Como ajudar pais que perderam um filho: 12 passos

por Valéria Mendes 19/08/2015 10:00

Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos Serviços e profissionais de saúde, assim como pais, amigos e familiares, não estão preparados para lidar com as perdas gestacionais e óbitos neonatais (foto: SXC.hu / Banco de Imagens) “Eu quero parir essa perda. Quero me despedir do meu filho”. A frase foi ouvida pelo publicitário Fabricio Gimenes, 25 anos, logo após ele e a esposa, a modista Rafaella Biasi, 33 anos, descobrirem que o filho Miguel estava morto dentro do útero da mãe. O casal que vivia o final da 40ª semana de gestação acabara de chegar ao consultório do especialista que acompanhava aquela gravidez. Rafaella já estava com 4 cm de dilatação, sentia as primeiras contrações e se preparava para um parto normal. Após uma gestação inteira sem nenhuma intercorrência, mas muitos planos e sonhos para quando chegasse o irmão de Cecília, de 12 anos, o casal foi surpreendido pela morte quando, na verdade, esperava pela vida. A notícia avassaladora foi apenas o início de uma dor que pode se mostrar ainda mais cruel. Isso por que os serviços e profissionais de saúde, assim como pais, amigos e familiares, não estão preparados para lidar com as perdas gestacionais e óbitos neonatais. Os sentimentos de solidão e incompreensão dificultam ainda mais o luto de quem perde um bebê, um ser humano que estabeleceu vínculo forte com os pais, mas que não existiu para os outros. Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos Fabricio Gimenes e Rafaella Biasi, aos sete meses de gestação, no Chá de Bençãos de Miguel (foto: Julyana Nassar/Arquivo Pessoal )

“Foi terrível, às 11h chegamos ao consultório animados, às 12h saímos desnorteados para dar entrada no hospital. Miguel nasceu às 23h. Eu não conseguia processar nada. O parto foi um momento triste, mas também muito bonito. Foi um dos momentos mais intrigantes das nossas vidas.

Eu pensava, ‘está todo mundo errado e o Miguel vai chorar na hora que sair’. Quando ele nasceu, a Rafaella o pegou no colo, colocou no peito e eu só consegui dizer ‘obrigado, meu filho, pelas transformações que vieram até agora e pelas que virão daqui para a frente’.

Nós tivemos a oportunidade de nos despedir, temos uma foto com o nosso filho, mas não é o que acontece na grande maioria dos casos”, afirma Fabricio Gimenes, idealizador, junto com a esposa, do documentário 'O Segundo Sol' que vai contar a histórias de superação das famílias que perderam seus bebês e tem estreia prevista para novembro. Veja o trailer:

O Advanced Life Support in Obstetrics (ALSO) – programa de formação multidisciplinar baseado em evidências científicas e que tem o objetivo de preparar profissionais de saúde para melhor atender emergências obstétricas -, recomenda que os profissionais de saúde insistam para que a mãe e o pai vejam e peguem o bebê no colo.

Se o casal já tiver filhos, é importante que o irmão ou a irmã também tenham a oportunidade de vê-lo, que também se despeçam. Se a família demonstrar desinteresse, é papel do profissional insistir e explicar a importância do ato, que vai facilitar o luto e a ressignificação da perda.

(Veja outros parâmetros do ALSO ao final da matéria).

Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos “Eu acredito que, por medo de tocar na ferida, as pessoas se calam, mas isso é muito ruim, por que a mulher fica sozinha com a dor” – Raquel Fernandes, consultora de beleza, 37 anos (foto: Reprodução Youtube / O Segundo Sol ) É o caso da consultora de beleza, Raquel Fernandes, 37 anos, que perdeu Gustavo Henrique na 35ª semana de gestação, há 10 anos. “Tive descolamento de placenta e corria risco de morrer”, explica. Como precisou passar por uma cesariana de urgência, quando o médico sugeriu que ela se despedisse do filho com um beijo, ela se negou. “Eu me arrependo até hoje. Eu estava em choque, não vi o Gustavo, não pude vesti-lo. Eu gostaria que tivessem me explicado que era importante, que tivessem insistido, que tivessem me oferecido novamente”, diz.Raquel conta que, na tentativa de superar a perda e suportar a dor, começou a trabalhar muito. “Fui engolindo a dor. Depois de um ano, tudo explodiu. Eu sentia dores por todo o corpo, nos braços, nas pernas e fui diagnosticada com depressão profunda. Foi aí que percebi que tinha que conversar sobre o assunto, que eu tinha necessidade de falar”, diz.Para Rafaella Biasi, que teve a oportunidade de se despedir do filho Miguel, é papel do profissional de saúde oferecer à mãe a chance de se despedir do filho ou da filha. Ela diz que, quando chegou em casa depois da partida de Miguel – após uma temporada de uma semana na fazenda da família -, se sentiu extremamente sozinha. “A solidão me motivou a procurar ajuda na internet e descobri que as famílias não tiveram o mínimo de acolhimento e amparo. Muitas mulheres relatam que foram vítimas de violência obstétrica. Nessas conversas, percebi que existe muito ressentimento, muita culpa, muito pesar, arrependimento de não ter tido a possibilidade de ver o bebê pela inabilidade do médico em oferecer. Nessa hora, a mulher não tem condição de tomar essa decisão. Vi que não ter pegado o filho no colo machucava demais, é uma corrente que se arrasta por toda a vida”, narra. Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos Ela e o marido, Fabricio Gimenes, não conseguem explicar de onde vem a força para seguir em frente. Com a morte do filho Miguel, em 6 de novembro de 2014, o casal sentiu a necessidade de fazer alguma coisa que ajudasse famílias que também perderam seus bebês. Surgiu então a ideia do documentário ‘O Segundo Sol’ que está sendo totalmente produzido com recursos próprios. “Existe uma vontade e uma necessidade de falar sobre essa perda, mas o filme não é um culto à dor. O nosso objetivo é mostrar como pais e mães que perderem seus bebês se transformaram e como é possível seguir em frente”, explica Fabricio.Raquel Fernandes é uma das entrevistadas no filme e considera a iniciativa muito importante. “Na minha época não tinha rede social, passei por tudo sozinha. Acho importante mostrar que é possível superar”, enfatiza.Atendida em um hospital público em Contagem durante uma troca de plantão, Raquel diz que sentia que sua dor era invisível para os profissionais de saúde, para sua família e para os amigos. “Eu tinha a sensação de que eu era a única pessoa que tinha perdido uma gestação. Minha mãe é muito simples, me ajudou pouco. Eu acredito que, por medo de tocar na ferida, as pessoas se calam, mas isso é muito ruim, por que a mulher fica sozinha com a dor”, observa.Quatro anos depois da morte do filho, Raquel e o marido Fernando, juntos há 18 anos, começaram a planejar uma terceira gravidez – eles já eram pais de Gabriel Lucas, 15, que tinha 5 anos na época da morte do irmão. Hoje, eles são pais também de Mariana, 4. A segunda gestação foi acompanhada com rigor e a lembrança da morte do segundo filho gerava muita tensão. “Eu ainda tomava antidepressivo, passei seis meses em completo repouso, senti cólicas durante toda a gestação, a Mariana nasceu de 35 semanas, não precisou ficar internada, mas foi tudo muito difícil. Ela é a nossa benção, nossa recompensa, mas nunca vou me esquecer do Gustavo, é uma dor que dilacera o coração e pesa muito na minha vida”, declara.

