Como ajudar a reduzir o aquecimento global (para crianças)

Como Ajudar a Reduzir o Aquecimento Global (Para Crianças)

Ações cotidianas podem ajudar a minimizar os efeitos do aquecimento global. Foto: Pixabay

  • Quando a gente acompanha o noticiário sobre o desmatamento e as queimadas na floresta amazônica, um sentimento de impotência pode nos dominar. 
  • Nesta quinta-feira, 23, diversas personalidades do Brasil e do mundo se manifestaram sobre a preservação ambiental da Amazônia, como Leonardo DiCaprio, Camila Cabello, Lidsay Lohan, Gisele Bündchen e Anitta. 

O posicionamento de pessoas influentes pode fazer com que o governo brasileiro tome providências em relação ao assunto. Mas e nós? O que devemos fazer para ajudar a conter o aquecimento global no dia a dia?

“Estamos chegando em uma etapa da vida na Terra que é preciso passar por grandes mudanças, alterando nossos hábitos e vivendo de modo mais simples.

Todos nós, no nosso dia a dia, precisamos gastar menos energia, economizar água, plantar árvores.

Não é mais uma decisão apenas governamental, é necessária a participação de todos”, afirma a professora titular sênior do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Vera Imperatriz Fonseca.

A integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza ressalta que as alterações climáticas também vão causar uma diminuição na pluviosidade em muitos locais, inclusive no Brasil.

“Isso vai impactar a sobrevivência de espécies de plantas e animais e os benefícios da natureza para os homens (os serviços ecossistêmicos).

Agricultura, saúde e as áreas naturais vão sofrer, se cada um de nós não pensar seriamente no nosso papel”, explica. 

Mudança de hábito não é tão simples porém, do ponto de vista psicológico, se o indivíduo promover pequenas melhorias contínuas, é possível incorporar atitudes conscientes no dia a dia.

Como Ajudar a Reduzir o Aquecimento Global (Para Crianças)

O não desperdício de alimentos ajuda a minizar os efeitos do aquecimento global.  Foto: Pixabay

Seis atitudes para ajudar a conter o aquecimento global no dia a dia

1 – Consuma menos carne

A agropecuária é a principal responsável pela emissão de gases de efeito estufa no Brasil.

De acordo com o último relatório do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), mais de 70% das emissões totais do País estão ligadas à atividade, levando em consideração o desmatamento para pastagem, adubação, o metano emitido pelo gado e o transporte dos produtos. 

Nesse sentido, uma alimentação mais diversificada, com menor consumo de carne vermelha, além de saudável, contribui para reduzir as emissões.

2 – Não desperdice alimentos

O relatório do Painel Intergovernamental aponta que cerca de um terço de todo o alimento produzido no mundo é desperdiçado em algum ponto da cadeia. Minimizar essa perda traz ganhos para a segurança alimentar e ajuda na redução dos gases de efeito estufa, emitidos tanto para a produção de alimentos, como no transporte dos produtos, por exemplo. 

O planejamento das compras ajuda a evitar o desperdício. Além disso, vale apostar na compra de frutas, legumes e verduras que não estão tão bonitos nas prateleiras do mercado, mas que ainda podem ser consumidos. Normalmente, esses produtos ainda têm preços mais baixos.

3 – Dê preferência a produtos locais

Procurar fornecedores perto de casa também é uma ótima opção para o meio ambiente. Além de fomentar a economia da região onde você mora, comprar de produtores locais ajuda a diminuir a emissão de CO2 liberado com o transporte dos produtos. 

Além disso, a maior parte dos pequenos produtores rurais, da agricultura familiar, faz uso de técnicas mais sustentáveis de cultivo.

4 – Busque alternativa para o transporte

Caminhar faz bem à saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda 150 minutos de atividade física leve ou moderada por semana, o que equivale a cerca de 20 minutos de caminhada por dia. Por isso, nada melhor que percorrer pequenas distâncias a pé, deixando o carro na garagem. Além de queimar calorias, a escolha reduz a emissão de gases de efeito estufa. 

O uso da bicicleta também é válido. Para quem precisa percorrer distâncias maiores, vale usar o transporte coletivo alguns dias da semana, adotar a carona solidária, compartilhar deslocamentos por meio de aplicativos e dar preferência a veículos elétricos, híbridos ou mais eficientes, com uso de biocombustíveis.

5 – Consumo consciente

Repensar o consumo excessivo de produtos ajuda a economizar e ainda contribui com o planeta. Roupas podem ser compradas em brechós ou adquiridas em novas modalidades, como aluguel ou troca de peças. Além disso, é possível investir em produtos duráveis e de melhor qualidade que podem ser usados por mais tempo. 

  1. Reduzir a compra de produtos descartáveis também ajuda a diminuir a produção de lixo e a emissão de gases de efeito estufa para a produção e o transporte.
  2. 6 – Cobre políticas públicas
  3. O aquecimento global afeta a todos e, por isso, é importante que o tema seja contemplado em políticas públicas, como ações para reduzir o desmatamento, proporcionar a adoção de novas alternativas de mobilidade urbana e incentivar o uso de energias renováveis. 
  4. Cobre o comprometimento de políticos com essa temática e acompanhe as promessas dos candidatos eleitos.

O que é o aquecimento global?

O aquecimento global tem se tornado um dos grandes desafios da atualidade. Eventos climáticos extremos decorrentes do colapso climático, como tempestades, secas intensas, alteração nas temperaturas e no regime das marés, acendem o sinal de alerta em todo o mundo. 

