Como aprender árabe: 7 passos (com imagens)

Idioma oficial de 26 países, o árabe é falado por mais de 280 milhões de pessoas como língua materna e praticado por uma grande parte da população mundial. E ao contrário daqueles que ainda acreditam num Brasil acolhedor e hospitaleiro – infelizmente ainda existem muitos preconceitos e barreiras em torno da aprendizagem do idioma. Isso, por várias razões:

  • Discriminação da mídia brasileira em relação a árabes e muçulmanos;
  • Discriminação e intolerância religiosa em relação ao islamismo;
  • Imagem clichê e preconceituosa ainda rege no Brasil: os árabes são ricos, sultões, donos de imensas riquezas petrolíferas. Além de trapaceiros, gananciosos e capazes de até vender a própria mãe;
  • Islamofobia e sentimentos anti-árabes após o atentado do 11 de setembro;
  • Preferência por outras línguas – como o inglês, francês, alemão e até mesmo o japonês;
  • Em tempos de intolerância, é sempre recomendado se informar junto a fontes confiáveis antes de qualquer afirmação, julgamento ou compartilhamento.
  • E para você, que deseja aprender a riqueza e a história de uma das línguas mais faladas no mundo, o Superprof traz uma boa notícia: ainda existem muitas alternativas para estudar esse idioma no Brasil!
  • Pois bem, será que é possível aprender a falar e a escrever em pouco tempo, sem gastar muito e sem sair de casa?

Mas acima de tudo, para você que não quer gastar muito dinheiro com este projeto: como aprender árabe de graça? Você vai ver que alternativas não faltam!

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)Conheça nossos professores

Descubra a língua árabe: 280 milhões de praticantes… E você?

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

Não importa a sua idade, sempre é tempo de começar! Junte-se a os milhões de falantes árabes!

Como afirma Diogo Bercito em seu artigo na Folha de São Paulo, “a língua árabe e o português se encontram por todos os cantos, no Brasil. Algumas palavras vêm de um passado distante, da presença árabe na península Ibérica e do contato entre comerciantes. “Açúcar”, por exemplo. Outras chegam pela política, o esporte e as telenovelas.”

O árabe, como o hebraico, é uma língua semítica. Inglês e francês são línguas indo-europeias. Significa que há pouco em comum entre o árabe e o português. Não apenas no vocabulário, mas também na maneira de pensar a língua.

Mas existem muitos métodos para aprender árabe de graça hoje, e especialmente na internet, como você vai descobrir neste artigo!

Confira também onde fazer aula de arabe.

Aprenda árabe de uma forma divertida online

Busuu: aprenda árabe de graça e em apenas 10 minutos por dia?

Essa linda promessa é marketing ou realidade?

Bom, quer uma curiosidade? O nome Busuu vem de uma língua muito rara, falada apenas nos Camarões e, de acordo com o site, por apenas 8 pessoas! Vamos voltar ao curso agora …

O Busuu é um site, também disponível em aplicativo no smartphone para Android e Apple, que oferece o ensino de idiomas online (são propostos 12 idiomas estrangeiros), disponível nos formatos Free e Premium.

Claro, você vai entender, a conta Premium é paga, mas oferece muitos mais recursos como:

  • Testes oficiais e certificados,
  • Modos off-line para aplicativos de dispositivos móveis
  • Exercícios de gramática
  • E acesso ilimitado a todos os outros cursos de idiomas online.

Tantos recursos podem contribuir ainda mais para a eficiência da sua aula de árabe online! Há planos a partir de  R$ 9,99 por mês se você fizer uma assinatura anual.

No plano básico, o gratuito, são propostos “mapas de apoio visual”, bem como correções por um falante nativo.

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A internet é um pote de tesouros para quem quer aprender um idioma estrangeiro: podcasts, vídeos, aulas com tutoriais, referências bibliográficas… Você só precisa de um bom e confiável guia nesse mar de informações! 🙂

Este é um comentário de um usuário do Busuu Premium:

“Acho o Busuu uma plataforma muito boa para aprender. Você faz seus próprios horários, e isso é muito bom. Confesso que fiquei meio triste e até desanimei um pouco quando atualizei o aplicativo e perdi o registro do meu progresso.

