Como aliviar a dor da fibromialgia: 12 passos

Como Aliviar a Dor da Fibromialgia: 12 Passos

Como Aliviar a Dor da Fibromialgia: 12 PassosDoenças autoimunes são causadas por uma disfunção nas células de defesa que faz com que elas ataquem o organismo e requerem tratamento contínuo.

Imagine um exército de centenas de soldados e um único objetivo: proteger você contra qualquer invasão inimiga. Até que um dia, por algum motivo desconhecido, esse batalhão simplesmente passa a atacá-lo. Grosso modo, é assim que as doenças autoimunes se manifestam. Há uma disfunção nas células de defesa que faz com que elas passem a agredir o organismo em vez de defendê-lo.

Às vezes, o “ataque” é generalizado, como em alguns casos de lúpus, que pode afetar articulações, pele, rins e até células sanguíneas. Outras, a agressão é mais direcionada, como na artrite reumatoide, que tem uma clara preferência pelas articulações, seja dos joelhos, dos quadris ou dos punhos. O resultado, os portadores conhecem bem: dor e muito inchaço.

Priscila Torres, 35 anos, tem fresco na memória os episódios por que passou quando a artrite reumatoide não estava controlada. Atividades simples, como pegar um copo, escovar os dentes, fechar o zíper da calça e o fecho do sutiã eram impossíveis de ser realizadas sem ajuda.

O martírio começava assim que ela se levantava da cama. A passos curtos e parecendo um robô (como ela mesma descreve) devido às fortes dores que sentia nos joelhos, era uma odisseia conseguir chegar ao banheiro. “Ficava tudo inchado: tornozelo, punhos, quadril.

Uma sensação horrorosa.”

O reumatologista Thiago Bitar — que curiosamente também é paciente, tendo desenvolvido um tipo de artrite na infância — explica que a rigidez matinal é característica da doença e o paciente se sente como se estivesse “enferrujado”, com o corpo travado. Um episódio de rigidez pode se estender por mais de duas horas. “Eu sei pelo que os pacientes passam, pois também senti isso. Eles não conseguem tirar o pijama porque dói. Vão pegar a xícara de café, as mãos tremem.”

É comum que a rigidez ocorra especificamente pela manhã porque o processo inflamatório faz com que, durante o repouso, as articulações acumulem líquido no seu interior. Quando a pessoa acorda, a dor é mais forte, e só diminui quando ela se movimenta o bastante para reduzir a quantidade de líquido.

O momento ideal para o início do tratamento é 12 semanas após o início dos sintomas

A artrite reumatoide de Priscila está controlada e em remissão. A rigidez ainda faz parte da sua rotina, principalmente nos dias mais frios, mas dura poucos minutos. Ela sofreu bastante no início, quando foi diagnosticada em 2006.

Primeiro, porque as pessoas não acreditavam  que ela pudesse ter uma doença sem aparentar estar doente; também achavam que artrite fosse ” doença de gente idosa”. Depois, porque imaginou que as limitações progrediriam de tal modo que ela chegaria ao ponto de precisar utilizar próteses.

 “Eu trabalhava durante um tempo na enfermaria de Ortopedia da Escola Paulista de Medicina, onde justamente pacientes de artrite são internados para colocarem próteses”, recorda.

A artrite reumatoide é uma doença democrática, pode atingir desde crianças até idosos. Seu surgimento decorre de vários fatores, os quais incluem predisposição genética, exposição a fatores ambientais e infecções. Fatores hormonais também estão relacionados à doença, o que explica o fato de ela ocorrer três vezes mais em mulheres e apresentar melhora clínica no período da gestação.

Dor persistente

Dor simétrica é um dos sintomas característicos da artrite reumatoide. Em geral, ela atinge os dois lados do corpo (por exemplo, ambos os pulsos, cotovelos, joelhos ou tornozelos).

Outros sintomas incluem inchaço (edema), aumento de temperatura na região e dor persistente, que dura dias e pode desaparecer e então voltar de repente.

Também é comum o aparecimento de fadiga, pois o estado inflamatório aumenta a taxa metabólica, o que faz com que o paciente se canse mais facilmente.

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor a resposta terapêutica e maior a possibilidade de remissão dos sintomas. “O momento ideal para o início do tratamento é 12 semanas após o início dos sintomas”, alerta a médica Licia Maria Henrique da Mota, presidente da Comissão de Artrite Reumatoide, da SBR (Sociedade Brasileira de Reumatologia).

A artrite reumatoide pode se tornar uma doença bastante debilitante, com forte impacto negativo em vários aspectos na rotina do paciente.

Ainda assim, muitos pacientes adiam a investigação dos sintomas, principalmente por falta de informação. Não é comum associar dor persistente a doenças reumatológicas.

Portanto, em geral o paciente toma anti-inflamatórios que só mascaram os sintomas e são vendidos sem receita na farmácia. Logo depois, procura um ortopedista para tomar injeções para dor até, então, o quadro se tornar poliarticular (atingir diversas articulações).

Nesse meio tempo, é comum que já tenha se passado mais de um ano desde o início dos sintomas.

Foi o caso de Josefa Menoci, 56 anos. Ela conta que chegou a ir inúmeras vezes ao ortopedista e um médico sugeriu, inclusive, que fizesse uma cirurgia no joelho.