Luto não reconhecido

Psicóloga clínica e hospitalar com formação em luto pelo Instituto 4 Estações, em São Paulo, e membro da Sociedade de Tanatologia e Cuidado Paliativo de Minas Gerais (SOTAMIG), Maria Emídia de Melo Coelho afirma que as perdas gestacionais e neonatais estão na categoria do ‘luto não reconhecido’. “Essas perdas são negadas, negligenciadas, não reconhecidas e comprometem a evolução do processo de luto. São vividas em situação de isolamento e intensificam as reações emocionais como raiva, culpa, tristeza, depressão, solidão, desesperança e confusão”, afirma.Segundo ela, o despreparo dos profissionais de saúde e das instituições hospitalares agravam ainda mais o quadro. “É comum se dar grande atenção aos cuidados médicos e pouca ou nenhuma preocupação com os cuidados psicológicos dessas mães”, observa. Uma situação comum, por exemplo, são as mulheres que vão para a enfermaria e são colocadas lado a lado com mães que seguram, ninam e amamentam seus bebês enquanto naquele mesmo espaço existe alguém vivenciando uma dupla perda: a do bebê e o do ‘ser mãe’, com todas as fantasias da maternidade idealizada. Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos Maria Emídia de Melo Coelho afirma que a maternidade é uma parte importante do desenvolvimento psicoafetivo da mulher. “O processo preparatório para receber o bebê implica em profundas mudanças no psiquismo feminino. Quando esse processo é interrompido com uma perda, há uma quebra no processo biológico, instintivo e psicológico da gestação. As consequências emocionais são intensas”, afirma.O corpo que se preparou para gestar não ‘entende’ a morte e a mulher que perdeu seu bebê vai ver o leite descer, mas não terá em seus braços ninguém para sugá-lo. Mesmo em situações de bebês saudáveis, o puerpério já é um período difícil para as mulheres e também negligenciado do ponto de vista social e de acompanhamento especializado. “No puerpério, a mulher é colocada de lado, o foco se torna a criança. O cuidado é para o bebê. É a mãe quem tem que cuidar do bebê e alguém precisa cuidar dessa mãe. Mas a lógica é invertida, as pessoas querem ajudar com a criança. A mulher que não tem o bebê fica ainda mais invisível, mas ela também passa pelo puerpério. As pessoas querem que essa mulher se recupere rápido por que não querem falar do assunto. Só que a mulher não vai esquecer nunca”, afirma a doula e terapeuta holística, Kamilla Barbosa, 29 anos, mãe de Gabriel – que morreu há 4 anos durante o trabalho de parto – e Sara, 3 anos.Ela conta que quinze minutos antes de nascer os batimentos cardíacos do filho estavam normais, mas o menino nasceu morto. Kamilla também teve uma gestação saudável e diz que entre as inúmeras angústias que viveu uma delas foi não saber a causa da morte de filho. “O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), mas a autópsia não apontou uma causa clara. Isso acontece em grande parte dos casos, a gente não consegue uma explicação científica, ficamos no escuro e a falta de uma resposta nos faz sofrer ainda mais”, salienta.Sete meses depois da perda gestacional, Kamilla engravidou de Sara, sem planejar. “É comum que algumas mulheres queiram tapar o buraco engravidando novamente o mais rápido possível”, afirma. A mãe de Gabriel e Sara está começando a desenvolver em Brasília um trabalho como doula com foco no acompanhamento de mulheres que perderam seus bebês. A doula é a profissional que cuida do bem-estar emocional da gestante durante o parto e no puerpério.Para ela, Gabriel foi o seu primeiro grande mestre. “Ele me ensinou, através da dor dentro de mim, que é possível amar mais. Ele é responsável por sentimentos que nunca senti. Tive que aprender a lidar com o medo e a dor”, afirma. Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos

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Despreparo total

Como ajudar pais que perderam seus filhos

A perda de um filho é muito pior do que você pode imaginar, caso você não tenha passado por isso. Notícias com esse tópico nas redes sociais ou na televisão e dão um aperto no coração, mas não podemos imaginar até que ponto a dor pode chegar a penetrar.

Mas talvez em seu entorno você conheça pais que tiveram que passar por essa desgraça pessoal. Pode ser um amigo, familiar ou vizinho. E pode ser que tenha vivido essa tragédia muito perto de sua vida e viu a necessidade de passar conselhos bem-intencionados para tentar ajudar esses pais abatidos e afligidos pela dor. Mas dizer que “as coisas podem melhorar” não funciona. Quando uma criança morre, nada pode dar sentido a essa dor horrível que todo mundo sofre. A maioria das pessoas não está acostumada a encarar essas situações e talvez as reações sejam sem jeito ou pouco úteis. Mas é certo que nesse processo alguns conselhos podem ajudar os pais na compreensão da situação.

