Como aumentar os níveis de prolactina: 8 passos

Postado em quarta-feira, 2 de maio de 2018 às 12:12

Quando o resultado do exame indica Prolactina alta, é importante descobrir se o aumento desses valores é fisiológico ou se há uma doença…

 Em algumas situações a prolactina alta no sangue pode ter relação com o uso de hipotireoidismo, remédios ou até mesmo tumor na hipófise. Entenda a seguir como a prolactina alta pode dificultar a gravidez e se ela possui alguma relação com o ganho de peso. Conheça também as causas, sintomas, tratamentos indicados para baixar os níveis de prolactina no organismo e detalhes sobre o exame.

O que é prolactina?

A prolactina é um hormônio produzido por uma glândula chamada hipófise, localizada no cérebro, que tem como função estimular a produção do leite materno. Assim que o bebê nasce, o corpo envia um sinal para a hipófise, indicando que a amamentação já pode iniciar. Durante a gestação, o efeito da prolactina é bloqueado por outro hormônio, o estrogênio, motivo pelo qual a mulher não produz leite nesse período. A produção de estrogênio diminui após o parto, o que permite que a prolactina possa desempenhar a sua função na lactação. Há casos onde pode ocorrer o envio de sinais à hipófise para iniciar a produção de prolactina sem a mulher ter dado à luz e, por esse motivo, algumas mulheres acabam produzindo leite durante algum momento do ciclo.

Função do hormônio

A função principal da prolactina é realizar o estímulo na produção do leite materno após o parto. Esse hormônio também desempenha um importante papel para o desenvolvimento das mamas, para que elas estejam preparadas para produzir o leite quando o bebê nascer. Como Aumentar os Níveis de Prolactina: 8 Passos Além da função na lactação, a prolactina também participa de outros importantes processos no organismo (tanto nas mulheres como nos homens), como na produção de células sanguíneas, processo de cicatrização, sistema imunológico, etc. Esse hormônio está relacionado à regulação da menstruação e auxilia no controle de outros hormônios femininos. A prolactina também atua como regulador da função sexual, sendo importante para os orgasmos femininos e masculinos, promovendo também a sensação de bem-estar após o sexo. Já o excesso de prolactina tem ligação direta com a disfunção sexual e a perda da libido. Valores de referência A secreção da prolactina é de cerca de 400 microgramas/dia. Em geral, esses valores no sangue são de 13 ng/mL para mulheres e, nos homens, 5 ng/mL, sendo o limite acima considerados normais de 15 a 25 ng/mL. Ou seja, se os valores estiverem acima de 25 ng/mL, há um excesso de prolactina (Hiperprolactinemia), cuja causa deve ser investigada. No entanto, como os valores podem variar de um laboratório para o outro (pois a forma de realizar o exame pode ser diferente) é preciso observar quais são os valores de referência no local onde o exame será realizado.

Causas da prolactina elevada Como a produção da prolactina tem relação com a gravidez, a alta quantidade desse hormônio no sangue pode ser o sinal que há um bebê a caminho. Porém, os motivos que causam essa elevação podem variar, sendo os mais comum o stress e o uso de medicamentos que provocam algum efeito sobre a hipófise, fazendo com que ela produza a prolactina.

Entras as causas relacionadas à prolactina elevada estão:

  • Gravidez ou amamentação
  • Exercício físico intenso
  • Stress psicológico
  • Hipertiroidismo primário
  • Uso de medicamentos antidepressivos
  • Estimulação mamária
  • Uso de remédios para enjoo, alergia, anestesia, convulsão, pressão alta

Prolactina alta x gravidez: sintomas O aumento da prolactina pode resultar na produção de leite no momento errado e, inclusive, provocar a falta da menstruação. Por isso, mulheres que apresentam um alto índice de prolactina não conseguem engravidar, pois deixam de ovular

Quando há o aumento na produção de prolactina, alguns sintomas podem ser percebidos, como é mostrado a seguir:

  • Saída de leite involuntária pelas mamas
  • Infertilidade
  • Dores durante o ato sexual
  • Perda da libido
  • Ausência de menstruação
  • Aumento do tempo entre uma menstruação e outra
  • Redução da massa óssea
  • Diminuição da massa muscular
  • Baixo crescimento de pelos

Exame: Para que serve? O exame para prolactina é feito através da coleta de sangue. A paciente deve estar em jejum e é necessário um repouso de, no mínimo, meia hora para que o hormônio se estabilize no corpo. O exame é feito para que seja possível dosar a quantidade de hormônio que o organismo está produzindo.

Com os resultados pode-se avaliar a presença de alguma patologia associada a interferência na produção desse hormônio. No caso de valores abaixo do normal, o provável é que seja devido ao uso de certos medicamentos, como Metildopa.

Se o valor estiver acima de 100ng/mL, é possível que tenha como causa um tumor benigno de hipófise, que será tratado de acordo com a recomendação do médico.

