Como ajudar no parto de uma vaca: 8 passos (com imagens)

Os cuidados com a vaca e a cria antes do parto são extremamente importantes, uma vez que qualquer problema na hora do nascimento pode comprometer o desempenho produtivo de ambos. É importante estar atento desde a escolha do touro, passando pelo balanço nutricional, até o manejo adequado das vacas, principalmente nos 90 dias que antecedem o parto.

O tempo de gestação em bovinos varia de 280 a 300 dias, sendo o maior período observado em gados mestiços de raças zebuínas.

Para a intensificação nos cuidados, é ideal que sejam formados lotes de vacas em final de gestação, o lote de transição pré-parto, onde se encontram animais de 90 a 30 dias antes do parto.

Dos 30 dias ao parto, transferi-las para um piquete maternidade permite uma maior observação.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

O piquete maternidade

Deve possuir uma boa cobertura vegetal, ser fresco e ventilado (mas sem corrente de vento), limpo, com boa drenagem e sombreamento. São indicadas sombras móveis para se evitar acúmulo de barro, fezes e urina, principalmente visando à prevenção de mastites e metrites. Deve haver pelo menos 4 m2  de sombra por animal.

A localização deve facilitar a observação dos sinais do parto, ter acesso à água e alimentação à vontade. As medidas recomendadas são de 56 m2/animal, com um espaço de cocho de 70 cm/animal.

É ideal que haja uma maternidade para vacas e outra para novilhas, evitando competições e prejuízos para as mais jovens.

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Sinais de proximidade do parto:

  • 2 a 3 semanas pré-parto,  ocorre aumento do úbere. Em primíparas, isto pode acontecer um pouco mais cedo.
  • 2 a 3 dias antes do parto os tetos se enchem e perdem a rugosidade. Ocorre relaxamento dos ligamentos e músculos da pelve (flanco) e da cauda.
  • Mais próximo ao parto, ocorre liberação de muco viscoso pela vagina. A vulva fica edemaciada. Ocorre produção e liberação de colostro.

Cuidados com a vaca e a cria antes do parto

Estágio 1 – No início do trabalho de parto, o animal fica agitado e inquieto, se afasta do grupo, fica tentando cheirar e lamber a vulva, se deita e se levanta diversas vezes, não come. Estes sinais podem durar de 2 a 6 horas.

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Estágio 2 – Ocorre o rompimento da 1ª bolsa, a de água (corioalantóica). Depois de aproximadamente 1 hora ocorre rompimento da segunda bolsa (amniótica). Ela libera um líquido mais viscoso que lubrifica o canal do parto.

Logo que se rompe a bolsa de água, o útero já começa a contrair e o feto se insinua no canal, promovendo a dilação do mesmo.

Após 2 horas da ruptura da bolsa, já é possível ver o feto em pluríparas, e em primíparas normalmente após 4 h.

Em geral a posição mais confortável, e menos estressante para parir é a deitada. As vacas tendem a parir de pé quando o parto é anormal ou quando se sentem ameaçadas, por exemplo, com presença de cães e urubus. Estudos mostraram que este estresse durante o parto resulta em aumento de até 11% na mortalidade de bezerros.

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Estágio 3 – Momento do nascimento à expulsão dos restos placentários. Pode variar de 30 min até 12 horas após o parto.

Problemas no parto

Analisando fazendas nos EUA, pesquisadores chegaram à conclusão que 2% das mortes de bezerros no útero estavam associadas ao parto demorado e à falta de assistência, e outros 2% morreram pelos mesmos motivos na primeira semana de vida. A maioria das mortes está associada às distocias (partos difíceis).

Por isso, sem dúvida, é preciso que o responsável pela maternidade esteja preparado para monitorar os partos, e caso seja necessário, intervir até certo ponto.

A intervenção deve ser considerada quando o parto não ocorreu 60 a 90 min após o aparecimento das membranas fetais em novilhas e, em vacas, de 30 a 60 min após o aparecimento das membranas fetais.

