Como capturar um rato sem matá‐lo: 10 passos

Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 PassosEssas são ratazanas domésticas, mas em quase nada diferem de ratazanas que vivem soltas pelas grandes cidades. Descrição para deficientes visuais: Duas ratazanas cinzas e patinhas cor de rosa olham para a câmera. Foto: Internet

Fátima ChuEcco/Redação ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais

Muita gente adora cachorro e gato, mas tem pavor de ratos e não se importa em matá-los das formas mais terríveis possíveis, com venenos e ratoeiras que, aliás, às vezes prendem uma das patas causando enorme dor e desespero por horas.

Especialmente nessa época do ano, de calor, os ratos urbanos circulam mais pelas residências, especialmente sótãos, galpões e porões, e as empresas dedetizadoras lucram muito com um método que, além de perigoso para outros animais e pessoas, resolve o problema apenas temporariamente.

Há muitas maneiras simples de se evitar ratos sem causar consequência nociva ou dolorosa para eles, conforme se pode conferir nas orientações contra roedores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).

O acúmulo de lixo e de material de construção velho, especialmente madeira, papelão e fios elétricos, é o que mais atrai ratos e evitar esse tipo de sujeira ou entulho já é meio caminho andado para evitar roedores perto ou dentro de casa.

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Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 Passos

Mas existem outras medidas de controle natural recomendadas por biólogos. Sendo animais extremamente sensíveis a adores, podem ser repelidos com areia de gato usada.

É preciso encher uma cumbuca com areia com urina de gato e colocar no local onde se percebe a presença de ratos – geralmente há fezes roliças com cerca de 1,5 cm espalhadas no local.

A cumbuca deve receber areia de gato usada todos os dias (quanto mais a urina estiver recente melhor). Entre cinco e sete dias os ratos devem desaparecer do local supondo que há gatos residentes.

Claro que para que isso aconteça é necessário que exista uma rota de fuga, ou seja, janela ou algum tipo de abertura que dê acesso à rua. E, uma vez percebendo que os ratos se foram, é preciso vedar essa mesma abertura para que não retornem, além de manter o local limpo.

Em geral, casas com gatos não possuem ratos. Só o cheiro dos gatos já repele ratos – desde que existam rotas de fuga (isso é importante).

Mas se os ratos estiverem em local fora da casa, em um anexo no quintal ou compartimento onde os gatos não entram, basta colocar a areia lá e aguardar alguns dias. Quem não tem gato pode pedir para um amigo ou vizinho a areia usada.

Bichinhos de pelúcia que tenham tido bastante contato com os gatos e estejam cheios de pelos dos felinos também ajudam.

Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 PassosO rato de esgoto ou telhado é envenenado nas grandes cidades, mas o perigo pode aumentar se ele morrer dentro das casas. Descrição: Close de um rato saindo de um cano. Foto: Internet

Outro repelente natural é o óleo essencial de hortelã-pimenta geralmente vendido em casas de produtos naturais. Um pequeno frasco custa entre R$ 30 e R$ 35, mas é muito eficiente.

Algumas gotas devem ser colocadas em pontos estratégicos do lugar onde há ratos e algodão embebido com o óleo deve ser deixado em diversos cantos. O cheiro desse óleo é bastante irritante para as narinas dos ratos e eles deixarão o local rapidamente.

A planta hortelã-pimenta é outra opção, mas somente se o local permitir que ela se desenvolva, pois, sem luz e ventilação ela morrerá em pouco tempo e de nada servirá. Esse tipo de planta é melhor ter ao redor da casa.

Vale lembrar que nem a areia e nem o óleo ou plantas repelentes ajudarão se o local continuar infestado de coisas velhas ou lixo que os ratos adoram roer e comer.

O perigo de matar ratos

Os ratos de esgoto ou telhado são mamíferos muito inteligentes e não costumam ser agressivos com humanos, pelo contrário, ao mínimo ruído se apavoram e fogem.

O problema é que a urina desses ratos transmite leptospirose e outras doenças, e as pulgas deles transmitem enfermidades graves como peste bubônica, entre outras, sendo algumas fatais.

Por isso, quando um rato é morto dentro de uma casa há o risco das pulgas saltarem para os animais domésticos e pessoas.

Além disso, conforme o próprio CCZ orienta, é proibido o uso de veneno de ratos onde há circulação de outros animais (como cães, gatos e pássaros) e pessoas.

Esses venenos comprados em supermercados são extremamente tóxicos levando a dolorosas mortes e são fatais para outros animais e humanos.

Se um cachorro ou gato ingerir esses venenos aplicados em locais de circulação livre, o tutor pode e deve denunciar na delegacia mais próxima.

Usar chumbinho é crime!

Alerta para o “famoso” chumbinho: é proibido vender, comprar e usar.

Proibido! Outro veneno proibido é o composto 1080 ou Monofluoracetato de sódio, mas infelizmente comercializado e usado por muita gente.

Em animais domésticos e no ser humano esse veneno age no sistema nervoso central, sistema respiratório e no coração levando a convulsões e morte em apenas 30 minutos. Tão mortal quanto o chumbinho.

Caso um cachorro ou gato seja envenenado, o tutor deve pedir um laudo veterinário e registrar um Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia. É crime de maus-tratos contra animais (ainda que a suposta intenção tenha sido matar ratos) e crime de comercialização e/ou uso de raticidas proibidos.

E como salvar um animal que tenha ingerido chumbinho?

O socorro deve ser muito rápido, em no máximo 30 minutos após a ingestão do veneno. O melhor é ir direto para um veterinário que tenha atendimento emergencial. Outra medida é usar carvão ativado para retardar um pouco o efeito do veneno enquanto se vai ao veterinário.

Esse carvão é vendido em cápsulas em farmácias e deve ser dado com o animal consciente até 30 minutos depois da ingestão do veneno. Não se deve dar leite e nem provocar o vômito porque as substâncias cáusticas do raticida causam queimaduras químicas nas vias aéreas e esôfago.

