Como aprender qualquer coisa sem professor: 14 passos

Estudar matemática pode ser um grande prazer para algumas pessoas e um grande desespero para outras.

Inicialmente, devemos acabar com todo preconceito que muitas pessoas carregam por ter tido algum trauma no passado com essa grande ciência, seja porque não soube responder o resultado da multiplicação de 9 x 9 durante uma aula da tia Maricota ou porque não encontrou nenhuma aplicação para fórmula de Bhaskara ou simplesmente por achar que a matemática é coisa do capiroto. E como aprender matemática?

Se preferir, assista ao vídeo no meu canal Como Aprender Matemática em 5 passos

Devemos ter em mente que a matemática surgiu da necessidade do ser humano em interpretar e representar os fenômenos da natureza.

Ou seja, a matemática nada mais é do que uma interpretação da natureza, por isso dizemos que a matemática está em todos os lugares.

Se você domina os conhecimentos matemático você estará em harmonia com a natureza e poderá se antecipar e solucionar problemas com maior facilidade.

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

O objetivo deste artigo é mostrar, em 5 passos, como aprender matemática online. Em outras palavras, como estudar matemática e resolver problemas. Mesmo sozinho, você pode aprender matemática básica rápido e com facilidade pela internet. Entretanto, é importante levar em consideração estas dicas:

1) Escolha o melhor material para estudar matemática

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

Escolher o melhor material para aprender matemática é algo muito pessoal e depende do seu propósito de estudo e o seu nível de conhecimento. Entretanto, é importante levar em consideração algumas questões.

a) Livro de matemática

Escolha um livro-texto que apresenta bastante exemplos resolvidos e relacionam a teoria com aplicações no dia a dia.

  • Se você já tem um conhecimento intermediário:

Escolha um livro-texto mais “enxuto” com a organização por definições, teoremas e corolários. Para os estudantes do ensino médio e que prestarão vestibular e Enem vale a pena conferir a análise que fiz dos livros didáticos sugeridos pelo Ministério da Educação – MEC.

Obs.: Para saber mais sobre isso, clique em livros de matemática. Lá eu passo mais duas dicas valiosas para a escolha de um bom livro de matemática para você estudar. E tem vários livros digitais grátis em pdf.

b) Videoaula de matemática

Além da escolha de um bom livro base,  assistir videoaulas pode ajudar bastante na compreensão do conteúdo. Já que você poderá assistir e voltar naquela parte que não entendeu direito.

Na internet tem muito material bom e gratuito de matemática com excelentes professores. Porém, estão espalhadas e precisa de um bom tempo para encontrar as melhores videoaulas.

Aqui no blog e site Matemáticazup você encontrará as videoaulas que considerei mais simples e objetivas organizadas por ano e por ramo da matemática.

2) Organize o local e horário de estudos

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

a) Local de estudos

Escolha um lugar da sua casa para ser o seu ambiente de estudos. Leve em consideração que este local deve preferencialmente:

  • Ser silencioso, que não possua distrações como televisão, telefone, etc;
  • Ter boa iluminação e ventilação;
  • Possuir uma mesa de estudos e cadeira confortável;
  • Tenha à disposição água, uma fruta ou alimento saudável.

Na impossibilidade dessas condições, considere a opção de estudar na biblioteca ou em sala de estudos.

b) Horário de estudos

Crie um cronograma semanal com todas as suas atividades e em seguida defina o horário mais adequado para você estudar. Crie o hábito de estudar nesse mesmo horário. O hábito tornará mais prazeroso o estudo. Porém, não fique escravo desse cronograma. Caso ocorra alguma coisa que impossibilite de estudar no horário definido, nada impede de estudar em outro horário.

Caso tenha que conciliar o estudo da matemática com outras disciplinas, uma forma que encontrei para otimizar o estudo e aumentar a quantidade de horas estudadas sem se cansar e sem perder a qualidade foi por meio do método de ciclo de estudos que intercala matérias de exatas e humanas usando as várias áreas do cérebro e aumentando a produtividade nos estudos. Vale a pena utilizar essa estratégia para organizar seus estudos.

3) Domine a teoria

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

“O que é necessário aprender e em que ordem devo estudar?” No artigo matematica basica , você terá tudo sobre matemática do ensino fundamental ao médio para te auxiliar nos estudos.

O que torna a matemática difícil é o fato de ser uma matéria contínua. Ou seja, com pré-requisitos.

Exemplo: Para entender a tabuada de multiplicar você precisa saber somar. ( Caso ainda tenha problema com isso aprenda de vez com o artigo Como decorar a tabuada).

Então, para você conseguir avançar em seu estudos, é necessário que você domine as noções básicas. Não tem como fugir. É muito importante conhecer a linguagem matemática e seus símbolos.

Além disso, o entendimento da distribuição dos ramos da matemática (mapa mental) trazem uma visão ampla dessa ciência facilitando o seu estudo .

Aprenda as definições matemáticas. Uma definição matemática é uma verdade demonstrada que serve de base para estruturar o raciocínio lógico matemático. Aceite essa verdade e concentre-se na sua aplicação para a resolução dos problemas.