Em posição normal, o bezerro projeta primeiro as patas dianteiras acompanhadas pela cabeça (com o focinho voltado para fora) apoiada nas patas.

Outras posições podem acontecer e cabe à experiência do técnico para identificar e intervir. Toda e qualquer intervenção pode causar injúrias na vaca e no bezerro. Nunca se deve tentar romper as bolsas.

É preciso checar todos os parâmetros vitais para intervenção e, caso seja preciso, optar por uma cesariana.

Cuidados com a vaca e a cria logo após o parto

Vacas

É importante avaliar condições fisiológicas e uterinas logo após o parto. Certificar-se da existência ou não de outro feto através do toque.

A utilização de soluções eletrolíticas, chamadas drench, é uma forma se antecipar aos efeitos provocados pela queda de apetite no período pós-parto, e consequentemente das doenças metabólicas provocadas pela diferença entre necessidades e consumo (balanço energético negativo). O fornecimento do drench (foto) é também uma forma de repor os nutrientes gastos durante o parto, principalmente energia.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

Observe se o animal irá expulsar em até 12 horas os restos placentários. Caso isso não ocorra, adote medidas contra os efeitos da retenção de placenta.

Este período, crítico para as vacas, é um momento em que ocorrem diversas alterações fisiológicas e metabólicas. Qualquer problema aqui pode impactar na produção deste animal nesta lactação e nas seguintes.

Bezerros

Logo após o parto, o bezerro passa por alterações para que possa se adaptar à vida fora do útero.

Imediatamente, inicia sua homeostasia respiratória, passa a regular o equilíbrio ácido-básico, a metabolizar carboidratos, gorduras e aminoácidos para produção de energia corporal.

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 É importante remover todo muco da narina e da boca do bezerro. Se necessário, estimule  a respiração, fazendo cócegas na narina e massagem torácica.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens) Retirada do muco das narinas.

Neste momento, ele ainda não é eficiente na regulação da temperatura corporal.  Além de possuir os pêlos curtos, possui uma pequena massa corporal em relação à sua superfície corporal.

Em função destas particularidades, sua temperatura diminui nas primeiras 12h de vida. Assim, é recomendado secar o bezerro após o parto.

Se as condições forem propícias, com ingestão de colostro, boa cobertura vegetal no piquete e ambiente favorável, entre 48 a 72h de vida sua temperatura estará normal.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens) Bezerreiro com boa cobertura vegetal.

Avaliação das condições fisiológicas

É primordial examinar o bezerro e a vaca.  Para melhor avaliar as condições fisiológicas dos bezerros, siga as seguintes pontuações:

1) testar a movimentação da cabeça sob estímulo de água fria – 0 ausente, 1 ponto diminuída, 2 pontos espontânea.
2) testar a resposta aos estímulos interdigitais e palpebrais – 0 ausente, 1 ponto reduzidos, 2 pontos existentes e intensos.
3) testar a respiração – 0 imperceptível, 1 ponto lenta e irregular, 2 pontos rítmica c/ profundidade normal.

4) avaliar a cor das mucosas – 0 branca azulada, 1 ponto azul, 2 pontos róseas avermelhadas.

Quando intervir no parto de vacas leiteiras?

Texto: Valentim Gheller, Luciana Faria de Oliveira, Kilder Alves Arantes

A decisão de intervir em um parto requer inúmeras avalia-ções para que o obstetra veterinário possa definir rapidamente o seu plano de ação.

Com a introdução de várias biotecnologias na reprodução animal e com o crescente valor comercial dos produtos de uma gestação, as intervenções obstétricas têm rece-bido mais ênfase, e a maior exigência e ansiedade dos proprie-tários e funcionários,  pode levar a decisões precipitadas que, invariavelmente, transformam partos normais em distocias, aumentando o sofrimento fetal, reduzindo a sobrevivência dos be-zerros e colocando em risco a função reprodutiva das vacas.