Uma excelente matéria sobre salvamento de animais envenenados pode ser lida no link http://greenme.com.br/morar/gato-e-cachorro/393-saiba-como-proceder-em-caso-de-envenenamento-de-caes-e-gatos

Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 PassosOs ratos podem ser facilmente repelidos evitando-se acúmulo de lixo e entulho. Descrição: Rato cinza está num campo verde comendo ração de uma latinha sobre um tronco. Foto: Internet

E quanto aquelas caixas usadas por dedetizadoras? São seguras?

Esse método empregado por dedetizadoras é autorizado, mas não é eficiente e muito menos seguro se outros animais tiverem acesso as caixas com veneno, geralmente, cor de rosa.

As empresas alegam que o veneno é amargo e que, por isso, cães e gatos, no máximo, dão uma lambida e depois largam. O problema é que uma lambida pode ser fatal para um filhote ou mesmo para um animal adulto mais sensível.

Para os passarinhos certamente uma única bicada pode ser fatal.

Por isso as dedetizadoras só podem colocar essas caixas em locais onde não circulam animais que não são alvo do veneno. Isso é lei! Devem ser colocadas em locais fechados como porões e sótãos por exemplo.

Infelizmente, o que se vê são essas caixas espalhadas ao ar livre, garagens abertas, estacionamentos e pátios de supermercados.

Como elas possuem uma abertura por onde presume-se que o rato entra para comer, quando chove, a água também entra por esse orifício e espalha o veneno contaminando tudo ao redor.

Mas esse não é o único problema. Os ratos vivem em grupos muito bem articulados. Há uma líder (geralmente fêmea) e vários, digamos “soldados”. Na presença de uma caixa lotada de um possível alimento (que na verdade é o veneno), quem consome primeiro é um soldado (geralmente um rato mais idoso).

Se ele morre ou não retorna para o ninho, mais nenhum rato consome aquele produto e o grupo se afasta do local. Mas é por uns meses. Daí a ineficiência desse tipo de ataque.

Se o lugar continuar apetitoso para os ratos com lixo e entulho, depois de uns tempos eles voltam e a líder já terá em sua memória que as caixas pretas devem ser evitadas.

Os ratos são bem inteligentes. Com cumbucas de areia de gato eles tendem a deixar o local. Descrição: rato cinza de corpo inteiro. Foto: Internet

Então, segundo o CCZ, biólogos e pesquisadores, a maneira mais simples, econômica e eficiente de evitar ratos é não acumulando lixo e entulho, vedando aberturas por onde eles possam entrar e se alojar e, no caso de uma invasão de ratos, usar estratégias e repelentes naturais.

Foi assim que a Europa conseguiu acabar com a peste bubônica. Não foi caçando e envenenando ratos. Foi espalhando gatos na cidade. Em pouco tempo os ratos fugiram para os esgotos ou outros abrigos levando as pulgas, causadoras da peste, com eles.

O método de controle natural é também o mais ético, sem causar sofrimento a um animal que é apenas mais um “fruto” das grandes cidades.

Fontes: essa matéria foi escrita com base em orientação cedida pelo CCZ de SP e pesquisa sobre métodos de controle natural de ratos

*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

Como eliminar ratos no forno do fogão?

Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 Passos

Os ratos são atraídos por migalhas de alimento dentro e no entorno do fogão e uma vez instalados no forno será uma tarefa difícil de resolver, mas não impossível, com nossas técnicas de como eliminar ratos no forno do fogão. Confira!

  • Pois é, estes bichos, os ratos, adoram fogões, tanto, que se você reparar bem, uma pergunta muito comum na internet é: se eu ligar o forno o rato sai?
  • Pode parecer bobagem, mas a maioria de nós não gosta de ratos e não quer lidar com eles, então, simplesmente acender o forno pode parecer uma boa ideia.
  • Mas, me permita explicar que, há dois problemas nesta técnica para eliminar ratos.
  • Primeiro; é possível que o rato saia bem antes de você ligar o forno, mas, vai fazer isso toda vez que ele voltar? Sim, ele vai voltar.
  • Segundo; e se ele não sair? Neste caso, você pode se ver na obrigação de ter que fazer uma limpeza bem desagradável no forno.
  1. Resumindo, a melhor solução para este problema, é descobrir como proteger o fogão de ratos.
  2. Pode dar um pouco de trabalho, mas, pelo menos, o problema estará resolvido, porque como sempre dizemos por aqui, é preciso entender a motivação do bicho.
  3. Ou seja, tomar umas poucas medidas para evitar que os ratos sejam atraídos para o seu forno.

Como proteger o fogão de ratos em 4 passos

Como você já deve estar imaginando, estas dicas são uma mistura de bom senso, com algumas técnicas mais avançadas.

Então, o que atrai ratos em qualquer lugar? Comida e abrigo, certo?

Primeiro passo para eliminar ratos (de qualquer lugar)

Limpeza. Se estão sendo atraídos para o seu forno, é porque há pequenas partículas de comida por lá.

  • Sendo assim, o primeiro passo é o mais óbvio, fazer a melhor limpeza possível nas bocas, no forno em si e também, no piso ao redor do fogão.
  • Para funcionar, é preciso que você se acostume a fazer isso com mais frequência do que já faz.
  • Mais importante, não basta uma limpeza de aparência, é preciso se dedicar, porque até os respingos de gordura são chamarizes que você precisa eliminar.
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Segundo passo para eliminar ratos do fogão

Com o fogão e o piso limpos, é hora de resolver o problema do abrigo, afinal, o interior do forno é um local perfeito para ninhos de rato.

Neste ponto, você vai precisar de um pouco de paciência para retirar aquela tampa que há no fundo do forno (se for desmontável) ou, procurar os buracos de entrada.

O ideal, é tampar todos os buracos externos com palha de aço. Se possível, utilizando um spray de látex para vedação.

Mas, a palha de aço já é uma grande barreira, uma vez que os ratos não conseguem roer o material.