“Tomei vários remédios por um bom tempo, só que o inchaço não sumia e as dores iam e voltavam. Até que um dia, um outro ortopedista que consultei teve o bom senso de me encaminhar para um reumatologista.

 Só assim consegui o tratamento adequado.”

Portanto, fique atento ao sintoma de dor e suas características. “O paciente com artrite acorda com muita dor sem ter feito nenhum movimento de grande intensidade que a justifique.

A dor mecânica, que qualquer pessoa pode ter, é diferente e está relacionada ao movimento.

Por exemplo, quem não sofre de artrite pode ter uma inflamação quando utiliza muito as mãos ou após um exercício físico intenso, só que em geral ela passa”, esclarece o dr. Bitar.

Qualidade de vida e trabalho

“A artrite reumatoide pode se tornar uma doença bastante debilitante, com forte impacto negativo em vários aspectos na rotina do paciente”, afirma dr.

Ricardo Xavier, pesquisador brasileiro e coordenador da pesquisa sobre “Empregabilidade de Pacientes com Artrite Reumatoide“, que acompanhou 309 pacientes de quatro países (Argentina,  Brasil, Colômbia e México).

A pesquisa foi apresentada no 19º Congresso Anual da Panlar (Liga Pan-Americana de Associações para a Reumatologia), na Cidade do Panamá, no Panamá.

Entre os pacientes pesquisados, os brasileiros apresentam a menor taxa de empregabilidade (40%), enquanto os argentinos têm a maior, com 73% dos pacientes empregados, seguidos pela Colômbia (61%) e México (54%).

Dra. Licia explica que há uma taxa de afastamento laboral muito grande quando se trata de doenças reumatológicas.

Elas ocupam o 2º lugar entre as causas de afastamento do trabalho no país, de acordo com o Ministério da Previdência Social. “A questão é que a artrite reumatoide é uma doença crônica e progressiva.

Se o indivíduo não recebe um tratamento adequado e contínuo, ele não consegue trabalhar”, afirma a especialista.

Patrícia, que já trabalhou como enfermeira em um hospital, conta que teve de deixar a profissão por conta da doença. “Eu trabalhava na emergência infantil e como usava muito as mãos para segurar os bebês e aplicar medicação, fui tendo dificuldades”, recorda.

 Ela diz que trocou o “cuidar assistencial” pelo “cuidar informacional” ao criar o Blog Artrite Reumatoide para compartilhar informações sobre esse universo que inclui 2 milhões de brasileiros (o equivalente à população de Belo Horizonte).

Hoje ela é patient advocacy (pacientes que militam pela disseminação de informação e acesso a tratamentos) e graduanda de jornalismo.

Tratamento contínuo

Por ser uma doença crônica e incurável, o tratamento contínuo requer disciplina por parte do paciente, pois só assim é possível controlar a doença e deixá-la inativa. “No começo, normalmente é preciso tomar muito remédio mesmo. Mas depois que a doença fica estável, não é preciso mais muita medicação”, salienta o dr. Thiago Bitar.

O tratamento medicamentoso inclui analgésicos, corticoides e drogas imunossupressoras, como o metrotrexato e a ciclosporina. Alguns medicamentos mais recentes, desenvolvidos por meio de tecnologias baseadas na biologia molecular, também têm se mostrado bastante eficazes.

Além do tratamento convencional, uma recomendação unânime entre os reumatologistas é incentivar o paciente a praticar atividade física diária, ou seja, durante pelo menos 30 minutos, como preconizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Fortalecer a musculatura como um todo ajuda diretamente a aliviar as dores nas articulações, já que são os músculos que dão sustentação a essas regiões. Mas atenção: as atividades não devem ser exaustivas e nem causar impacto (boxe e outras atividades de luta não são recomendadas), e, nos períodos de atividade da doença, pode ser indicado repouso.

* Matéria finalista do prêmio SBR/Pfizer de Jornalismo.

Como aliviar os sintomas da fibromialgia? Especialista explica!

Imagine que você passou horas apertada dentro de uma caixa, sem espaço para se mexer ou respirar direito.

Pense como essa situação fragiliza seu corpo e sua mente: todos os seus músculos ficam doloridos e dormentes, seu pensamento é dominado por um misto de ansiedade e depressão.

A cabeça parece pesar 200 quilos e você começa a apresentar dificuldades para dormir e executar tarefas comuns. A memória começa a falhar e a concentração diminui. A descrição lembrou um filme de terror, com requintes de tortura? 

Como Aliviar a Dor da Fibromialgia: 12 Passos

Antes fosse. É assim que se sentem os portadores de fibromialgia, explica Ana Márcia Proença, educadora física e terapeuta corporal que atende pacientes com o problema que, atualmente, vitima principalmente as mulheres.

Os portadores desta síndrome dolorosa de origem ainda desconhecida costumam enfrentar uma maratona até chegar a um diagnóstico, normalmente é difícil e demorado.