O parto não é um evento abrupto, que simplesmente representa o final do perío-do de gestação. Na realidade, trata-se de um acontecimento que se desenvolve gradati-vamente, acompanhado de modificações morfológicas e funcionais da fêmea gestante, bem como do próprio feto, atingindo seu ponto culminante na fase de expulsão do pro-duto gerado, dando origem a uma nova vida.

O objetivo do manejo da vaca parturiente é garantir o nascimento de um bezerro viável e promover uma transição suave do período seco para a lactação.

Para que isso ocorra, há uma série de cuidados que devem ser tomados em relação à vaca e seu meio e,  embora não sejam garantia da ausência de problemas, visam minimizar a sua ocorrência a um número aceitável e manejável de casos.

Este objetivo somente será alcança-do se o médico veterinário colocar a mão-de-obra da fazenda em sintonia com as metas determinadas e direcionar os esforços para um manejo adequado.

Um exame clínico minucioso, embasado no conhecimento de anatomia, fisiologia, semiologia e patologia da gestação e do parto, é fundamental para estabelecer um diagnóstico, avaliar o prognóstico e providenciar o auxílio obstétrico adequado.  Recomenda-se o seguinte esquema: ananmese, avaliação clínica geral, e exame do aparelho genital por palpação retal nos animais que não se encontrem em trabalho de parto e exame vaginal para as parturientes.

Definir o momento ideal para auxiliar um trabalho de parto, como auxiliar e como prevenir partos distócicos serão temas abordados em uma seqüência de artigos, ob-jetivando criar melhores estratégias para uma das fases de maior importância na atividade leiteira.

Manejo geral do parto

Uma área limpa e seca para o parto é essencial. Dimensões adequadas reduzem a pro-babilidade da vaca empurrar o bezerro contra uma parede, e também fornecem espaço para manobras obstétricas se a assistência for necessária.

Esta área deve ser, na medida do possível, bem coberta por forragem, sem lamaçais, com sombra suficiente e situada no caminho dos funcionários da fazenda. A densidade animal no pastomaternidade deve permitir alojamento economicamente viável, porém sem muita aglomeração.

Este manejo reduz o estresse ambiental e contribui para a preparação adequada da vaca.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)
Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

As vacas devem ser levadas para a maternidade com base em sua data de previsão de parto e sinais de parto iminente, como distensão do úbere, relaxamento de ligamentos pélvicos, edema vulvar, gotejamento do colostro,  liquefação do tampão cervical, descarga vulvar mucóide, inapetência e busca de  isolamento.

Devido a diferenças de hierarquia, as novilhas devem ser alojadas separadas das vacas. Assim, minimiza-se o estresse social, o que contribui para a ocorrência de partos normais.

O agrupamento das novilhas deve ser feito por idade, por ser o mais prático. As vacas, por outro lado, são alocadas em grupos mais flexíveis devido à natureza de sua utilização.

Se a ambientação for boa e houver espaço de cocho para todos os ani-mais, é possível que não haja problemas de socialização no piquete maternidade.

O parto deve ser, sempre que possível, monitorado. No entanto, monitoração não significa assistência e intervenção, mas sim saber se o processo transcorre normalmente ou se algum tipo de intervenção obstétrica é necessária.

Muitas vezes, os tratadores da fazenda são impacientes e realizam a tração do feto ao primeiro sinal de um casco proeminente. Esta atitude, realizada indiscriminadamente, contribui para a formação de um quadro de distocia e aumenta as chances de mortalidade do bezerro.

Daí a importância do treinamento dos trabalhadores da propriedade para aumentar a taxa de sobrevivência dos bezerros.