Agora fico com medo de estudar o mesmo assunto duas vezes e só estudo pelo site. O que me limitou um pouco. Mesmo assim continuo gostando e indicando o Busuu a vários amigos. Uma das coisas que mais gosto é de corrigir os exercícios dos estudantes de português.

Sei o quanto é importante e gostaria muito que tivesse mais exercícios para que eu pudesse ficar corrigindo. =P”

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Naturalmente, o Youtube também é uma ferramenta fantástica para aprender árabe gratuitamente on-line. Os cursos de árabe gratuitos são numerosos e elaborados pelos “youtubers pedagógicos”: podcasters, falantes nativos de árabe, professores …

Hoje, no que diz respeito às línguas estrangeiras, a tendência é aprender enquanto se diverte. Por que não! Afinal, nada melhor do que aprender com muitas motivações, não é mesmo?

Todos nós temos o exemplo de um professor que nos fez estudar e progredir com um método inovador e diferente. Pois bem, esteja ciente de que aprender árabe gratuitamente com podcasts e vídeos também é uma metodologia inovadora: baseada no entretenimento.

Em vez de ler centenas de linhas e ficar entediado, comece a aprender o idioma por meio de todos esses vídeos!

Em termos de tutoriais, você encontrará diferentes métodos no Youtube. Em geral, os vídeos tendem para o humor, o que também pode agradar a muitos estudantes, sobretudo os mais jovens. Para aqueles que gostariam de estudar o alfabeto árabe, fazer cursos gratuitos ou descobrir gramática, idem: o Youtube é a ferramenta perfeita!

Veja duas dicas de canais no portal para aprender o idioma:

  • Árabe é Fácil: o canal traz vídeos apresentados pela professora e diplomata Claudia Assaf, que fala e escreve fluentemente a língua árabe padrão, mesmo tendo aprendido esse idioma do zero e depois de adulta. Os vídeos também podem ser encontrados no site Dicas da Diplomata.
  • Fale Árabe: o canal Fale Árabe no Youtube traz uma série de vídeos para quem quer aprender a falar o árabe coloquial. Os vídeos giram em torno de tópicos como a escrita árabe, os costumes, ditados, gírias e provérbios, pedidos dos internautas e dicas da língua que podem ser ensinadas em um minuto.

Alguns grandes meios de comunicação estrangeiros se tonaram especialistas em ensinar sua língua nativa.

Este é particularmente o caso da BBC, obviamente. Seu site é usado por professores e alunos de todo o mundo para aprender inglês. Reportagens de TV, documentos de rádio, exercícios, artigos de recurso, gramática …

  1. Tudo o que for necessário para descobrir o inglês está no site da BBC.
  2. Bem, quando se trata de aprender árabe online gratuitamente, você pode contar com o Al Jazeera!
  3. O grupo de comunicação qatari, que oferece seu canal de televisão em vários idiomas para quase 40 milhões de espectadores em todo o mundo, também tem um site bem abrangente.
  4. E especialmente no que diz respeito à descoberta da língua árabe, cuja mídia é um dos representantes em todo o planeta.

Como aprender árabe rapidamente: do alfabeto ao vocabulário

O árabe é um dos idiomas mais falados no mundo. Mais de 300 milhões de pessoas falam árabe, hoje considerado uma “língua universal” que continua se expandindo. Mas como aprender rapidamente esse idioma cada vez mais valorizado em áreas relacionadas a negócios, economia e relações internacionais? Continue lendo… neste artigo, eu explico!  

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

Aprender árabe é difícil?

Há quem considere este um idioma incompreensível simplesmente por ele ser diferente das línguas indo-europeias. Em função disso, acreditam que aprender árabe rapidamente seria uma tarefa quase impossível… Mas isso não passa de uma ideia pré-concebida.

Há métodos científicos elaborados por especialistas em idiomas que comprovam: aprender árabe é um processo semelhante à aprendizagem de qualquer outro idioma.  

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

O idioma árabe no mundo

Foco no idioma árabe

O árabe é um idioma milenar e universal. Hoje, mais de 300 milhões de pessoas falam árabe. E mais de vinte países tem nessa sua língua oficial.