Sempre que aprender uma nova definição e/ ou teorema da matemática tente relacioná-lo com alguma aplicação no dia a dia, lembre- se matemática nada mais é do que uma interpretação da natureza. Esse exercício dará maior consistência para assimilar o assunto.

Crie um formulário de expressões matemáticas para consultas rápidas. Separe uma parte do caderno apenas para fórmulas matemáticas. Assim, quando precisar recordar de alguma ela estará ali a sua disposição. Não se preocupe em memorizar essas fórmulas, isso acontecerá naturalmente conforme você for aplicando- as em exercícios.

Resolva os exercícios resolvidos. Nos livros- textos, costuma- se ter exercícios resolvidos. Tente resolvê-los sem olhar a solução. Se tiver dificuldade, veja a parte que está com dificuldade e volte na resolução até conseguir chegar na conclusão sozinho.

Desta forma, para dominar a teoria temos que:

  • Conhecer a linguagem matemática e seus símbolos;
  • Aprender as definições matemáticas;
  • Relacionar a teoria com alguma aplicação no dia a dia;
  • Criar lista de fórmulas e expressões matemáticas;
  • Resolver os exercícios resolvidos.

4) Pratique exercícios

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

Assim como para se tornar um grande maratonista é necessário muito treino e dedicação. Para ficar bom em matemática é preciso praticar muitos exercicios de matematica. Muito mesmo!

Para resolver problemas matemáticos, primeiramente entenda o enunciado da questão e saiba qual é o seu objetivo. E só matemática não resolve! O português e a interpretação de textos também são muito importante.

Sempre se pergunte: O que o exercício quer? Não despreze a interpretação de texto. Vejo muitos estudantes que sabem as definições matemáticas mas não conseguem resolver o problema por não entender o que o exercício pede.

Não tem como separar, para ser um bom matemático você precisa dominar bem a língua portuguesa e saber interpretar textos.

Uma vez entendido o enunciado do problema, divida o exercício em quantas partes forem necessárias para solucioná-lo e vá resolvendo por partes. Ao final, conecte todas essas partes e chegue na solução. Cuidado para não repartir demais o problema e esquecer qual é o seu real objetivo.

Erre bastaste. quanto mais erros você cometer, mais você aprenderá. A cada erro você tirará uma nova lição e assimilará melhor o conteúdo. Não desanime. Identifique os seus erros e refaça as questões erradas buscando entender em que parte você errou.

Uma outra forma de aprender matemática é praticando exercícios com jogos de matemática. Utilizar as novas tecnologias para estudar matemática tem demonstrado ser uma forma muito eficiente para assimilação e retenção do conteúdo. Aqui no Matematicazup temos uma plataforma de jogos educativos de matemática muito boa e divertida para você aprender matemática brincando.

 

Desta forma, para praticar exercícios temos que:

  • Entender o enunciado do problema;
  • Dividir o exercício em problemas menores;
  • Errar e aprender com os erros;
  • Utilizar jogos de matemática para assimilar e reter o conteúdo.

5) Tire todas as suas dúvidas

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Quando estiver praticando exercícios coloque uma interrogação naqueles problemas que você não conseguiu resolver. Durante a correção de exercícios, tire suas dúvidas e esclareça as questões em que você apresentou dificuldade. Assim que puder, resolva- o novamente entendendo a parte que não tinha ficado clara.

Conclusão

Como disse no início, matemática é a interpretação e representação dos acontecimentos da natureza. E se você domina bem a matemática terá maior facilidade em solucionar os problemas do dia a dia. Daí a importância de conhecer e gostar de matemática.

Para isso, mostrei neste artigo 5 passos para aprender matemática, que são estes:

  1. Escolha o melhor material para estudar matemática
  2. Organize o local e horário de estudos
  3. Domine a teoria
  4. Pratique exercícios
  5. Tire todas as suas dúvidas

Siga esses passos e tenho certeza que seu desempenho em matemática passará para outro patamar.

Se preferir, assista ao vídeo no meu canal Como Aprender Matemática em 5 passos

Este artigo junto com outros do blog, resultou no eBook 7 Dicas para estudar matemática. Clique no link para fazer download.

Continue acompanhando o blog que teremos mais dicas e postagens de aulas de matemática com videoaulas.

Tenho uma pergunta para você…

Você já aplica esses passos ou algum outro? Ficou com alguma dúvida em algum desses passos?

Deixe o seu comentário. Nos falamos logo abaixo.

Até mais!

 

Aprenda matemática de forma simples e objetiva.

Técnica de Feynman: 4 passos simples para aprender tudo!

4 min

“Quem sabe, faz! Quem não sabe, ensina!“. Concordando ou não, você já deve ter ouvido esse ditado em algum momento. Talvez o que você não saiba é que Richard Feynman e seu método de estudos, logo, entendemos o nome (Técnica de Feynman) não pensa assim!

– Mas quem é esse tal de Richard Feynman? Você me pergunta.