Com predominância entre o sexo feminino (cerca de 80% a 90% das pacientes são mulheres entre 30 e 50 anos), as pacientes costumam chegar ao consultório médico com no mínimo três dos seguintes sintomas: 

  • Dores fortes e difusas nos músculos, tendões, ligamentos e articulações por mais de 3 meses 
    Fadiga e distúrbios de sono 
    Sensação de queimação e/ou contrações espasmódicas nos músculos 
    Hipersensibilidade ao toque 
    Dificuldade de concentração e perda de memória 
    Enxaquecas crônicas TPM forte, com náuseas, fortes alterações de humor e dores abdominais 
    Problemas digestivos como diarréia, intestino preso e gases 
    Disfunção Temporomandibular (na lateral da testa e no queixo, perto das orelhas) ou algum desconforto ou dor constante na mandíbula 
    Dormência e formigamento 
    Ansiedade e depressão 
  • Ser portador de Lupus Eritematoso Sistêmico, Síndrome da Fadiga Crônica, osteoartrose, Artrite Reumatóide, hérnia de disco ou osteoporose  
  • Diagnóstico, outro calvário
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Mesmo com todos os sintomas, o diagnóstico muitas vezes é complicado, confundido com outras enfermidades ou tratado como algo emocional e não uma síndrome real.

Existe uma dificuldade no diagnóstico e o preconceito de alguns profissionais que, às vezes, acreditam que a paciente não tem nada, acontece principalmente porque, apesar de reclamarem de muita dor muscular em reação ao toque e/ou movimento, não há evidências clínicas de qualquer lesão nos tecidos. 

Ou seja, nos exames não aparece nenhum problema visível nas articulações ou músculos. Na prática, o paciente perde a capacidade de regular a sensibilidade dolorosa.

Os níveis de produção de serotonina (neurotransmissor responsável pela liberação de alguns hormônios, controle da dor, sono e apetite, entre outros) diminuem e surge a hipersensibilidade a estímulos que normalmente não causariam dor.

“Eu me sentia cansada o dia todo, já acordava fatigada”, conta a alemã naturalizada brasileira Christel Hunsaker, 63 anos. “E a dor foi aumentando, chegou num ponto em que nem saía mais, de tanto que doía”. Demorou mais de um ano para me diagnosticarem com fibromialgia, revela.  

Causas da síndrome

Segundo o chefe do ambulatório de fibromialgia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná, Eduardo S. Paiva, os estudos apontam para uma origem genética.

Mas ainda não existe evidência de que um único gene seja responsável por todos os sintomas. “Além disso, muitas vezes a bagagem genética necessita de um gatilho ambiental, como um estresse físico ou psicológico”, afirma.

Já as terapias corporais têm um ângulo complementar para avaliar o surgimento da síndrome. 

Os músculos carregam nossa história de vida, nossa memória afetiva, sentimentos, pensamentos e reações, externalizadas ou não.

“A serotonina, substância associada a esse quadro, não é apenas a responsável química pela transmissão da dor, mas também pela nossa capacidade de sentir prazer”, analisa Ana Márcia Proença.

Concordar com tudo, negar nossas raivas e ressentimentos e a necessidade de agradar os outros em detrimento de nossos próprios anseios e necessidades tornam as mulheres mais suscetíveis ao desenvolvimento dessa síndrome. “É algo que vai além de questões hormonais”, diz a terapeuta. 

O que fazer para aliviar?

Mas e o tratamento? Como ainda não se sabe o que causa o transtorno e as dores são crônicas, mas não inflamatórias, os tratamentos acabam sendo mais paliativos. Depende do médico, mas as opções mais utilizadas são os medicamentos contra a dor, que melhorem a qualidade do sono e anti-depressivos, além de terapias corporais e ocupacionais.

As principais opções de tratamento incluem: 
Medicamentos para aliviar a dor, diminuir a ansiedade e regular os neurotransmissores (sempre receitados pelo médico) Programa de exercícios e condicionamento físico para fortalecer a musculatura 
Terapia para compreender os mecanismos internos e promover a solução de conflitos 
Relaxamento ativo e passivo para diminuir a tensão muscular 
Massagem (shiatsu, ayurvédica etc) 
Práticas de yoga e tai chi 

  1. Calatonia (tratamentos com toques sutis pelo corpo)
  2. Fonte: Minha Vida

3 Dicas para aliviar as dores da Fibromialgia

A fibromialgia é uma doença crônica comum que atinge milhões e que necessita de cuidados para ter um menor impacto na vida do indivíduo. Os principais sintomas da fibromialgia são dores em todo o corpo que variam de intensidade, mas são constantes e associados a um “cansaço” muscular.

O efeito costuma piorar a noite, acompanhando dificuldade de adormecer e outros distúrbios de sono. Durante o dia, há uma decorrente sensação frequente de fadiga e sonolência.

Também estão associados constipação ou náusea, sensibilidade ao frio ou dor, formigamento, ansiedade, mudanças de humor e falta de concentração ou memória.

Não há uma causa específica conhecida para o aparecimento dessa doença, há casos advindos de um trauma físico ou infecção, uma tensão psicológica mais severa ou surgindo gradativamente ao longo dos anos. Embora possa atingir ambos os gêneros, a doença incide cerca de 10 vezes mais em mulheres do que em homens.

