Como apreciar o dom de falar em línguas (com imagens)

Acabei de assistir o filme do consagrado cineasta brasileiro Fernando Meirelles: Dois Papas.

Considero o filme, técnica e esteticamente, bem elaborado, feito nos próprios espaços grandiosos do Vaticano. Sua base é fundada em fatos históricos, evidentemente, com a criatividade que este tipo de arte permite, particularmente na construção dos diálogos. Mas neles se entrevê suas respectivas teologias e afirmações conhecidas.

O que digo é opinião estritamente pessoal. Tive o privilégio de conhecer a ambos os Papas pessoalmente e com os quais entretive e entretenho relações de certa proximidade e até amizade.

O Papa Ratzinger: finíssimo e rigoroso

Como Apreciar o Dom de Falar em Línguas (com Imagens)

Com o prof. Joseph Ratzinger tenho uma dívida de gratidão por ter apreciado minha tese doutoral sobre “A Igreja como Sacramento Fundamental no Mundo secularizado”, volumosa, mais de 500 páginas impressas.

Ajudou-me financeiramente com uma soma considerável de marcos e encontrou uma editora para sua publicação, pois ninguém queria assumir o risco de lançar um livro desta proporção.

A acolhida na comunidade teológica internacional foi grande, considerada uma obra fundamental, especialmente pelo renomado especialista em Igreja Jean Yves Congar, dominicano francês.

O Prof. Ratzinger é uma pessoa finíssima no trato, extremamente inteligente e nunca o vi alçando a voz; mas é muito tímido e reservado.

Ao saber de sua eleição a Papa, logo pensei: “É um Papa que vai sofrer muito, pois talvez jamais tenha abraçado pessoas, mesmo uma mulher e se exposto às multidões”.

Nossa amizade se fortaleceu porque durante cinco anos, a partir de 1974, toda semana de Pentecostes (por volta de maio) cerca de 25 teólogos e teólogas progressistas, renomados do mundo inteiro, nos encontrávamos em Nimega na Holanda ou em outra cidade europeia.

Durante uma semana discutíamos ecumenicamente, acompanhados por um pequeno grupo de cientistas, inclusive de Paulo Freire, sobre temas relevantes do mundo e da Igreja. Editávamos uma revista Concilium que se publicava em 7 línguas que ainda continua a ser publicada (no Brasil pela Editora Vozes).

Aí colaboraram as melhores cabeças mundiais, nas várias áreas do conhecimento que vai da sexualidade, da Teologia da Libertação, à moderna cosmologia.

O Prof.Ratzinger sentava-se quase sempre ao meu lado. Depois do almoço enquanto quase todos tiravam uma sesta eu e ele passeávamos pelo jardim, discutindo temas de teologia, nossos preferidos, Santo Agostinho e São Boaventura dos quais li praticamente toda obra e ele é um especialista reconhecido.

Cada um em seu papel sem perder a relação.

Feito Cardeal e Presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a ingrata missão de me interrogar sobre o livro Igreja: carisma e poder em 1984. Ele cumpria institucionalmente sua função de interrogador e eu de defensor de minhas opiniões.

Foi um diálogo firme, mas sempre elegante da parte dele, mesmo quando, após o interrogatório, tivemos um encontro já mais duro com ele e os Cardeais brasileiros Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Aloysio Lorscheider que me acompanharam em Roma e testemunharam a meu favor. Éramos três contra um.

Devo reconhecer que ele se sentia constrangido.

Depois de um ano, recebi a solução do processo doutrinário com a deposição da cátedra de teologia, de minhas funções na Editora Vozes e a imposição de um “silêncio obsequioso” que me impedia de falar, de ensinar, de dar entrevistas e de publicar qualquer coisa. A decisão final após o interrogatório foi feita por 13 cardeais (13 para desempatar).

Soube mais tarde, através de um emissário de seu secretário particular que ele, Card. Ratzinger, votou a meu favor, mas foi voto vencido. Cabe dizer que sempre que jornalistas perguntavam a ele sobre mim, respondia, com certo humor, que sou “ein frommer Theologe” (um teólogo piedoso) que um dia vai aprofundar seu verdadeiro caminho teológico.

O filme não retrata a figura fina e elegante que o caracteriza. Em certa cena, levanta a voz e quase grita, o que, me parece, totalmente inverossímil e contra seu caráter.

Apesar de estarmos agora em situações diferentes, ele Papa retirado e eu um teólogo promovido a leigo, nunca perdemos a amizade.

Por seus 90 anos, ao ser organizada uma Festschrift (um livro de homenagem), na qual muitos notáveis escreveram, a pedido dele solicitaram-me que escrevesse meu testemunho a seu respeito, o que fiz, prazerosamente. A amizade é mais forte que qualquer doutrina sempre humana.

O Papa Francisco: terno, fraterno e inovador

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Com referência ao Jorge Mario Bergoglio, agora Papa Francisco, diria o seguinte: Conhecemo-nos em 1972 no Colégio Máximo de San Miguel em Buenos Aires, cada um discorrendo sobre a singularidade do caminho espiritual de Santo Inácio de Loyola (ele) e o caminho espiritual de São Francisco (eu). Aí discutimos a vertente da teologia da libertação de tipo argentino (do povo silenciado e da cultura oprimida) e a nossa brasileira e peruana (sobre a injustiça social e a opressão histórica sobre os pobres e afrodescendentes). Deste encontro há uma foto que ele, desde Roma, teve a gentileza de me mandar, onde aparecemos, todo um grupo de teólogos e teólogas, a maioria não mais entre nós, alguns perseguidos e torturados pela repressão bárbara dos militares argentinos ou chilenos. Depois nos perdemos de vista.