Colocar a vaca em um piquete maternidade é fundamental para o sucesso da prevenção da distocia e da mortalidade perinatal. As novilhas e vacas gestantes devem ser observadas, no mínimo, quatro vezes ao dia, à procura de sinais de parto iminente. A observação pode ser feita pelos funcionários a caminho das ordenhas e dos tratos, para racionalizar a mão-de-obra.

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Os sinais de parto iminente incluem: distensão do úbere, edema vulvar, relaxamento do ligamento pélvico, isolamento do grupo, anorexia, corrimento vulvar mucoso, inquietude, aumento da frequencia urinária e fecal, dentre outros sinais atípicos de comportamento que denotam estresse agudo.

Após o começo dos sinais de parto, a fêmea deve ser monitorada aproximadamente a cada 3 horas, para detectar o início do segundo estágio do parto, caracterizado por contrações abdominais e expulsão do feto.

O monitoramento frequente é necessário, pois a duração do estágio de preparação do parto é altamente variável entre as fêmeas bovinas.

Caso haja rompimento do alantóide e extravasamento de fluido, o esperado é que dentro de, aproximadamente duas horas, haja a expulsão do feto, com exposição inicial dos cascos, da cabeça, seguida da propulsão final do bezerro.

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)
Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

O médico veterinário deve intervir prontamente somente nos casos em que a mãe apresente causa segura de distocia, como: comprometimento do estado geral, corrimento vaginal com odor, distocias fetais por posicionamento ou dilatação insuficiente dos te-cidos moles da via fetal.

O trabalho de parto efetivo, corresponde às fases de dilatação e expulsão do feto, sendo o processo, em si, normalmente  continuo.

A fase de dilatação, começa com as contra-ções uterinas, posicionando o bezerro para o parto, e se completa quando a cérvix está dilatada e o bezerro adentra a vagina.

Geralmente, essa fase dura de 6 a 12 horas, mas os sinais externos são muitas vezes sutis, especialmente em  multíparas.

A presença de partes fetais na vagina induz a contração abdominal e caracteriza  o início da fase de expulsão do bezerro. Esta fase é caracterizada pela liberação de líquido alantoideano e o início de fortes contrações abdominais associadas às contrações uterinas. Essa fase tem duração média de 4 horas, embora o feto possa sobreviver por até 10 horas.

  • Diagnósticos eprognósticos  obstétricos
  • Diagnóstico obstétrico
  • O diagnóstico e prognóstico obstétrico devem referir-se às condições da matriz e do produto.
  • Apesar de o parto constituir uma situação que exige  decisões rápidas, nenhum procedimento obstétrico é recomendável antes de se estabelecer um diagnóstico preciso da evolução da parturição. Este diagnóstico deve precisar:
  • 1- Estado geral da paciente.
  • 2- Condição das vias fetais
  • 3- Condição das bolsas fetais e
  • lubrificação da via fetal mole
  • 4- Características morfológicas e de vitalidade do feto.
  • 5- Apresentação, posição e postura fetal.
  • Prognóstico obstétrico
  • O prognóstico obstétrico deve considerar a sobrevivência do produto concebido, a vida e função reprodutiva da matriz.

A sobrevivência do produto depende diretamente da rapidez com que a parturiente for atendida. Sempre que houver grave risco para a mãe e para o feto, o obstetra deverá decidir qual será priorizado. Geralmente preserva-se a matriz, a não ser que haja motivos zootécnicos relevantes.

  1. O prognóstico em partos distócicos é, em geral, bom nas seguintes situações:
  2. 1- Via fetal óssea estreita.
  3. 2- Abertura insuficiente da via
  4. fetal mole, principalmente do canal cervical.
  5. 3- Feto relativamente ou absolutamente grande.
  6. 4- Anomalias de apresentações, posições e postura.
  7. O prognóstico em partos distócicos deve ser considerado reservado nos seguintes circunstâncias:
  8. 1- Partos muitos demorados.
  9. 2- Ocorrências de grandes contaminações.
  10. 3- Manuseio indevido por pessoas inabilitadas.
  11. 4- Lesões graves das vias fetais ósseas e moles.
  12. Intervenção no parto
  13. Dilatação

A fase de dilatação, que pode durar de 6 a 12 horas, deve ser conduzida sem maiores interferências em ambiente tranqüilo, pois qualquer alteração pode levar a atraso. Nesta fase, é comum ocorrer manipulação do feto por leigos, visando extrair logo o bezerro.