– Só o vencedor do Nobel de Física de 1965 com estudos em torno da Eletrodinâmica Quântica. Eu te responto…

Brother/sister… Presta atenção! Qualquer pessoa que estude Física já merece meu respeito, focar nesses termos profundos que parecem ser usados só em filmes de ficção científica então? Ouçam o que ele tem a dizer!

E é justamente sobre o que ele tem a dizer que se tratará esse blog. Confira abaixo como aprender “qualquer coisa” utilizando 04 passos simples com a Técnica de Feynman!

Leia também:  Como capturar o dratini em pokémon fire red: 8 passos

1º passo da Técnica de Feynman: Escolha um tópico!

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos< https://giphy.com/gifs/physics-fermilab-NwaLrQa4pZt3G>

Esse tópico pode ser qualquer assunto, conceito, ideia ou teoria. Não precisa se limitar no primeiro passo, mas também não avacalhe, não invente de aprender sobre Eletrodinâmica Quântica se você é uma pessoa como eu (erra até regra de três).

Seu tópico não pode ser muito abrangente, ele tem de ser específico. Por exemplo: não escolha só “História”, tente algo mais específico como “Revolução Chinesa”.

– Sim, usei a China como exemplo de propósito, dessa forma prendo sua atenção! (tento).

Assunto escolhido, use uma folha de papel, página em branco no Word, lousa ou seja lá qual método para escrever/estudar você utilize e escreva tudo o que você sabe sobre o assunto. O primeiro passo nunca estará fechado, você sempre retornará a ele quando aprender algo novo nos próximos passos ou em X ocasiões.

Tudo registrado? Vamos para o segundo passo.

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2º passo da Técnica de Feynman: Ensine para uma criança!

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Você não leu errado. É isso mesmo! Pegue tudo o que foi registrado no primeiro passo e ordene de forma que seja compreensível para uma criança.

Não precisa sair por aí procurando crianças para ensinar conteúdos. Elas não gostam disso! Mas se coloque nesse situação. Você pode por exemplo escrever uma explicação mirando o entendimento de uma criança (ou um amigo(a) bem lento). Se você fosse explicar isso para uma criança, quais palavras usaria? Como faria com que ela compreendesse o assunto?

Isso imediatamente lhe trará dois benefícios: em primeiro lugar, fará com que você troque todos os termos “complexos” por termos mais simples (que uma criança entenderia). Você não precisa usar palavras difíceis para mostrar que entende algo.

Em segundo lugar, fará com que você ordene toda a ideia/conceito/assunto de forma compreensível (etapas, ordem cronológica, consequências…). Se consegue explicar, você entendeu de verdade.

Isso é uma ótima forma de se preparar. Mas lembre-se: falar sobre algo não quer dizer que você entende de verdade sobre algo. Então faça esse teste, pegue um assunto que você acredita que domine e tente explicá-lo (pode ser na imaginação) para uma criança. Se você mesmo se embananar, já sabe!

Vá para o 3º passo!

3º passo: encontre sua dificuldade!

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos< https://giphy.com/gifs/excited-yes-kids-6ubSLhnIY5bTG>

Percebeu durante sua explicação que as coisas não eram tão simples como pareciam na sua cabeça? Não se preocupe porque isso é normal. Eu me encontrei nessa situação várias vezes em sala de aula.

Felizmente a solução para esse problema é simples: revise o que você sabe (ou acha que sabe).

É provável que você domine boa parte do seu assunto, mas que ainda existam alguns gargalos, partes bem específicas que você deixou passar e que acabam prejudicando o todo. Então volte, leia novamente, revise seu material, busque novas informações e corrija essa dificuldade em particular.

Coloque os remendos onde é necessário e tente novamente fazer sua explicação.

Funcionou? Excelente! Mas tem mais….

4º passo: revise e deixe simples!

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos< https://giphy.com/gifs/the-grinder-the-grinder-thegrinder-l4Hoan4OykIV2vzH3>

Nada é tão bom que não possa melhorar! O quarto passo é o momento em que você irá pegar o assunto que você já domina e irá transformá-lo em algo natural no seu pensamento… Automático… Como responder seu nome!

O segredo para isso é rever o seu “texto” final e simplificá-lo cada vez mais.

– De que forma?

Trazendo o conteúdo para sua realidade! Não precisa utilizar termos técnicos ou elaborados demais. Você pode usar gírias (para a sua explicação mental, não para o seminário na Universidade), pensar em exemplos do dia-a-dia, fazer trocadilhos, lembrar de personagens… O que funcionar melhor para você!

Para ter certeza de que tudo está certo, fale em voz alta sua explicação/texto. Mas sem roubar! Se tudo correu suave, parabéns, você aprendeu algo novo utilizando a Técnica de Feynman!

Já conhecia a Técnica de Feynman? Acha que funciona? Técnicas de estudo podem ser uma boa para lhe ajudar. Já falamos sobre outras aqui no blog.

Confiram lá e deem um feedback aqui, mas sem preguiça hein!

Cinco passos para aprender o que você quiser

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

“O fator que determina se uma pessoa vai passar em concurso público não é a inteligência, mas a preparação com método e técnica.”