Não dá para corrigir

Antes de qualquer coisa, ao se aproximar de pais que estão imersos em dor, você deve estar consciente de que nada pode corrigir essa situação. A morte marcou a vida dessas pessoas.

A perda de um filho não se pode curar. Mas você pode fazer algumas coisas para que a dor não acabe com os pais. E sua bondade pode ajudar, mesmo que você não se dê conta disso.

Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos

Não utilize frases que não levam a lugar algum

Às vezes, frases são ditas sem pensar e ficam sendo repetidas nas nossas cabeças porque nos arrependemos de termos proferido. Coisas como “ao menos ele/ela não está mais sofrendo”, “agora ele/ela está em um lugar melhor” ou “com certeza está nos está vendo” não ajudam de forma nenhuma.

Não diga como eles devem reagir

Quem pode dizer como alguém deve passar pelo momento de luto perante a tragédia mais horrível de sua vida? Não se pode fazer isso e quando termina o funeral, os pais, destruídos pela dor, não podem voltar à sua vida social e ao seu trabalho como se nada tivesse acontecido.

Eles devem passar por um momento de aceitação. E cada um tem o seu ritmo, que deve ser respeitado. A dor se transformará em uma nova parte da vida dos pais porque ela não vai acabar nunca. Mas eles devem aprender a lidar com isso e com esse sentimentos, o que não é uma tarefa fácil.

É algo que não dá para superar

Se você quer ajudar os pais a lidar com a perda de um filho, não espere que eles tenham um superado isso cinco anos após o ocorrido.  Ou 20 anos. Ou 35.  A morte de um filho nunca se supera, mas se aprende a viver com ela. O que não dá é seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos

Escute sem fazer julgamentos

É necessário que você os escute,  já que eles vão precisar falar e desafogar sua dor de alguma forma. Não fale, só escute. Não julgue, só compreenda. Se você quer ser um bom apoio, vá até a casa deles, mesmo que eles estejam em um período de dor e deixe que eles falem.

Chore com eles, deixe que te abracem e dê todo o seu apoio incondicional. Não assuma que eles queiram ficar sozinhos. Ajude na limpeza da casa, fique com eles para comer e ajude nas refeições, leve-os a um restaurante, etc. Espere um tempo prudente antes de convidá-los para sair.

Mas faça sentir sua presença a todo momento.

Seja paciente com as mudanças

Acostumar-se a viver com dor não é fácil e é necessário muito tempo para se acostumar.  Os pais terão que passar por diversas fases antes de chegar ao estágio final.

Eles deverão criar uma nova normalidade, com novas tradições, pontos de vista que mudam e, no fim, se transformar em pessoas diferentes em relação a antes da perda.

 Seja paciente e não deixe de ficar ao lado deles.

Como posso ajudar alguém a lidar com a perda de um filho? | Familia

Os pais esperam para ver seu filho crescer até a maturidade. Espera-se que os pais morram primeiro enquanto seus filhos continuam o ciclo de vida. Elisabeth Kubler-Ross descreve o ciclo de sofrimento numa situação como essa.

Como Ajudar Pais que Perderam um Filho: 12 Passos

Os pais esperam ver seu filho crescer até a maturidade. Em última análise, esperamos que os pais morram primeiro e que seu filho continue o ciclo de vida. Quando este não é o caso e uma criança morre, é uma mudança de vida para os pais que às vezes são levados a uma vida inteira de sofrimento.

À medida em que os pais experimentam a dor de perder um filho, passarão pelo ciclo de sofrimento relatado no trabalho feito por Elisabeth Kubler-Ross.

Negação e raiva

Ela afirma que o ciclo da dor geralmente começa com a negação. Isso pode ser expresso em declarações como: “Isso não pode estar acontecendo comigo.” Essa é uma habilidade de enfrentamento provisória até que seja substituída pela raiva e por pensamentos como, “Por que eu?”. As pessoas podem estar com raiva de si, dos outros, e muitas vezes de Deus.