(Ele é o terceiro da esquerda para a direita e eu o segundo da esquerda)

O Papa Francisco: teólogo da libertação integral

Soube pelo seu professor de teologia, recentemente falecido, Juan Carlos Scannone, o representante maior da teologia da libertação argentina. que Bergoglio entrou para a Ordem Jesuítica como vocação adulta (era químico antes, como aparece no filme).

Entusiasmou-se logo com a teologia da libertação de viés argentino e aí mesmo fez um voto que cumpriu sempre, mesmo como cardeal de Buenos Aires: toda semana passar uma tarde ou mesmo um dia numa favela (Villa miséria), sempre sozinho, entrando nas casas e conversando com todo mundo.

Foi Superior Maior da Província dos Jesuítas da região de Buenos Aires. Jovem, era muito rigoroso. Aqui teve que enfrentar uma situação gravíssima, que carregou no coração até os dias de hoje: dois jesuítas, o padre Jalish e o padre Yorio (que conheci pessoalmente em Quilmes) viviam numa favela, apoiando os pobres e marginalizados.

Quem trabalhava com o povo, como no Brasil de 1964 (e talvez também hoje sob o novo governo), seriam considerados marxistas e subversivos. Eram vigiados pelos órgãos de segurança dos militares. Bergoglio soube que seriam sequestrados com as torturas que se seguiam.

Tentou salvá-los até apelando ao voto de obediência, típico de sua Ordem, no sentido de abandonarem a favela, para não serem vítimas da repressão.

Eles argumentaram de forma evangélica: “um pastor não abandona seu rebanho, seu povo; participa de seu destino; vale mais obedecer ao Deus dos pobres do que obedecer a um superior religioso”.

Efetivamente foram sequestrados e duramente torturados. Jalish se reconciliou com Bergoglio e vive na Alemanha, enquanto Yorio se sentiu abandonado e distanciou-se dele (morreu no Uruguai, anos atrás).

Pude sentir sua amargura pessoal, ao mesmo tempo que procurava entender o impasse que uma autoridade religiosa, com responsabilidade, enfrenta em situações-limite.

Mesmo assim, Bergoglio escondeu a muitos no Colegio Maximo de San Miguel ou os levou até a fronteira de outro país para fugirem da morte certa.

O Papa Francisco: o cuidado da Casa Comum

Ao ser eleito Papa, voltamos a nos comunicar. Sabendo que havia me ocupado intensivamente com o tema da ecologia integral, envolvendo a Casa Comum, a Mãe Terra, solicitou-me subsídios, coisa que fiz com assiduidade.

Mas logo me advertiu: ”não mande os textos para o Vaticano, pois, não me serão entregues (o famoso sottosedere da Cúria: sentar em cima e esquecer) mas envie-os diretamente ao embaixador argentino junto à Santa Sé, especialmente àquele que todos os dias, bem cedo, toma o chimarrão (el mate), comigo”. Assim fiz sempre, Diz-se pr ai que na encíclica sobre o “cuidado da Casa Comum” ressoam pensamentos e textos meus. Mas a encíclica é do Papa e ele se toma a liberdade de consultar as pessoas que quiser. O mesmo fiz com textos sobre o Sínodo Panamazônico de 2019. Respondeu várias vezes agradecendo.

Ao escolher o nome de Francisco sob inspiração de seu amigo brasileiro, o Card. Dom Cláudio Hummes que lhe sussurrou o nome ao ouvido e ainda de não esquecer os pobres, ele se transformou.

O rigor jesuítico se uniu com a ternura franciscana. Com os problemas internos da Cúria, a pedofilia, a corrupção financeira dentro do Banco do Vaticano é extremamente rigoroso.

Contrariamente, com o povo, é visivelmente terno e fraterno.

Nenhum Papa anterior castigou tão duramente o sistema que perdeu a sensibilidade, a solidariedade com os milhões de pobres e famintos, a capacidade de chorar e que são adoradores do ídolo do dinheiro. Depredam a natureza e são anti-vida e anti-Mãe Terra.

Não precisamos declarar a que sistema se refere. Sua opção pelos pobres é altissonante. Tornou-se, por suas posturas corajosas face à emergência ecológica da Terra, ao aquecimento global e à desumanização das relações humanas, um líder religioso e político.

Sua voz é ouvida e respeitada pelo mundo afora.

Dois modelos de homem e dois modelos de Igreja

O propósito do filme é mostrar dois modelos de personagens religiosas e dois modelos de Igreja.

Primeiramente, mostra como ambos, Ratzinger e Bergoglio. são humanos, profundamente humanos. Nesse sentido: ambos possuem seu lado luminoso e também seu lado sombrio. O Papa Bento XVI, sua leniência com os pedófilos. Não devemos esquecer que escreveu a todos os bispos, sob sigilo pontifício que, jamais deve ser quebrado, de não entregar os padres e os bispos pedófilos aos tribunais civis.

Isso desmoralizaria a instituição Igreja. Deviam, sim, confessar-se do pecado e ser transferidos para outro lugar. O Papa não se deu conta suficientemente de que não tinha a ver apenas com um pecado perdoável pela confissão. Tratava-se de um crime contra inocentes, que a justiça comum deve investigar e punir. Não se pensou nas vítimas, apenas na salvaguarda da imagem da instituição-Igreja.