  • Como baixar os níveis para engravidar?
  • Prolactina alta engorda?
  • Remédio para prolactina alta
  • Fonte: Gestaçaobebe 

O tratamento para normalizar os níveis de prolactina é indicado para casos onde os sintomas acabam prejudicando a vida da mulher ou quando o casal deseja engravidar. Isso porque tanto o homem como a mulher podem sofrer de uma infertilidade momentânea por conta do aumento da prolactina. Além disso, os altos níveis também podem resultar em um aborto espontâneo. Se a causa do aumento da prolactina for por medicação que está sendo tomada, basta deixar de tomar o remédio para que os níveis voltem ao normal. Porém, se o aumento for natural do corpo, é preciso adequar os níveis com o uso de medicamentos prescritos pelo médico. Muitas mulheres tem dúvida se a prolactina alta engorda, mas é importante dizer que ela não provoca o ganho de peso. Se isso acontecer é preciso que o médico verifique se a causa está relacionada aos medicamentos que estão sendo usados. Como cada organismo funciona de um jeito, é possível haver uma reação adversa, resultando no aumento de peso. Por isso é importante que o tratamento seja sempre acompanhado por um profissional da área. Os medicamentos indicados para baixar os valores da prolactina são o Dositinex ou Parlodel. Se os níveis altos forem provocados por um tumor, o tratamento deve ser feito com cabergolina e bromocriptina, que geralmente reduzem o seu tamanho. Apenas em alguns casos é necessário que a paciente seja submetida a uma cirurgia hipofisária ou radioterapia. Apesar de não ser fácil baixar os níveis de prolactina com remédios naturais, alguns chás podem contribuir, como o vitex, que também pode ser consumida em cápsulas. Essa planta é conhecida como uma grande aliada para a fertilidade feminina e pode ser encontrado em lojas de produtos naturais ou em sites especializados na internet.

Muito pouco leite materno? Como aumentar uma baixa produção de leite

Muitas mães preocupam-se que possam ter uma baixa produção de leite, mas pode ser difícil saber ao certo. Continue a ler para perceber se tem mesmo uma baixa produção de leite e o que pode fazer acerca disso.

Como Aumentar os Níveis de Prolactina: 8 Passos

“Tenho leite materno suficiente?” é algo com que as novas mães se preocupam com frequência. Mas, se o seu bebé estiver saudável e a crescer bem, o mais provável é que esteja tudo bem.

No entanto, se estiver preocupada com a sua produção de leite, é importante pedir aconselhamento cedo. Se tudo estiver bem, mais depressa fica tranquilizada.

Além disso, evita a armadilha de dar leite de fórmula ao seu bebé, sem necessidade, o que pode reduzir a sua própria produção de leite.

Um pequeno número de mães pela primeira vez tem dificuldade em produzir leite materno suficiente devido a motivos médicos, que incluem:

  • Uma perda de sangue excessiva (mais de 500 ml) durante o parto ou a retenção de fragmentos da placenta podem atrasar a descida do seu leite (que geralmente acontece cerca de três dias após o parto).1
  • Um historial de síndroma do ovário policístico, diabetes, distúrbios da tiróide ou outros distúrbios hormonais. Por vezes, as mães com estas condições têm uma baixa produção de leite.2
  • A hipoplasia mamária, uma condição médica rara em que não existe na mama suficiente tecido glandular produtor de leite.3
  • Cirurgias mamárias anteriores ou traumatismos da mama – apesar de muitas mães que fizeram cirurgia amamentarem com sucesso.4

Se alguma destas condições se aplicar a si, consulte um consultor em aleitamento materno ou especialista em amamentação.

Assim que o seu leite descer, os seus seios começam a produzir leite seguindo um processo de “oferta e procura”. Cada vez que é removido leite, quer pelo seu bebé a alimentar-se, quer por extração, os seus seios produzem mais.

É por este motivo que dar biberões de leite de fórmula pode reduzir a sua produção de leite – o seu corpo não está a receber a mensagem para produzir mais leite, porque não está a ser removido nenhum.

A forma como o seu bebé mama também afeta a sua produção. Quanto maior for a frequência e a eficácia da sua amamentação, mais leite produzirá. Se o seu bebé não tomar leite suficiente durante uma sessão de amamentação, é essencial extrair regularmente para proteger a sua produção de leite. Veja mais conselhos abaixo.

Apesar de uma baixa produção de leite ser rara, durante as suas primeiras semanas, o seu bebé pode ainda ter dificuldades em tomar o suficiente, por outras razões.

Pode não estar a mamar com a frequência suficiente, ou durante o tempo suficiente, especialmente se estiver a tentar seguir um horário de amamentação, em vez de amamentar a pedido do bebé.

Pode não estar a agarrar bem a mama ou pode ter uma condição que torna mais difícil tomar o leite.

Os seguintes sinais mostram que o seu filho não está a receber leite suficiente:

  • Ganha pouco peso. É normal nos primeiros dias os recém-nascidos perderem 5% a 7% do peso que tinham à nascença – alguns perdem até 10%. No entanto, depois disso devem ganhar pelo menos 20 a 30 g por dia e ter de novo o peso que tinham à nascença por volta dos dias 10 a 14.5,6,7 Se o seu bebé perdeu 10% ou mais do peso que tinha à nascença, ou se não começou a ganhar peso por volta dos dias 5 ou 6, deve consultar um médico imediatamente.
  • Fraldas molhadas ou sujas insuficientes. O número de cocós e chichis que o seu bebé tem por dia é um bom indicador para saber se ele está ou não a receber leite suficiente. Veja o nosso artigo que explica o padrão que o seu bebé deve seguir em Amamentar o seu recém-nascido: o que esperar na primeira semana. Consulte um médico se estiver preocupada, ou se tiver notado que as fraldas sujas estão menos molhadas e menos pesadas.
  • Desidratação. Se o seu bebé tiver uma urina de cor escura, a boca seca ou icterícia (pele ou olhos amarelados), ou se estiver letárgico e relutante em mamar, pode estar desidratado.6 A febre, diarreia e vómitos ou o sobreaquecimento podem provocar a desidratação nos bebés. Se notar algum destes sintomas, consulte um médico rapidamente.
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Tipicamente, os recém-nascidos mamam com frequência – cerca de 10 a 12 vezes por dia ou todas as duas horas – e isto não é sinal de que não tem leite suficiente. Não se esqueça de que o seu bebé também mama para receber conforto e é difícil perceber quanto leite toma em cada sessão de amamentação – a quantidade pode variar.