ATENÇÃO: não utilize materiais inflamáveis no interior do fogão.

Terceiro passo (quando necessário)

  1. Ao verificar as partes internas de seu forno, pode descobrir ninhos de rato e neste caso, é preciso tomar uma precaução extra.
  2. Não basta remover os restos do ninho, é preciso desinfetá-lo primeiro e para isso, você pode utilizar água sanitária.

  3. Usando luvas para se proteger, misture algumas gotas de água sanitária em um spray com água, agite bem e borrife o ninho.

Deixe agir por cerca de dez minutos e depois, já poderá jogá-lo no lixo.

Uma vez removido o ninho, limpe novamente a área, por garantia.

Quarto e último passo, a conclusão do trabalho

  • Os três primeiros passos já devem servir para eliminar ratos no seu forno, mas, você não quer que eles voltem, certo?
  • Então, para encerrar, faz sentido utilizar um repelente natural: óleo de pimenta puro, sem diluir.
  • Basta embeber algumas bolas de algodão e espalhar no entorno do fogão (não dentro do forno).
  • Com isso, criamos uma barreira natural contra os bichos, mas, você deve trocar estas pelotas de algodão uma vez por mês.
  • Talvez menos, porque o importante é que o odor da pimenta esteja fresco e forte o suficiente, para funcionar como repelente.

É permitida a reprodução parcial ou total deste conteúdo em outros sites e/ou blogs desde que mencionada a fonte – Fonte: Ribeira Dedetizadora – https://www.ddribeira.com.br/

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Ribeira Dedetizadora e Desentupidora

Controlo de Roedores sem Químicos

Os Rodenticidas são um meio eficaz de Controlo de Roedores, no entanto, muitas pessoas ficam receosas de utilizar produtos químicos venenosos na sua Casa, especialmente na presença de crianças e animais de estimação. Neste sentido, existem alguns métodos de Desratização alternativos, no entanto, é necessário algum cuidado e competência para obter resultados eficazes.

Nenhuma das metodologias é isenta de riscos ou garante a obtenção de resultados, uma vez que isso depende da forma como as mesmas são aplicadas.

Tanto os Roedores vivos como mortos podem propagar doenças infecciosas e parasitas.

Além disso, é essencial que cada método escolhido seja apoiado por medidas de prevenção, para impedir que os Ratos e as Ratazanas tenham acesso a comida e abrigo, certificando-se de que não podem voltar.

Na escolha de um método de Controlo de Roedores, deve-se ter em consideração:

  • A escala da Infestação;
  • A competência da pessoa responsável pelo trabalho;
  • Os riscos para outras pessoas, animais de estimação e vida selvagem.

Armadilhas para Roedores

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Armadilhas com Isco

As Armadilhas geralmente requerem a utilização de um isco para atrair os Roedores. Os mesmos têm uma visão deficiente, mas um paladar e um olfacto altamente desenvolvidos para localizar alimentos. Os Ratos e as Ratazanas precisam de comida fresca, de preferência com um aroma que os atraia suficientemente perto para serem capturados.

Eles preferem cereais, carne, peixe, nozes e também irão comer diversos alimentos processados, como manteiga de amendoim, chocolate, geleia e queijo (embora este não seja o seu alimento preferido, como muitos nos levam a crer).

Timidez perante Armadilhas com Isco

Os Ratos inicialmente evitam qualquer elemento novo colocado no seu ambiente e, posteriormente, investigam-no com precaução. Este “medo do novo”, ou neofobia, pode levar alguns dias a superar.

Para todos os Roedores, se existe uma experiência adversa, a timidez pode durar semanas ou meses.

Com Iscos de comida, eles podem primeiramente comer pequenas quantidades para testar o sabor e a reacção antes de o aceitarem.

Ao colocar armadilhas com comida, mas sem as accionar por algum tempo, vai contribuir para que os Ratos e as Ratazanas superem qualquer timidez em relação à Armadilha e ao Isco.

Armadilhas de pressão/mola

As Armadilhas que são projectadas para eliminar Roedores com mola precisam de ser usadas com alguma habilidade, no sentido de se posicionar correctamente e evitar afectar outros animais selvagens, animais de estimação e crianças. As Armadilhas têm vantagens sobre os Rodenticidas quando se trata de pequenas Infestações em pequenas estruturas, como em Casas e garagens, como por exemplo:

  • Evitam o uso de químicos tóxicos;
  • São baratas;
  • Permitem que o utilizador veja facilmente se um Roedor foi capturado;
  • Capturam o Roedor, facilitando a eliminação do seu corpo e evitando os odores provenientes da sua decomposição num local inacessível ou de difícil acesso.

As Armadilhas devem ser colocadas nas zonas de passagem dos Roedores, geralmente junto a uma parede, atrás de objectos como frigoríficos ou armários. Coloque o lado do gatilho nivelado contra a parede, ou use duas Armadilhas com os gatilhos em direcções opostas.

Poderá precisar de colocá-las em diversos locais para atingir a população da Praga de forma rápida e eficaz.

Se puder colocar as Armadilhas numa rota que sabe ser utilizada pelos Roedores regularmente, então poderá nem precisar de usar Iscos – isto porque ao passarem apressadamente, vão simplesmente esbarrar nas Armadilhas.

As Armadilhas devem ser verificadas frequentemente para se proceder à remoção dos Roedores capturados entretanto.

Além disso, elas nem sempre provocam a morte do animal, por isso deve vê-las regularmente para eliminar humanamente qualquer Roedor que esteja preso e vivo.

Se as Armadilhas forem utilizadas no exterior, devem ser colocadas em túneis naturais ou artificiais para alcançar a Praga de Roedores e proteger o Isco da chuva, bem como animais que não pretenda capturar.

Armadilhas de captura viva

Estas apresentam um mecanismo de captura por mola ou desbloqueio electrónico que fecha a porta do dispositivo quando um animal acciona o mecanismo. Tal como acontece com as Armadilhas de mola, os animais são atraídos pelo cheiro da comida, portanto, é necessário introduzir alimentos atractivos e frescos sobre o mecanismo de ativação e renová-los quando os mesmos se deterioram.