O diagnóstico é feito por um médico especialista com base no relato do paciente e em um exame físico no consultório. Não há cura para a fibromialgia e a maioria dos pacientes convivem com ela durante toda a vida. No entanto, existem tratamentos e cuidados possíveis para aliviar as dores e ter uma vida mais tranquila.

Manter uma rotina saudável

Uma vez que ela afeta a energia corporal e os músculos, adquirir hábitos mais saudáveis ajudam a enfrentar a doença e melhorar o bem-estar. Ter uma dieta balanceada é recomendado para preservar os nutrientes e reter mais energia no corpo.

Embora não pareça adequado, exercitar-se também é um grande aliado para tratar a fibromialgia. Exercícios aeróbicos simples e de baixa densidade como caminhada e pilates estimulam os músculos e reduzem a dor.

O tipo de atividade pode ser escolhido pelo paciente, só é recomendado que siga uma frequência, de pelos menos 2 ou 3 vezes por semana, para a manutenção do benefício do exercício.

Dedicar-se ao sono

O sono, um dos mais afetados pela doença, também precisa de cuidados especiais. Pacientes com fibromialgia devem se esforçar para manter um bom hábito de sono.

Dormir sempre no mesmo horário pelo menos 8 horar por noite, evitar alimentos calóricos e energéticos antes de dormir e se livrar de distrações como TVs e celular são algumas recomendações a serem seguidas.

Com mais qualidade nesse processo, mais chances têm de conseguir um sono reparador, evitando a sensação de cansaço logo ao acordar. Em alguns casos, o médico pode recomendar uso de remédios para aliviar a dor e facilitar o sono.

Terapias para relaxamento

Além dos exercícios físicos comuns, existem algumas técnicas mais específicas para liberar a tensão muscular e relaxar. É o caso de fisioterapia, hidroterapia, massagem e acupuntura, por exemplo.

A utilização delas deve ser indicada pelo médico já que ele saberá avaliar a terapia ideal para cada ocasião. Também é importante cuidar da saúde mental, que não só é afetada pela fibromialgia como é um agravante dela.

Psicoterapias comportamentais e técnicas de meditação como ioga e tai-chi ajudam nesse quesito, acalmando a mente e corpo e ensinando como lidar com os sintomas.

Se você tem fibromialgia ou suspeita que possa ter, é importante primeiramente se consultar com um médico para realizar um exame e diagnóstico corretos e a indicação do tratamento e medicamento ideais. Entre em contato com a Neuromaster e marque sua consulta com nossos médicos especialistas que iremos te ajudar.

Como Aliviar a Dor da Fibromialgia

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    Tenha uma alimentação o mais saudável possível. Ingerir alimentos inadequados pode exacerbar o estresse e a ansiedade, estimulando a dor e outros sintomas da fibromialgia. Optar por alimentos saudáveis não apenas será benéfico para o seu bem-estar, mas também diminuirá a dor e outros sintomas.[4]

    • Uma alimentação anti-inflamatória pode ser uma opção. Ela auxilia na melhora de várias condições, dentre elas a fibromialgia, dando ênfase às comidas com as gorduras ômega-3, semente de linhaça, fibras, antioxidantes e com propriedades e compostos anti-inflamatórios.[5] Peixes, legumes folhosos verdes (além dos legumes amarelos, vermelhos e laranjas), chás verdes e pretos, ervas e temperos são recomendados.
    • Alguns alimentos (como aspargos) possuem nutrientes que melhoram o humor e podem aliviar o estresse.[6]
    • As comidas com muita vitamina B reduzem o estresse e minimizam a dor. Ingira abacate e feijão para obtê-las em alta quantidade.[7]
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    Limite o consumo de cafeína, álcool e drogas recreacionais. Todas essas substâncias podem elevar os índices de estresse e ansiedade, bem como a dor associada à fibromialgia.[8]

    • Adultos podem tomar até 400 mg de cafeína diariamente. Isso equivale a cerca de quatro xícaras de café, dez latinhas de refrigerante ou dois energéticos.[9]
    • Mulheres devem beber no máximo dois copos de bebida alcoólica por dia, e homens, não mais do que três.[10] Em uma garrafa de vinho, há cerca de dez copos da bebida alcoólica.[11]
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    Diminua o estresse. A pressão psicológica pode exacerbar os receptores da dor no corpo, piorando a situação da fibromialgia. Faça o possível para evitar situações que o deixem irritado, já que isso permitirá que você relaxe e não se sinta tão mal.[12]

    • Experimente utilizar uma técnica de relaxamento, como as meditação ou respiração profunda para auxiliá-lo a relaxar.[13]
    • Organize o dia em torno de uma programação flexível, que inclui tempo para relaxar e reduzir o estresse.[14]
    • Se possível, saia de perto de situações estressantes. Do contrário, respire fundo e não reaja imediatamente para que as emoções e a tensão não aflorem desnecessariamente.[15]
    • Sentar-se corretamente pode melhorar a circulação do oxigênio, relaxando o corpo. Isso também reduz a tensão muscular e os desconfortos associados à fibromialgia.[16]
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    Adote bons hábitos em relação ao sono. O cansaço é uma das principais características da fibromialgia, e é essencial dormir o suficiente todos os dias, de forma que o corpo relaxe e combata o estresse. Uma de suas prioridades deve ser dormir de sete a nove horas por noite e limitar a quantidade de sonecas.[17]