As situações abaixo são perfeitamente normais e não são sinais de uma fraca produção de leite:

  • o seu bebé quer mamar com frequência
  • o seu bebé não quer que deixe de o ter ao colo
  • o seu bebé acorda durante a noite
  • sessões de amamentação curtas
  • sessões de amamentação longas
  • o seu bebé toma um biberão depois de uma sessão de amamentação
  • sente os seus seios mais moles do que nas primeiras semanas
  • os seus seios não perdem leite ou costumavam perder leite e agora não
  • não consegue extrair muito leite
  • tem seios pequenos

Se suspeitar que o seu bebé não está a receber leite suficiente, consulte um consultor em aleitamento materno ou especialista em amamentação.

Eles irão avaliar se tem uma baixa produção de leite e observar uma sessão de amamentação, para ver se o seu bebé agarra bem a mama e toma o leite suficiente.

Poderão sugerir que ajuste a sua posição de amamentação ou a forma como o seu bebé agarra a mama para poder mamar melhor.

Também pode experimentar ter mais contacto pele com pele com o seu bebé antes e durante as sessões de amamentação, para estimular a hormona oxitocina que faz fluir o seu leite. Ou use técnicas de relaxamento, como ouvir a sua música repousante preferida, para reduzir a ansiedade que possa estar a afetar a sua produção.8

Com apoio, a maioria das mães com baixa produção de leite consegue amamentar os seus bebés parcialmente e algumas conseguem desenvolver uma produção de leite completa.

Se o seu bebé ainda não estiver a tomar leite suficiente diretamente da mama, talvez por ter sido prematuro ou por ter necessidades especiais, poderá ter de extrair leite para proteger a sua produção e o seu profissional de saúde poderá prescrever galactogogos (medicamentos para aumentar a produção de leite).

Se ainda não consegue extrair leite suficiente para o seu bebé, vai precisar de o complementar com leite de dadoras ou com leite de fórmula, sob a orientação de um profissional médico. Um sistema de nutrição suplementar (SNS) pode ser uma forma satisfatória de ele tomar todo o leite de que precisa na mama.

Se precisar de dar um impulso à sua produção de leite nos primeiros cinco dias após o parto, pode usar um extrator de leite elétrico duplo com tecnologia de iniciação, como o Symphony da Medela. Este tipo de extrator foi concebido para imitar a forma como o bebé estimula os seios quando mama e está demonstrado que aumenta a produção de leite a longo prazo.9

Assim que o seu leite descer, a extração dupla significa que pode extrair mais leite em menos tempo.10 Este método também drena melhor os seios, o que também ajuda na produção de leite.

Apesar de todas as mães serem diferentes, muitas vezes, é boa ideia extrair leite logo após ou uma hora depois de uma sessão de amamentação. Isto pode parecer um contrasenso porque geralmente é mais fácil extrair de uma mama cheia. Mas deve pensar na sua sessão de extração como “fazer uma encomenda de leite” para o dia seguinte.

No início, pode recolher apenas pequenas quantidades, mas não desanime – com a extração regular, as quantidades aumentam.

Procure retirar leite (através da amamentação e da extração) oito a doze vezes por dia, incluindo uma sessão à noite, quando os seus níveis da hormona prolactina, produtora de leite, estão mais elevados. Quanto maior a frequência da retirada de leite, melhor.

Depois de dois ou três dias de extração regular, deverá notar um aumento significativo na produção. Para aconselhamento sobre como obter mais leite em cada sessão de extração, leia as dicas sobre extração de leite materno.

Se o seu bebé não está a mamar diretamente de todo, ou se não consegue extrair leite suficiente para ele, uma técnica chamada “extração com a ajuda das mãos” pode ser útil.

Foi demonstrado que aumenta a quantidade de leite que as mães conseguem extrair numa sessão.11,12 Todo o processo demora cerca de 25 a 30 minutos.

Lembre-se de que quanto mais vazios estiverem os seus seios, mais rapidamente produzem leite.

Siga estes passos simples:

  • Massaje os seios.
  • Faça extração dupla usando um sutiã de extração para manter as suas mãos livres.
  • Durante a extração, use os seus dedos e o polegar para comprimir a sua mama durante alguns segundos. Solte e repita. Faça compressões nos dois seios até o fluxo de leite diminuir para apenas umas gotas.
  • Massaje de novos os seios.
  • Termine extraindo manualmente ou fazendo extração simples, comprimindo os seios e alternando de um para o outro, para os drenar tão completamente quanto possível.

Assim que o seu bebé estiver a ganhar peso e a sua produção de leite tiver aumentado, pode passar para a amamentação em exclusivo.

Referências

Referências

1 Pang WW, Hartmann PE. Initiation of human lactation: secretory differentiation and secretory activation. J Mammary Gland Biol Neoplasia. 2007;12(4):211-221.

2 Vanky E et al. Breastfeeding in polycystic ovary syndrome. Acta Obstet Gynecol Scand. 2008;87(5):531-535.

3 Neifert MR et al. Lactation failure due to insufficient glandular development of the breast. Pediatrics. 1985;76(5):823-828.

4 Neifert M et al. The influence of breast surgery, breast appearance, and pregnancy-induced breast changes on lactation sufficiency as measured by infant weight gain. Birth. 1990;17(1):31-38.