Estas Armadilhas devem ser verificadas frequentemente para libertar quaisquer animais capturados que não façam parte da Praga alvo.

Armadilhas de Electrocussão

Estas são Armadilhas fechadas que detectam a entrada de um animal, fecham as entradas e emitem uma carga eléctrica de alta tensão através de algumas placas metálicas na base do dispositivo para eliminar o Rato ou a Ratazana.

As placas metálicas devem ser mantidas limpas para assegurar que a carga adequada é descarregada no Roedor.

Estas Armadilhas são dispendiosas e nem todas podem ser usadas no exterior, devido à utilização de rede eléctrica e à falta de protecção dos componentes da chuva e da humidade.

Tal como acontece com outras Armadilhas, poderá precisar de vários dispositivos e os mesmos têm que ser verificados frequentemente para remover quaisquer animais mortos. Os fabricantes dão relevo como vantagens deste método uma morte limpa e a fácil eliminação dos resíduos sem manusear o Roedor, no entanto, outros animais que não a Praga alvo podem também ser mortos pelo mesmo dispositivo.

Placas de cola

Estas placas estão disponíveis em algumas superfícies comerciais, mas são consideradas desumanas por alguns especialistas.

Tratam-se de placas de tamanhos variados, cobertas com uma cola muito pegajosa, muitas vezes misturada com um aroma alimentar, concebidas para imobilizar um animal que passe sobre elas.

Como não são discriminantes, podem capturar outros animais, incluindo animais de estimação, Cobras (algumas são vendidas especificamente para capturar Cobras), Aves e Morcegos, por isso precisam de ser verificadas regularmente.

O animal não é morto pela armadilha, o que significa que quando captura um Roedor precisa de saber como eliminá-lo humanamente.

Os animais sofrem dor e stress e podem magoar-se ao tentar escapar das placas de cola. Eles podem ficar cobertos com a própria urina e fezes enquanto entram em pânico e lutam para se libertar.

Se deixado lá, o animal vai sofrer de desidratação, fome e exaustão, morrendo após 3 a 5 dias.

Existe risco também para quem tente retirar o animal vivo: desde ser mordido pelo animal assustado e descontrolado a ser contaminado pela urina e fezes do animal, tanto na placa como na área circundante.

Armadilhas de Alta Tecnologia

A tecnologia de hoje em dia pode fornecer uma “melhor armadilha para Roedores”. A Rentokil desenvolveu a armadilha para Ratos RADAR para Controlar esta Praga de forma Humana. Trata-se de um dispositivo em forma de caixa rectangular com uma entrada em cada extremidade para o Rato entrar.

Quando o Rato passa pelos detectores de infravermelhos é desencadeado um mecanismo que fecha as portas e sela o dispositivo. É automaticamente libertado dióxido de carbono para eliminar o Rato de forma rápida e Humana e mantê-lo isolado do exterior para evitar qualquer perigo de contaminação.

Uma luz de aviso no exterior da unidade assinala que um Rato foi capturado e um sinal automático pode ser transmitido através de uma rede de rádio e internet para registar a captura e alertar o Técnico de Serviços responsável de que a unidade necessita de atenção..

Este dispositivo foi projectado para uso em Empresas, onde um elevado grau de Higiene e Controlo de Pragas seja essencial, bem como os registos detalhados das medidas de Controlo de Pragas para requisitos Legais.

Repelentes de Roedores

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Ultrassom

Os Ratos e as Ratazanas podem ouvir e comunicar através frequências de ultrassom superiores à amplitude auditiva dos Humanos, Cães e Gatos.

Considera-se, portanto, que o ultrassom de alto volume é capaz de repelir Ratos e Ratazanas sem afectar seres Humanos, Cães e Gatos.

No entanto, o ultrassom dissipa-se rapidamente com a distância e é bloqueado por objectos, pelo que é improvável que o som se propague para muito longe num espaço grande e complexo – como uma Casa.

Existem apenas alguns indícios de que o ultrassom tenha um efeito, embora limitado, quando utilizado em espaços muito pequenos.

Existem diversos dispositivos electrónicos no mercado que produzem ultrassons especificamente direccionados para repelir Ratos e Ratazanas – e alguns afirmam repelir todo um conjunto de Pragas.

No entanto, os Estudos realizados desde a década de 1970 têm obtido repetidamente resultados que indicam que, em condições controladas, o ultrassom tem um pequeno efeito a longo prazo sobre o comportamento dos Ratos e Ratazanas, uma vez que eles se habituam ao som.

O seu efeito pode durar apenas alguns dias e pode depender das frequências ultrassónicas utilizadas e da sua intensidade.

Na verdade, os Roedores são facilmente assustados com quaisquer ruídos estranhos, mas habituam-se rapidamente aos mesmos, especialmente se nada adverso acontecer simultaneamente ao ruído. Isto significa que é imprescindível a utilização de métodos de Controlo de Roedores, bem como métodos de Prevenção e limitar o uso de ultrassom ao seu papel enquanto apoio na dissuasão da Infestação.

Odores repelentes

Os Roedores podem considerar alguns odores repelentes, como amónia ou bolas de naftalina e o senso comum afirma que diversas fragrâncias de plantas os repelem, no entanto, nenhum destes é eficaz, porque assim como outros repelentes, os Roedores rapidamente habituam-se a eles.

Gatos e Cães

Os Gatos e os Cães podem apanhar Ratos e existe uma longa história de criação de Cães, como os Terriers, para Controlo de Roedores em Quintas e Casas, principalmente antes do surgimento dos venenos e ratoeiras.

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O esqueleto de um Cão semelhante a um Terrier (identificado através do seu ADN) foi mesmo encontrado no naufrágio do navio de guerra de Henrique VIII, o Mary Rose, que se afundou no Solent, na costa Sul de Inglaterra em 1545.