    • Dormir pouco pode causar tensão, exacerbando as dores e o desgaste emocional. Repouse bastante durante a noite e o desconforto diminuirá.[18]
    • Sonecas curtas, de 20 a 30 minutos, são úteis para combater a fadiga e o estresse.[19] No entanto, não tire mais do que dois cochilos diários.[20]
    • Vá deitar e acorde no mesmo horário todos os dias. Isso ajuda o corpo a se acostumar com a hora em que deve “dormir”, aliviando as manifestações da fibromialgia.[21]
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    Exercite-se regularmente. Isso ajuda a combater os sintomas ao serem praticados em longo prazo. Tente incorporar algum tipo de atividade na rotina diária para que as manifestações não sejam tão incômodas.[22]

    • Até mesmo 20 minutos de atividade física podem ajudar a aliviar as dores. Uma caminhada, por exemplo, alonga os músculos e o deixa com uma sensação de bem-estar.[23]
    • O exercício libera endorfinas, que melhoram a dor e o humor, além de ajudarem a dormir bem.[24]
    • Inicialmente, a atividade física pode piorar a dor, mas aos poucos, ela acabará combatendo os sintomas associados à fibromialgia.[25] Faça o que puder para adotar um estilo de vida mais ativo, de acordo com o que puder suportar. Por exemplo: comece fazendo exercícios leves, de baixo impacto (caminhadas ou natação) e depois algo mais intenso, como cooper ou algum esporte.[26]
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    Faça yoga. Sessões leves de yoga, com movimentos lentos, respiração profunda e meditação, são comprovadas por estudos em relação à diminuição dos sintomas da fibromialgia.[27] Sempre que puder, faça sessões leves de yoga para colher os benefícios em relação à fibromialgia.[28]

    • Se não for possível inscrever-se em aulas, faça a postura do cachorro olhando para baixo; mantenha-a enquanto respira dez vezes. Isso já ajudará a relaxá-lo.[29]
    • É importante praticar formas mais leves da yoga, como a yin yoga e a de restauração. Ambas são escolhas ótimas, que relaxam o corpo e alongam músculos tensos.[30]
    • Antes, no entanto, fale com seu médico. Ele atestará que você está em condições físicas para praticar o yoga.[31]
    • Caso não goste de yoga, experimente tai chi chuan, que também oferece técnicas eficazes de relaxamento.
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    Faça uma massagem. Ela possui vários benefícios, incluindo a diminuição do ritmo cardíaco, maior relaxamento muscular e o aumento da produção de substâncias “analgésicas” pelo organismo. Os sintomas da fibromialgia melhorarão após uma massagem.[32]

    • A massagem pode ser feita de diversas formas e estilos; escolha uma que o agrade. Às vezes, é preciso pedir para que o profissional “pegue leve”, se você for sensível ao toque. Todos os tipos de massagem produzem oxitocina, que minimizam a dor e outros sintomas.[33]
    • Procure por um massoterapeuta na internet, no site de convênio ou pedindo uma recomendação ao seu médico.[34]
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    Faça acupuntura ou acupressão. Estudos comprovam os benefícios da acupuntura ou acupressão para pacientes com fibromialgia; marque uma consulta com um profissional para aliviar a dor ou tensão consequentes da condição.[35]

    • A acupressão melhora a circulação de sangue pelo corpo, reduzindo a dor.[36]
    • Ambas as técnicas podem melhorar os desconfortos através da regulação dos hormônios cerebrais.[37]
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    Tenha moderação. É importante ir com calma para que os sintomas da fibromialgia não acabem sendo exacerbados; exagerar nos exercícios (fazendo 50 minutos em vez dos habituais 30, por exemplo), pode acabar deixando-o com mais dores no dia seguinte.[38]

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A dor como companheira

A média é de 29 meses de convivência intermitente com as dores musculares até que se procure ajuda médica. Do primeiro contato com o profissional de saúde até o diagnóstico correto, são mais cinco anos de espera e peregrinação em diversos especialistas.

Num limbo de desinformações, agravado pelos contornos etéreis da fibromialgia, milhares de pessoas são assombradas por uma doença que, durante quase sete anos de suas vidas, não tem nome, não deixa escaras visíveis ou marcas que confirmem seu poder de devastação.

Não bastasse a dor, o tempo desvela o preconceito gerado quando as únicas provas são olhos cansados, empregos perdidos, relacionamentos afetados e a própria identidade despedaçada, em busca de uma explicação.

Os dados, coletados pela pesquisa Fibromialgia: além da dor, realizada pelo laboratório Pfizer, com médicos e pacientes do Brasil, México e Venezuela, confirmam o que cerca de 84% dos especialistas em dor e 98% dos fibromiálgicos já sabem: a fibromialgia ainda é um enigma para a sociedade.