O Papa Bento XVI colocou-se na esteira do João Paulo II que era, moral e doutrinariamente, conservador. Procurou relativizar o aggiornamento do Concílio Vaticano II (1962-1965). Via a Igreja como uma fortaleza sitiada por todos os lados por inimigos, vale dizer, pelos erros e desvios da modernidade.

A solução que se propunha era a de voltar à grande disciplina anterior, vinda do Concílio de Trento (1545-1563) e do Concílio Vaticano I. (1869-1870). A centralidade era a ortodoxia e a sã doutrina, como se fossem as prédicas que salvassem e não as práticas. Nesta linha o Card.

Joseph Ratzinger foi rigoroso: mais de 110 teólogos ou teólogas foram condenados, depostos de suas cátedras, silenciados (no Brasil Yvone Gebara e eu pessoalmente) ou de alguma forma punidos. Um deles, excelente teólogo, foi condenado sem receber nenhuma explicação. Ficou tão deprimido que pensou em suicidar-se.

Só se curou quando foi à América Central a trabalhar com as comunidades eclesiais de base.

Viveu-se um inverno eclesial severo. Toda uma geração de padres foi formada nesse estilo doutrinário e com os olhos voltados ao passado, usando os símbolos do poder clerical. Igualmente, toda uma plêiade de bispos foi sagrada, mais autoridades eclesiásticas ortodoxas, que pastores no meio de seu povo.

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Outro modelo de personalidade religiosa é o Papa Francisco. Ele vem do fim do mundo, de fora da velha e quase agônica cristandade europeia. Ele trouxe uma primavera para a Igreja e para o mundo da política mundial.

Primeiramente, inovou os hábitos. Ao negar-se de vestir a “mozzeta” o pequeno manto branco, cheio de brocados que os papas carregam aos ombros, símbolo do absoluto poder dos imperadores romanos pagãos, diz o filme claramente: “acabou-se o carnaval”. Sabemos que esta frase foi dita mesmo.

Não aceita a cruz dourada, continua com sua cruz de ferro; rejeita o sapato vermelho (Prada) e continua com o seu velho sapato preto. Não se anuncia como Papa da Igreja, mas como bispo de Roma e, somente a partir daí, Papa da Igreja universal.

Animará a Igreja não com o direito canônico, mas com o amor e com a colegialidade (consultando a comunidade dos bispos). Em sua primeira fala pública, diz “como gostaria de uma Igreja pobre para os pobres”. Não mora no palácio papal, o que seria uma ofensa ao poverello de Assis, mas numa casa de hóspedes.

Come na fila como os outros e comenta, com humor: ”assim, é mais difícil que me envenenem”.

Dispensa um carro especial e um corpo de proteção pessoal. Mistura-se no meio do povo, dá as mãos a quem as estende e beija as crianças. É pai e avô querido das multidões.

Seu modelo de Igreja é o de “um hospital de campanha”, que atende a todos, sem perguntar de onde vem e qual é sua situação moral. É uma “Igreja em saída” para as periferias humanas e existenciais.

Respeita os dogmas e doutrinas, mas diz claramente que prefere colocar-se vivamente diante do Jesus histórico, opta pelo encontro direto com as pessoas e enfatiza a pastoral da ternura. Insiste que Jesus veio para nos ensinar a viver o amor incondicional, a solidariedade e o perdão.

Central para ele é a misericórdia infinita de Deus. Vai mais longe ao dizer: ”Deus não conhece uma condenação eterna, pois perderia para o mal. E Deus não pode perder. Sua misericórdia não conhece limites”.

Por isso, chama a todos, uma vez purificados de suas maldades, para a casa que o Pai e a Mãe de bondade preparou para todos, desde toda a eternidade. Morrer é sentir-se chamado por Deus e vai-se alegremente para o Grande Encontro.

Eis outro tipo de pontificado, outro modelo de ser humano que reconhece que perdeu a paciência quando uma mulher o puxou e apertou longa e duramente sua mão. Irritado, bateu-lhe a mão por duas ou três vezes. Mas no dia seguinte pediu publicamente perdão.

Dois Papas: diferentes e complementares.

Como Apreciar o Dom de Falar em Línguas (com Imagens)

O Papa Francisco abriu sua inteira humanidade, dando-se o direito à alegria de viver, de torcer pelo seu time de estimação o San Lorenzo, de apreciar a música dos Beatles até conquistar o Papa Bento XVI a dançar um tango, impensável para um severo acadêmico alemão. Aqui aparece não o Papa, mas o homem Bergoglio que desentranha a humanidade recolhida do homem Ratzinger. Ambos são diferentes, mas se integram na dança de um tango de pessoas idosas. A vida, afinal, é uma dança.

O filme é uma bela metáfora da condição humana, de dois modos diferentes de realizar a humanidade, que não se opõem, mas se compõem e se completam, uma com a ternura e a outra com o rigor.

Vale ver o filme, pois nos faz pensar e nos oferece lições de mútua escuta, de um diálogo sincero, de verdades ditas sem rebuços e de uma amizade que vai crescendo na medida em que a relação se descontrai de encontro a encontro.

O perdão que um dá ao outro e o abraço final, longo e carinhoso, demonstra o humano e o espiritual presentes em cada um de nós.

Como Apreciar o Dom de Falar em Línguas (com Imagens)

Edição: Blog do Boff

Felipe Aquino

Deus distribui seus dons conforme seus desígnios para a salvação dos homens

Para alcançar a vida eterna devemos buscar uma vida santa, de acordo com os mandamentos da lei de Deus e da Santa Mãe Igreja.