5 C Tawia S, McGuire L. Early weight loss and weight gain in healthy, full-term, exclusively-breastfed infants. Breastfeed Rev. 2014;22(1):31-42.

6 Lawrence RA, Lawrence RM. Breastfeeding: A guide for the medical profession. 7th ed. Maryland Heights MO, USA: Elsevier Mosby; 2010. 1128 p.

7 World Health Organisation. [Internet]. Child growth standards; 2018 [cited 2018 Feb]

8 Keith DR et al. The effect of music-based listening interventions on the volume, fat content, and caloric content of breast milk-produced by mothers of premature and critically ill infants. Adv Neonatal Care. 2012;12(2):112-119

9 Meier PP et al. Breast pump suction patterns that mimic the human infant during breastfeeding: greater milk output in less time spent pumping for breast pump-dependent mothers with premature infants. J Perinatol. 2012;32(2):103-10.

10 Prime DK et al. Simultaneous breast expression in breastfeeding women is more efficacious than sequential breast expression. Breastfeed Med. 2012;7(6):442-447.

11 Stanford University School of Medicine [Internet]. Stanford, CA, USA: Maximizing Milk Production with Hands-On Pumping; 2017. [Accessed 30.04.2018].

12 Morton J et al. Combining hand techniques with electric pumping increases milk production in mothers of preterm infants. J Perinatol. 2009;29(11):757-764.

Hormônio Prolactina: Alta, Baixa, Sintomas e Tratamento

Como Aumentar os Níveis de Prolactina: 8 PassosNesse artigo, você irá conhecer o que é o hormônio Prolactina, como ele é produzido e regulado, quais as funções dele no corpo de homens e mulheres, como ele pode ser medido, que doenças estão relacionadas a esse hormônio e um pouco sobre o tratamento de cada uma delas, além de outras informações bastante interessantes sobre a Prolactina.

Descubra também: O que são Hormônios?

Vamos ver também em que momentos podemos ter Prolactina alta ou baixa, quais são os sintomas associados a essas condições e como é feito o tratamento. Vem comigo!

Produção da Prolactina

A Prolactina (abreviada como Prl) é produzida em uma glândula chamada Adenohipófise (a porção anterior da Hipófise, uma glândula endócrina presente na base do crânio).

Essa glândula também libera, além da Prolactina, outros hormônios como o GH – Hormônio do Crescimento, o TSH – Tireotrofina e as Gonadotrofinas (LH – Hormônio Luteinizante e FSH – Hormônio Folículo-Estimulante).

A Prolactina é um hormônio polipeptídeo e faz parte da mesma família do GH, sendo bastante semelhantes na sua estrutura molecular.

A liberação de Prolactina é inibida pela Dopamina, um hormônio e neurotransmissor liberado em diversas regiões do corpo e também no Hipotálamo, que tem função essencial na regulação dos hormônios liberados pela Hipófise, como a Prolactina. Um excesso de Dopamina gera diminuição da liberação de Prolactina e vice-versa.

Função do Hormônio

A principal função da Prolactina é estimular a produção do leite materno no período pós-parto. Além disso, durante a gravidez o aumento da Prolactina é importante para o desenvolvimento das mamas, deixando estas preparadas para a produção de leite após o término da gestação.

Durante a gestação, não se produz leite materno porque outro hormônio, o Estrogênio, também está em grande quantidade de bloqueia o efeito da Prolactina na produção do leite! Depois do parto, porém, esse Estrogênio diminui e a Prolactina pode desempenhar o seu importante papel na lactação.

Porém, além destas funções importantes durante a gravidez e a lactação, a Prolactina é importante em outra enorme quantidade de funções em nosso organismo.

Este é um hormônio importante tanto em mulheres como em homens no sistema imune (participando no processo inflamatório, por exemplo), na produção de células do sangue (hematopoiese), na formação de vasos sanguíneos (angiogênese), na formação de trombos e cicatrizações, etc.

Além destas funções, a Prolactina é importante hormônio regulador da função sexual, pois é necessária para aquela sensação de bem-estar após o ato sexual.

Tem ainda papel importante nos orgasmos, tanto masculino como feminino, bem como no período refratário sexual (fase de recuperação após um orgasmo em que se torna fisiologicamente impossível obter novo orgasmo, mais comumente experienciado por homens do que por mulheres). Além disso, um excesso de Prolactina (Hiperprolactinemia) está ligado a perda de libido e disfunção sexual.

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Medidas e Valores Normais

A Prolactina é secretada em uma taxa de mais ou menos 400 microgramas/dia. Os valores de referência da Prolactina (bem como de outros exames laboratoriais) sempre vai variar de laboratório para laboratório.

Geralmente, estess valores normais (Valores de Referência ou VR) no sangue são de 13 ng/mL para mulheres e, nos homens, 5 ng/mL. Na maioria dos laboratórios, o limite superior do normal é de 15-25 ng/mL, ou seja, acima destes valores costumamos dizer que há excesso de Prolactina no sangue (Hiperprolactinemia), cuja causa deve ser investigada.

Regulação da Produção

O controle da produção e liberação da Prolactina é feita de várias formas:

A principal delas é a regulação por hormônios secretados pelo Hipotálamo (uma área do cérebro logo acima da Hipófise e que também é considerada uma glândula endócrina, além de ter outras importantes funções cerebrais). O Hipotálamo libera o hormônio TRH (Liberador de Tireotrofina), que além de estimular a produção de Prolactina, também estimula a produção do TSH (Tireotrófico).