Depois de uma década sentindo dores inexplicáveis, Analice recebeu o diagnóstico de fibromialgia (foto: Arquivo pessoal) Analice Amarrilho, 37 anos, é um caso clássico desse quadro de espera. Desde criança, sente dores difusas pelo corpo, que eram diagnosticadas como dores do crescimento. O problema piorou com a morte do pai, aos 17 anos. Tratado como uma “estranha enxaqueca” pelos médicos, o dilema de Analice era visto como depressão ou mesmo frescura pelos parentes e amigos. “Em 2000, me mudei para Belém e as dores aumentaram assustadoramente. É uma dor que caminha pelo corpo. Algo que só quem tem a doença pode entender. Em 2001, finalmente recebi o diagnóstico e comecei a me tratar”, relata Analice. O tratamento da doença, ainda paliativo, nunca foi suficiente para cessar as crises de dor. “Continuei sentindo muitas dores, e sempre lutando para que elas não mudassem minha rotina. Mas em alguns dias eu tinha que tomar muitos analgésicos. Em 2007, parei de trabalhar. Meus reumatologistas dizem que numa escala de dor de 1 para 10, eu sou 11, tamanha sensibilidade que sinto. Tem dias que mal consigo passar o sabonete no corpo ou pentear o cabelo”, confessa.

Ainda que amparada por uma série de medicamentos, Analice segue a vida com dor. Mesmo com o crescente interesse da classe médica, em especial da indústria farmacêutica, que viu o potencial de lucro da fribromialgia, por se tratar de uma doença crônica, ainda não existem tratamentos indefectíveis, tampouco explicações definitivas para o problema.

São milhões de dólares investidos em pesquisas ao redor do mundo. “O que sabemos é que é uma disfunção do sistema de percepção da dor, que causa uma hipersensibilidade no paciente. Mas ainda não existem dados mais concretos. E olha que os sintomas foram descritos ainda no começo do século 20. Ou seja, essa não é uma doença da vida moderna.

Outro exemplo disso é que 7,3% dos amishes (grupo religioso cristão conhecido que recria o modo de vida rural do século 17) têm fibromialgia, mesmo tendo um estilo de vida nada urbano”, explica o médico reumatologista Eduardo Paiva, chefe do ambulatório de reumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

A Revista conversou com médicos e pacientes para entender por que, afinal, essa é uma doença tão complexa e tão incompreendida. A coluna partida, 1944

(foto: Portalseteartes.bloghspot.com/Reprodução da Internet)

  • Um equívoco atrás do outro

Diversos artigos de médicos americanos descrevem a artista mexicana Frida Kahlo (1907-1954) como um caso clássico de fibromialgia pós-traumática. Esta pintura ao lado, um autorretrato da pintora sintetiza sua luta. Após o terrível acidente de ônibus que sofreu aos 18 anos, no qual teve graves traumas na coluna, perna e bacia, Frida padeceu de dor crônica e fadiga pelo resto da vida. No diário da pintora, um desenho dela chorando, com 11 flechas atravessadas em seu corpo, assinalam pontos anatômicos. Muitos deles mantiveram-se, depois, como os pontos fulcrais de dor da fibromialgia. O interesse pela elucidação do diagnóstico da fibromialgia surgiu em 1987, quando o médico Frederick Wolfe, então diretor do Arthritis Research Center Foundation, em Wichita, Kansas, Estados Unidos, percebeu as crescentes queixas de pacientes com dores musculares difusas, que não tinham nenhuma ligação com quaisquer patologias musculares conhecidas. Dr. Wolfe reuniu-se então com outros 20 reumatologistas americanos e, juntos, definiram, pela primeira vez, os critérios de diagnóstico — prontamente acatados pelo Colégio Americano de Reumatologia. Em 1990, a doença finalmente entrou para o léxico médico. O diagnóstico é simples. O médico deve pressionar, firmemente, 18 pontos específicos do corpo do paciente. Se for relatada dor em pelo menos 11 desses 18 pontos, é confirmada a fibromialgia.

Onze anos depois, porém, a classe médica ainda diverge quanto à sindrome. Há vertentes que acreditam que a causa seja uma disfunção neuronal, outras que ligam a doença à depressão e à insatisfação pessoal. Alguns afirmam que o problema é puramente muscular.

Em entrevista à Revista, Jacob Teitelbaum, médico diretor do Fribomyalgia and Fatigue Centers, nos Estados Unidos, afirma que a pior concepção que se tem da doença é que ela é desencadeada por um fator psicológico. “Esse tipo de engano ocorreu muitas vezes no passado com outras doenças que acometem principalmente as mulheres.

Por exemplo, esclerose múltipla costumava ser chamado de ‘paralisia histérica’ e lúpus era considerada uma forma de neurose por muitos médicos. A fibromialgia passou por um processo semelhante”, relata.

Segundo Teitelbaum, a maioria dos pesquisadores e centros acadêmicos reconhecem que a fibromialgia é uma doença real, física e devastadora. “Infelizmente, muitos médicos ainda têm a crença ultrapassada de que a fibromialgia é uma desordem psicológica. Esse é um equívoco abusivo e incapacitante para o paciente”, alerta.

Para Nortin Hadller, reumatologista e professor de microbiologia e imunologia da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, esse é um assunto extremamente delicado. “Fibromialgia é uma afirmação de incerteza. A patogênese dessa doença é intimamente associada com a busca de sua causa.