No entanto, os Gatos e os Cães não são controladores eficientes de populações de Roedores em áreas urbanas, já que os Ratos podem facilmente encontrar lugares para se esconder dos animais de estimação e aprender a evitá-los na maior parte das vezes.

Os animais de estimação bem-alimentados em ambientes domésticos terão pouco incentivo para caçar e não serão capazes de aceder a muitos dos lugares da casa frequentados pelos Ratos.

Os Ratos e as Ratazanas podem até prosperar na presença de animais de estimação, vivendo da sua comida, especialmente quando eles são mantidos no exterior.

Bibliografia

Robert M Timm. Norway rats. The Handbook: Prevention and Control of Wildlife Damage. Paper 5. University of Nebraska – Lincoln. http://digitalcommons.unl.edu/icwdmhandbook/5

Rats. Integrated Pest Management Program, University of California Division of Agriculture and Natural Resources. http://www.ipm.ucdavis.edu/PMG/PESTNOTES/pn74106.html

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DeGomez T, Aflitto N. Sonic pest repellents. University of Arizona, College of Agriculture and Life Sciences, 2014. http://arizona.openrepository.com/arizona/bitstream/10150/333139/1/AZ1639-2014.pdf

The Humane Society of the United States. Scrap the Trap When Evicting Wildlife. http://www.humanesociety.org/animals/resources/tips/scrap_the_trap.html

How well do dogs and other animals hear? http://www.lsu.edu/deafness/HearingRange.html

The Mary Rose Museum. Identifying an old dog with new tricks. www.maryrose.org/identifying-the-mary-rose-dog

UFSC Ciência

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Carlos Roberto Zanetti, professor titular do departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina (MIP/CCB/UFSC), escolheu a Biologia por gostar de animais e plantas. “Adorava estar na natureza. Um avô, que foi meu grande incentivador, sabia o nome de tudo quanto é árvore, passarinho… Eu ficava fascinado com aquilo”, recorda. Hoje, aos 58 anos, e há 22 como docente, a admiração e respeito pelos bichos permanece. Zanetti tornou-se referência na difusão de métodos alternativos ao uso de animais na ciência. Sua contribuição ao campo da Bioética é fruto de um caminho que inclui, paradoxalmente, amplo uso de animais em atividades acadêmicas.

Natural de Jundiaí (SP), Zanetti ingressou no curso de Ciências Biológicas em 1980. Ao longo de toda a graduação – e posteriormente no mestrado e doutorado – percorreu diariamente os 60 km que separam sua cidade natal da Escola Paulista de Medicina, na Universidade Federal de São Paulo.

“Eu vinha do interior e fiquei fascinado pela escola e pelos professores, todos doutores. Era um outro mundo, um novo universo para mim. Tínhamos uma abundância de aulas práticas, muitas com uso de animais.

Aquilo sempre me incomodava, mas eu não tinha a menor capacidade de questionar”, relembra.

A maioria dos docentes eram recém-chegados de outros países, como França e Inglaterra. Isso o impressionava, ao mesmo tempo em que o intimidava. “Nunca imaginei que teria aulas com professores tão qualificados.

Então, apesar de me incomodar com o uso de animais, não tinha coragem de dizer nada. Só depois percebi que havia passado por um processo de transmissão de conteúdos ocultos.

” A autoridade de seus professores legitimou, gradualmente, o que, a princípio, era estranho para ele: injetar drogas, dar medicamentos e fazer cirurgias em seres saudáveis, com fins unicamente didáticos. Zanetti explica: “Naquela época, aulas demonstrativas eram amplamente aceitas.

Fazíamos castração de ratos para depois acompanhar o peso, a glicemia e outras coisas. Era absolutamente desnecessário castrar um animal apenas para ver o que acontece, uma vez que isso já era sabido há tempos”.

Algumas situações marcaram sua trajetória acadêmica: em uma aula de Imunologia, os alunos tiveram que induzir um choque anafilático em porquinhos-da-índia. “Na primeira semana nós imunizávamos o animal, na segunda, dávamos um reforço, na terceira, outro reforço.

Após esses reforços, os porquinhos, que são muito suscetíveis à alergias, desencadeavam um processo de choque anafilático. Eles tinham dificuldades respiratórias, defecavam e urinavam na bancada. Era um sofrimento! Tentávamos, então, recuperá-los com medicamentos, meramente para ver o que acontecia.

Foi uma matança geral, quase nenhum se salvou.”

Mas, justamente em sua bancada, um porquinho sobreviveu: “Ficou lá todo caído, baqueado, mas não morreu. Aí perguntei para a professora: ‘O que vai acontecer com esse bichinho? Volta para a gaiola?’ Ela disse: ‘Não.

Os animais que usamos em aulas e pesquisa são todos sacrificados.’ Aquilo me chocou. Imediatamente pensei: ‘Mas ele sobreviveu! E agora vamos simplesmente matar?’”. Para salvar o animal, Zanetti decidiu levá-lo para casa.

“Enfiei na minha mochila e fiquei torcendo para que ele não gritasse, porque eu tinha uma viagem de quatro horas até Jundiaí. Peguei ônibus, trem, metrô… O fato é que consegui chegar com ele em casa, e ele sobreviveu e morou no meu quintal por mais dois anos.

Batizei ele com o nome do medicamento que usamos para salvá-lo: Fernegan. Eu adorava o bicho. Ele viveu feliz lá em casa.”

A história chegou aos ouvidos da professora de Bioquímica Yara Maria Michelacci, de quem Zanetti gostava muito. “Ao final da disciplina, ela deu para cada aluno um mapa das vias metabólicas, com uma dedicatória personalizada.

Na minha ela escreveu: ‘Que na minha vida profissional eu nunca perdesse o amor pelos animais’. Naquela época não entendi muito bem. Hoje, vendo em retrospectiva, percebo que ela já sabia o que a vida profissional faria comigo.