Além da regulação pelo Hipotálamo, a Prolactina também tem secreção controlada pelo sono. Há um aumento da secreção de Prolactina observado 60 a 90 minutos antes de acordar e o pico diário acontece entre as 4 e 7 horas da manhã.

A Prolactina também aumenta com estresse, exercícios físicos, cirurgias, hipoglicemia (baixo açúcar no sangue) e no infarto agudo do miocárdio (IAM). O estímulo dos mamilos de mulheres também aumenta produção de Prolactina.

Os estrógenos também aumentam a liberação de Prolactina, enquanto Glicocorticoides diminuem sua secreção.

Doenças relacionadas à Prolactina

Várias doenças e distúrbios têm relação com esse hormônio.

O excesso de Prolactina no sangue (chamado de Hiperprolactinemia) tem várias causas e traz efeitos importantes em homens e mulheres.

Nos homens, a Hiperprolactinemia por muito tempo leva ao Hipogonadismo, diminuição da produção de Testosterona, diminuição da produção de Espermatozoides, queda da libido, além de impotência e infertilidade.

Em mulheres, ocorre a parada da ovulação (anovulação), oligomenorreia (menstruação em intervalos superiores a 35 dias) ou amenorreia (ausência de menstruação) e também infertilidade.

Diferentes tumores da adenohipófise e de outros locais podem causar esse excesso de Prolactina no sangue. Outras doenças como Hipotireoidismo, Insuficiência Renal Crônica e Doença Hepática Grave também aumentam a Prolactina e podem causar os efeitos explicados acima.

A parada brusca no uso de anticoncepcionais orais e estrogênio (na Reposição Hormonal) pode causar a chamada Galactorreia (secreção de leite pelas mamas mesmo fora da lactação). Isso acontece porque a queda de Estrogênio brusca libera a ação da Prolactina na produção de leite pelas mamas.

O uso de alguns medicamentos que causam Prolactina alta também é muito comum. A tabela abaixo mostra os medicamentos que mais causam Prolactina alta de maneira sustentada, acima dos valores normais de referência:

Antipsicóticos Típicos Haloperidol, Clorpromazina, Tioridazina, Tiotixeno
Atípicos Risperidona, Amissulprida, Molindona, Zotepina
Antidepressivos Tricíclicos Amitriptilina, Desipramina, Clomipramina, Amoxapina
ISRS Sertralina, Fluoxetina, Paroxetina
I-MAO Pargilina, Clorgilina
Outros psicotrópicos Buspirona, Alprazolam
Pró-cinéticos Metoclopramida, Domperidona
Anti-hipertensivos Alfa-metildopa, Reserpina, Verapamil
Opioides Morfina
Antagonista do receptor H2 Cimetidina, Ranitidina
Outros Fisostigmina, Fenfluramina, Quimioterápicos

Existem ainda medicamentos que podem levar a Prolactina baixa: são os agonistas da Dopamina como a Bromocriptina, a Levodopa, a Apomorfina e o Pergolide, que diminuem a liberação desse hormônio.

Prolactina alta: sintomas

Quando há um aumento da Prolactina circulante no sangue (que chamamos de Hiperprolactinemia), você pode perceber alguns sintomas, que variam de homens para mulheres.

Mulheres costumam ter:

  • Amenorreia (ausência de menstruação);
  • Oligomenorreia (aumento do tempo entre uma menstruação e outra);
  • Galactorreia (liberação excessiva de leite ou fora do período da lactação);
  • Infertilidade;
  • Dispareunia (dor durante o ato sexual);
  • Perda da libido (o anseio ou desejo pelo ato sexual, que popularmente conhecemos como “tesão”).

Homens costumam ter:

  • Impotência;
  • Perda da libido;
  • Infertilidade.

Se a causa for um tumor produtor de Prolactina (prolactinoma), podemos ter sintomas como dores de cabeça e defeitos visuais associados.

Um excesso crônico de Prolactina (ou seja, que permanece por muito tempo sem tratamento) pode trazer ainda outras manifestações como:

  • Hipogonadismo (diminuição da função das gônadas – testículos nos homens e ovários nas mulheres – que pode também ser acompanhada de diminuição do tamanho desses órgãos);
  • Osteopenia (diminuição da massa óssea);
  • Diminuição da massa muscular;
  • Diminuição do crescimento de pêlos.

Por que minha Prolactina está alta?

Agora que já falamos sobre a Prolactina, vamos responder essa questão que é dúvida de muitas leitoras e leitores aqui do site. Quando temos um resultado de exame mostrando aumento de Prolactina, precisamos descobrir se esse aumento é fisiológico ou se há alguma doença envolvida.

Primeiro de tudo precisamos ver se esse aumento é pequeno ou grande. Geralmente, aumento de Prolactina por situações fisiológicas (gravidez, lactação, estresse/sono, estimulação mamária e sexo) não costuma ultrapassar os 50 ng/mL.

Já quando temos valores superiores a 50 ng/mL, a principal causa disso são medicamentos que afetam a Prolactina. Um medicamento usado comumente é a Metoclopramida, mas citei vários outros logo acima. Quando temos um valor superior a 100 ng/mL, a causa mais comum disto são os Prolactinomas, ou tumores geradores de Prolactina, na Hipófise.

Não encontrando uma causa identificada, podemos partir para pesquisas de outras causas menos frequentes como acromegalia, síndrome da sela vazia, craniofaringioma, metástases de outros tumores, hipotireoidismo, insuficiência renal crônica, cirrose hepática, epilepsias e anorexia nervosa.