Documento divulgado recentemente pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas reafirma a necessidade de limitar o aquecimento do planeta em até 1,5ºC em relação ao período pré-industrial para evitarmos um cenário sem retorno.

Educar crianças sobre mudanças climáticas ajuda a conscientizar pais e responsáveis

As notícias estão diariamente nos jornais, na televisão, em podcasts, mas ainda não captaram a sua atenção a ponto de estimular qualquer ação.

Porém, hoje o seu filho ou filha chegou da escola contando que o planeta tem cerca de 12 anos para deter o aquecimento global e questionando como pode ajudar. Isso provavelmente vai fazer você tomar alguma atitude com relação ao tema.

Essa é a conclusão de um estudo publicado na revista Nature que buscou avaliar a influência das crianças sobre os pais a partir de uma intervenção educacional sobre mudanças climáticas.

Ao imaginar que crianças pudessem ser boas influenciadoras, pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, decidiram testar como disciplinas especiais sobre mudanças climáticas para alunos de 10 a 14 anos poderiam afetar a opinião dos pais.

Os alunos não foram orientados a tentar influenciar seus pais, mas o programa envolveu métodos desenvolvidos para estimular conversas, incluindo uma entrevista entre pais e filhos.

Os pais responderam diversas perguntas a respeito de suas visões sobre mudanças climáticas no início e no final do estudo que durou dois anos.

Os pais das crianças que tiveram currículos focados em questões climáticas demonstraram maior preocupação com as mudanças climáticas – assim como seus filhos. Os efeitos foram maiores entre os pais do sexo masculino e pais conservadores que apresentaram os menores níveis de preocupação antes da intervenção. As filhas foram especialmente eficazes ao influenciar os pais.

“Nossos resultados sugerem que a aprendizagem intergeracional pode superar barreiras na construção de uma consciência sobre o clima”, diz a pesquisa.

O estudo afirma que a transferência de conhecimento, atitudes e comportamento da criança para os pais pode ser um caminho para superar empecilhos socio-ideológicos.

Os autores argumentam que como as percepções da mudança climática nas crianças parecem menos suscetíveis a visões de mundo ou influência do contexto político, pode ser possível que elas inspirem os adultos por uma ação coletiva.

As greves escolares de Greta

O resultado do estudo parece ratificar os esforços promovidos pela estudante sueca Greta Thunberg, que há quase um ano deixou de ir à escola todas as sextas-feiras para protestar em frente ao Parlamento Sueco, em Estocolmo. Inconformada com a demora dos políticos em seguirem os compromissos climáticos do Acordo de Paris e com a falta de ação em defesa do meio ambiente, Greta iniciou o movimento Fridays for Future.

Hoje, jovens de mais de 100 países seguem o exemplo de Greta todas as sextas-feiras. Esse movimento já promoveu duas grandes greves mundiais, e a próxima está agendada para começar no dia 20 de setembro, já que dessa vez a proposta é manter a greve por uma semana. Para essa mobilização, Greta está convocando adultos a participarem.

“Existem diversos planos em andamento em diferentes partes do mundo para que os adultos se unam e saiam da sua zona de conforto pelo nosso clima.

Vamos todos nos unir, com seus vizinhos, colegas de trabalho, amigos, familiares e sair para as ruas para fazer suas vozes serem ouvidas e fazer disso uma reviravolta em nossa história.”, escreve ela em um artigo para o jornal inglês The Guardian.

Os feitos de Greta lhe renderam uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz. Se vencer, será a pessoa mais jovem a receber a premiação.

O poder de persuasão das crianças, mostrado pelo estudo da Universidade da Carolina do Norte, se observa na história da própria Greta, como conta a reportagem do New York Times.

Ela convenceu os pais a pararem de comer carne e, mais tarde, a virarem veganos, e também convenceu a mãe a não fazer mais viagens de avião devido às emissões de gases de efeito estufa. Pesquisas mostram que o consumo excessivo de carne e os as emissões da aviação são causas importantes das mudanças climáticas.

Como mostra recente relatório do WRI, não é que todos precisem virar veganos, mas reduzir o consumo da carne é uma forma de mitigar o aquecimento do planeta.

Para os pesquisadores, os resultados da pesquisa sugerem que conversas entre diferentes gerações podem ser um ponto de partida eficiente no combate aos efeitos das mudanças do clima.

Danielle Lawson, autora principal do estudo, afirma que, ainda que a análise não tenha avaliado as mudanças de comportamento dos adultos, o resultado oferece esperança: “se pudermos promover essa construção de comunidade e do diálogo sobre as mudanças climáticas, podemos nos unir e trabalhar juntos em uma solução.”

Como Ajudar a Reduzir o Aquecimento Global (Para Crianças)

Preocupado com o aquecimento global? Saiba o que pode fazer

O lago Poopo, na Bolívia, completamente seco em setembro do ano passado. Um dos efeitos das alterações climáticas

© REUTERS/David Mercado

O relatório divulgado na segunda-feira, 8 de outubro, pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC na sigla em inglês) deixa um aviso claro. Temos 12 anos para mudar comportamentos de modo a atenuar os efeitos nefastos do aquecimento global na saúde, na produção de alimentos, no ambiente, no abastecimento de água, bem como nas condições de vida.