Pesquisa com animais

Assim que concluiu a graduação, Zanetti ingressou no mestrado, na área de virologia em raiva. “Na metade da década de 1980, o modelo para tudo o que se fazia em raiva era essencialmente o camundongo. Aí a coisa se naturalizou.

Eu fazia inoculação de vírus, esperava a doença se estabelecer, para depois fazer diagnósticos, testar vacinas… Nesses bichinhos, a raiva tem uma evolução muito rápida. Entre cinco e sete dias eles começam a ficar paralíticos e têm dificuldade de alcançar água e comida.

Era uma coisa natural, esperar o animal morrer, só para ver em quantos dias isso acontece.”

O professor relata que “fazia coisas bem traumáticas” e se sentia muito mal. “Com frequência chegava em casa com enxaqueca, mas não percebia que aquilo estava associado ao meu trabalho.” Nos anos seguintes, o uso de animais se intensificou.

“Em determinado momento, meu orientador disse: ‘Vamos ter que produzir mais anticorpos e não dá para fazer isso em camundongos, teremos que inocular coelhos.’ Tínhamos, então, cinco coelhos e eu era responsável por imunizá-los.

Injetava vacina e, depois de várias semanas, era a hora de sangrá-los.”

Na primeira vez, Zanetti não sabia como tirar o sangue dos coelhos e recorreu ao orientador. “Ele me pediu para segurar o animal, porque o sangramento seria por punção cardíaca. Uma agulha bem grossa atingiria diretamente o coração do bicho.

Eu me surpreendi, pois não sabia que era possível perfurar o coração e ele não morrer.” Naquele momento ele descobriu que, justamente para que o animal não morresse, era preciso segurá-lo com muita força. Qualquer movimento que fizesse, a agulha poderia rasgar o coração do coelho e matá-lo.

“Meu orientador repetia ‘Segura firme! Segura firme!’, e foi aquela tensão…”

Naquela noite, Zanetti teve um sonho perturbador. “Sonhei que a esposa do meu orientador me dizia: ‘Carlos, preciso de um pouco de sangue.’ Respondi: ‘Não tem problema, pode tirar.’ Era comum nós mesmos doarmos sangue um para o outro, para os experimentos. Mas aí ela falou: ‘Terá que ser por punção cardíaca.’ Pegou uma agulha e enfiou no meu coração.

Nesse momento eu senti dor e acordei.” Zanetti se emociona ao recordar todos esses momentos. “O que ainda sobrava em mim de solidariedade com os bichos foi se apagando. Passei por um processo crescente de dessensibilização. Criei um mecanismo psíquico, mental e emocional para não sofrer mais.

Aquilo se tornou rotina e eu de fato comecei a tratar os camundongos como ‘coisa’.”

Durante o doutorado, que também cursou na Escola Paulista, fez um período sanduíche na França. “Foi só lá, em 1990, quando vi pela primeira vez algum tipo de cuidado com os animais. Ainda não era um tratamento ético, mas havia uma preocupação.

Eles exigiam que fizéssemos um curso para aprender a mexer com animais, o que eu nunca tinha visto no Brasil. Meu orientador francês, em todas as vezes em que faríamos experimentos, trazia cenoura, aveia e arroz para os bichinhos.

Ele me explicou porque fazia isso: ‘Eles sofrem tanto e nos dão tanto, então podemos pelo menos dar algo em troca.’ Era um gesto muito simples, mas achei encantador.”

Novos passos

Ainda antes de concluir o doutorado, Zanetti foi aprovado em um concurso para pesquisador científico do Instituto Pasteur, em São Paulo. “Trabalhei no Pasteur por 11 anos, onde continuei fazendo experimentos, mas já com vontade de diminuir o uso de animais.

” Em 1997, assim que assumiu o cargo de professor da UFSC, passou a integrar o Comitê de Ética em Pesquisas com Seres Humanos, como representante do Centro de Ciências Biológicas. A experiência, segundo ele, foi muito produtiva. “Fui obrigado a pegar livros, estudar e ler muito.

Muitos professores ficavam bravos, diziam que um comitê de ética só iria atrapalhar. Mas isso era realmente necessário porque havia um histórico de abusos.

Na história da Medicina, era corriqueiro que cientistas usassem negros, pobres e imigrantes para fazer experimentos sem que os pacientes sequer soubessem. Milhares morreram.”

Gradualmente, a comunidade científica e autoridades governamentais criaram mecanismos para proteger os indivíduos e evitar que tragédias ocorressem. Dois marcos nessa mudança, no século XX, foram o Código de Nuremberg e a Declaração de Helsinque, que definiram diversas regras a serem cumpridas nas pesquisas com seres humanos.

Porém, dentre os dez princípios éticos do Código de Nuremberg, um deles previa que qualquer experimento deveria ser realizado, primeiramente, com animais. “Esses dois documentos foram fundamentais para a ética em pesquisa com seres humanos. E eles foram evoluindo, eram sempre atualizados para proteger cada vez mais os pacientes.

Mas a exigência de se fazer experimentos com animais nunca foi revista, o que acabou legalizando e naturalizando essa prática.”

Em 2000, por determinação de uma lei federal, a UFSC instituiu a Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA), e Zanetti voltou a integrar o grupo. Além de representantes dos departamentos que utilizam animais, também tiveram assento no comitê uma professora do curso de Filosofia e um membro da Sociedade Protetora dos Animais.

“Foi um processo de construção bem difícil, pois as linguagens eram muito diferentes e ninguém sabia bem do que se tratava. Precisávamos, primeiro, fazer as normativas para a CEUA funcionar.” As normativas nacionais só foram definidas em 2009.

Mas, desde 2004, todos os pesquisadores da universidade que utilizassem animais em suas pesquisas só poderiam fazê-lo após submeter um protocolo para aprovação na CEUA.

“Teve muito desentendimento. No assento da Filosofia, estava a professora Sônia Felipe, que já tinha uma história acadêmica voltada à defesa dos animais. Quando falavam de ética, ela corrigia: ‘Isso não é ética. A ética precisa de princípios. Qual princípio vocês usam para prender um animal? Vocês dizem que estão alojando, mas ele está preso.