Nisso reside a verdadeira sabedoria, que não é um dom que brota de baixo para cima, e que não basta o nosso esforço próprio.

  É um dom que vem do alto, que vem da graça de Deus e flui por meio do Espírito Santo que conduz, inspira e assiste a Igreja de Deus sobre a terra.

Como Apreciar o Dom de Falar em Línguas (com Imagens)
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

O Espírito Santo dá a certos fiéis dons de sabedoria, de fé e de discernimento em vista do bem comum, especialmente para a direção espiritual dos fiéis. Os santos destacaram muito o valor desta direção.

São João da Cruz, doutor da Igreja, por exemplo, falava da importância da direção espiritual: “Por isso, se a alma deseja avançar na perfeição, deve considerar bem em que mãos se entrega, pois, conforme o mestre, assim será o discípulo; conforme o pai, assim será o filho”. E ainda: “O diretor deve não somente ser sábio e prudente, mas também experimentado.

Se o guia espiritual não tem a experiência da vida espiritual, é incapaz de nela conduzir as almas que Deus chama, nem sequer as compreenderá” (Chama, 3). Santa Teresa dizia que o diretor espiritual deve ser sábio, douto e santo.

O dom da sabedoria nos concede o sentido adequado para sabermos apreciar as coisas de Deus; dando ao bem e à virtude o seu verdadeiro valor, e encarando os bens do mundo como degraus para a santidade não como fins em si. Por exemplo, a pessoa que gasta o seu fim de semana para participar de um retiro espiritual, foi conduzido pelo dom da sabedoria, mesmo que não o saiba.

Na ordem natural do conhecimento, a inteligência humana procura fazer uma síntese das suas concepções, de modo a ter uma visão harmoniosa. A mente humana procura atingir os primeiros princípios e as causas supremas de toda a realidade que ela conhece.

A mesma busca harmoniosa ocorre também na ordem sobrenatural.

O dom da ciência e do entendimento nos dão uma penetração profunda no significado de cada criatura e de cada verdade revelada respectivamente; oferecem também uma certa síntese dos objetos contemplados, relacionando-os com Deus.

Todavia, o dom que, por excelência, efetua essa síntese harmoniosa e unitária, é o da sabedoria. Ela abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe diretamente sob a luz de Deus, mostrando a grandeza do plano do Criador e o Seu mistério insondável.

O dom da sabedoria não realiza a síntese dos conhecimentos da fé em termos meramente intelectuais. Ele oferece um conhecimento agradável da verdade, porque é fruto da experiência do próprio Deus feita pelo cristão ou da afinidade que o cristão adquire com o Senhor pelo fato de amar a Deus.

Uma comparação ajuda a compreender isso: para conhecer o sabor de uma laranja, posso consultar, intelectual e cientificamente, os tratados de Botânica; terei assim uma noção aproximada do que seja esse sabor. Mas a melhor maneira para conhecer o gosto da laranja será chupá-la. Os resultados do estudo meramente intelectual são frios e abstratos, ao passo que as vantagens da experiência são concretas.

Os dons da ciência e do entendimento fazem-nos conhecer principalmente pelo amor e afinidade com Deus. É o dom da sabedoria que resulta dessa familiaridade com o Senhor. Ele acontece na medida da íntima união que o cristão tenha com o Senhor Deus.

É fruto daquilo que Jesus disse: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos.

Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer ” (João 15,4-5).

Dizia um grande místico que “o dom da sabedoria faz-nos ver com os olhos do Bem-amado; a partir da excelsa atalaia que é o próprio Deus, contemplamos todas as coisas quando usamos o dom da sabedoria”.

Essas verdades nos fazem entender quanto nesta vida é importante o amor de Deus. É este que propicia o conhecimento mais perspicaz e saboroso do mesmo Deus.

 Os teólogos nos ensinam que veremos Deus face a face por toda a eternidade na proporção do amor com que o tivermos amado nesta vida. O grau do nosso amor, na hora da morte, será o grau da nossa visão de Deus na vida eterna ou por todo o sempre.

É por isso que se diz que o amor é o vínculo da perfeição (cf. Cl 3, 14). “No ocaso de sua vida, cada um de nós será julgado na base do amor”, diz São João da Cruz.

Mas isso não quer dizer que se possa menosprezar o estudo, pois, se o Criador nos deu a inteligência, foi para que a apliquemos à verdade por excelência, que é Deus. João Paulo II disse que “a fé e a razão são as duas asas com as quais o espírito humano alça voo para contemplar a verdade” (Fé e razão, n. 1).

Falando do dom da sabedoria, em 14/04/2014, o Papa Francisco disse que “a sabedoria é uma graça que nos permite ver as coisas com os olhos de Deus, a sentir como Deus e a falar com suas palavras; nós temos dentro de nós, no nosso coração, o Espírito Santo; podemos escutá-Lo.

Se nós escutamos o Espírito Santo, Ele nos ensina esta via da sabedoria, presenteia-nos com a sabedoria que é ver com os olhos de Deus, ouvir com os ouvidos d’Ele, amar com o coração do senhor, julgar as coisas com o juízo divino. Esta é a sabedoria que nos dá o Espírito Santo e todos nós podemos tê-la.

Somente devemos pedi-la ao Espírito Santo”.