No documento, o IPCC define como objetivo o limite de 1,5 graus Celsius em relação aos valores pré-industriais, mas para atingir esta meta é preciso avançar com medidas “rápidas e sem precedentes” na sociedade, refere o documento.

Com base em seis mil estudos, os cientistas abordam os impactos de um aquecimento de mais 1,5º Celsius, um nível que a Terra poderá atingir já em 2030 (2030-2052) por causa da inexistência de uma redução maciça das emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com o relatório, o limitar o aquecimento a 1,5º Celsius pode impedir, por exemplo, a extinção de espécies e a destruição total do coral, fundamental para o ecossistema marinho, diminuir a subida do mar em 10 centímetros até 2100 e salvar áreas costeiras.

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Os especialistas dizem que ainda há tempo para reduzir o aquecimento global, tendo como base a aplicação de políticas governamentais, mas também a ação dos cidadãos. O DN falou com Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero que deu alguns exemplos do que podemos fazer no nosso dia-a-dia.

Francisco Ferreira, da associação ambientalista Zero

© Sara Matos/Global Imagens

Eficiência energética e energias renováveis

“Vinte e cinco por cento das emissões de gases com efeito estufa têm a ver com a produção de eletricidade e, portanto, a área da eficiência energética e de produção de energias renováveis são essenciais para reduzir o aquecimento global”, sublinha Francisco Ferreira. Então o que podemos fazer em casa para ajudar a redução da temperatura global?

Comprar os eletrodomésticos certos: “Significa escolher aqueles que têm a classe de eficiência energética mais elevada. Fazer a melhor utilização dos eletrodomésticos, ou seja, usá-los só com a carga cheia”, explica o ambientalista. “Se tiver que mudar lâmpadas em casa procure mudar para Led e compre as de classe de eficiência energética maior”.

Apostar no isolamento: “Tudo o que seja obras de isolamento, ter janelas eficientes. Fazer uma gestão eficiente da casa.

Ou seja, gerir o abrir e fechar de persianas ou de estores, de acordo com a localização da casa para maximizar o arrefecimento ou o aquecimento em casa.

Procurar dar prioridade ao aquecimento e arrefecimento de uma forma natural, sem recorrer ao ar condicionado.

Reduzir o consumo de água em casa: “Porque também implica uma gestão da energia, nomeadamente da água quente”.

Pedir o certificado de eficiência energética da casa: “Aí fica-se a saber qual é a classe energética da casa e o que se pode fazer para melhorar”.

Reparação de electredomésticos: “Não tem tanto a ver com a eficiência energética, mas também se deve apostar na reparação de eletrodomésticos. Em vez de comprar um novo equipamento, sempre que possível apostar na reparação. Isso significa uma redução de materiais e de emissões indiretamente”.

O uso de painéis solares em casa ajuda a reduzir a conta da energia e é mais amigo do ambiente

© DR

Painéis fotovoltailcos: “Se for possível colocar um painel solar na varanda ou no telhado para auto consumo. Um ou dois painéis fotovoltailcos. Um painel custa cerca de 500 euros. Fica pago ao fim de sete anos no máximo e dura mais de 25 anos”

Investir na água quente solar. “Somos o país com o maior número de horas de sol da Europa, cerca de 3 mil por ano”

Mobilidade

“Os outros 25% das emissões de gases de efeito estufa têm a ver com os transportes, sendo que o maior problema são os transportes rodoviários individuais”, afirma Francisco Ferreira. Este é um aspeto “absolutamente crucial” para a redução do aquecimento global, defende.

Transportes: “Temos de pensar que o mais importante é recorrer ao transporte público. Vamos ver se a história dos passes sociais vai trazer alguma melhoria, uma vez que a ideia é usar mais os transportes públicos.

Penso que isso só se consegue se se penalizar o uso do automóvel, como acontece com o estacionamento nas grandes cidades. Mas pode-se ir mais longe. Há países em que há portagens para se entrar nas cidades, como acontece em Florença.

É possível fazer mais”.

As bicicletas partilhadas são uma das alternativas de mobilidade nas cidades

© PAULO SPRANGER/Global Imagens

Andar de bicicleta e andar a pé: “O uso das bicicletas partilhadas em Lisboa é um bom exemplo”.

Partilhar o carro: “E se for preciso comprar um carro, optar por veículo elétrico”.

A alimentação

É uma área “muito importante”, afirma o presidente da associação ambientalista Zero, que defende a compra de “produtos locais”. “Se se optar por comprar produtos que não sejam locais isso implica uma maior emissão de gases de efeito estufa”.

Comer menos carne, nomeadamente vaca: “Há uma série de animais que fazem fermentação entérica, ou seja o seu processo digestivo emite metano. Não precisamos de ser vegetarianos, mas sim mais saudáveis.

Em Portugal comemos carne a mais, é a própria DGS [Direçãop-Geral da Saúde] que o diz.

Podemos, portanto, juntar o hábito saudável a um hábito amigo do ambiente, que é comer menos carne, porque reduz as emissões de metano, que é também um gás de efeito estufa.”

Reduzir o consumo de carne de vaca é uma escolha ecológica

© REUTERS/Denis Balibouse

Reduzir, Reciclar e Reutilizar: “A prioridade até agora tinha sido a reciclagem, mas a aposta tem de ser feita na prevenção, ou seja na redução de resíduos. A reciclagem é muito importante, mas tem que se ir mais longe, a aposta tem de ser na redução e depois na reciclagem.”