Macroprolactina e Pool Prolactina

Até 25% das pessoas que têm um exame de Prolactina alta podem ter apenas a Macroprolactina aumentada, o que não acarreta nenhum problema à saúde e não causa sintomas

Em torno de 95% da Prolactina que circula em nosso sangue é a chamada Prolactina monomérica. Porém, temos ainda um tipo adicional de prolactina chamada de Macroprolactina.

Ela nada mais é do que uma molécula de Prolactina ligada a um anticorpo.

Diferente da Prolactina monomérica, a Macroprolactina não exerce nenhum efeito no nosso corpo: é uma forma inativa desse hormônio.

Até 25% das pessoas que têm um exame de Prolactina aumentada podem ter apenas a Macroprolactina aumentada, o que não acarreta nenhum problema à saúde e não causa sintomas. Isso é mais comum nas pessoas que têm Prolactina aumentada em um exame, mas não apresentam os sintomas de hiperprolactinemia que comentamos acima.

  • Para fazer essa diferenciação, temos à disposição o exame pool Prolactina, que irá “limpar” essa Macroprolactina do sangue e fazer uma nova contagem da Prolactina, dessa vez apenas a monomérica.
  • Foi o que aconteceu com nossa leitora Juliana, que comentou em nosso artigo relatando seu exame de pool Prolactina que mostrou uma Prolactina normal, após um exame alterado.

Nesse artigo, você pôde conhecer as informações mais importantes sobre o Hormônio Prolactina e como ele age em nosso corpo. Espero que ele tenha lhe ajudado a entender a sua importância e mais sobre as doenças relacionadas a esse hormônio. Até a próxima!

Como Aumentar os Níveis de Prolactina

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Este artigo foi escrito em parceria com Sarah Gehrke, RN, MS. Sarah Gehrke é uma Enfermeira e Massoterapeuta no Texas. Sarah tem mais de 10 anos de experiência ensinando e praticando flebotomia e terapia intravenosa através de apoio físico, psicológico e emocional.

Recebeu sua licença de Massoterapeuta pela Amarillo Massage Therapy Institue em 2008 e formou-se em Enfermagem pela University of Phoenix em 2013.

Há 19 referências neste artigo. Você pode encontrá-las ao final da página.

A prolactina é o hormônio que estimula os seios a produzir leite durante e depois da gravidez.[1] A incapacidade de amamentar devido ao fornecimento baixo de leite geralmente é o maior problema da insuficiência de prolactina.

É por isso que muitas mães procuram soluções para aumentar os níveis desse hormônio.

[2] Você pode aumentar sua prolactina estimulando os seios com amamentação ou bombeamento regular e, se necessário, com medicamentos prescritos por um médico.

  1. 1

    Estimule os seios nos últimos meses da gravidez. Cerca de dois meses antes do bebê nascer, comece a fazer o bombeamento nos seios com uma bomba elétrica. Esse procedimento pode estimular a produção da prolactina.

    Comece bombeando por cinco minutos, três vezes por semana. Aumente a frequência gradualmente para dez minutos a cada quatro horas, e depois de 15 a 20 minutos a cada duas ou três horas. Continue fazendo isso até o bebê nascer.

    [3]

    • O objetivo não é produzir leite, mas estimular os mamilos e seios a produzir mais prolactina.
  2. 2

    Faça o bombeamento nos seios depois de amamentar. Quanto mais seus seios forem estimulados, mais prolactina o corpo produzirá.[4] Amamente em horários regulares sempre que puder, e use a bomba mecânica diariamente, mesmo depois de amamentar. Bombeie os seios mesmo quando começar a alimentar o pequeno com a mamadeira e comidas moles para continuar produzindo prolactina.[5]

    • Bombear os seios depois de amamentar pode retirar o leite que o bebê deixou sobrar, o que pode estimular ainda mais a produção de prolactina.[6] Tenha como objetivo usar a bomba por meia hora em cada seio, diariamente.[7]
  3. 3

    Tente tomar feno-grego. Algumas mães tomam a erva feno-grego para aumentar o fornecimento de leite, provavelmente aumentando os níveis de prolactina. Obtenha cápsulas em uma farmácia ou compre online em cápsulas de 610mg.

    Tente tomar duas cápsulas três vezes por dia com comida. Se você não tiver nenhum efeito colateral, você pode aumentar gradualmente a dosagem para quatro cápsulas, três vezes por dia.

    [8] Um efeito colateral normal é que a urina e o suor fiquem com cheiro de xarope.

    • Você também pode ter diarreia, que deve parar com o fim do uso da erva.
    • Não tome feno-grego se estiver grávida ou se tiver alergia a amendoim ou grão-de-bico.
    • Use a erva apenas com a supervisão médica caso você seja diabética ou tenha asma – os sintomas da asma podem piorar, e o feno-grego pode diminuir os níveis de açúcar no sangue. A erva também pode afetar a função tireóidea.[9]
  4. 4

    Aumente o consumo de aveia, quinoa e gergelim na sua dieta. Aveia integral contém uma proteína que pode aumentar os níveis de prolactina. Por isso, incorpore-a nas suas refeições regularmente. O mesmo se aplica à quinoa e às sementes, principalmente sementes de gergelim.[10]

  1. 1

    Tome domperidona, se ela for uma opção. Você pode tomar a domperidona com a supervisão de um médico, o que pode promover o fornecimento do leite aumentando os níveis de prolactina.[11] A domperidona não está disponível em todos os países.[12] Discuta a dosagem de qualquer medicamento com seu médico e use-os apenas da forma como for orientada.