A manipulação precoce da fêmea gestante, praticada por veterinários ou por leigos, pode atrapalhar o curso natural daquele parto, acarretando  lesões da via fetal mole e até mesmo a perda da função reprodutiva da fêmea.

Por isso, esta fase do parto pede prudência e paciência.

Se após o período de dilatação descrito acima as contrações abdominais não começarem, deve ser realizado um exame exploratório.

Este exame poderá revelar problemas como fetos gigantes,  morte fetal, mau posicionamento, gêmeos, inércia uterina,  falha da dilatação da cervix, torção uterina ou variação normal na duração da fase de dilatação em um parto normal.

Se a dilatação do colo do útero já começou sem outras anormalidades detectadas, o monitoramento deve continuar periodicamente.

Em condições normais, a bolsa com líquido alantoideano (primeira bolsa) insinua-se pela vagina, podendo romper-se com uma liberação repentina de  alguns litros de fluido, ou pode aparecer na vulva ainda intacta.

Nem o alantóide nem o âmnion devem ser rompidos em partos normais, pois a pressão hidrostática dos liquidos da placenta nelas contidas ajuda a dilatar o colo do útero, iniciando o reflexo miometrial que estimula contrações, além de proteger o feto durante sua passagem pelo canal do parto. Cerca de 20% dos bezerros nascem com bolsa amniotica  intacta.       

Expulsão

Na sequência, inicia-se a fase de expulsão, caracterizada pela observação do am-nion no canal do parto, sem a presença do produto. Em 80% dos casos, o amnion se rompe, lubrificando as vias fetais.

Observa-se então a insinuação dos membros do produto pela vulva, com a vaca ainda em pé. Gradativamente, durante a expulsão, a tendência da vaca é deitar-se para completar o parto.

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Finalizando o parto, as vacas normalmente permanecem em decúbito esternal ou mesmo se levantam, rompendo o cordão umbilical. Esta fase pode durar de 30 minutos a 3 horas.

  • Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)
  • Considerações finais
  • Antes de assumir uma ação considere o histórico do trabalho de parto, sua duração, o progresso das fases de dilatação e expulsão, se já houve alguma manipulação e como esta manipulação ocorreu.

A frequência de intervenções precoces, durante a fase de dilatação, com ruptura de bolsas dos anexos fetais e tração inadvertida, aumentam o sofrimento fetal, acarre-tando riscos à sua sobrevivência.

Deve-se aguardar a dilatação e somente intervir em casos de contrações improdutivas.

A tração de um bezerro só deve ser efetuada em ca-sos de inércia uterina e quando os membros torácicos e a cabeça (apresentação longitudinal anterior) ou membros pelvinos e pelve já estiverem insinuados e palpáveis no quadrante pélvico materno.

Casos de assistência tardia a um trabalho de parto, devem ser precedidos de uma boa análise dos riscos, inclusive ao profissional, que se expõe a manusear produtos em estado avançado de enfizema e putrefação.

O ideal, nem sempre possível, é assistir ao parto somente quando necessário e no momento certo. Para tanto, o profissional deve contar com seus conhecimentos e todo o material necessário para atuar resolutivamente no  trabalho de parto, quer ele requeira uma simples observação, uma manobra obstétrica, uma cesariana ou mesmo uma feto-tomia.

As distocias em bovinos são problemas universais, que podem ocorrer em todas as propriedades. No entanto, algumas fazendas possuem uma freqüência consideravelmente alta, devido a nutrição inadequada, manejo ou intervenções errôneas.