Ação coletiva: “O cidadão tem que se mobilizar mais para pressionar os governos a ter políticas mais amigas do ambiente e do clima. Há países na Europa em que as associações ambientalistas têm mais expressão, mais força para influenciar as decisões. A ação coletiva é muito importante.”

Desafio para 2050: Neutralidade carbónica

No fundo, Francisco Ferreira acredita que se pode ir mais longe para reduzir o aquecimento global do Planeta e destaca a importância do roteiro para a neutralidade carbónica 2050 que o governo está a preparar e que “garante ter zero emissões líquidas, ou seja, conseguir que o carbono que tiramos da floresta seja igual ao carbono que precisamos para as atividades humanas”. “O balanço será zero. É isso que queremos atingir em 2050. É um dos nossos desafios”, afirma.

O ambientalista defende, ainda, a existência “de uma lei do clima. Não uma resolução de Conselho de Ministros, mas uma lei da Assembleia da República, que marque este objetivo, que tenha consequências práticas agora e num futuro próximo”.

O reflorestamento como solução para o aquecimento global

O consumismo e o desperdício exacerbados, as produções desenfreadas e o desmatamento sem limites são comportamentos que vêm contribuindo, de forma gradativa, para o desgaste ambiental e, consequentemente, para o aquecimento global, uma vez que muitas práticas humanas, como as indústrias, os veículos, a queima de combustível, a pecuária, etc, produzem gases do efeito estufa — dióxido de carbono e metano — que atingem de forma destrutiva a atmosfera.

Segundo estudo feito pela revista Science e publicado pela BBC News, uma das soluções para esse problema é o plantio de árvores em todos os espaços não ocupados por áreas agropecuárias e urbanas, além da preservação das florestas já existentes, é claro.

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  • “Seguramente podemos afirmar que o reflorestamento é a solução mais poderosa se quisermos alcançar o limite de 1,5 grau [de aquecimento global]”, afirma o cientista britânico e ecólogo Thomas Crowther, referindo-se ao limite estabelecido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU), para o aumento do aquecimento global.
  • É determinado que existam no planeta cerca de 3 trilhões de árvores, no entanto, para evitar o aumento da temperatura terrestre é necessário o plantio de mais 1,2 trilhão de novas mudas, contabilizando um número quatro vezes maior do que a totalidade de árvores que vivem na floresta amazônica.
  • Com a atividade industrial, a humanidade produziu 300 bilhões de toneladas de carbono; com o reflorestamento, as árvores, quando atingirem a maturidade, serão capazes de absorver 205 bilhões de toneladas desse total provocado pelos hábitos humanos.

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Além disso, vale ressaltar que caso nada seja feito a respeito do problema, futuramente as mudanças climáticas irão impactar na configuração dos ambientes florestais já existentes.

Estima-se que, com o aquecimento global, haja um aumento de temperatura na área de florestas e aquelas que tiverem a média de cobertura de árvores de 90% a 100%, como as florestas tropicais, as alterações climáticas virão com efeitos devastadores.

Quais as consequências do aquecimento global?!

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  1. As consequências do aumento da temperatura terrestre são diversificadas e complexas, podendo ocasionar danos graves e irreversíveis na forma em que estamos acostumados a viver, ou seja, transformações estruturais e sociais que não serão geradas para beneficiar a humanidade. Dentre elas, vale citar:
  2. – O aumento das temperaturas dos oceanos e o derretimento das calotas polares; – As eventuais inundações de áreas costeiras e cidades litorâneas, devido à elevação do nível dos oceanos; – O aumento da insolação e radiação solar; – A intensificação de catástrofes climáticas, como furacões e tornados, secas, chuvas irregulares e entre outros fenômenos meteorológicos de difícil controle e previsão;
  3. – A extinção de espécies animais, por conta das condições ambientais adversas. 

Mas por que plantar árvores?!

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As árvores têm papel fundamental na purificação e na umidade do ar, uma vez que agem como sequestradoras de dióxido de carbono (CO2), capturando os gases tóxicos e devolvendo o oxigênio para a atmosfera. Além disso, elas também auxiliam na diminuição da temperatura, o que contribui diretamente para a não evolução do aquecimento global.

Mas como elas fazem isso?

Nos centros urbanos, há o aumento da impermeabilização e grandes níveis de gases poluentes emitidos o tempo todo e de diversas formas. Devido a esse cenário, normalmente, as cidades sofrem com as altas temperaturas e com a baixa umidade, ou seja, o clima se torna seco.

As árvores começam a agir nessa fase com o comprometimento de amenizar o desequilíbrio ecológico originado da concentração de gases carbônicos, desse modo, elas reduzem os estragos causados pelas substâncias poluentes e causadoras do efeito estufa.

Isso é feito por meio da fotossíntese que remove o CO2 da atmosfera e ajuda na diminuição da concentração dos gases contaminadores. Dessa forma, as árvores se tornam responsáveis por impedir o aumento da temperatura terrestre.  

Reprodução/Pensamento Verde

Embora o plantio da quantidade necessária de árvores represente um grande desafio para a humanidade, estamos diante de uma solução na qual todos podem contribuir de alguma forma, seja cultivando árvores, doando para organizações de reflorestamento, não desmatando, evitando poluir e diversas outras ações sustentáveis que podem contribuir para a diminuição do aquecimento global.  