Pessoas com dor generalizada persistente precisam entender isso quando ‘escolhem’ ser pacientes e médicos precisam aprender isso para diminuir a nocividade do processo. Essa não é uma doença psicobiológica. Claro, a ausência de prova de uma causa não é prova de ausência.

Talvez não haja nenhuma anormalidade biológica”, aponta.

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“A esses pacientes, em busca desesperada por um rótulo que seja aceitável para a sociedade em geral e os seus agentes de credibilidade — a mídia, a indústria de seguros e a indústria farmacêutica — digo que a fibromialgia é um símbolo do processo de diagnóstico equivocado”, completa. Ao Correio, Nortin disse que esse é um assunto tão delicado quanto perigoso. “Seria necessário um ensaio para explicar as confusões que surgem quando se toca nesse tema.”

  1. Conexão com a emoção
  2. Quando, onde e por quê?

De acordo com Jacob Teitelbaum, praticamente todas as doenças têm uma combinação de componentes físicos e emocionais. Por exemplo, os ataques cardíacos são mais comuns em pessoas hostis. Mas isso não torna o ataque cardíaco uma doença emocional. “Quando reconhecermos que a tentativa de separar os componentes físicos e emocionais de uma doença é como tentar separar a cabeça e a cauda de uma moeda, os pacientes receberão atendimento muito melhor”, diz. O médico reumatologista Eduardo Paiva completa: “É impossível separar uma coisa da outra, até porque não existe dor sem emoção”. (foto: Valdo Virgo/CB.D.A.Press) Para entender o processo da fibromialgia, segundo Jacob Teitelbaum, médico diretor do Fribomyalgia and Fatigue Centers, é preciso pensar nela como uma crise “energética”, na qual os esforços colocados sobre o corpo humano destroem sua capacidade de produzir energia suficiente para que se mantenha em pleno funcionamento. Em essência, é semelhante ao que ocorre na nossa casa se sobrecarregarmos o circuito elétrico, queimando um fusível ou acionando um disjuntor. Nesse caso, o disjuntor é o principal centro de controle do cérebro, o hipotálamo. Essa área controla o sono, a função hormonal, a sudorese e a pressão arterial. “Além disso, a energia inadequada resulta em músculos bloqueados na posição encurtada (músculos são como uma mola, requerem mais energia para relaxar do que para contrair). Isso resulta em dor crônica, cuja consequência é a amplificação do sinal de dor no cérebro (chamado de “sensibilização central”)”, exemplifica o médico.

Essa crise de energia pode ser causada por — literalmente — dezenas de tensões. “Existem vários gatilhos. Tem pessoas que começam com dores localizadas, outros começam a sentir a dor de uma vez, no corpo todo. Alguns casos são desencadeados após um trauma físico, como um acidente ou uma cirurgia, ou mesmo um trauma psicológico que gerou grande tensão”, explica o reumatologista Eduardo Paiva.

Os gatilhos podem ser infecções, deficiências hormonais (por exemplo, a causada por hipotireoidismo), distúrbios do sono (apneia, por exemplo, ou síndrome das pernas inquietas), deficiências nutricionais, relacionamentos estressantes, lesões e até a gravidez. Ou seja, assim como existem inúmeras maneiras de fundir um disjuntor na própria casa, há inúmeras maneiras de fazê-lo em seu corpo também.

Mulheres sofrem mais

Dados do estudo da Associação Internacional para o Estudo da Dor apontam que 4% da população mundial sofre de fibromialgia. Desses, pelo menos 80% são do sexo feminino. “Isso é comum para muitas doenças autoimunes e outras doenças que afetam a função imunológica, como a artrite reumatoide e o lúpus. A disfunção imune é uma parte importante da fibromialgia”, resume o médico Jacob Teitelbaum. Segundo a fisiatra Ana Paola, integrante da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, a predominância se dá entre mulheres brancas, na faixa etária de 35 a 54 anos. “Vale ressaltar que também pode existir um componente genético para a fibromialgia. Familiares de fibromiálgicos têm oito vezes mais chances de desenvolver a síndrome”, ressalta Ana Paola.

A administradora Branca Neves, 48 anos, se encaixa no padrão da doença. Em 2005, começou a sentir fortes dores no joelho. Por recomendação do ortopedista, começou a fazer sessões de fisioterapia. Mas as dores começaram a se espalhar por sua coluna.

“Passei um ano indo para a emergência de hospitais, com dores nas pernas e na coluna. Não conseguia compreender a razão de me acometer de tantas dores generalizadas, idas ao ortopedista, neurologista e outros ‘istas’ da vida.

Tomava medicamentos fortes, que melhoravam as dores, mas que deixavam minha mente absolutamente confusa e sem condições de desempenhar atividades de raciocínio no trabalho ou mesmo de dirigir”, conta.

Aos poucos, Branca começou a se isolar dos amigos, familiares e, quando não estava no trabalho, estava deitada em sua cama.

“Doía todo o corpo. Enxaquecas, insônia, formigamentos nas extremidades, depressão, ganho de peso. Parecia um zumbi. Não conseguia nem fazer as atividades de casa. Estender uma roupa, ou mesmo cozinhar”, testemunha.

Numa dessas crises, o ortopedista fez o teste dos 18 pontos, e a encaminhou ao reumatologista, com o pré-diagnóstico de fibromialgia. Na mesma semana, Branca foi a uma palestra sobre fibromialgia que aconteceria em Brasília.