“Depois, no matrimônio, por exemplo, os dois esposos – o esposo e a esposa – brigam e depois não se olham ou se o fazem é com a cara amarrada: isto é sabedoria de Deus? Não! Em vez disso, se diz: ‘Bem, a tempestade passou, façamos as pazes’, e recomeçam a seguir adiante em paz: isto é sabedoria? [o povo: Sim!] Sim, este é o dom da sabedoria. Que esteja casa, que esteja com as crianças, que esteja com todos nós!”.

O Papa disse deste modo que não é sabedoria quando “nós vemos as coisas segundo o nosso prazer ou segundo a situação do nosso coração, com amor ou com ódio, com inveja… Não, estes não são os olhos de Deus”.

“E obviamente isso deriva da intimidade com Deus, da relação íntima que nós temos com Deus, da relação de filhos com o Pai. E o Espírito Santo, quando nós temos esta relação, nos dá o dom da sabedoria.

Quando estamos em comunhão com o Senhor, é como se o Espírito Santo transfigurasse o nosso coração e o fizesse perceber todo o seu calor e a sua predileção.

O Papa Francisco ressaltou que “o coração do homem sábio neste sentido tem o gosto e o sabor de Deus.

E quão importante é que nas nossas comunidades haja cristãos assim! Tudo neles fala de Deus e se torna um sinal belo e vivo da sua presença e do seu amor.

E isto é uma coisa que não podemos improvisar, que não podemos procurar por nós mesmos: é um dom que o Senhor faz àqueles que se tornam dóceis ao Espírito Santo”.

Santo Agostinho disse que: “A sabedoria é a medida do homem. Uma medida pela qual o homem se mantém em equilíbrio. Sem tentar o impossível nem contentar-se com o insuficiente”. “Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência”.

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Santo Afonso de Ligório disse que: “A verdadeira sabedoria é a sabedoria dos santos: saber amar a Jesus Cristo”.

São João da Cruz disse que: “Adquire-se a sabedoria pelo amor, do silêncio e da mortificação; grande sabedoria é saber calar e não se inserir em ditos ou fatos e na vida alheia”.

:: Novena de Pentecostes 

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A dúvida de vários clientes que venho solucionar com o artigo de hoje é a seguinte: ao fazer uma citação em língua estrangeira, é necessário traduzi-la para a língua em que o texto está sendo escrito ou devemos mantê-la na língua original? Em outras palavras: se queremos usar uma citação em inglês em um artigo que está sendo escrito em português, essa citação deve ser feita em inglês ou português?

Primeiramente, é válido pensar no leitor de nosso texto:  ele tem obrigação de dominar aquela língua estrangeira? Eu respondo: não, ele não tem.

No entanto, caso você ache que, sim, é obrigação de tal público conhecer tal língua, cabe lembrar que outras pessoas podem ler seu artigo além daquele público-alvo; e se essas pessoas não dominam tal língua, reside aí um fator que pode complicar o alcance do maior propósito de um texto, que é dialogar com seu leitor.

Generosidade com quem lê é uma das características essenciais da escrita. Então, a primeira resposta é sim, devemos traduzir citações em língua estrangeira. A seguir, mostro como proceder.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) não se posiciona quanto a isso, mas na NBR 10520 determina que, ao traduzir uma citação, seja utilizada a expressão “tradução nossa” entre parênteses após o trecho copiado.

Além disso, é uma boa prática adicionar o texto original em uma nota de rodapé para que o leitor possa apreciar o texto na língua em que foi escrito e, também, certificar-se de que a tradução foi feita corretamente.

Dou um exemplo a seguir:

No corpo do texto: Analisemos o trecho a seguir: “O som do Big Ben inundou a sala de Clarissa, onde estava sentada, muito aborrecida, à sua escrivaninha; preocupada; aborrecida” (WOOLF, 1996, p. 129, tradução nossa).[1]

Na nota de rodapé: [1] “The sound of Big Ben flooded Clarissa’s drawing-room, where she sat, ever so annoyed, at her writing table; worried; annoyed.”

Também é possível usar a ordem inversa: citar em inglês no corpo do texto e colocar a tradução na nota de rodapé. Nesse caso, a decisão fica a cargo do autor e de acordo com o que for mais adequado ao propósito do texto, mas sempre lembrando que a forma a ser seguida deve levar em conta a fluidez da leitura e a generosidade para com o leitor.

Referências

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação – Citações em documentos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

WOOLF, Virginia.Mrs Dalloway.London: Penguin Books, 1996.

OS BENEFÍCIOS DO FALAR EM LÍNGUAS

Coisa alguma que Deus nos dá é sem valor. Nada, absolutamente nada que o Pai tem nos oferecido é em vão; tudo tem proveito e utilidade.

Em sua grandiosa graça, ele nos concede suas dádivas com a finalidade de extrairmos os benefícios. O falar em línguas não é coisa sem importância. Ele foi dado para o nosso bem, para a nossa edificação.

Nesta prática há benefícios que transformam nossas vidas.

A maioria dos crentes que já foram batizados no Espírito Santo e passaram a falar em línguas, ainda não compreendeu o que receberam de Deus. Os conceitos são diversos, mas a grande maioria não vê um propósito no uso contínuo da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo.

Se quem fala em línguas já não vê um motivo claro para isto, o que esperar daqueles que ainda não falam? Mas quando a Igreja começar a enxergar o sublime propósito desta dádiva de Deus, haverá um anseio maior pela manifestação do falar em línguas.