Se agirmos agora, podemos reduzir os impactos negativos que as mudanças climáticas ocasionarão no planeta Terra. =D

LBV em favor da sustentabilidade

Despertar uma consciência ecológica nas crianças é fundamental para que disponhamos de um futuro melhor e mais sustentável.

Pensando nisso, a Legião da Boa Vontade (LBV) realiza uma série de atividades ambientais com os seus atendidos, levando-os para passeios ecológicos, promovendo workshops e palestras que informem sobre a importância de preservarmos a natureza, entre outras iniciativas.

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+ Crianças da LBV participam de ações de conscientização na Semana Mundial do Meio Ambiente

Edson SantosCrianças da LBV aprendem sobre a importância de preservar a natureza.

O diretor-presidente da LBV, José de Paiva Netto, esclarece em seu artigo ‘Conscientização hoje’ sobre a importância de nos atentarmos às nossas ações para com o meio ambiente: “(…

) há décadas venho insistindo que a destruição da Natureza é a extinção da raça humana. Fica evidente que essa não é uma simples frase de efeito para chamar a atenção desta Humanidade, sempre apressada, muitas vezes rumo ao próprio extermínio.

Em geral, as criaturas se movem como se o amanhã não existisse. Desse modo, deixam de avaliar o resultado futuro de seus atos no presente. É preocupante, porque, quando os efeitos devastadores da má semeadura chegam, o quadro pode ser irreversível ou acompanhado de imensos prejuízos.

Sustentabilidade é palavra da moda. Contudo, agimos em consonância com seu significado? Os problemas relacionados aos recursos naturais aumentam a cada dia. Vejam a diminuição dos reservatórios de água em diversas cidades brasileiras e do mundo!

Vez por outra, vêm à tona estudos demonstrando que qualquer ação desenfreada contra o meio ambiente traz algum tipo de desequilíbrio local ou a distância. Mesmo assim, as árvores continuam sendo “estorvo” ou objeto de ganância sem fim na Amazônia, na Mata Atlântica ou em qualquer lugar do planeta. Até quando? (…)”

*Com informações dos sites Pensamento Verde, Mundo Educação e Trc Sustentável.

O QUE VOCÊ PODE FAZER PARA EVITAR O AUMENTO DO AQUECIMENTO GLOBAL

por Deise Aur

Muito se fala do aquecimento global e quando se pensa nisso, logo se associa o problema à poluição e às indústrias, esquecendo-se que atitudes individuais e simples também podem ajudar a minimizar esse problema.

Foto: www.greenme.com.br

  • Os gases que produzem o efeito estufa são aqueles que se acumulam na atmosfera terrestre e dificultam a passagem dos gases infra-vermelhos, deixando o planeta mais aquecido.
  • Devido à crescente quantidade desses gases na atmosfera, o aumento da temperatura já está a prejudicando o equilíbrio entre os sistemas naturais.
  • Reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2), do metano (CH4) e do óxido nitroso (N2O), entre outros gases, é de vital importância para nossa existência e para a preservação do nosso planeta.

É sobre isso e mais questões relacionadas ao combate do aquecimento global, que esse conteúdo enfocará a seguir. Confiram!

Índice
1. O consumismo intensifica o aquecimento global
2.

Ações que ajudam cada um de nós à um consumo mais consciente para diminuir o aquecimento global
a) Deixar de consumir produtos de origem animal
b) Não comprar produtos de madeira que não é certificada ou preferir produtos de outro tipo de matéria-prima
c) Comprar produtos feitos de forma sustentável
d) Menos carro e mais bike
e) Refletir sobre o consumo de certos produtos
f) Comprar de empresas conscientes
g) Parar com o desperdício
h) Conhecer a problemática da produção da soja
i) Juntar o lixo para encaminhar para a reciclagem
j) Incentivar, conhecer e praticar ações que combatam o aquecimento global

3. Cada um fazendo sua parte influirá no coletivo
O consumismo intensifica o aquecimento global
O aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera, é resultante do atual modo de vida de nossa sociedade. Fatores que contribuem para isso de forma macro são:

  1. ● desmatamento das floresta
  2. ● excesso de consumismo
  3. Nós temos nossa parcela de responsabilidade nessa história e contribuímos para o aquecimento global com nossas atitudes e escolhas, pois muito do que consumimos envolve a emissões de gases de efeito estufa na produção, por isso nossas escolhas de consumo podem contribuir para diminuir esse impacto.
  4. Mudanças de hábito podem ajudar a evitar mudanças climáticas em decorrência do aquecimento global, saibam como a seguir.
  5. Ações que ajudam cada um de nós à um consumo mais consciente para diminuir o aquecimento global
    Deixar de consumir produtos de origem animal
    Muitas áreas florestais estão sendo devastadas para serem usadas como pasto para gado de corte ou leiteiro e devido a diminuição da vegetação, ocorre o aumento dos gases que provocam o aquecimento global.

● emissão de gases tóxicos pela indústrias
● uso do solo para agricultura e pecuária, de forma intensiva
● queima de combustíveis fósseis no transporte

O desmatamento é o maior causador do aumento de emissão de gases de efeito estufa. Para não contribuir para isso, pode-se substituir a carne e o leite com seus respectivos derivados por outras fontes de proteína vegetais.

Não comprar produtos de madeira que não é certificada ou preferir produtos de outro tipo de matéria-prima
Madeira ilegal envolve a devastação de florestas nativas que resulta em maior emissão de gases de efeito estufa. Adquira apenas produtos e materiais de construção feitos com madeira certificada, que têm o selo FSC ou o de madeira de reflorestamento.