Ajudar alguém a passar por esses estágios requer a compreensão da dor que eles estejam sofrendo. Não tente fazê-los aceitar tudo o que está acontecendo. Em vez disso, permita-lhes expressar as emoções de raiva que estiverem sentindo.

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Negociação e depressão

A próxima etapa é a negociação, onde o pai pode tentar fazer um acordo com Deus para trazer seu filho de volta. Isso pode ser em forma da promessa de parar um mau hábito ou fazer algo diferente com a sua vida. Essa negociação não produzirá uma solução sustentável, de tal modo que a pessoa entrará em depressão.

Essa é uma fase difícil, pois os pais podem também expressar que querem morrer por causa da dor emocional que estão experimentando. Seja compreensivo e aceite suas declarações. Expressar o desejo de morrer, não significa que eles realmente queiram morrer ou que sejam suicidas. Entenda a diferença e ouça o que eles dizem e como dizem. Isso lhe dará uma ideia de suas intenções.

Aceitação

Por fim, a aceitação vem com expressões de “Vai ficar tudo bem.” Nesse ponto, eles começam a trabalhar com a sua dor. Perceba que as pessoas, muitas vezes, passarão por um processo de “vai e vem” nessas fases do luto. Eles poderão reexperimentar várias etapas ao longo desse processo.

Não há nenhum calendário normal para tristeza. No entanto, se a ansiedade, depressão ou os ataques de pânico durarem por mais de seis meses, incentive-os a procurar ajuda profissional através de um conselheiro ou de seu clínico geral.

É importante entender as necessidades dos pais e perguntar-lhes a respeito do que precisam. Muitas vezes eles não sabem, mas ficar lá com eles durante toda a sua experiência poderá ser o suficiente. O ciclo do luto é uma reação normal à perda. Tenha paciência, seja gentil com as pessoas que estão passando por essa traumática experiência e deixe que eles chorem a sua perda.

Como você pode ver, o sofrimento dos pais é complexo e tem múltiplas camadas.

É incrivelmente difícil lidar com essa situação que deixa os pais com uma avassaladora sensação de “pisadura na alma”, cheios de sensibilidade e necessidades emocionais.

Muitas vezes o apoio é dado apenas de imediato e dura até ao término do funeral. Lembre-se, os pais enlutados continuam a ser os pais do filho falecido.

No decorrer dos próximos anos, os pais podem achar que várias épocas do ano sejam mais difíceis, à medida que se lembrarem de seu filho e pensarem sobre os sonhos e desejos do tempo em que essa criança estava com eles. Algumas dessas vezes poderão incluir feriados, aniversários e dias próximos do aniversário de sua morte. Conforme se recordam, eles também poderão reexperimentar algumas das fases do luto.

Estar disponível durante todo o processo de luto fortalecerá seu relacionamento e ajudará a aumentar a sua empatia. Muitas vezes, as pessoas só precisam de um ouvido atento. Incentive a comunicação aberta sobre seus sentimentos e emoções.

Traduzido e adaptado por Ana Maria Castellano do original How can I help someone cope with the loss of a child?, de Russell C. Gaede, PsyD.

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Coração de mãe em luto

Após perder o filho Dudu, de 21 anos, em um acidente, há três anos, Andréa Murgel começou a escrever aquilo que sentia em um caderno, como se fosse um diário. O hábito, somado ao apoio dos familiares e de uma terapeuta, a ajudou a passar pelo processo do luto.

Andréa mantinha também um blog, no qual escrevia também um pouco do que sentia. Em resposta, recebia os comentários de muitas mães que se identificavam com o que ela passava.

Muitas reclamavam de falta de apoio de amigos e parentes, que não sabiam como agir ou não entendiam muito bem o sofrimento delas.

Andréa se reencontrou na escrita, se recuperou e canalizou as energias para ajudar essas mulheres, com as quais compartilhava a mesma dor.

A diferença, é que elas não tinha o mesmo suporte para superar a perda e retomar as rédeas da própria vida, ainda que com saudade extrema do filho que se foi.

Com embasamento teórico sobre terapia do luto, a qual estuda a fundo até hoje, ela começou a gravar vídeos e dar palestras. Não demorou para que fosse convidada a transformar os textos de seu diário e de seu blog em livro.