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O idioma árabe tem duas variantes. Há o árabe moderno padrão, também conhecido como árabe clássico. E há também o árabe popular (do qual, inclusive, há diversas versões).

O idioma nacional e oficial do conjunto de países que compõem o mundo árabe é o árabe clássico. É também o idioma usado na literatura, pela imprensa, etc. O árabe popular é a variante usada no dia a dia.

Ele é composto por palavras originadas em diversos meios, mas guarda sempre as origens do árabe clássico.

Como aprender árabe rapidamente?

Aprenda árabe rapidamente usando a lista básica das 500 palavras árabes mais usadasComo Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

Todos os idiomas falados no mundo contam com uma “lista básica” das palavras mais usadas nas conversas diárias. Esse conceito de “lista básica” reúne as palavras essenciais a dominar. Ou seja: aquilo que precisamos saber para que consigamos nos comunicar minimamente em um idioma.

Para o árabe, essa lista tem cerca de 500 palavras, e é o suporte ideal para aprender o árabe rapidamente. Esse método da “lista básica” nada mais é do que a aplicação do Princípio de Pareto. Sim, o mesmo no qual são baseados os aplicativos MosaLingua — segundo o qual 80% dos efeitos são resultado de 20% das causas.

Seu primeiro passo, então, é ter sua “lista básica”, (você pode começar pelo conteúdo disponível aqui neste Guia de Conversação, por exemplo). Uma lista com as palavras mais usadas no idioma árabe. Em seguida passemos à próxima fase: memorizar e aprender sua lista em apenas um mês. Para conseguir isso, basta aprender 15 palavras por dia. 

Como memorizar o vocabulário árabe?

Para memorizar uma dezena de palavras árabes por dia (ou entre 10 e 15), é indispensável usar o Sistema de Repetição Espaçada (ou Spaced Repetition System, em inglês).

O objetivo desse sistema? Permitir a quem estuda memorizar palavras, conceitos e informações de forma duradoura. Isso, graças ao espaçamento das revisões a serem feitas. Para fazer isso, é preciso estabelecer um planejamento calculado a partir da curva do esquecimento.

Isso permite que você revise as palavras de sua “lista básica” logo antes de esquecê-las.

É claro, você também pode complementar sua “lista básica” com palavras do vocabulário árabe de diversas áreas específicas. Como o vocabulário usado no mundo das notícias, por exemplo, ou em áreas como a comercial, as finanças, a economia, o direito, etc.

Aprender árabe com as palavras originárias desse idioma e incorporadas ao português 

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By: Indi Samarajiva

A presença dos árabes na Península Ibérica durante mais de oito séculos fez com que diversas palavras de origem árabe fossem incorporadas ao português. Elas, sem dúvida, são um bom ponto de apoio na aprendizagem desse idioma.

Uma vez que você já conhece seu significado, basta apenas aprender a transcrição das palavras originais do árabe, e saber como elas são pronunciadas.

Diversas palavras de origem árabes são iniciadas com al-. Trata-se de um artigo invariável que, no árabe, correspondente aos nossos artigos definidos o, a, os, as. No entanto, sem saber disso, os portugueses que ouviram essas palavras acabaram incorporando o artigo à elas. É o caso, por exemplo de termos como:

    • alambique (do árabe al-inbīq);
    • alcachofra (do árabe al-ḫaršūfah);
    • alcateia (do árabe al-qaṭiᶜ);
    • álcool (do árabe al-kuḥul);
    • aldeia (do árabe aḍ-ḍayᶜah);
    • alecrim (do árabe al-iklīl);
    • alface (do árabe al-ḫass);
    • alfaiate (do árabe al-ḫayyāṭ);
    • alfazema (do árabe al-ḫuzāmah);
    • algarismo (do árabe Al-Ḫuwārizmī);

Mais algumas? Aí vão!