Outra opção e até mais efetiva, é dar preferência por compra de produtos com outras matéria-primas que não agridam o meio-ambiente e que sejam produzidos de forma sustentável. Dessa maneira se deixa de colaborar com o desmatamento ao comprar produtos de madeira.

Comprar produtos feitos de forma sustentável
Comprar produtos feitos por comunidades locais é uma forma de não colaborar com o desmatamento e ainda contribuir para geração de emprego e renda destas comunidades, principalmente as que vivem nas florestas e fazem o uso sustentável da vegetação.

Existem comunidades que fazem e comercializam seu produtos de forma sustentável e artesanal, tais como cestos ou óleos artesanais, por exemplo. Outra alternativa de não contribuir com o desmatamento é comprar produtos industrializados cujas matérias-primas não foram extraídas das florestas de forma predatória e em parceria com as comunidades locais.

Menos carro e mais bike
A queima de combustíveis fósseis como a gasolina e diesel contribuem para causar o aquecimento global.

Um carro médio rodando trinta quilômetros por dia, em um ano, emite uma quantidade de gases de efeito estufa que necessitaria de 17 árvores crescendo durante 37 anos para absorvê-lo.

Uma forma de não contribuir para isso é diminuir o uso do automóvel, caminhando mais, andar de bicicleta ou usar transporte público. Prefira automóveis zero emissões se for comprar um.

Refletir sobre o consumo de certos produtos
A fabricação dos produtos envolvem: extração e processamento das matérias-primas, o uso de água e de energia na produção e o consumo de combustível no transporte até os locais onde serão comercializados.

Todas estas etapas causam a emissão de gases de efeito estufa.

Refletir se realmente é necessário o consumo de cada produto é uma forma de evitar desperdício e ainda reduzir o efeito estufa. Antes de comprar um eletrodoméstico, vestuário ou móvel novo, pense se não dá para reaproveitar, usar por mais tempo ou consertar, se for o caso.

  • Comprar de empresas conscientes
    Existem empresas que estão adotando medidas para avaliar o quanto produz de volume de gases efeito estufa em seus processos de produção, seja nas fábricas, escritórios, na frota de distribuição e transportes aéreos, e com isso estão desenvolvendo alternativas e formas de reduzir a emissão desses gases.
  • Pesquisar, conhecer, comprar ou adquirir serviços de empresas que se preocupam com o meio-ambiente, fazendo análise da emissão de gases efeito estufa do processo de produção de seus produtos, e que adotam medidas para reduzi-la, é uma forma de consumo consciente.
  • Para saber mais sobre cada empresa é só se comunicar com o SAC (Serviço ao Consumidor) de cada empresa.
  • Outra forma eficaz de conhecer quais empresas têm uma postura ética e ecológica com a Natureza é pesquisar em sites de Entidades de Proteção ao meio-Ambiente.

Parar com o desperdício
O desperdício de alimentos compõem a maior parte do lixo produzido em nosso país. O lixo orgânico depositado nos lixões ou aterros emite gás metano durante sua decomposição e esse gás é 21 vezes mais potente que o gás carbônico, como gerador de efeito estufa.

Parar com o desperdício de alimentos, planejando as compras e reaproveitando as sobras é uma forma de evitar esse problema.

Cerca de um terço dos alimentos que são comprados pelos brasileiros vai parar no lixo.

Conhecer a problemática da produção da soja
A Floresta Amazônica e a Vegetação do Cerrado estão sendo devastados por conta da plantação de soja. Muitas dessas áreas são desmatadas ilegalmente. O desmatamento é a causa principal da emissão de gases de efeito estufa no Brasil.

Conheça a origem da soja ou de seus produtos derivados, como farelo ou lecitina de soja que são usados como ingredientes em vários produtos alimentícios, como óleos, sucos, margarinas, chocolates, biscoitos ou ração para animais, e só adquira produtos que não tenham procedência de áreas desmatadas.

Esta é uma forma de não ser conivente com toda essa devastação ambiental. Pesquise em sites de preservação ambiental ou conheça as empresas através de seus SACs ou sites.

Juntar o lixo para encaminhar para a reciclagem
Encaminhar o lixo procedente de materiais como papel, vidro, plástico e alumínio para coletas seletivas com a finalidade de reciclá-los, para serem usados como matéria-prima em novos produtos, é uma ação consciente e sustentável importante para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, além de gerar mais economia.

Reciclar contribui para a economia de recursos naturais, pelo uso de matéria prima reciclada em vez da extração de matéria-prima virgem e a diminuição de gastos com extração de matéria-prima e seu processamento.

A produção a partir da reciclagem gasta menos energia elétrica e reduz a emissão de gases de efeito estufa.

Comprar produtos feitos com materiais reciclados ou recicláveis ajuda a combater o desperdício e o aquecimento global.

Incentivar, conhecer e praticar ações que combatam o aquecimento global
● Caso na sua cidade não tenha ciclovias, incentive as autoridades municipais a adotarem medidas que incentivem o uso da bicicleta como transporte, como por exemplo, a pavimentação de ciclovias e estacionamentos para bicicletas.

● Dê ou pegue carona, isso contribui para menos trafego de veículos e diminuição de congestionamento no trânsito e com isso menos poluição.
● Faça revisão com frequência do carro e calibre os pneus para evitar desperdício de combustível e aumento da poluição
● Prefira comprar produtos locais que não precisem de transporte
● Use produtos reciclados ou recicláveis.