Em sala de aula, nos grupos de bate-papo, nas redes sociais, em nossa fanpage, nos comentários sobre os artigos postados em nosso blog e nos eventos que organizamos Brasil afora, costumamos receber relatos muito parecidos dos concurseiros. Talvez a confissão mais comum que ouvimos deles seja a de que a todo o momento se veem diante de conteúdos que não conseguem de jeito nenhum aprender bem o suficiente para acertar as questões de prova.

Por isso, em nossa conversa de hoje, recorreremos à experiência de um tal Richard Feynman (1918-1988), ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1965, para garantir que existe, sim, um método ou um conjunto de passos que pode nos ajudar a entender qualquer tópico de edital. Inclusive o do seu concurso, amigo concurseiro.

Feynman sempre foi reconhecido entre os colegas de escola e de faculdade por seu talento em transformar assuntos muito complexos em lições simples e fáceis de entender. Até uma criancinha seria capaz de compreender suas explicações. E o entusiasmo que ele demonstrava ao explicar os conceitos mais difíceis costumava contagiar todos ao seu redor.

O que o nosso professor Feynman defende em sua técnica é que existem dois tipos de sabedoria: a que vem do conhecimento superficial das coisas e do mundo e aquela que caracteriza as pessoas que de fato compreendem o objeto de estudo. A receita para a aprendizagem real, segundo Richard, é focar no segundo tipo. Para atingi-lo, a pessoa precisa dominar um dado assunto bem o bastante para passar o conhecimento adiante de forma compreensível para qualquer um.

Todos somos capazes de alcançar esse tipo de sabedoria. Basta percorrer os cinco passos expostos a seguir.

1) Escolha um conceito.

O mais importante, aqui, é desenvolver o raciocínio com a intenção de entender algo importante para o dia a dia ou, no nosso caso, para acertar questões de provas. Com isso em mente, selecione um conceito qualquer que você precise assimilar.

Pode ser um tirado do Direito Administrativo, do Direito Constitucional, da Informática ou de qualquer outra disciplina que será cobrada na sua prova. Pode ser o primeiro conceito que lhe vier à cabeça neste momento. Qualquer conceito mesmo.

Seja de área do conhecimento mais geral, como Matemática; seja de área mais específica, como Administração Financeira e Orçamentária. Agora anote-o num papel.

2) Escreva sobre o conceito como se o estivesse ensinando a uma criança.

Imagine, por exemplo, que o tema seja “Controle de constitucionalidade”.

Ainda que isso pareça absurdo e desnecessário, é um passo muito importante.

Assegure-se de que, do início ao fim, a linguagem empregada seja bem, bem simples. Além disso, evite jargões, “juridiquês” e expressões prontas mas não tão fáceis, que partam do pressuposto de que você já as conhece. Seu interlocutor pode não conhecê-las.

Explique cada detalhe de tudo que diz respeito ao tema. No nosso exemplo, aborde os objetivos e os requisitos do controle de constitucionalidade, o momento em que ele ocorre, seus métodos, as vias de controle etc.

3) Volte ao tema e pesquise sobre ele.

Enquanto você executava o passo anterior, provavelmente identificou falhas ou lacunas no seu conhecimento sobre o tema escolhido. Seja autocrítico: você se esqueceu de algo ou não conseguiu explicar algum tópico bem o bastante?

Este é o momento em que você começa a aprender de verdade. Retorne à fonte de informações sobre o tema e pesquise o que ainda precisa entender melhor. Quando achar que cada subtema está claro, tente escrever novamente sobre ele, e – não custa relembrar – de forma que até uma criança seja capaz de compreender.

Quando você se sentir satisfeito e tiver entendido perfeitamente tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue registrando nela as explicações.

4) Revise as anotações e simplifique-as ainda mais.

Percorridas todas as etapas anteriores, revise o que você escreveu e continue simplificando o texto. Certifique-se mais uma vez de que não usou nenhum jargão e de que o texto poderia servir de base para você ministrar uma aula sobre o assunto para outro colega de jornada.

Leia tudo em voz alta, prestando atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível.

Se a explicação não for simples o bastante ou se ainda soar confusa, interprete isso como um sinal de que você ainda não está entendendo algum ponto do conteúdo. Crie analogias para explicar conceitos.

Elas ajudam a esclarecer tudo na sua cabeça e são a prova de que você está realmente dominando o assunto.

5) Faça muitos exercícios de provas anteriores sobre o tema escolhido.

Solucione no mínimo cinquenta itens de diferentes graus de dificuldade. Naturalmente surgirão dúvidas. Ótimo! São elas que exigirão de você mais pesquisa sobre os tópicos. Procure as respostas em videoaulas, livros e apostilas.

Pronto: o conteúdo está fixado e guardado na memória de longo prazo. Agora você pode deixar para revisar tudo nas semanas que antecederem o concurso e seguir confiante para o grande dia.

Pode até sorrir sozinho durante a prova, quando deparar com uma questão sobre aquele conceito que você aprendeu tão bem.