Já é tempo de compreendermos que mediante o uso das línguas podemos enriquecer nossa vida espiritual, edificando-nos a nós mesmos. Há bênçãos e vantagens a serem desfrutadas no uso desta prática. E sei que o apóstolo Paulo não pensava de forma diferente, pois chegou a ponto de declarar:

“Dou graças ao meu Deus, que falo em línguas mais do que todos vós.” (1 Co.14.18)

Caso não houvesse proveito algum nas línguas, será que Paulo agradeceria a Deus por isso? Você acha ainda que ele as usaria tanto, como ele enfatiza ao dizer que o fazia mais do que todos os coríntios? E olhe que os corintos falavam mesmo em línguas! Havia um uso intenso nesta igreja, que chegou até mesmo a transformar-se em abuso, que foi um dos motivos que fez com que o apóstolo escrevesse corrigindo-lhes.

Note que ele não disse que falava em línguas mais do que eles no sentido de diversidade, mas a ênfase recai no valor da prática, o que claramente aponta para a quantia de tempo que ele investia nesta atividade. E por que agradecer a Deus por gastar tanto tempo falando em línguas? Está implícito que Paulo descobrira “uma mina de ouro”, uma fonte de poder e edificação! Como ele mesmo afirmou:

“O que fala em línguas, edifica-se a si mesmo…” (1Co. 14.4.)

O falar em línguas é um instrumento de edificação. Edificar é construir, fazer crescer, levantar algo. Do ponto de vista espiritual edificação significa crescimento; fala de construir algo mais sobre o alicerce da fé em Jesus. O falar em línguas acrescenta em nós, de forma paulatina, tudo o que necessitamos para o nosso andar em Deus.

A OBRA DO ESPÍRITO SANTO

Ao falar da linguagem sobrenatural de oração do Espírito Santo, é preciso que fique bem claro que há “uma sociedade” nesta manifestação. O Espírito Santo não fala em línguas, somos nós que o fazemos; mas por outro lado, não falamos de nós mesmos, somente o que o Espírito do Senhor nos inspira a falar. Se uma das partes desta sociedade faltar, não haverá a manifestação.

Partindo, portanto, deste princípio, tenhamos em mente o momento em que esta manifestação inicia nas nossas vidas: quando recebemos o batismo no Espírito Santo. É exatamente neste momento, quando somos cheios do Espírito e encontramo-nos totalmente rendidos a ele, sob sua plenitude, que passamos a falar em línguas.

Mas por que ao sermos cheios do Espírito falamos numa linguagem diferente? Qual o valor desta manifestação? Qual é a dimensão da edificação que se dá em nosso íntimo?

O falar em línguas faz parte do propósito de Deus para as nossas vidas. É a ferramenta que o Espírito Santo usa para trabalhar em cada um de nós de forma mais profunda.

O falar em línguas vai produzir em nossas vidas a totalidade do ministério do Espírito Santo. A linguagem sobrenatural de oração é uma ferramenta do Espírito de Deus para realizar em nós sua obra. E há um motivo especial porque o Espírito Santo toca justamente em nossa fala a partir do momento que vem sobre nós.

A fala é um ponto estratégico, e o Espírito Santo não toca exatamente nesta área em vão. Tiago falou sobre o poder da fala:

“Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo. Ora, se pomos freios na boca dos cavalos, para que nos obedeçam, então conseguimos dirigir todo o seu corpo.

Vede também os navios que, embora tão grandes e levados por impetuosos ventos, com um pequenino leme se voltam para onde quer o impulso do timoneiro. Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas. Vede quão grande bosque um tão pequeno fogo incendeia.

A língua também é um fogo; sim, a língua, qual mundo de iniqüidade, colocada entre os nossos membros, contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, sendo por sua vez inflamada pelo inferno.

Pois toda a espécie tanto de feras, como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se doma, e tem sido domada pelo gênero humano; mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal”. (Tiago 3.2-8)

A ciência tem descoberto em nossos dias o que há dois milênios atrás o Espírito Santo já havia revelado a seu povo: que o sistema nervoso da fala influencia todo o corpo.

Mas além da influência natural, a Bíblia está mostrando que a fala tem também uma influência espiritual; mostrando que quem estará no controle será sempre Deus ou o diabo.

Qual a causa do Espírito Santo controlar justamente esta área tão estratégica de nossa vida ao encher-nos com seu poder? É porque por meio da fala ele poderá ampliar seu domínio em nós, e trabalhar com maior eficácia na execução do seu ministério!

O Espírito Santo trabalha nos homens. Desde o Velho Testamento ele faz isto (Gn 6.3). Ele convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). O Espírito Santo está trabalhando neste exato momento, nos quatro cantos da terra, mesmo naqueles que ainda não conhecem a Deus. Entretanto, ele NÃO MORA DENTRO dessas pessoas, e elas nem sequer o conhecem, como declarou o Mestre bendito:

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro ajudador, para que fique convosco para sempre, a saber, o Espírito da verdade, o qual o mundo não pode receber; porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque ele habita convosco, e estará em vós”. (João 14.16-17)

Aleluia! Nós o conhecemos e ele habita em nós. Portanto, seu agir nas nossas vidas é muito mais profundo do que naqueles que ainda não são cristãos. Você imagina o quanto ele não vai agir em nós?

Ele veio habitar em nós para cumprir a parte que lhe toca no propósito divino. Quando Paulo escreve a Timóteo, fala do bom depósito em nós (2 Tm 1.14); ou seja, há um investimento de Deus em nossas vidas! O propósito de Deus ao enviar o Espírito Santo para habitar em nós foi para que ele produzisse algo em nossas vidas.