● Compre apenas o que for necessário, utilize ao máximo os produtos e quando for trocar ou se desfazer deles,  venda, doe e encaminhe para reciclagem
● Compre produtos e eletrodomésticos com eficiência e economia de energia
● Use Ecobags, sacolas ecológicas (reaproveitáveis) para as compras e evite o uso de sacolinhas plásticas
● Compre sprays aerossóis que não agridam a camada de ozônio, que são os que contêm o gás propelente CFC (clorofluorcarbono), utilize os sprays aerossóis que utilizam no lugar do CFC, o GLP, sigla para gás liquefeito de petróleo, que não provoca danos à camada de ozônio.
● Mantenha a panela bem centralizada na boca do fogão, isso faz com que aqueça mais rápido e gaste menos gás
● Fogões elétricos a gás emitem 50% mais de gases do efeito estufa que fogões convencionais
● Chuveiros elétricos chegam a emitir até quatro vezes mais gases do que os aquecidos à gás
● Usar o varal chega a emitir menos 3 kg de gases por lavagem do que usar a secadora
● Lavar a roupa com água fria reduz a emissão de gases do efeito estufa em até 15 vezes em comparação de lavar com água quente
● A instalação de sistemas de armazenamento da água da chuva e utilização de energia solar na residência, além de gerar economia, diminui a emissão de gases efeito estufa

  1. ● Faça compostagem caseira com materiais orgânicos, como cascas, borra de café, restos de frutas e alimentos, isso contribui para diminuir o lixo orgânico coletivo
  2. ● Plante árvores! Quanto mais vegetação, menos gases tóxicos e poluição
  3. Cada um fazendo sua parte influirá no coletivo
    Se cada uma das bilhões de pessoas que existem na face da Terra fizer sua parte, haverá menos emissão de gases efeito estufa, menos poluição, desmatamento e desperdício de produtos, mais economia de combustível, transporte, energia limpa, água, alimentos e bens de consumo.
  4. Façamos a diferença pela preservação de nosso planeta e ganharemos qualidade de vida e uma existência mais consciente e equilibrada!
  5. Fonte: greenMe > Notícias > Ambiente
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● Se possível, utilize o ventilador ao invés do ar condicionado
● Lembre de apagar as luzes sempre que não houver necessidade de iluminação e de tirar da tomada os aparelhos que permanecem em stand-by (em espera)

Reduzir o aquecimento global requer esforço sem precedentes, diz ONU

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Cenas de seca como essa podem ser cada vez mais comuns no final do século (Foto: Creative Commons / _Marion)

Enquanto o Brasil começava a conhecer alguns de seus novos governantes na noite deste domingo, 7 de outubro, na Coreia do Sul, uma reunião com cientistas e autoridades de diversos países ligadas à ONU divulgou notícias que dizem respeito a todos os brasileiros, e demais habitantes do planeta, embora poucos se deem conta.

O Acordo de Paris, assinado em 2015 na Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, traçou os objetivos a serem atingidos pelas nações para evitar que o aquecimento global chegue ao final do século abaixo dos 2°C, com uma meta ideal de 1,5°C.

Em seguida, encomendou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) um estudo que colocasse em números o desafio de atingir a meta, e as possíveis consequências de não fazê-lo.

São milhares de cientistas trabalhando de forma colaborativa, analisando os mesmos conjuntos de dados e estudos, para chegar a um consenso.

Um trabalho de anos para chegar aos resultados divulgados na manhã coreana, e eles não são muito animadores.

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  • “Uma das principais mensagens que saem deste relatório é que já estamos vendo as consequências de 1°C de aquecimento global através de condições climáticas mais extremas, aumento do nível do mar e diminuição do gelo do Ártico, entre outras mudanças”, disse Panmao Zhai, co-presidente do Grupo de Trabalho do IPCC I.

Vamos começar pelas boas notícias: é possível atingir a meta. Se começarmos a reduzir drasticamente a emissão de dióxido de carbono, o CO2, até zerar por volta de 2050, e de outros gases, como metano, talvez consigamos impedir que a temperatura global ultrapasse 1,5°C. Mas quando reduzir drasticamente não é força de expressão. Com 45% do corte já até 2030.

O problema é que estamos muito aquém do necessário. Se as emissões continuarem do jeito que estão, chegaremos a 1,5°C em 2040. Mesmo se atingidos os objetivos das nações individualmente com o Acordo de Paris, que no caso do Brasil é de reduzir 37% das emissões de carbono até 2025 e “possível” redução de 43% até 2030, chegamos ao ano 2100 acima dos 3°C.

Com o aquecimento limitado em 1,5°C, o impacto será principalmente sentido pelas populações mais pobres. A agricultura perde produtividade, acarretando aumento dos preços dos alimentos, insegurança alimentar e fome.

Fortes ondas de calor e inundações costeiras podem obrigar deslocamentos de populações. Mais de 100 milhões de pessoas podem entrar para a pobreza.

 O número de pessoas subnutridas no mundo poderia ser de 25 milhões a menos até o final do século do que sob o aquecimento de 2°C.

“Todo aquecimento importa, especialmente a partir de 1,5°C. Aumenta o risco associado a mudanças duradouras ou irreversíveis, como a perda de alguns ecossistemas”, disse Hans-Otto Pörtner, copresidente do IPCC – grupo de trabalho II.