Estou certo de que as técnicas e a experiência do professor Feynman lhe serão úteis na assimilação e no aprendizado dos conteúdos do seu concurso. Mais importante ainda: pode ter certeza de que elas o ajudarão a garantir a desejada vaga na carreira pública.
Na próxima semana, apresentaremos mais uma mensagem com dicas úteis para o seu sucesso nos concursos e na vida. Até lá!

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Conheça três técnicas para aprender qualquer coisa

Como Aprender Qualquer Coisa Sem Professor: 14 Passos

Eu aprendi muito em 2017. Mas eu quero que 2018 seja o ano em que eu definirei melhor esse processo, tornando-o mais deliberado, intencional e, se tudo der certo, mais efetivo. Por isso, contatei Ulrich Boser, um fellow sênior do Center for American Progress e autor do livro “Learn Better: Mastering the Skills for Success in Life, Business and School“.

“A habilidade de aprender de forma efetiva pode ser a mais importante da vida”, diz Boser. “É como a anti-criptonita. Ela concede os poderes mágicos para ser bem sucedido em qualquer campo”.

De fato, os argumentos em favor de um aprendizado contínuo nunca estiveram tão fortes – seja para tentar continuar numa indústria mesmo era da automação ou simplesmente fortalecer a capacidade de refletir profundamente diante de uma avalanche de notícias a todo momento.

Para aqueles que desejam aprender qualquer coisa em 2018, Boser identificou três estratégias importantes aplicáveis para todo mundo: encontrar significado, desenvolver metacognição e aceitar o poder do esquecimento.

Encontrar significado

Pesquisas apontam que motivação é a chave para aprender qualquer coisa. Então, para conseguir dominar uma ideia, nós temos que torná-la importante.

“É impossível aprender se nós não quisermos fazer isso, e para ganhar expertise temos de ver essas habilidades e conhecimentos como valiosos”, afirma Boser. “Nós temos que criar significado. Aprender é encontrar sentido em algo”.

Algumas pessoas pensam que nossos cérebros funcionam como computadores: nós lemos algo, nossos cérebros guardam a informação e nós a acessamos quando precisamos dela. Não é assim, como explica Boser.

Um experimento interessante de 2002 constatou que estudantes conseguiam usar bem as fórmulas de matemática para resolver uma série de 1500 problemas de Física, mas, ainda assim, não conseguiam entender o conceito por trás das questões que respondiam.

“As pessoas podem fazer a mesma coisa milhares de vezes – literalmente – sem de fato aprendê-la”.

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Nós temos que nos engajar de maneira ativa com a informação para que ela se fixe. Parar para pensar “por que funciona desse jeito?” ou mesmo errar uma resposta pode ajudar a “cimentar” esse material no cérebro.

Então, ainda que sublinhar ou grifar um livro possa nos fazer sentir mais inteligentes e preparados, é mais eficaz ler um excerto e parar por dois minutos para fazer anotações sobre essa leitura breve.

Uma pesquisa de 2014 mostrou que estudantes que liam um trecho e tinham de, logo depois, relembrar o que haviam lido, seja escrevendo um parágrafo ou criando um mapa conceitual, absorviam melhor a informação do que os alunos que só estudavam o texto sem apelar para técnicas mais ativas. Ter de escrever sobre esse material fez com que atribuíssem sentido a ele.

Quer outra boa estratégia para aprender qualquer coisa?

É simples: cometa erros. Boser conta que, uma vez, perguntaram a ele qual era a capital da Austrália. Ele respondeu de forma confiante que era Sydney, e depois arriscou Melbourne, e aí Perth e uma lista das cidades australianas de que se lembrava. (Sendo que a resposta era Canberra)

Para Boser, essa foi uma boa maneira de aprender a capital da Austrália. Ao se confundir com as respostas inicialmente, ele se tornou capaz de lembrar melhor a opção correta em seguida.

Esse é o chamado “efeito da hiper-correção”, que acontece quando temos a certeza de que sabemos algo mas, depois, percebemos que estávamos errados.

Quando somos confrontados com o nosso próprio deslize, diz Boser, “nós paramos e pensamos ‘por que eu pensava desse jeito?’ e, então, o material passa a ter mais significado”.

Na próxima vez que você encarar uma discussão complexa, veja se consegue imediatamente separar os argumentos em sua essência – por meio da escrita, ou mesmo tirando um momento para identificar as principais conclusões.

Pode parecer uma técnica que consome muito tempo, mas provavelmente exigirá um período de dedicação menor do que ler alguma coisa, esquecê-la e depois precisar fazer tudo de novo para recobrar essa lembrança.

Faça com que a informação que você absorve tenha sentido e ela se fixará melhor.

Metacognição

Humanos são animais confiantes demais. Nós achamos que somos mais espertos e mais bonitos do que realmente somos, e que trabalhamos mais do que aqueles à nossa volta. E isso é, com certeza, matematicamente impossível. “Nós não fazemos o suficiente para entender o que não sabemos”, escreve Boser.

Isso acontece, em partes, porque não passamos muito tempo pensando no que fazemos e no que não sabemos. Só que, no fim das contas, pensar sobre o ato de refletir é uma forma bastante efetiva de melhorar nosso aprendizado.