E saiba, com certeza, que o Espírito Santo não quer permanecer inativo. Habitar em você é parte do trabalho dele, e à medida que você se rende, o agir dele vai tornando-se cada vez mais intenso. O Espírito de Deus está em você para realizar a parte dele no propósito eterno de Deus; veio concluir a obra da redenção, pois esta é a parte que lhe cabe na ação da Trindade.

O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO NA REDENÇÃO

O arrependimento começa no homem por uma ação divina. Sabemos disto porque Paulo disse aos romanos que é a bondade de Deus que nos conduz ao arrependimento (Rm 2.4). E quem está por trás disto? É o Espírito Santo; Jesus disse:

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“Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça, e do juízo.” (Jo 16.8.)

Após o arrependimento, quando o homem exerce a fé em Jesus e na obra da cruz, é o Espírito Santo quem faz com que isto se torne realidade nele. Por isso se diz que ao nascer de novo, o homem é nascido do Espírito (Jo 3.6). E na carta a Tito lemos acerca do lavar da regeneração do Espírito Santo (Tt 3.5), o que mais uma vez aponta para a atuação do Espírito na aplicação da redenção no homem.

Mas isto é apenas o começo. O reino de Deus tem três etapas básicas pelas quais o homem deve passar: porta, caminho e alvo. A porta é a entrada por meio de Jesus Cristo.

O alvo é a chegada à estatura do varão perfeito e à glória celestial. E entre a porta e o alvo, o que restou é o caminho.

O Espírito Santo não apenas nos faz passar à porta, mas é quem leva-nos até o alvo, e para isto usa o caminho.

O caminho é o período onde experimentaremos o tratamento de Deus em nós na vida cristã; é o meio pelo qual se vai ao alvo. E tudo isto é responsabilidade do Espírito Santo; é ele quem nos transforma de glória em glória na imagem do Senhor (2 Co 3.18), produz em nós seu fruto (Gl 5.22-23), e leva-nos a andar e viver nele (Gl 5.25).

A Nova Aliança é chamada por Paulo de O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO (2 Co 3.8), mostrando-nos seu papel de produzir em nós a obra de Deus. O Espírito Santo veio concluir a obra da redenção; é por isso que ele está em nós.

E trouxe consigo uma linguagem de oração, para que por meio desta linguagem possa nos influenciar, uma vez que nossa língua é um meio tão estratégico para isto; pois como disse Tiago: se a língua do homem for controlada, com ela todo o ser da pessoa será também influenciado!

É necessário ressaltar que este toque na língua não é “mágico”, precisamos sujeitá-la a cada novo dia. Não é apenas falar em línguas ocasionalmente, ou no dia do batismo no Espírito, mas dia-a-dia, de forma constante e perseverante.

Mas o benefício divino desta linguagem está longe de ser apenas este, uma vez que não se trata apenas da língua estar sob controle, mas sim O QUÊ ela fala quando está sob controle do Espírito Santo.

É preciso esclarecer que além do toque estratégico justamente na nossa fala, o Espírito nos leva a falar numa linguagem sobrenatural; e é O QUE FALAMOS sobrenaturalmente que produz os benefícios.

Além de sujeitar-se ao Espírito do Senhor, de entrar nos seus domínios por meio da prática diária da oração em espírito, você também experimentará:

1. Conhecimento por revelação.
2. A edificação da fé.
3. Vitória sobre a carne.
4. Cumprimento da vontade de Deus.
5. Sensibilidade espiritual.
6. Perfeito louvor.

7. Intercessão.

São áreas pertencentes ao ministério do Espírito Santo e que serão trabalhadas mais profundamente em nossas vidas por intermédio do uso desta ferramenta. Passemos então a analisar cada um destes benefícios maravilhosos que Deus nos tem oferecido…

Texto extraído do livro “O Falar em Línguas”

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Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

Dons do Espírito Santo: Dom de Línguas

O Dom de Línguas é um dom de oração (pessoal e comunitário), que se segue imediatamente ao derramamento do Espírito Santo em Pentecostes (At 2, 1-4). Foi a primeira manifestação do Espírito Santo: “Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo concedia-lhes que falassem”.

“Estando Pedro ainda a falar, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a (santa) palavra. Os fiéis da circuncisão profundamente se admiravam, vendo que o dom do Espírito Santo era derramado também sobre os pagãos, pois eles os ouviram falar em outras línguas e a glorificar a Deus” (At 10, 6s).

“E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles e falavam em línguas estranhas e profetizavam” (At 19, 6s). Nas passagens acima, observamos que o dom de línguas foi a primeira manifestação da efusão do Espírito Santo, não só sobre os apóstolos e Maria, mas também para todos aqueles que desejam viver uma vida em comunhão com Deus.

O dom de línguas é entendido e experimentado por aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito.

Através do dom de línguas, “palavras incompreensíveis que não são minhas, palavras escolhidas e formuladas pelo Espírito Santo, dão a Jesus o louvor que Ele merece, e do qual eu mesmo sou incapaz” (I Cor 14, 9).

Temos dificuldades em aceitar tudo o que não provém da razão. Mas na medida em que cedemos ao dom, e abrimos o coração e a mente, as dificuldades vão desaparecendo.

No entanto, ao orarmos com esses sons ininteligíveis não deixamos de estar conscientes. Sabemos perfeitamente o que estamos fazendo, pois oramos com a nossa língua e com a nossa vontade, por isso somos livres para começar e terminar quando queremos.

Oramos naturalmente, da mesma forma que fazemos nossas orações mentais e vocais. A única diferença é que quem realiza todo o trabalho é o Espírito Santo, o autor responsável por tomar nossa oração agradável a Deus, atingindo e penetrando o seu coração.

