentimento dela, afinal, o sofrimento faz parte da existência humana”, afirma Ivete.

E saiba que mesmo crianças bem pequenas podem colocar para fora seu sofrimento, das mais variadas formas.

Segundo a psiquiatra, as menores, que ainda não têm capacidade de se expressar adequadamente pela fala, ou que falam, mas ainda são bastante imaturas do ponto de vista de desenvolvimento, podem apresentar sintomas físicos, como problemas para dormir ou se alimentar. Algumas podem ficar irritadas e chorosas. E o carinho da família é o melhor remédio em todos esses casos.

5 – Organize um ritual de despedida

“Os rituais existem desde os tempos mais remotos da humanidade. Eles servem para nos ajudar a elaborar situações novas”, diz Ivete Gattás. Segundo a psicóloga Rita Calegari, as cerimônias também oferecem a oportunidade de falarmos o que sentimos e pensamos e, ao compartilhar a experiência, amadurecê-la. Por isso, é importante preparar um momento especial de despedida.

A psicóloga Maria Júlia Kovács sugere a realização de um funeral em cemitérios especializados para animais. Por questões sanitárias, não se deve enterrar o animal no quintal de casa. “Para a família ter um memorial do bicho em casa, pode-se colocar no jardim uma cruz ou outro símbolo, uma pedra ou uma pequena árvore”, fala Maria Júlia.

6 – Não substitua um bicho por outro

“Nunca se deve comprar um outro bicho parecido com o que morreu, com o intuito de amenizar o sofrimento da criança. Segundo a Maria Júlia, esse comportamento dos pais pode transmitir a mensagem equivocada de que pessoas também podem ser substituídas, o que não é verdade.

O ideal é só adotar um novo amigo ao sentir que a criança conseguiu elaborar a perda. “O tempo para a aquisição de um novo animal vai depender de como a criança se mostra, se está pronta ou não para reinvestir seu afeto”, diz Ivete Gattás. “Muitas vezes, a introdução imediata de outro mascote na vida da criança, se ela ainda não estiver pronta, pode gerar rejeição a esse novo bicho.”

7 – Prepare a criança para a morte do amigo

Quando o bicho de estimação está idoso ou doente e pode morrer em pouco tempo, vale começar a preparar a criança para a despedida. Segundo Ivete Gattás, a melhor forma de fazer isso é conscientizando-a de que a morte dará ao mascote descanso e alívio da dor. “Enfatize sempre o bem-estar do animal”, afirma Ivete.

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