A chamada “metacognição” tem dois aspectos principais, como define Boser: o planejamento (“Quais são meus objetivos e como vou aprender sobre isso?”) e o monitoramento (“Há outra forma de aprender isso? Como posso medir meus avanços? Por que estou fazendo isso?”).

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O pesquisador holandês Marcel Veenman descobriu que crianças com habilidades metacognitivas superavam as crianças que tinham QI alto nos testes de matemática.

Ele disse a Boser que, em sua pesquisa, a metacognição era responsável por 40% dos resultados do processo de aprendizagem, comparada aos 25% que ficavam a cargo do QI.

Criar um processo para se planejar, monitorar e avaliar o processo de aprendizado gera um entendimento maior.

Um estudo mostrou que estudantes que recebiam treinamento em como pensar sobre problem solving – assim como outro grupo que recebia treinamento sobre o problem solving em si, e sobre como se planejar, monitorar e avaliar seu próprio aprendizado – se saíram melhor nos exames, aproveitaram oportunidades de aprender de forma mais independente no restante do semestre e se sentiram mais motivados do que os colegas que não receberam esse treinamento todo.

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De acordo com o Educational Endowment Foundation do Reino Unido, que realiza estudos para diminuir o achievement gap, a metacognição está entre as duas técnicas mais eficazes que já foram testadas pelo órgão. Feedback é a outra forma mais popular.

Os alunos envolvidos em programas desenhados para melhorar a maneira como eles refletiam sobre seu jeito de pensar aceleraram seu processo de aprendizagem em uma média de oito meses, em termos de progresso acadêmico.

Os efeitos mais significativos foram identificados nos estudantes com pior desempenho inicial e nos mais velhos.

Além disso, um pesquisador de Stanford desenvolveu uma técnica de 15 minutos baseada em metacognição que elevou as notas de alunos de “B” para “A” (a nota máxima). Se você quer apostar em metacognição, esse talvez seja um bom lugar para começar.

O poder do esquecimento

As pessoas, em geral, esquecem 50% do que aprendem depois de um período de 24 horas. De acordo com Boser, não há nada de errado nisso.

“Em resumo, as pesquisas demonstram que o esquecimento ajuda no aprendizado e que, quanto mais nos aproveitamos disso, mais aprendemos”. Isso porque, quando nos esquecemos, temos a chance de relembrar algo.

E relembrar permite que retenhamos a informação por mais tempo.

Uma prática-chave que se beneficia da nossa tendência ao esquecimento é chamada “interleaving“. Quando as aulas misturam diferentes tipos de problema, as crianças costumam aprender mais do que quando veem um tipo de cada vez.

Pense em termos matemáticos: os jovens geralmente têm de entender, por exemplo, uma série de enunciados que trabalham um tipo de gráfico específico para, em seguida, analisar outros conceitos, como curvas. Eles não precisam pensar sobre qual espécie de problema estão resolvendo, o que os ajudaria em uma prova que mesclasse todos eles, sem uma ordem determinada.

Quando nos forçamos a alternar diversas porções de informação, nós esquecemos e relembramos o material – e, como consequência, absorvemos melhor.

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Outro estudo conduzido por Douglas Rohrer, professor de psicologia da Universidade do Sul da Flórida, nos Estados Unidos, mostrou que as crianças que estudavam problemas desordenados se saíam melhor do que aquelas que seguiam o caminho oposto. Mais importante ainda, ao fim do semestre, quando faziam as avaliações, retinham mais informação.

Annie Murphy Paul escreveu, na publicação Scientific American, uma descrição dos resultados:

Depois de três meses, todos os estudantes encararam uma revisão geral, e no dia seguinte fizeram uma prova.

Aqueles que tinham adotado práticas de interleaving acertaram 80% do teste, comparados com 64% de rendimento da outra parcela dos alunos, que realizava as tarefas divididas “em blocos” – uma diferença não tão significativa.

Mas a vantagem do interleaving ficou mais evidente quando os estudantes foram testados um mês depois da revisão. Nesse exame, os que adotaram a prática acertaram 74%, enquanto os que realizavam as tarefas em blocos chegaram a míseros 42%.

Essa abordagem é um tapa na cara na maneira como nós, tipicamente, aprendemos novos conceitos. Ache um estudante que nunca tenha se matado de estudar às vésperas de uma avaliação e eu vou encontrar um unicórnio que me leve para casa aos fins de semana. E, ainda que seja um formato ineficiente, é o jeito como os jovens estudam.

“Nós costumamos fazer a mesma coisa várias e várias vezes”, explica Boser. “Mas, quando se mistura tudo, o aprendizado é mais produtivo”. Ele diz que os alunos que usam uma pilha de flashcards, que divide os conceitos em fichas, melhoram seu desempenho em 30%.

A conclusão

Há muitos mal-entendidos sobre processos de aprendizagem. Muitas pessoas creem que haja “estilos” para cada pessoa, ainda que falte evidência científica sobre isso, ou mesmo que conseguimos aprender bem sem ter orientação (o que é falso).