  • álgebra (do árabe al-jabr);
  • algema (do árabe al-jāmiᶜah);
  • algodão (do árabe al-quṭn);
  • algoritmo (do árabe Al-Ḫuwārizmī);
  • algoz (do árabe al-guzz);
  • alicate (do árabe al-liqāṭ);
  • almanaque (do árabe al-munāḫ);
  • almofada (do árabe al-miḫaddah);
  • almôndega (do árabe al-bunduqah);
  • almoxarife (do árabe al-mušrif);
  • alvará (do árabe al-barāᵓah).

Aprender árabe a partir de palavras inseridas em “frases padrão”

Aprender e memorizar a “lista básica” de palavras mais usadas no vocabulário árabe é uma etapa importante e necessária, mas não suficiente.

Na realidade, aprender palavras isoladas não é suficiente para aprender um idioma. É preciso também inserir as palavras aprendidas em frases.

E a melhor abordagem, nesse caso, é começar pelas frases padrão, ou seja, as frases mais usadas em conversas cotidianas.

Esse método para  aprender o árabe rapidamente usando frases padrão nos ajuda a aprender pegando um “atalho” que poupa bastante sofrimento aos iniciantes: sem precisar dominar as regras de gramática e conjugação.

Até porque, cá entre nós, não é preciso dominar essas regras para poder expressar-se… Pelo menos, não no início de sua aprendizagem.

As frases padrão que você aprenderá correspondem a um nível inicial no árabe e, provavelmente, permitirão que você se expresse nas situações mais comuns.

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Para ir mais longe…

Uma vez que a questão do método de assimilação do idioma seja conquistada, e as primeiras frases, memorizadas, você pode ir mais longe na aprendizagem do árabe. É hora de se dedicar ao alfabeto e à pronúncia.

Alguns métodos para a aprendizagem do alfabeto

O alfabeto árabe é composto de 28 letras. Para aprender esse alfabeto, é essencial ouvir a vocalização de cada letra.

O esquema de buscar equivalentes para as letras árabes em outros idiomas pode parecer interessante, mas nem sempre resolve! Na realidade, há letras no alfabeto árabe que simplesmente não têm equivalente nos idiomas indo-europeus. Como é o caso da letra  ع, por exemplo.

Então, qual a forma mais eficaz para permitir que você pronuncie corretamente o alfabeto árabe?  Com um pouco de treino,  você vai conseguir fazer isso dividindo a tarefa em duas etapas:

  1. Trabalhar sua escuta : ouvir atentamente a pronúncia correta das letras árabes. Isso, para poder distingui-las e evitar confundir aquelas que se parecem. Esse é o caso, por exemplo, da pronúncia das letras  ذ e ز.
  2. Treinar a pronúncia de todas as letras do alfabeto árabe de forma correta. E, aqui, vale um conselho. Para fazer isso, é interessante estudar a posição correta da língua dentro da boca para pronunciar cada uma das letras.

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O alfabeto árabe

Um outro método eficaz

Uma outra abordagem possível é dividir o alfabeto árabe em três categorias: 

  • As letras ligeiramente pronunciadas (como ت [ta], س  [si], ك   [ka] ,  ذ [dha] ) e as letras cuja pronúncia é enfática (como Sa – com o  “s” como na palavra “sol”) ت  [ta] e ق  [qa]. Esta última letra é pronunciada na garganta, em oposição à letra “ka”, cuja pronúncia vem da boca.
  • As letras que podem ser seguidas de outras letras à direita e à esquerda, e as letras que só permitem ser seguidas de outras letras à direita, que são as seguintes: أ [alif], د  [da], ذ [dha], ر  [raa] (r “duplo”),ز [zayn] e و [waw].
  • As letras variáveis e as letras invariáveis. No árabe, há letras variáveis, que mudam de declinação quando estão no fim da palavra. E também letras invariáveis, que são escrita da mesma forma seja no começo, no meio ou no fim da palavra.

Para começar a trabalhar a correção fonética, assista aos dois vídeos a seguir. Neste primeiro, você vê a grafia e ouve o som de cada letra:

… e neste segundo, pode observar o movimento da boca para formá-las: 

E a transcrição gráfica do alfabeto árabe…

É recomendado que p não se aprenda o alfabeto árabe na ordem tradicional. Na realidade, isso ajuda a evitar confusões. Ajuda a diferenciar entre as letras cuja grafia e a transcrição são muito parecidas e cujos sons, no entanto, são diferentes. O ideal é que, apenas após ter aprendido todas as letras do alfabeto, você aprenda a ordem alfabética tradicional.