O amparo a essas mães que perderam seus filhos começou a ser institucionalizado por meio do livro Mariposa azul (editora Sinergia) e do projeto ligado a ele, S.O.S. Mãezinha.

O objetivo é acolher e levar conhecimento sobre luto e superação de perdas para todas as mães que vivenciam a morte dos filhos. Segundo Andréa, muitas ficam perdidas e desorientadas com o fim de um capítulo de suas vidas, muitas cometem suicídio, muitas passam a vida de luto.

A esperança é fazer com que elas consigam sobreviver com instrução e amparo de outras mães, unidas pela mesma tragédia.

Como você define a sensação de perder um filho?

A gente morre junto. Quando perdi o Dudu, fiquei sem chão. Aquela Andréa é diferente da Andréa de hoje. A dor permanece tirando um pedacinho do meu coração a cada dia, e a tristeza está lá quietinha. Sabemos que teremos de viver com isso e com tanta saudade. Então, caminho um dia após o outro e não há um sequer  em que não pense no Dudu.

Você se apoia muito na religião. Sempre teve fé? Ela mudou de alguma forma depois da perda?

Eu sempre tive muita fé. Por um tempo, depois de perder o Dudu, eu a perdi também, mas acabei recuperando. Chega um momento em que a gente precisa acreditar que existe algo maior. Sempre fui envolvida em causas sociais. Minha perda só fez com que eu canalizasse minhas energias para mães que, como eu, perderam seus filhos.

Como você avalia o suporte 

que teve durante seu luto?

Diferentemente de muitas outras pessoas, tive muita gente disposta a ajudar, mas elas não sabiam bem como. Fiz terapia do luto com uma pessoa maravilhosa, que me ajudou a entender que existia o processo do luto, algo que era estudado mesmo pela medicina. Mas foi estudando sozinha, compreendendo aquilo pelo que estava passando e me identificando na teoria, que fiquei bem.

Você diz que continuar vivendo foi uma escolha feita em um certo ponto do sofrimento. Como foi isso?

Estava passando pela terceira fase do luto, quando a gente sente muita raiva de tudo. A gente vê uma família feliz e pensa: “Por que comigo?”. Mas, de repente, recebi uma luz. Foi aí que eu cheguei à conclusão de que ia viver e fazer isso homenageando o Dudu, que sempre foi um menino feliz e intenso.

A sociedade sabe lidar com o luto? 

Há pouco tempo, começou-se a falar mais sobre o luto, mas de forma ainda tímida. O problema é tanto da sociedade quanto dos especialistas. O Brasil engatinha no processo de educar as pessoas para isso. Os terapeutas tentam correr atrás, mas há poucos cursos a respeito.

Quanto à sociedade, a dor do luto acaba sendo solitária porque as pessoas não sabem o que dizer, acabam falando coisas que não deviam como: “Você tem que estar feliz. Ele está bem”. Outras te cortam se você começa a falar sobre a pessoa que faleceu; outras preferem não te encontrar.

Na verdade, elas não precisam falar nada. Um abraço é o suficiente. A sociedade também cobra muito da mãe que perdeu um filho. Uma vez, recebi um e-mail de uma mãe dizendo que o marido a cutucava todo dia, dizendo que ela deveria sorrir. Isso é cruel.

Cada um tem seu tempo e o de uma mãe pode ser e, geralmente é, mais longo.

Qual seria o conselho principal que você teria para dar a uma mãe que perdeu o filho? O conselho seria o mesmo para um pai ou um irmão?

O conselho para pais e irmãos é um pouco diferente, mas, para as mãezinhas, vai depender de que fase do luto em que estão. Não existem conselhos, mas o apoio, o simples estar juntas, e as palavras de solidariedade de alguém que também viveu o luto.

Existe o jeito correto de os familiares lidarem com aquela mulher da família que acabou de perder um filho?

Acredito que, se os familiares começarem a pensar que ninguém tem a noção da imensa dor que é perder um filho, e que as dores não podem ser comparadas; já começamos com um longo passo. Depois, estar presente para quando ela precisar, sem forçar a barra.