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A verdade é que, para aprender qualquer coisa, é necessário trabalho duro. Mas, para parafrasear Eleanor Roosevelt, são as coisas difíceis que tendem a valer a pena. Nós podemos ser bons aprendizes por natureza se, como Boser, dedicarmos tempo a isso, elaborarmos um processo que funcione e entendermos como monitorar nosso progresso.

Este texto foi originalmente publicado pelo site Quartz, em inglês, e adaptado pelo Estudar Fora. 

6 técnicas para aprender qualquer coisa — e não esquecer mais

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 (Foto: Shutterstock)

Em muitas carreiras, sua capacidade de aprender rápido (e de forma eficaz) pode determinar se você terá sucesso ou não trabalhando ali. Ou seja, vale levar o assunto bem a sério.

É o que defendem Peter Brown, Henry Roediger e Mark McDaniel, autores de “Make It Stick: The Science Of Successful Learning” (Fixe a aprendizagem: a ciência de aprender com sucesso, sem edição no Brasil).

saiba mais

“Precisamos continuar aprendendo e lembrando durante toda a nossa vida”, escrevem eles. “Para ficar à frente no trabalho, é preciso dominar as habilidades daquele serviço específico… Se você aprende bem, tem uma vantagem na vida.”

Aprender, segundo os escritores, é ser capaz de se lembrar.

Velhos hábitos provavelmente não vão te ajudar nessa tarefa, como tentar decorar tudo de um dia para o outro ou destacar o que é importante com caneta marca texto. O site Business Insider reuniu dicas certeiras do livro para você aprender melhor e ficar mais inteligente:

Conecte novas informações com coisas que você já sabe. Ou seja, tente “pensar nas suas próprias palavras”.

“Quanto mais você consegue explicar como o novo aprendizado se relaciona com seu conhecimento prévio, mais forte será sua compreensão e mais conexões você criará para se lembrar mais tarde”, dizem os autores.

Um exemplo simples: se você está na aula de física tentando entender a transferência de calor, pode amarrar o conceito com suas experiências da vida real: imaginar uma xícara de café quente perdendo calor nas suas mãos.

Responda antes de ter uma resposta. Sim, chutar também é positivo. Isso porque, se você se esforça para responder mesmo não tenho certeza, o mais provável é que vai lembrar quando aprender o certo.

“Ao explorar o desconhecido e quebrar a cabeça primeiro, você é muito mais propenso a aprender e lembrar da solução do que se alguém te ensinasse logo de cara”, escrevem os autores. Em um ambiente acadêmico, você pode tentar encontrar suas próprias respostas antes do início da aula.

Em um ambiente profissional, antes de conversar com o seu chefe sobre um problema, pode pensar em soluções — assim já chega com uma sugestão.

Avalie o que aconteceu. Quando você tira alguns momentos para rever um projeto ou analisar o que foi discutido em uma reunião, está refletindo. E isso é ótimo. Pode perguntar a si mesmo algumas questões.

O que correu bem? Onde você pode melhorar? O que aquilo te faz lembrar? Pesquisadores de Harvard descobriram que a escrita reflexiva é muito poderosa. Só 15 minutos de reflexão no final do dia já melhoram seu desempenho em 23%.

Use truques. Você pode utilizar siglas ou rimas para lembrar de algo: é a chamada mnemônica. São frases como “se volto da, crase há; se volto de, crase pra quê?” ou ainda macetes parar memorizar fórmulas de física e os elementos da tabela periódica.  Servem para “criar estruturas mentais que tornam mais fácil recuperar o que você aprendeu”, dizem os autores.

Recupere na própria memória.  Fazer a anotação de palavras-chave em pequenos cartões, é uma boa saída. Bem melhor do só grifar o que é importante em um texto (algo que não exige nenhum esforço nem para fazer, nem na hora de ler). Rever informações é eficaz porque fortalece as vias neurais associadas a um determinado conceito.

Saiba o que você não sabe. É o que os escritores chama de calibrar. “É simplesmente o ato de usar um instrumento objetivo para limpar ilusões e ajustar o seu julgamento para refletir melhor a realidade.

” Basicamente, é como quando você recebe feedback sobre algo que nem imaginava que estava fazendo errado. É necessário para tirarmos da frente “ilusões cognitivas”: achamos que entendemos algo quando, na verdade, não. Identifique os pontos cegos.

É assim que você vai descobrir o que precisa aprender.

Autodidatismo: especialista dá dicas para estudar sem professor

Por muitas vezes, a vontade de aprender é maior do que a possibilidade de ter uma pessoa capacitada e com tempo disponível para nos ensinar.

Com isso, cabe ao aluno se lançar à própria sorte e buscar o conhecimento. É o chamado autoaprendizado. O que pode parecer uma necessidade, na verdade apresenta muitas vantagens.

É o que garante o professor Pedro Demo (doutor em sociologia com PhD na Alemanha e nos EUA).