Sobre o autor 

Este artigo foi escrito por Salim Kecir, professor do idioma árabe há mais de 15 anos e autor de diversos livros para a aprendizagem do árabe.

Salim trabalha também na plataforma de aprendizagem almodaris.com. A plataforma é voltada ao ensino do árabe para todas as idades e para todos os níveis.Desde já, obrigado por avaliar este artigo.

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Um mundo de imagens para ler

Experimente contar quantas imagens você vê diariamente. São construções em diversos estilos, carros de vários modelos, pessoas vestidas cada uma a seu gosto. Há ainda a poluição visual das cidades, com propagandas e pichações, a televisão, a internet, as fotos de jornais e revistas…

Alunos e alunas usam adereços nos cabelos e enfeitam cadernos com ilustrações de todo tipo. Muitas vezes isso passa despercebido e parece não ter sentido. Ledo engano. Esses elementos visuais estão carregados de informações sobre nossa cultura e o mundo em que vivemos. Portanto, têm muito a ensinar.

A cultura visual – nome desse novo campo de estudo – propõe que as atividades ligadas à Arte passem a ir além de pinturas e esculturas, incorporando publicidade, objetos de uso cotidiano, moda, arquitetura, videoclipes e tantas representações visuais quantas o homem é capaz de produzir.

Trata-se de levar o cotidiano para a sala de aula, explorando a experiência dos estudantes e sua realidade.

Essa “alfabetização visual” dará ao aluno condições de conhecer melhor a sociedade em que vive, interpretar a cultura de sua época e tomar contato com a de outros povos.

Mais: ele vai descobrir as próprias concepções e emoções ao apreciar uma imagem.

“O professor tem de despertar o olhar curioso, para o aluno desvendar, interrogar e produzir alternativas frente às representações do universo visual”, afirma Fernando Hernández, professor da Faculdade de Belas Artes de Barcelona, na Espanha.

Teoria

O arte-educador e pesquisador norte-americano Elliot Eisner escreveu que o ensino se torna mais abrangente quando utiliza representações visuais, pois elas permitem a aprendizagem de tudo o que os textos escritos não conseguem revelar. Com base nisso, um grupo de pesquisadores norte-americanos passou, nos anos 1990, a estudar a ligação da Arte com a Antropologia.

Ganhou o nome de cultura visual e hoje envolve também Arquitetura, Sociologia, Psicologia, Filosofia, Estética, Semiótica, Religião e História. Fernando Hernández é hoje um dos principais pesquisadores do assunto. Ele destaca que estamos imersos numa avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos.

Assim, crianças e adolescentes serão capazes de analisar os significados da imagem, os motivos que levaram à sua realização, como ela se insere na cultura da época, como é consumida pela sociedade e as técnicas utilizadas pelo autor. Na escola, isso significa que o ensino de Arte ganha uma perspectiva mais profunda.

De conhecedor de artistas e estilos, o aluno passar a ser leitor, intérprete e crítico de todas imagens presentes em seu cotidiano

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

Observar, produzir, avaliar O ponto de partida para quem quer trabalhar a cultura visual é ficar atento no mundo à sua volta. Conhecer os objetos que fazem parte da realidade dos alunos e perceber quais são importantes para eles. E, claro, planejar as atividades conforme o projeto pedagógico da escola.

Ao escolher os temas de estudo, dê preferência às imagens que façam sentido para os estudantes. O espanhol Fernando Hernández propõe alguns critérios.