O Espírito Santo socorre a nossa debilidade de orar

Ao começarmos a orar, não sabemos como devemos pedir ou o que dizer a Deus.

Nossa cabeça está tão cheia de preocupações, ideias, afazeres, e nosso coração está tão agitado que ficamos “sem assunto diante de Deus”, ou nosso espírito está indisposto diante de Deus, não consegue se entregar inteiramente e então a oração é ineficaz.

O Espírito Santo vem em nosso auxílio à nossa fraqueza e intercede por nós com gemidos inefáveis. O próprio Espírito Santo que habita em nós, ora em nós e nos auxilia para orarmos e pedirmos o que necessitamos segundo a vontade de Deus.

Através do dom de línguas, o próprio Deus ora em nós e por nós. É um dom que edifica o homem interiormente. O Espírito refaz o ser de quem ora, Ele não se limita a nos ensinar a orar, mas Ele próprio ora em nós, Ele não se limita a nos dizer o que devemos fazer, mas fá-lo conosco.

O Espírito não promulga uma lei de oração, mas confere um graça de oração. O dom de línguas nos leva a descansar nas mãos da divina providência.

Torna o homem interior livre, suas palavras coincidem com o que se passa no mais íntimo do seu coração, ele está inteiramente em Deus e ambos se compreendem e se unem.

São Paulo nos revela que “aquele que ora em línguas não fala aos homens, e sim a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob ação do Espírito Santo” (I Cor 14, 2).

Sendo um dom de oração, é um canal aberto para um relacionamento pessoal afetivo com Deus, acontece uma união mais estreita com o Espírito Santo. Abre-se o diálogo do homem com seu criador.

Através desta união tão íntima entre os filhos e o Pai celeste, é manifestada na alma dos filhos um progresso espiritual, um avanço no caminho da santidade.

Dom de falar em línguas

“Falar em línguas” significa proclamar uma mensagem de Deus, numa linguagem desconhecida, em nome de Deus para uma assembleia através de línguas estranhas. É semelhante e equivalente à profecia.

Todavia é uma fala em voz alta, isoladamente, e sob a unção do Espírito Santo. Quando se “fala em línguas”, um membro do grupo recebe o dom de interpretação de línguas, e comunica a mensagem à assembleia.

“Falar em línguas” é um dom transitório, não permanente.

Dom de interpretação das línguas

Manifesta-se na assembleia reunida em oração e louvor a Deus. É um dom do Espírito à sua Igreja. Não é um dom de tradução, como se alguém traduzisse uma língua convencional. Trata-se de um impulso, de uma unção espiritual para tornar compreensível aos membros da comunidade a mensagem do Senhor que lhe chega em línguas.

O dom de interpretação das línguas é uma ação de Deus pela qual a pessoa proclama a mensagem de Deus. É semelhante e equivalente à profecia.

Vem sempre depois do dom de falar em línguas, que é uma mensagem em línguas.

Devemos pedir este dom de forma frequente na oração pessoal e comunitária, por ser um dom do Espírito, devemos tê-lo também em abundância, para a edificação da Igreja (I Cor 14,2).

O intérprete, após a mensagem proclamada em línguas, sente-se movido a exprimir em palavras normais, convencionais, inteligíveis por todos uma mensagem que lhe vem do Senhor, mas endereçada a todos, para a edificação da comunidade reunida. A interpretação em línguas deve ser concisa, interpretando com clareza a mensagem do Senhor.

Quem tem o dom da interpretação percebe com clareza que as palavras lhe vêm a mente de forma abundante, e deve dizer o que o Senhor lhe inspira.

Quanto mais se habitua, mais facilmente identifica o modo de como o Senhor lhe “dita” as palavras. Ele deve falar sempre na primeira pessoa, como se falasse o próprio Senhor.

Jesus não quer que simplesmente se narre a sua mensagem, mas que pronuncie a mensagem em seu próprio nome empregando-se a primeira pessoa.

Nossa colaboração é essencial

Os Carismas do Espírito, concedidos a todos por ocasião do Batismo e intensificados no Crisma, também são chamados de dons do Espírito Santo. Ele nos capacita com estes dons para servirmos à Igreja de Cristo, através dos irmãos. Os carismas são, portanto, dons de poder para o serviço da comunidade cristã.

Algumas condições para recebermos e perseverarmos na vida carismática: Simplicidade e pureza de coração; Assiduidade da meditação da Palavra de Deus;  Vida de Oração; Desejo de servir aos irmãos como Jesus (Lc 22, 27); Perseverança à recepção dos dons espirituais (sempre abertos para sermos canais à ação e poder do Espírito em nós).

Nossa colaboração é essencial. Deus não nos quer robôs agindo independentemente de colaboração ou de forma mecânica. Ele respeita a nossa liberdade e consentimento. Se cremos, dizemos sim ao que o Senhor quer realizar em nós. Maria Santíssima é o modelo da total abertura: “Faça-se em mim, segundo a Tua palavra” (Lc 1, 38).

Bibliografia Consultada

  • Bíblia Ave-Maria
  • Estudo Bíblico Enchei-vos
  • Carismas – Coleção Paulo Apóstolo
  • O despertar dos Carismas
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Christisfidelis Laice
  • Como usar los carismas – Benigno Juanes
  • Lumen Gentium
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  • VEJA TAMBÉM
  • Dons do Espírito Santo: Dom do Discernimento

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