Este artigo fornece algum subsídio para avaliação do melhor momento da intervenção em um trabalho de parto. Nos artigos subseqüentes serão abordados procedimentos para resolver as distocias mais comuns e como prevenir estas ocorrências.

7 Passos para reduzir a incidência de partos difíceis no rebanho

Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

Ao parto em que o bezerro está enroscado dá-se o nome parto distócico, que pode ser definido como parto difícil. É um dos fatores que mais contribuem para a mortalidade desses animais recém-nascidos. E aqueles que sobrevivem podem apresentar uma série de problemas que acabam comprometendo seu desempenho futuro.

  • A distocia se caracteriza por diferentes graus de dificuldade durante a parição, que podem variar de um ligeiro atraso até a incapacidade da fêmea parir.
  • Prejuízos que a distocia pode gerar:
  • Dificuldades no parto podem prejudicar a mãe e comprometer a saúde, o bem estar, desempenho e a sobrevivência dos bezerros recém-nascidos.
  • De acordo com o médico veterinário Lucas Tonelli a distocia é mais comum no Brasil em vacas de primeira cria e as pesquisas revelam que os animais provenientes de partos difíceis são:
  • Animais fracos e estressados
  • Apresentam hipóxia (baixa oxigenação)
  • Dificuldades de se manter em pé
  • Dificuldade em se alimentar
  • Dificuldade em controlar a digestão.

A vaca afetada pela distocia fica mais predisposta à retenção de placenta, infecções uterinas e outros problemas que podem resultar no aumento do intervalo entre partos, por isso mãe e filhos precisam do manejo adequado após o parto distócico. A falta de cuidado nesses casos pode desencadear doenças muito comuns nesse período,  como a metrite e hipocalcemia.

É possível prevenir!

Segundo o médico veterinário José Luiz M. Vasconcelos em um artigo da revista Milkpoint, existem formas de prevenir a dificuldade na hora do parto bovino:

1.Crie as novilhas para que venham a parir com tamanho adequado aos 24 meses de idade, e evite que vacas e novilhas tenham excesso de peso no parto. 2.Providencie um piquete maternidade limpo, seco, ventilado e de fácil acesso. 3.Observe o parto (de forma discreta e contínua) 4.Espere o tempo necessário antes de auxiliar o parto. 5.Preocupe-se com higiene em todos os procedimentos de auxílio ao parto. 6.Reconheça suas limitações em resolver o problema, chame um veterinário antes que a vaca esteja exausta, e o bezerro morto. 7.Providencie boa assistência ao bezerro recém-nascido

E se, ainda assim, for preciso intervir no parto?

Quando o parto durar mais de 8 horas e com sinais de que o bezerro está em uma posição incorreta, ou enroscado, é preciso intervir com cuidado e experiência profissional.

Para confirmar a má posição do bezerro é preciso que a vaca seja examinada por palpação pelo canal do parto. Lembrando que antes de ser realizado o procedimento é fundamental a higienização da área e a utilização de luvas para que não ocorra a contaminação.

  1. Caso o bezerro necessite ser puxado é importante que a pessoa responsável tenha experiência com esse tipo de situação e siga o ritmo das contrações do animal, sem forçar.
  2. Ricarda Maria dos Santos, médica veterinária e professora da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) recomenda que a intervenção em novilhas seja entre 60 a 90 minutos após o aparecimento das membranas fetais, já nas vacas entre 30 a 60 minutos.
  3. Para que a  distocia não seja um prejuízo para o produtor leiteiro é preciso que a fazenda tenha profissionais treinados e capacitados a fim de realizar o manejo adequado para que a intervenção aconteça no momento certo e da maneira correta,  e assim reduzir a incidência de óbitos no rebanho.
  4. Saiba mais sobre a criação de bezerras:
  5. Como Ajudar no Parto de Uma Vaca: 8 Passos (com Imagens)

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