As representações devem ser inquietantes, estar relacionadas com valores comuns a outras culturas, refletir o anseio da comunidade, estar abertas a várias interpretações, ter sentido para a vida das pessoas, expressar valores estéticos, fazer com que o espectador pense, não apenas ser a expressão do narcisismo do artista, olhar para o futuro e não estar obcecadas pela idéia de novidade. “Antes de apresentar determinada imagem à turma, observe-a atentamente e pergunte a si mesmo quais as possibilidades de ensino que ela oferece”, ressalta Teresinha Franz, professora de Arte e Design da Universidade do Estado de Santa Catarina e da Fundação Catarinense de Cultura. Na sala de aula, abra o leque de opções. Levante questões para toda a classe. É provável que surjam outras abordagens, igualmente ricas para o aprendizado (leia mais abaixo no texto Representação da época e da cultura). Se preferir estudar um objeto, ressalte que aquela peça contém várias informações, pode revelar novas culturas e estabelecer relações entre povos, lugares e tempos. Mirian Celeste Martins, professora do Instituto de Arte da Universidade Estadual Paulista e do Espaço Pedagógico, sugere criar uma expectativa na turma “lançando questões provocativas ou apresentando representações diversas do tema que será trabalhado”. Uma página de publicidade de revista pode levar a um passeio pelos quatro cantos do planeta (leia o texto Grande viagem cultural na próxima página).

Um bom jeito de trabalhar é pedir que cada aluno monte uma pasta, tipo portfólio, para registrar os passos do projeto – as impressões sobre cada tarefa são essenciais. No início todos podem escrever uma redação ou um relatório contando o que já sabem sobre o tema.

Ao longo das aulas, comentários devem acompanhar a produção diária (que podem ser desenhos, textos, esculturas…). No final os alunos podem comparar o que sabiam no início do trabalho com o que aprenderam.

Você também vai ter uma visão geral do aprendizado na hora de avaliar.

Imagens efêmere

As imagens em movimento (televisão, videoclipe, videogame, internet, cinema etc.) são chamadas de “efêmeras”. Por isso, devem ser trabalhadas de maneira especial na escola.

Gisa Picosque, especialista em Artes Cênicas e consultora de cursos de formação de professores, sugere que o professor analise e interprete as informações que os alunos memorizaram. Essa seleção mental já revela muito.

“É um momento rico para conhecer os estudantes – e eles a si mesmos – por meio das sensações que as imagens provocaram”, ressalta. Cabe ao professor conhecer os filmes, programas, sites e jogos preferidos dos jovens – e levá-los a abandonar a posição de espectadores passivos.

Pergunte sobre as emoções e sensações provocadas; com quais personagens ou situações a garotada se identifica (e quais provocam estranhamento). Que objetos, personagens e situações são mais marcantes? Por quê?

Em seguida organize as respostas, localize essa produção visual no tempo e no espaço e oriente a classe a realizar as pesquisas necessárias.

O visual da escola

Os estudos sobre cultura visual mostram que as imagens presentes em nosso cotidiano são fundamentais na formação de uma cultura crítica nas crianças e nos jovens.

Como a escola é, desde cedo, um dos principais espaços freqüentados por eles, ela ajuda (ou atrapalha) no processo de alfabetização visual.

Por isso, antes de colar algo na parede de sala, pense: o que esse desenho, foto, mural ou cartaz vai representar para meus alunos? “O educador precisa evitar oferecer aos estudantes um espaço carregado de significados preestabelecidos”, afirma Fernando Hernández.

O alerta vale principalmente para as classes de Educação Infantil. A pretexto de oferecer um ambiente “familiar”, é comum ver as salas decoradas com personagens de histórias infantis e de desenhos animados.

Os especialistas garantem que isso só ajuda a cristalizar estereótipos nos pequenos – e não auxilia em nada no trabalho de educar o olhar.

“O ideal é que os espaços sejam preenchidos com representações criadas pelas próprias crianças”, diz Irene Tourinho, vice-coordenadora do curso de pós-gradução em Cultura Visual da Universidade Federal de Goiás.

Uma idéia: professores e alunos podem levar objetos importantes para eles (brinquedos, objetos de uso pessoal ou da decoração de casa etc.) e montar uma exposição para que todos observem e troquem informações sobre a importância de cada peça para seu dono, um trabalho ao mesmo tempo único e enriquecedor.

Representação da época e da cultura

Loris Gruginski, de Florianópolis, decidiu mostrar a seus alunos de 8ª série da Escola Estadual de Ensino Básico Padre Anchieta como a cultura visual pode ser um instrumento de cidadania e uma forma de expressão estética.