Foi a partir dos relatos que ouviu na palestra que repensou a importância de dividir os problemas com seus amigos e familiares — até então, nem mesmo a filha sabia ao certo o que estava acontecendo. “Não tinha coragem de falar para a minha família. Eu era uma ‘fortaleza’ e essa doença não tem evidências visíveis.

Ficar reclamando sem causa aparente era complicado.” Após a confissão, a vida de Branca ficou mais leve. Teve total apoio da filha e começou uma série de tratamentos alternativos. “Há um ano não sofro fortes crise, apesar da dor estar sempre presente. Aprendi a conviver com ela.”

Nem sexo, nem idade

A publicitária Daniela Lambach não faz parte da maioria fibromiálgica que teve o problema com mais de 35 anos. O diagnóstico que confirmou a doença se deu quando tinha apenas 19 anos, após um “episódio muito forte de estresse”. Tão desafiador quanto a própria doença, era mediar a dor com a energia da juventude. “Sinceramente, é muito chato ser tão jovem e viver assim. Não posso ficar sem a medicação e sem os exercícios físicos. Sem contar que as pessoas que não conhecem a fibromialgia sempre te chamam de fresca. O lado positivo é que como preciso fazer exercícios físicos no mínimo três vezes por semana. Para aliviar os sintomas, mantenho sempre o corpo malhado.” Brincadeiras à parte, quando entra em crise, as dores chegam em um nível quase insuportável. “Quando ela aparece entro em desespero e choro. É muito intensa. É como se alguém estivesse brincando de atravessar agulhas pelo meu corpo, e isso não é exagero”, confidencia.

Tal qual Daniela, Thiago Prado, de 24 anos, também representa outra minoria da doença: o sexo masculino. Desde criança reclamava de dores no corpo. Aos 14 anos, a família dele procurou ajuda médica, mas recebeu o diagnóstico de febre reumática.

“Eu sentia muitas dores nas juntas, dor nos músculos, desânimo e dificuldade de concentração no colégio. Aos 21 anos, após uma crise muito forte, passei por uma bateria de exames e fui ao reumatologista, que diagnosticou fibromialgia”, relata.

A adaptação ao tratamento medicamentoso não foi positiva, e Thiago vivia melhor sem o remédio — aprendeu a conviver com a dor. “Durante a maior crise, foi quando eu mais amadureci. A doença não só te faz sofrer, mas também te faz enxergar o mundo de uma outra forma.

Eu acabo vivendo como duas pessoas, o que tem e o que não tem fibromialgia. O estado emocional da pessoa conta muito”, revela.

Caminho alternativo

Cari, 50 anos, recorreu a magnetoterapia e a um colchão especial: melhora de 80% nas dores (foto: Carlos Vieira/Esp.CB/D.A.Press) Foi após a cesariana realizada no nascimento do segundo filho, que a bancária Carin Röpke, 50 anos,  percebeu que algo muito ruim ocorria em seu corpo e, consequentemente, com sua mente. Sua rotina de trabalho era das mais puxadas. Chegava a ficar até 12 horas resolvendo problemas no banco. Quando voltou da licença maternidade ao trabalho, começou a sentir pequenas fisgadas dolorosas nas bochechas. Em alguns dias, a dor passou a ser extremamente forte, e já tensionava todo o seu rosto. “Toda hora eu ia para os ambulatórios, tomar injeção contra a dor, porque nenhum analgésico funcionava. Era muito sofrimento. Meu corpo todo doía muito e eu não tinha força nem para pentear meu cabelo. Ainda mais terrível era saber que todos achavam que eu fazia encenações para chamar atenção”, lembra.

Carin fez baterias de exames, e nada era diagnosticado. Depois de um ano tratando as dores com antiinflamatórios e relaxantes musculares, seu médico disse que talvez ela fosse vítima de uma doença nova, chamada fibromialgia.

“Me mandaram para a homeopatia, para a medicina ortomolecular, e mesmo que as dores melhorassem um pouco, eu ainda sofria muito. Não dormia nada bem. Era um martírio.

Lembro de um dos momentos mais difíceis, quando minha filha pequenininha veio me abraçar forte e a minha vontade, em vez de curtir aquele momento, era de chorar de dor”, relata. 

A vida de Carin começou a melhorar depois que, por indicação de um amigo, começou a fazer magnetoterapia, com o uso de um colchão especial. “O colchão têm pequenos ímãs e infravermelhos longos.

Eles têm ação anti-inflamatória  reconhecida pela OMS (e também pela Food and Drug Administration) e aquela foi a primeira vez que eu dormi a noite inteira, depois de muito tempo”, conta.

Segundo a bancária, a magnetoterapia unida a um colchão mais rígido, que alinhou sua coluna, melhorou a oxigenação do cérebro e as dores melhoraram em quase 80%. “Me senti melhor, comecei a hidroterapia e a fisioterapia e raramente tenho crises”, comemora.

Hoje, Carin ganha a vida revendendo os tais colchões e outros artigos para fibromiálgicos e pacientes de dor crônica. “Quero ajudá-los assim como fui ajudada.” 

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