É prisão perpétua, sem ter cometido crime.’ Ela corrigia os pesquisadores o tempo todo. Quando diziam ‘vamos sacrificar’, ela respondia: ‘Isso não é sacrifício, o autor desse projeto precisa colocar aí que ele vai matar.’ Isso gerava grandes discussões”, relata o professor. Como os pesquisadores que utilizavam animais eram maioria, os projetos acabavam sempre aprovados.

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“As pessoas ficavam com medo de votar contra. Eu mesmo me sentia muito constrangido de levantar a mão contra os projetos. Mas fui vendo que tinha uma incoerência entre os parâmetros que usávamos para seres humanos e para não humanos.

Se os animais são tão parecidos conosco, a ponto de se justificar usá-los para estudos prévios, por que a lei não os protege? Aquilo foi me transformando e fui de novo atrás de estudar.”

Zanetti leu, além de artigos sobre Bioética, os livros da própria professora Sônia e “Ética prática”, do filósofo Peter Singer. “Logo entendi que aula demonstrativa com animais não deveria mais existir.

Parei de usar e falei, em uma reunião de colegiado, que já não deveria ser assim. Na Europa e outros lugares ninguém mais fazia isso. Havia muita resistência, mas meus colegas da área de Imunologia não demoraram a abolir.

” A professora Célia Regina Barardi decidiu filmar todas as aulas práticas de um semestre, o último em que ela usaria animais, e convidou Zanetti para gravar uma apresentação para o vídeo.

“Nessa apresentação eu falo: ‘Esses animais que vocês verão aqui foram os últimos que morreram com fins de ensino.’ Fomos o primeiro departamento da UFSC a abolir o uso de animais em aulas práticas. E isso influenciou todo mundo.”

Gradualmente, suas convicções foram se fortalecendo. Na CEUA, passou a votar contra o uso de animais – apesar de ser sempre voto vencido. “Foi um processo progressivo. Antes eu usava 100 camundongos por ano, depois passei a usar apenas seis. E deixei de treinar meus alunos.

Pensava: ‘Pelo menos de mim essas práticas não saem mais.’ Até que chegou um dia em que havia apenas um último camundongo em uma caixinha, que uma aluna de mestrado tinha acabado de usar e não precisaria mais. Ela me disse: ‘Precisamos de espaço e vamos sacrificá-lo.’” Zanetti decidiu então que ele mesmo faria isso.

E se emocionou novamente ao se lembrar do último camundongo que teve que matar: “Abri a caixinha e vi ele sozinho. Quando são 20 ou 30, basta colocar em uma câmara de CO2 e eles morrem na hora. Mas quando é só um, fazemos deslocamento da coluna cervical, puxando o rabinho e a cabeça.

Quando tive que fazer isso com esse último, foi terrível, terrível.”

O professor afirma que não teve alternativa, pois o animal havia sido inoculado com vírus e não poderia mais ser solto. Ele segurou o camundongo cuidadosamente com as mãos e pediu-lhe perdão. “Aquilo me marcou muito, e me marca até hoje.

Vi como era arrogante eu determinar que aquele bichinho deveria morrer. Eu me coloquei no lugar dele e pensei: ‘Não quero que  façam isso comigo, não dá mais para viver essa hipocrisia.

’ Olhava para ele, todo dócil na minha mão, e sabia que não queria mais isso na minha vida.”

Criou-se então um vácuo em sua carreira. “Eu me perguntava: ‘O que faço agora?’ Até hoje me considero uma pessoa cuja maior expertise é com estudos de raiva. Eu ainda colaborava com o Instituto Pasteur e comecei a pensar em como poderia influenciá-los.

” Zanetti passou então a trabalhar com cultura de células suscetíveis ao vírus. “Isso não era nenhuma novidade, mas ainda não havia ninguém aqui que fizesse isso. As pessoas diziam ‘Isso só fazem nos EUA e na Europa, aqui é difícil.

’” Com sua contribuição, hoje o Instituto realiza a maioria dos diagnósticos via cultura celular. “Eles têm uma rotina de análises gigantesca. Ainda não aboliram o uso de camundongos, mas diminuíram radicalmente.

O mundo está sempre tão ávido por coisas modernas, por novidades, e eu me questiono: matar, mutilar e tirar os tecidos de um animal pode ser de alguma forma moderno? Isso é prática de séculos e séculos passados.”

Em 2002, Zanetti e seu então orientando de mestrado, Juliano Bordignon, desenvolveram experimentos com uma técnica alternativa ao uso de camundongos, a citometria de fluxo – método que possibilitou a detecção de partículas virais intracelulares, permitindo a verificação de vários parâmetros ao mesmo tempo. Os pesquisadores também elaboraram um padrão para detectar e quantificar anticorpos em pessoas vacinadas. Publicaram os resultados do trabalho na revista internacional Journal of Virological Methods. “Nosso artigo fez bastante sucesso, a ponto de um comitê de especialistas vinculado à Organização Mundial de Saúde (OMS) ter nos convidado para escrever dois capítulos de um livro sobre técnicas de pesquisa em raiva. Esse é um dos meus maiores legados aqui. Muitos autores referenciaram nosso trabalho, em vários países.”

O professor passou a ser convidado a dar aulas, palestras e cursos sobre Bioética em todo o país. “Eu estava com uma vontade enorme de percorrer um caminho inverso. Então me prometi que, em todas as vezes que tivesse chance, eu abordaria essas questões. Tenho isso como missão.

” Ele também é frequentemente requisitado a discursar nas cerimônias de formatura das turmas de graduação. Já foi patrono de duas turmas, paraninfo de cinco e professor homenageado de 13.

Nessas ocasiões, faz questão de incluir o assunto em seus discursos: “Precisamos mudar nossa visão de mundo em relação
aos animais.”