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Dar amor, carinho e compreensão e, principalmente ouvi-la. Não esperar que ela se levante enquanto não puder, ou que volte a ser a mesma, ou que volte para a vida rapidamente.

É muito difícil também para os familiares, mas creio que se houver essas demonstrações, ao final, tudo sairá bem da melhor forma possível.

Quais são as fases do luto? Existe alguma com a qual as pessoas, normalmente, têm mais dificuldade de enfrentar?

São cinco: negação ou entorpecimento; raiva; negociação; tristeza profunda e aceitação. Nós podemos nos ver em cada uma delas e o luto, muitas vezes, se transforma numa montanha-russa de fases. Em minha opinião, a fase mais difícil é a tristeza profunda, pois estamos colocando os pés no chão.

A dor é muito forte e, na maioria das vezes, buscamos um isolamento, pois é aí que começamos a aceitar o que não tem retorno. Depois da última fase, devemos aprender a caminhar com um coração de cristal, que, muitas vezes vai se quebrar em pedacinhos, nos fazendo chorar e sentir aquela dor da saudade imensa.

Depois, voltamos ao normal.

Como você esperava ajudar as mães com o Mariposa azul e como você ainda espera ajudar com o projeto S.O.S. Mãezinha?

O processo de luto é idêntico entre todas nós. É importante que as mães que estão passando por ele entendam que é só um processo e que ele tem fim. Além disso, só uma mãe que sofreu a perda de um filho entende outra mãe nessa situação.

Algumas não se sentem confortáveis para falar sobre a perda, algumas ficam em negação por muito tempo e outras chegam a tentar suicídio. Isso é muito sério. Uma vez, uma mãe me questionou: “Como assim, você superou o luto? O luto é para sempre.” Tive que explicar que não, que o luto é só um processo.

A dor continua, a saudade continua, mas a gente tem que seguir adiante e se recuperar.

Desintoxicação de cocaína: saiba como o corpo reage quando está livre da droga

O processo de desintoxicação de cocaína não é uma jornada fácil. Se reconhecer a dependência já é algo que exige bastante trabalho, o diagnóstico correto e o tratamento também pedem paciência e persistência para um resultado efetivo.

O fácil acesso às drogas é um fator de complicação para livrar uma pessoa do vício. Segundo o Levantamento Global de Drogas (GDS, na sigla em inglês), comprar cocaína no Brasil só não é mais barato do que na Colômbia.

Dados de 2017 do relatório apontam que o grama de cocaína no Brasil custa R$ 32 (9,4 euros). No país vizinho, ele custa R$ 13 (3,5 euros).

  • Também de acordo com o levantamento, o Brasil é o país onde as pessoas mais procuram os serviços de emergência devido ao uso de cocaína.
  • A seguir, vamos compreender como o organismo de um dependente dessa droga reage à substância e como se dá o processo de desintoxicação.
  • Também vamos falar sobre algumas medidas após o tratamento que evitam recaídas e garantem uma vida plena para a pessoa que se recuperou da dependência.

Como a cocaína age no organismo?

A cocaína é uma droga recreativa que age no sistema nervoso do indivíduo. Ela pode ser aspirada ou injetada. Essa substância é classificada como estimulante, pois eleva os níveis de atividade do organismo, reduz a fadiga e ativa os sentidos, promovendo o chamado estado de alerta.

Esses primeiros efeitos acontecem em questão de segundos após o contato desse composto com o organismo. Geralmente, eles duram entre 30 e 40 minutos.

Em um segundo momento, após o uso, a cocaína provoca a sensação de depressão, tensão e vontade de consumir mais quantidades da droga.

A cocaína provoca pequenas lesões no cérebro de quem a consome. Por isso, no médio e no longo prazo, efeitos neurológicos mais intensos tendem a surgir e alguns danos podem ser irreversíveis. Eles podem ser:

  • cognitivos: perda da memória, perda da capacidade analítica, dificuldade de concentração;
  • físicos: dores de cabeça, falta de ar, desnutrição, destruição do septo nasal.