    • Não tome a domperidona se você tiver histórico de problemas cardíacos.
    • A domperidona normalmente é considerada mais segura para mães que estão amamentando do que a metoclopramida, e é a opção mais segura para se tomar durante o período de amamentação.[13]
  2. 2

    Experimente a metoclopramida para aumentar o fornecimento de leite, se aprovada pelo médico. A metoclopramida (Plasil) aumenta os níveis de prolactina indiretamente. É preciso de prescrição médica para obtê-la, por isso, marque uma consulta com seu médico para discutir se esse medicamento é seguro para você.[14]

    • Não tome metoclopramide se tiver histórico de depressão. Independente do seu histórico de saúde mental, fique atenta a sinais de depressão, como humor para baixo, choro frequente, falta de interesse nas coisas ou pensamentos suicidas.
  3. 3

    Limite o uso de remédios que diminuem a produção de prolactina. Alguns medicamentos diminuem os níveis de prolactina como efeito colateral.

    Nunca pare de tomar seus medicamentos sem falar antes com o médico, mas se você estiver tomando os seguintes remédios, converse com seus médico sobre suas preocupações.

    Pergunte se você pode tomar um medicamento alternativo aos seguintes remédios:[15]

    • Dopamina;
    • Anfetamina (usado para tratar DDA e narcolepsia);
    • Metilfenidato (Ritalina, Concerta);
    • GABA;
    • Antagonistas do receptor H2 de histamina (Ranitidina, Cimetidina, etc.);
    • Agonistas colinérgicos (atropina, brometo de tiotrópio, tropicamida e outros).
  4. 4

    Faça terapia de hormônios para imitar a gravidez. Se precisa aumentar seus níveis de prolactina, mas não pode ou não quer engravidar, você pode verificar com seu médico para “enganar” o seu corpo e fazê-lo pensar que você está grávida. Para isso, você terá que tomar estrogênio e progesterona em certas quantidades e em certos horários, possivelmente por mais de seis meses.[16]

  • A glândula pituitária regula muitos hormônios, incluindo a prolactina – se a sua não estiver funcionando bem, isso pode causar níveis baixos de prolactina. Se estiver preocupada com os níveis de prolactina, vá ao médico para fazer exames.[17]
  • Peça a ajuda de uma consultora de lactação se estiver tendo dificuldades em amamentar.[18]
  • Ter muita prolactina pode aumentar os riscos de câncer, infertilidade e outros problemas de saúde.[19] Siga as orientações do seu médico para monitorar seus níveis de prolactina.
  • Tome medicamentos e remédios herbáceos apenas com a supervisão do seu médico, principalmente se estiver grávida ou amamentando.
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Este artigo foi escrito em parceria com Sarah Gehrke, RN, MS. Sarah Gehrke é uma Enfermeira e Massoterapeuta no Texas.

Sarah tem mais de 10 anos de experiência ensinando e praticando flebotomia e terapia intravenosa através de apoio físico, psicológico e emocional.

Recebeu sua licença de Massoterapeuta pela Amarillo Massage Therapy Institue em 2008 e formou-se em Enfermagem pela University of Phoenix em 2013.

Categorias: Saúde Feminina

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Prolactina, dopamina e impulsividade: conexões

A prolactina é um hormônio produzido na hipófise e responsável pela estimulação da mama para produção de leite na gravidez. Após o parto, os níveis de prolactina diminuem a menos que a mãe amamente.  A prolactina é inibida pela dopamina secretada por neurônios do hipotálamo.

  • Além do controle da prolactina, a dopamina é um neurotransmissor importante também para função motora, motivação e aprendizagem de reforço agindo por diferentes vias.
  • O aumento patológico da prolactina leva a deficiência dos hormônios sexuais (hipogonadismo) no homem e na mulher.
  • A prolactina pode anormalmente alta devido a produção tumoral das células que a produzem da hipófise (prolactinoma), uso de medicações, hipotireoidismo, outros tumores da hipófise,  e lesões ou estimulação dos mamilos ou lesão em tórax como herpes zoster ou pequenos traumas.
  • Nesse post, será abordada principalmente a influência dos medicamentos sobre a prolactina e também quanto aos potenciais efeitos adversos dos agonistas dopaminérgicos, classe de medicações utilizadas também para tratamento do prolactinoma.

Hiperprolactinemia induzida por medicamentos

Primeiramente, sobre o efeito das medicações sobre a prolactina, temos uma lista relativamente grande.

 As medicações que bloqueiam os efeitos da dopamina na hipófise ou esgotam os estoques de dopamina cerebrais, podem inibir essa supressão e causar o aumento da secreção de dopamina pela hipófise.

Essas medicações incluem os antipsicóticos, que são medicamentos usados para esquizofrenia, alguns tipos de depressão e que também podem ser utilizadas no transtorno do controle dos impulsos.

Os antipsicóticos de primeira geração, tais como o  haloperidol, trifluoperazina têm o risco consideravelmente maior de aumentar a prolactina, enquanto os antipsicóticos mais modernos como a clozapina, olanzapina, aripiprazol, ziprasidona e zotepina não aumentam ou aumentam em menor grau esse hormônio. A risperidona, embora de segunda geração, aumenta consideravelmente a prolactina. Essa diferença deve-se a maior ou menor estimulação do receptor D2 presente nas células que produzem a prolactina na hipófise, os lactotrofos.

Ao contrário da dopamina, a serotonina pode estimular a produção de prolactina. Os antidepressivos que inibem a recaptura da serotonina (SSRI), principalmente os mais antigos, podem também aumentar a prolactina.

A lista de medicamentos que aumentam a prolactina não se limitam às medicações usadas na psiquiatria. Na Tabela 1, estão listadas outras medicações que podem aumentar os níveis de prolactina.