Influência

Ao longo de sua trajetória, Zanetti vem influenciando muita gente. “Acho incrível o poder de multiplicação que temos dentro da universidade. Todas as pessoas mais próximas de mim estão em um processo de mudança.” Uma delas é seu amigo e professor da UFSC Aguinaldo Pinto, que também deixou de usar camundongos para testar vacinas de HIV.

O pesquisador passou a atuar junto a hospitais públicos, realizando pesquisa com pacientes infectados com o vírus. “Isso é muito mais proveitoso para a sociedade e não interrompeu a carreira dele, muito pelo contrário. Hoje ele estuda sorotipos de HIV, ou seja, variações genéticas do vírus no estado de Santa Catarina, para saber quais circulam por aqui.

Isso não existia antes.”

Zanetti relata essas mudanças com satisfação: “Sinto que estou deixando uma semente.” Entre os estudantes, a contribuição do professor também tem sido significativa. No segundo semestre de 2017, ele ofereceu pela primeira vez a disciplina optativa “Aspectos éticos em pesquisa e ensino com animais”.

Inédita na maioria das instituições de ensino, o conteúdo teve ótima receptividade e todas as vagas disponíveis no ano seguinte foram preenchidas. “Acrescentou bastante na minha formação”, avalia o aluno Willian Silva. “Nunca amei tanto uma disciplina. Extremamente inspiradora.

Todo mundo deveria fazer!”, diz Núbia de Oliveira.

As aulas têm a participação de especialistas de diferentes áreas do conhecimento, como Ecologia, Filosofia e Direito. Entre eles está a professora Paula Brügger, que afirma ter grande satisfação em colaborar nas aulas: “É muito importante falarmos disso porque não é só uma questão ética.

Os estudantes e a população em geral precisam saber que o uso de animais como modelos de seres humanos não é apenas antiético, por causar sofrimento, mas também anticientífico. Infelizmente existem obstáculos culturais, econômicos e institucionais que impedem a mudança.

” Para Sônia Felipe, responsável por lhe despertar muitas dessas reflexões, “Zanetti é um raro cientista, um exemplo do que será a ciência do futuro: nada de testes em animais”.

G1 – O portal de noticias da globo

Como Capturar um Rato sem Matá‐lo: 10 PassosNão estou certo se já mencionei isso aqui, mas eu moro em uma casa. Casa mesmo, com telhado, área externa e janelas voltadas para a calçada da rua. Na zona sul do Rio, nem precisaria dizer, são muito poucos os que se aventuram a viver fora do perímetro de presumível segurança determinado pelas grades dos prédios. Tanto que até já me acostumei aos olhares de incredulidade e reprovação, disparados sempre que o assunto moradia vem à tona.

Mesmo quem, como eu, passou boa parte da vida habitando apartamentos sabe que as maiores ameaças aos moradores de casas localizadas em centros urbanos são gatunos e ratos.

Nestes cinco anos em que resido aqui, desafiando as estatísticas, posso me gabar de nunca ter tido problemas com nenhum dos dois; pelo menos era assim até o início dessa semana, mais precisamente até encontrarmos um cocozinho em cima do tampo da máquina de lavar.

Pronto, lá se foi meu sossego. No dia seguinte o invasor deixou sua “marca” no quarto do bebê e, depois, dentro do box do banheiro.

Pesquisas preliminares realizadas na internet indicam que dificilmente um rato se deixa ver à luz do dia e que apanhá-lo num momento de descuido é, portanto, tarefa árdua.

Ratoeiras e venenos foram descartados de cara como possíveis soluções, afinal este é também o lar de um bebê e de um cachorro bobo.

Acho que o pior aspecto de ter um roedor frequentando sua casa não é o receio de cruzar com ele de madrugada, a caminho da geladeira, ou de ser contaminado pelas terríveis doenças que podem ser transmitidas.

Assim como prega a cartilha dos mais temíveis terroristas, tudo indica que o objetivo principal deste rato não é causar prejuízos diretos, e sim instaurar junto as suas vítimas um clima de constante apreensão.

Para tal, ao invés de detonar uma bomba, tudo que ele precisou fazer foi defecar em diversos pontos da casa.

Agora varo as noites em estado de alerta, tentando discernir entre os ruídos da vizinhança e seus passos, numa possível investida ao andar de cima. Por vezes me pego arquitetando planos mirabolantes que culminem em sua captura, ou mesmo abrindo portas, vasculhando fundos de armário e arrastando móveis de supetão, na expectativa de surpreendê-lo.

Para um visitante desavisado não seria improvável testemunhar alguém aqui em casa andando feito louco, com o olhar fixo para o chão, em busca de nova pista que auxilie a desvendar a rotina do bicho. Cocozinhos de rato representam para nós o que são para a CIA bilhetes deixados por serial killers. Esta tem sido, até o momento, a maneira pela qual ele interage conosco e nos desafia.

A título de ilustrar o pesadelo em que a ameaça invisível pode se transformar, um pouco antes de sentar para escrever este post chutei um saco de lixo, dei dois passos para trás e… nada.

Estava certo de tê-lo encurralado. Minha mulher – talvez inspirada pela exposição excessiva na infância aos desenhos de Tom & Jerry – decidiu colocar um pedacinho de queijo no chão da cozinha.

“Para que?”, perguntei.

A menos que ela esteja preparada para, num golpe mortal, sentar a vassoura na cabeça do aprendiz de terrorista, montar guarda não surtirá qualquer efeito.

Suponhamos que ela consiga atingi-lo, quem iria querer retirar a carcaça de um rato morto? Afim de evitar a indesejável experiência, continuo a favor de resolver o impasse na diplomacia: bastaria pegar emprestado por uns dias o gato de alguém para que o rato entendesse que sua presença por essas bandas não é bem-vinda. Sem derramamento de sangue, sem traumas para a posterioridade.

Mas o plano corre risco de ir pelos ares quando o imagino como Jerry, sentado na poltroninha de sua toca ornada por armários feitos de caixinhas de fósforo, zombando da minha inabilidade em expulsá-lo. Pois que ele nunca duvide, se um dia é da caça…

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