O consumo recorrente de cocaína faz com que o organismo se torne mais resistente a essa substância. Assim, à medida em que os efeitos de curto prazo duram menos, o dependente passa a querer usar cada vez mais droga para prolongar essas sensações.

Vale lembrar que o uso desse composto em grandes quantidades pode provocar uma overdose e até a morte do dependente químico. Nesses casos, a cocaína pode provocar arritmia, infarto, trombose, derrame cerebral (AVC) e insuficiência renal e cardíaca.

Resultados da desintoxicação

O processo de desintoxicação do organismo de um dependente químico não é simples. Restringir o consumo da droga não é recomendado e pode até oferecer risco à saúde da pessoa em casos mais graves.

Assim, durante essa fase, a ingestão dessa substância deve ocorrer em doses gradualmente menores até a completa desintoxicação.

Esse processo pode gerar alguns efeitos colaterais, como o aparecimento de sintomas que antes estavam mascarados pelo uso da substância.

Nesse sentido, depressão e outros transtornos mentais podem acometer um indivíduo em tratamento. Por isso, pode ser necessário administrar medicamentos para combatê-los.

Não é incomum que o tratamento de um dependente de cocaína exija a internação. Isso porque a desintoxicação demanda o auxílio de uma equipe multidisciplinar (formada por médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros profissionais) e infraestrutura adequada.

Além disso, esse procedimento faz com que o dependente químico se afaste de situações que possam favorecer o consumo da droga.

Vale ressaltar que o objetivo principal desse tratamento é fazer com que o indivíduo volte ao convívio social livre das drogas.

O sucesso do tratamento vai depender da forma como o organismo do paciente reage à desintoxicação. Isso pode levar meses e até mesmo alguns anos, dependendo de sua disposição para se manter afastado do consumo de drogas.

Por isso, o principal passo para ajudar um dependente químico é fazer com que ele reconheça o vício e entenda a necessidade de buscar o tratamento adequado. Isso é fundamental para evitar recaídas após a desintoxicação.

O segundo passo, tão importante quanto o primeiro, é buscar ajuda médica especializada. Cada organismo reagirá de um modo diferente ao tratamento. Por isso, o diagnóstico correto do paciente permitirá um tratamento mais efetivo.

Somado a esses esforços, é preciso criar um ambiente em que o dependente se sinta seguro e confiante. O diálogo é fundamental para conscientizá-lo sobre sua situação e estimular a continuação do tratamento.

Esse contato será determinante para uma recuperação eficaz e para a qualidade de vida do paciente.

Pós-tratamento

Nesta etapa, o paciente já deve ser capaz de reconhecer as situações que o levaram ao vício e trabalhar ativamente para evitá-las. O indivíduo deve levar normalmente sua vida, sem o risco de voltar ao estado de dependência.

Por isso, terminada a fase de desintoxicação de cocaína, é necessário o acompanhamento médico periódico. O tratamento psicológico também é altamente recomendado nesses casos.

  1. Frequentar um grupo de autoajuda pode ser útil para que a pessoa divida suas dores com outras na mesma situação.
  2. O importante é que o paciente tenha em mente que o processo pelo qual ele passou requer uma mudança de estilo de vida.
  3. O ideal é que ele se afaste do convívio com pessoas que consomem drogas de qualquer tipo para evitar o contato com essas substâncias.
  4. Também é interessante que ele próprio identifique situações emocionais que o levaram à dependência da droga, como traumas ou insatisfações pessoais.
  5. O combate a essas causas também requer um esforço contínuo e o apoio psicológico profissional é ideal para ajudar um paciente nessa situação.

Todos esses cuidados devem ser tomados por toda a vida da pessoa para evitar uma recaída. Consumir drogas após passar por um tratamento de desintoxicação tem um efeito ainda mais nocivo ao organismo de uma pessoa e pode até causar sua morte.

Agora que você sabe mais sobre o processo de desintoxicação de cocaína, pode avaliar melhor quais são passos necessários para pedir ajuda ou auxiliar um dependente químico. Entre em contato com nossos especialistas para buscar um tratamento adequado. Quanto mais rápido for o diagnósticos, mais chances há de uma recuperação eficaz.

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