Escolheu um quadro do conterrâneo Victor Meirelles e definiu um objetivo: estudar a cidade pelos olhos do pintor. “Os artistas representam sua época e sua cultura. Nós também podemos ser representantes de nossa época e de nossa cultura”, diz.

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Ao iniciar o trabalho, porém, os estudantes se interessaram também pela moda do século 19, revelando um olhar surpreendente (e mais detalhado) sobre o tema.

Antes de visitar o museu dedicado a Meirelles, Loris levou gravuras para a sala de aula e mergulhou com a turma na obra do pintor. Conhecer como era a cidade 200 anos antes fez a garotada abrir os olhos para a realidade.

“Todos passaram e se preocupar com o bairro em que vivem e seu entorno.” A professora, então, selecionou imagens da cidade e pediu que os jovens fizessem novos quadros dos mesmos locais. Os desenhos e guaches produzidos foram colocados num grande painel, na escola.

Como a moda era também tema de estudos do artista, muitos quiseram se aprofundar nesse aspecto.

Uma parceria com uma universidade local permitiu criar oficinas de confecção de roupas e deu origem a uma série de pesquisas sobre a importância da indústria têxtil para a economia de Santa Catarina – ontem e hoje.

Roteiro para o olhar

O pesquisador norte-americano Robert William Ott, da Penn State University, criou o seguinte roteiro para treinar o olhar sobre obras de arte, mas ele pode ser adaptado a atividades ligadas à cultura visual. O diferencial é fazer sempre a relação com a realidade do aluno:

  • 1) Descrever
  • 2) Analisar
  • 3) Interpretar
  • 4) Fundamentar
  • 5) Revelar

Para aproveitar tudo o que uma imagem pode oferecer, os olhos precisam percorrer o objeto de estudo com atenção. Dê um tempo para a obra se “hospedar” no cérebro. Em sala de aula, peça que todos descrevam o que vêem e elaborem um inventário. É hora de perceber os detalhes. As perguntas feitas pelo professor devem ter por objetivo estimular o aluno a prestar atenção na linguagem visual, com seus elementos, texturas, dimensões, materiais, suportes e técnicas. Um turbilhão de idéias vai invadir a classe e você precisa estar atento a todas elas, para aproveitar as diversas possibilidades pedagógicas. Liste-as e eleja com a turma as que correspondam aos objetivos de ensino. Meninos e meninas devem ter espaço para expressar as próprias interpretações, bem como sentimentos e emoções. Mostre outras manifestações visuais que tratem do mesmo tema e estimule-os a fazer comparações (cores, formas, linhas, organização espacial etc.). Levantadas as questões que balizarão o trabalho, é tarefa dos estudantes buscar respostas. Elabore junto com eles uma lista com os aspectos que provocam curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc. Ofereça textos de diversas áreas do conhecimento para pesquisa e indique bibliografia e sites para consulta, selecionando os textos de acordo com os interesses e o nível de conhecimento da classe. Com tantas novidades e aprendizados, a turma certamente estará estimulada a produzir.

Discuta com todos como gostariam de expor as idéias que agora têm. Quais são essas idéias e como comunicá-las? É hora criar, desenhar, escrever, fazer esculturas, colagens…

Exercício

Como Aprender Árabe: 7 Passos (com Imagens)

A consultora Mirian Celeste Martins mostra, a seguir, como observar objetos do cotidiano e aprender com eles. Neste exemplo ela usou xícaras. Se você escolher outros materiais para explorar com seus alunos, é preciso adaptar as questões. O primeiro passo é fazer uma descrição detalhada, para conhecer as características e funções. Em seguida passe às perguntas.

· Em sua casa as pessoas têm o hábito de tomar café e/ou oferecê-lo às visitas? · Quais as semelhanças e diferenças entre as xícaras ao lado? Descreva-as.