Tabela 1. Medicamentos que causam aumento persistente da prolactina

Antipsicóticos Típicos Haloperidol, Clorpromazina, Tioridazina
Atípicos Risperidona, Amisulprida  Zotepina
Antidepressivos Tricíclicos Amitriptilina, Desipramina, Clomipramina
SSRI Sertralina, Fluoxetina, Paroxetina
Outros psicotrópicos Buspirona Alprazolam
Procinéticos Metoclopramida (plasil ®), Domperidona
Antihipertensivos Alfametildopa, Reserpina, Verapamil
Opioides Morfina
Antagonistas H2 Cimetidina, Ranitidina
Outros Fenfluramina, quimioterápicos, estrógenos

O hipotireoidismo primário pode aumentar a prolactina via aumento do hormônio TRH que estimulam primariamente as células que produzem o hormônio o TSH (tireotrofos), mas também a prolactina. Diante de um aumento da prolactina é mandatório excluir o hipotireoidismo.

De acordo com as Diretrizes da Endocrine Society, a suspensão ou troca da medicação por outra que não aumente ou aumente menos a prolactina é recomendada nesses casos e, na impossibilidade, fazer reposição hormonal nos casos de hipogonadismo de longa data. O uso de agonistas dopaminérgicos pode piorar o quadro psiquiátrico.

Agonistas dopaminérgicos : no caminho inverso

Os agonistas são medicações que estimulam determinado receptor, em contraste com os antagonistas.

Os agonistas dopaminérgicos estimulam o receptor da dopamina e com isso diminuem a secreção da prolactina.

São utilizados não só na endocrinologia para o tratamento de prolactinomas, o tipo mais comum de tumor hipofisário, para supressão da lactação na obstetrícia,  mas também é uma das medicações possíveis para no tratamento de Doença de Parkinson e síndrome das pernas inquietas. Relembrando que não são utilizados no tratamento da hiperprolactinemia farmacológica causada pelos antipsicóticos

Para o tratamento dos prolactinomas, são utilizadas medicações derivadas do ergot (ergolínicos), a carbergolina e bromocriptina. Essas medicações apresentam semelhanças com neurotransmissores como a serotonina, dopamina e adrenalina.

A ação nos receptores da dopamina pela cabergolina e da bromocriptina é o efeito desejado para suprimir a secreção tumoral da prolactina. Pela ação nos receptores de serotonina, produzem efeitos colaterais como mais comuns, como náuseas e vômitos.

Por um potencial efeito serotoninérgico nas válvulas cardíacas, altas doses desses agonistas dopaminérgicos podem levar a valvulopatias, mas é um problema raramente observado e não é recomendada o exame de ecocardiograma de rotina.

No tratamento da Doença de Parkinson, os agonistas dopaminérgicos utilizados são os não ergolínicos: pramipexol e ropinirol e piribedil.

Alguns efeitos colaterais desses agonistas dopaminérgicos incluem alucinações, insônia, comportamentos impulsivos, tais como hipersexualidade, jogo patológico, comer compulsivo, cleptomania, compulsão por compras, comportamento agressivo, variações do transtornos de controle dos impulsos.

A bromocriptina e a cabergolina já foram utilizadas para Doença de Parkinson, mas as doses até 10 vezes maiores que as utilizadas para o tratamento dos prolactinomas.

Transtorno do controle dos impulsos já foi relatado em estudos de caso-controle em pacientes usando doses altas de agonistas dopaminérgicos para o tratamento de tumores hipofisários (1).  O possível efeito do reversão do hipogonadismo (baixos níveis de hormônios sexuais) pelo tratamento do hiperprolactinemia deve ser considerada na hipersexualidade.

Recentemente, uma artigo de revisão francês avaliou a relação entre os agonistas dopaminérgicos utilizados para o tratamento da Doença de Parkinson, síndrome das pernas inquietas e prolactinomas com o transtorno de controle dos impulsos e encontrou uma associação complexa (2). Os principais achados que conferiram risco para o  desenvolvimento desse transtorno com o uso dessas medicações está relacionado ao tipo de agonista (principalmente utilizados na Doença de Parkinson), doses altas, sexo masculino (principalmente para hipersexualidade e jogo patológico), pacientes jovens (abaixo de 65 anos), estado civil (não casados) e história preexistente de sintomas ou transtornos psiquiátricos.

O tratamento da hiperprolactinemia causado pelos medicamentos, principalmente os antipsicóticos, é uma situação muito complexa para o endocrinologista. O alinhamento da terapia com o psiquiatra ou médico que prescritor da medicação causadora do aumento da prolactina é fundamental.

  Por outro lado, o endocrinologista e outros profissionais que prescrevam agonistas dopaminérgicos, devem estar atentos ao aumento da impulsividade nos seus pacientes.

A mensagem  que fica para as pessoas que vão iniciar ou estão em tratamento para prolactinoma é que não há motivo para alarme pois esses efeitos colaterais são raros e mais estudos ainda são necessários.  Na dúvida, converse com o seu médico.

Referências:

1 BANCOS, I.  et al. Impulse control disorders in patients with dopamine agonist-treated prolactinomas and nonfunctioning pituitary adenomas: a case-control study. Clin Endocrinol (Oxf), v. 80, n. 6, p. 863-8, Jun 2014. ISSN 1365-2265.

2  GRALL-BRONNEC, M.  et al. Dopamine Agonists and Impulse Control Disorders: A Complex Association. Drug Saf, v. 41, n. 1, p. 19-75, Jan 2018. ISSN 1179-1942.

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