Problemas graves, mas que são possíveis de contornar. Basta que a humanidade queira. Mas, se chegar a 2°C, aí não vai ter muito o se que fazer.

Países que são compostos por pequenas ilhas, como Tuvalu e Kiribati, vão desaparecer. A maioria das ondas de calor vai provocar sérios impactos à sociedade, com mortes, incêndios florestais e perdas de produção.

Em países tropicais, como o Brasil, ondas de calor vão ocupar pelo menos metade do verão.

PoluiçãoLimitar a elevação da temperatura a 1,5°C, em comparação com os 2°C, pode prevenir cerca de 153 milhões de mortes prematuras por poluição do ar em todo o mundo até 2100 – cerca de 40% das mortes nos próximos 40 anos. Esse é um benefício tão grande que, em termos econômicos, pode até ser maior do que o custo total de reduzir as emissões de carbono na maioria dos principais países emissores.

À medida que as temperaturas sobem, as áreas protegidas começam a desaparecer. Em 2°C, 25% das 80.000 espécies de plantas e animais nas áreas mais ricas do mundo, como a Amazônia e Galápagos, podem enfrentar a extinção local até o final do século. Temperaturas de aquecimento podem afetar o comportamento de insetos e animais, causando um efeito cascata que afeta ecossistemas inteiros.

Sendo isso só uma pequena parte de uma longa lista de consequências que não deixam ninguém ileso. É preciso mudar, e agora, recomenda o IPCC. “Limitar o aquecimento a 1,5°C é possível dentro das leis da química e da física, mas isso exige mudanças sem precedentes”, disse Jim Skea, copresidente do IPCC – grupo de trabalho III.

Para começar, o uso de combustível fóssil deve cair rapidamente. Principalmente o carvão, que deve ser quase totalmente eliminado por volta de 2040. O uso de petróleo também precisa cair ao longo do século.

Alcançar o 1,5 °C será muito mais fácil, mais barato e menos prejudicial se os governos tomarem medidas imediatas para mudar para energia limpa.

O investimento contínuo em usinas de combustível fóssil significaria que futuros cortes teriam que ser mais drásticos.

Se a energia eólica e solar continuar crescendo entre 25% e 30% por ano até 2030, então pode começar a crescer mais devagar, de 4% a 5%. Assim, o setor de energia elétrica estaria completamente descarbonizado na metade do século.

A indústria, diretamente responsável por 21% das emissões globais, deve encontrar meios de cortar suas emissões até 2050, e o transporte tem de passar a ser elétrico.

Se cerca de 70% dos veículos forem elétricos até 2050, as emissões globais anuais de dióxido de carbonocairiam para o equivalente a cerca de 8% das emissões totais atuais. Mas isso não basta.

É preciso planejamento urbano, de modo que diversas formas de transporte, como caminhada, bicicleta, trem, bonde, ônibus, se integrem para atender de forma fácil o cidadão, além de políticas públicas que desestimulem o uso do carro.

No pratoNossa comida também precisa mudar. O que as pessoas comem é um fator importante que determina o estado da floresta e dos solos. A produção de carne, frutos do mar, ovos e laticínios é responsável por quase 60% das emissões relacionadas aos alimentos, apesar de contribuir com apenas 37% de proteína e 18% de calorias.

Quanto mais carne, peixe, laticínios e ovos as pessoas comem, mais difícil será limitar o aquecimento a 1,5°C. Mudar o hábito de comer mais de 100 gramas de carne por dia para comer menos de 50 gramas pode reduzir as emissões da comida de uma pessoa em 35%. Mudar para uma dieta vegetariana poderia reduzir as emissões em 47%, e mudar para uma dieta vegana poderia reduzir as emissões em 60%.

FlorestasProteger os ecossistemas e prevenir a destruição de florestas são formas importantes de reduzir as emissões de carbono. O desmatamento deve ser zerado.

Como as árvores e plantas absorvem CO2, o plantio florestal em grande escala e a restauração de ecossistemas danificados, como pântanos e mangues, também são métodos potencialmente significativos de remover carbono da atmosfera e também trazem muitos benefícios, incluindo filtração melhorada de água, proteção contra inundações, saúde do solo e habitat da biodiversidade.

Atualmente o solo libera mais gases de efeito estufa do que absorve, sendo responsável por cerca de 24% das emissões.

Alguns cientistas sugeriram que esse processo, chamado de “Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono” (BECCS), poderia ser uma forma relativamente barata de remover o carbono da atmosfera.

Mas a tecnologia ainda está em fase de testes e o uso da BECCS em larga escala pode ter sérias conseqüências para o uso da terra e da água doce, a biodiversidade e o funcionamento dos sistemas naturais.

Passando por diversos aspectos das nossas vidas, o relatório IPCC tem o objetivo de servir de base para que governantes e idealizadores de políticas públicas pelo planeta construam uma sociedade que vá ao encontro de uma economia com carbono neutro.

Uma medida urgente e inadiável, embora pensar nisso seja difícil na noite em que o candidato à Presidência da República mais votado do primeiro turno das eleições, com mais de 49 milhões de votos, Jair Bolsonaro (PSL), declara abertamente sua intenção de acabar com o Ministério do Meio Ambiente, fazendo uma fusão com o Ministério da Agricultura.

A cobertura especial de GALILEU no relatório do clima conta com o apoio institucional de ClimaInfo.

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