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Autor de livros sobre o assunto como “Metodologia para Quem quer Aprender” (editora Atlas), Demo afirma que o autodidatismo ajuda na criatividade e pensa que o próprio ensino tradicional deveria dar mais autonomia para o estudante. Nesta entrevista, ele dá dicas para quem quer estudar por conta.

Porém, logo avisa: não há esquema pronto para aprender por conta. O estudante é que tem de descobrir o que é melhor para ele.

Existem técnicas que podem tornar o autoaprendizado mais efetivo?

Pedro Demo – Há sugestões do tipo autoajuda que são enganosas porque prendem o estudante a esquemas. Parte da aprendizagem significa libertar-se de esquemas rígidos em nome da autonomia. Não havendo fórmula pronta, a sugestão é caprichar nas “habilidades” como saber pensar, pesquisar, elaborar, questionar, perguntar, duvidar…

Pensando nisso, como o estudante pode aprimorar essas habilidades?

Um pouco dessas habilidades vêm da própria pessoa, mas com certeza podem ser melhoradas na vida, na boa escola (que permite ao aluno refletir e criar). Exercitar a autoria é uma boa forma de a pessoa aprender a pensar, já que acaba exercitando o “saber pensar”.

Para quem gosta, bons videogames ajudam a pessoa a resolver problemas. Um exemplo é o Sim City, no qual a pessoa tem que administrar uma cidade.

Como o estudante pode organizar um plano de estudo sozinho?

Quem deve pensar no plano de estudo é o próprio aluno. Ao analisar a dificuldade da disciplina que quer aprender, ele pode dividi-lo em partes e estipular um tempo de aprendizado. Para desenvolver a autonomia, qualquer pessoa precisa organizar-se, tomar iniciativa, saber pensar, questionar e se autoquestionar.

O aluno também deve pensar em quais tipos de apoio podem ajudar. Existe uma metodologia chamada Scaffolding, no qual o estudante começa com um apoio no aprendizado e cada vez menos necessita dele. Também é muito importante imergir no assunto. Uma boa forma de fazer isso é exercitar a autoria, já que para criar é preciso estudar muito.

No livro “Metodologia para Quem Quer Aprender”, você cita que disciplina e indisciplina são necessárias para quem quer estudar. Por quê?

É preciso ter disciplina, porque o estudo rende melhor em condições ordenadas: com horário, com pontualidade e com coordenação.

Mas a criatividade é mais inspirada na indisciplina, na habilidade de sair da rotina. Indisciplina não significa quebrar tudo, agredir os outros, apontar confusão, mas saber divergir, perguntar, duvidar, buscar outros caminhos.

Muitas pessoas se dizem “autodidatas”. Isso significa que nem todo mundo é capaz de aprender sozinho?

Há pessoas autodidatas, no sentido de que sabem aprender por si, pois possuem boa cabeça, usam lógica com facilidade, induzem e deduzem, inferem, sacam soluções.

No fundo, todos podem aprender sozinhos, porque aprendizagem é algo sozinho, de dentro para fora. A escola, em geral, tolhe a iniciativa própria, porque é uma instituição autoritária e instrucionista.

“Ensina”, mas não cuida que se aprenda.

Em que sentido as novas tecnologias podem ajudar no autoaprendizado?

Tecnologia pode ajudar e atrapalhar. Elas servem para pesquisar, elaborar e questionar. Mas também podem ser usadas para plagiar, copiar, e enganar. Cabe ao aluno ter consciência de usá-las bem.

Além dos videogames, há bons recursos tecnológicos como programas de exercícios e apostilas. Porém, o ideal é ter consciência de que não devemos nos prender a apenas um apoio. Ficar só com internet é pobreza, porque a história tem um acervo imenso de construção de conhecimento que vem antes da web.

Por que há muitas pessoas autodidatas que se dão bem em áreas como tecnologia e negócios?

Em toda história, a tecnologia é o grande emblema da criatividade humana. De certa forma, criar o que é novo faz parte da própria tecnologia. E para criar o que é novo, há de se fazer sem professor. Neste sentido, podemos ver que a autoria ajuda muito quem busca o autoaprendizado.

Quais são as principais vantagens do estudo por conta. E desvantagens?

Vejo como principal vantagem o exercício da pessoa ter que buscar soluções para as próprias fraquezas. Com certeza ajuda no autodesenvolvimento.

Por outro lado, há o risco da pessoa que faz tudo sozinha não desenvolver a autocrítica, pois não tem um nível de comparação.

Só é importante também pensar em outra coisa: estudo por conta não significa isolar de tudo e todos. Quando for preciso, vale buscar ajuda.

Você acredita que o ensino da forma tradicional nas universidades pode ser substituído por novos métodos de autoaprendizado?

Deve, porque o “ensino” hoje é um disparate instrucionista. É preciso inventar sistemas de “aprendizagem”, nos quais professores e estudantes se encontram para aprenderem juntos, exercitando a autoria.

Ao lado do conteúdo que todo mundo precisa dominar para tornar-se profissional, é importantíssimo desenvolver habilidades autorais. Quem sabe essas habilidades, sobrevive aos tempos.

Quem só escuta aula, falece na primeira esquina.

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