· Para que serve cada um de seus elementos? Por que foram desenhados assim? · Todas estas xícaras são utilizadas hoje? Onde? Por quem? · É possível estimar em que época elas foram feitas? Quais elementos levam a essas hipóteses? Por quem foram produzidas? Em que época? · O que essas imagens provocam em você? Perceba suas emoções e sensações. · Como seu corpo reage às três xícaras e à obra de Regina Silveira? · O que podemos pensar sobre os hábitos de nossa cultura? · Outros povos têm costume de tomar café? Eles produzem outros tipos de xícara? · Por que os americanos tomam a bebida em xícaras grandes? Por que os árabes costumam ler a borra do café que fica no fundo da xícara? · Como seria nosso auto-retrato como xícara? Que tipo de xícara seríamos?

· O que se pode criar com base nas imagens acima? É possível inventar histórias para cada uma, criar personagens com as mesmas características das xícaras? Escrever, desenhar, dramatizar, dançar, esculpir uma cena dessa história? Criar um novo desenho de xícara, pensando em quem tem um grande bigode ou um enorme nariz?

Grande viagem cultural

No início do ano passado, Célia Maria Meirelles começou a estudar a formação do povo brasileiro por meio da arte com suas turmas de 7ª série na Escola Municipal Governador Ildo Meneghetti, em Porto Alegre. Ninguém imaginava que o trabalho se estenderia por mais de um ano – só está previsto para terminar em junho.

Tudo começou com um anúncio que a professora viu numa revista. A página, dividida em quatro faixas horizontais (nas cores vermelha, amarela, branca e preta), tinha os dizeres: “Quando você mistura as cores das quatro raças, você tem a cor da Terra”.

Ela usou o material para cutucar a garotada e convidar todos para uma longa viagem cultural. Antes do embarque, uma reflexão sobre a palavra viagem, ilustrada com imagens de jornais e revistas.

Os alunos descreveram e justificaram suas escolhas, falaram sobre as sensações ao apreciar os trabalhos – que foram usados para encapar o “diário de bordo”, portfólio que registra os passos do aprendizado. A primeira escala foi no Brasil antes da chegada dos portugueses.

Os jovens estudaram o significado das formas geométricas presentes nas pinturas corporais e em cestas e potes. Em seguida produziram peças de cerâmica e madeira. Aproveitando o interesse provocado pela Copa do Mundo na Coréia do Sul e no Japão, a Ásia virou foco de estudo.

Durante uma semana, todos anotaram o que viram nos jornais e ouviram na televisão sobre o Oriente, para compartilhar dúvidas em classe. Depois os alunos participaram de oficinas de origâmis e chapéus típicos de papel-machê e, junto com outros professores, tomaram chá verde em silêncio, como num típico ritual oriental.

A cultura negra rendeu estudos sobre tecidos e jóias, com direito a reprodução de estamparias e adereços – devidamente acompanhados de textos explicativos. Neste ano o trabalho recomeçou com os europeus.

Mas o grande barato é mesmo o produto final bolado por Célia e seus alunos: a montagem de malas que revelassem todas as culturas estudadas, tal qual um turista que guarda objetos dos lugares que visitou para nunca se esquecer do que aprendeu na viagem.

Quer saber mais?

Contatos Escola Estadual Padre Anchieta, R. Rui Barbosa, 525, Florianópolis, SC, 88025-301, tel. (48) 228-0005

Escola Municipal Governador Ildo Meneghetti, R. C, 250, 91160-060, Porto Alegre, RS, tel. (51) 3365-3118

BIBLIOGRAFIA

Cultura Visual, Mudança Educativa e Projeto de Trabalho, Fernando Hernández, 261 págs., Ed.

Artmed, tel. 0800-7033444, 38 reais

Educação para uma Compreensão Crítica da Arte, Teresinha Sueli Franz, 318 págs., Ed. Letras Contemporâneas, tel. (48) 223-0945, 30 reais

Imagens Que Falam, Maria Helena Wagner Rossi, 140 págs., Ed. Mediação, tel. (51) 3311-7177, 24 reais

A Língua do Mundo – Poetizar, Fruir e Conhecer Arte, Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e M. Terezinha Telles Guerra, 197 págs. Ed. FTD, tel. (11) 3253-5011, 37,90 reais

Olhos Que Pintam – A Leitura da Imagem e o Ensino da Arte, Anamelia Bueno Buoro, 252 págs., Ed. Cortez, tel. (11) 3864-0111, 28 reais

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