Como aplicar um torniquete: 9 passos (com imagens)

Primeiros socorros são intervenções que devem ser feitas de maneira rápida, logo após o acidente ou mal súbito, que visam a evitar o agravamento do problema até que um serviço especializado de atendimento chegue até o local. Essas intervenções são muito importantes, pois podem evitar complicações e até mesmo evitar a morte de um indivíduo.

Antes de qualquer procedimento de primeiro socorro, é importante que o socorrista tenha em mente a necessidade de:  

  • Manter a calma;
  • Afastar os curiosos;
  • Garantir que serviço de emergência seja chamado.
Telefones úteis em caso de emergência
Samu 192
Corpo de Bombeiros 193
Disque-intoxicação (Anvisa) 0800-722-6001
Defesa Civil 199
Polícia Militar 190
  • É muito importante salientar que algumas pessoas não estão preparadas para realizar os primeiros socorros e, portanto, o ideal é que deixe outra pessoa realizar os procedimentos adequados e auxiliar de outra maneira, como, buscando socorro.
  • Leia também: 10 principais causas de morte no mundo

Não pare agora… Tem mais depois da publicidade 😉

Omissão de socorro

A omissão de socorro é considerada crime em nosso país.Segundo o Decreto-Lei Nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, deixar de prestar assistência a uma pessoa em risco pode resultar em detenção ou multa. Veja o art. 135 que aborda o tema:

  1. Art. 135 – Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
  2. Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
  3. Parágrafo único – A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

Primeiros socorros em caso de queimaduras

Queimaduras são situações relativamente comuns no nosso dia a dia.

Elas são classificadas, de acordo com o dano causado, em queimadura de primeiro grau, queimadura de segundo grau e queimadura de terceiro grau.

A queimadura de primeiro grau afeta apenas a epiderme (camada mais externa da pele), já a de segundo grau afeta a derme e epiderme, enquanto a de terceiro grau atinge também o tecido abaixo da pele.

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens) Em caso de queimadura leve, é importante colocar a região queimada em água corrente.

O primeiro passo em caso de queimadura é retirar a pessoa da região próxima à fonte de calor. Feito isso, deve-se avaliar a lesão. Se o dano for leve, recomenda-se lavar o local com água corrente ou colocar compressas de soro fisiológico para reduzir a temperatura do local. Caso apareçam bolhas, elas nunca devem ser furadas.

Se ao avaliar a lesão, você perceber que o dano é grave, é fundamental procurar ajuda médica imediatamente. Outro ponto importante é nunca passar no local nenhuma substância caseira nem mesmo medicamentos sem que sejam recomendados por um médico.

Primeiros socorros em casos de intoxicações

As intoxicações ocorrem em consequência à ingestão, inalação ou contato com a pele de determinadas substâncias.

Plantas tóxicas, alimentos contaminados, produtos de limpeza, remédios, soda, inseticidas e formicidas são exemplos de produtos que podem causar intoxicações.

As intoxicações podem ser identificadas por causar, por exemplo, irritação nos olhos, garganta e nariz, salivação abundante, vômito, diarreia, convulsões, queda de temperatura, asfixia, tontura e sonolência.

Em caso de intoxicações, o recomendado é identificar o agente causador da intoxicação e solicitar atendimento especializado. A pessoa, nesse momento, deve ser deixada imóvel e caso a intoxicação seja por produtos derivados de petróleo e corrosivos, como soda cáustica, alvejantes, tira ferrugem, amônia, gasolina, querosene e benzina, não se pode provocar vômito.

Leia também: Plantas tóxicas

Primeiros socorros em caso de picada de serpente peçonhenta

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens) Algumas serpentes apresentam toxinas que podem levar à morte, sendo fundamental atendimento rápido.

Algumas serpentes são capazes de injetar toxinas que podem causar grandes danos ao organismo e até mesmo a morte. Sendo assim, em caso de acidente com serpentes, é importante realizar alguns procedimentos rapidamente.

Os primeiros socorros consistem em lavar a área da picada com água e sabão, colocar o acidentado em posição confortável, de preferência deixando a vítima deitada com a área afetada em um nível abaixo do coração e levar a vítima ao atendimento médico mais rápido. É fundamental não aplicar qualquer substância, não fazer cortes no local e nem amarrar ou fazer torniquetes. Outro ponto importante é não deixar a vítima locomover-se por meios próprios. Caso seja possível, levar a cobra para a identificação.

Leia também: Serpentes peçonhentas brasileiras

Primeiros socorros em caso de engasgo

O engasgo ocorre quando algum alimento ou um objeto bloqueia as vias respiratórias, impedindo a realização da respiração. Por impedir que a vítima respire, um socorro rápido é necessário para evitar a morte por asfixia.

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens) A manobra de Heimlich visa a eliminar o objeto que está bloqueando as vias respiratórias.

Inicialmente, o socorrista deve acalmar a vítima e, posteriormente, aplicar a técnica conhecida como manobra de Heimlich. Nessa manobra, o socorrista posiciona-se logo atrás da vítima e coloca o braço ao redor abdome dela.

Uma mão fica fechada sobre a boca do estômago e a outra mão é posicionada em cima da primeira e a comprime.

Os movimentos de compressão deverão ser feitos para dentro e para cima, permitindo que o objeto que está bloqueando a via respiratória seja eliminado.

Em bebês, deve-se colocar a criança com a barriga para baixo sobre seu antebraço, deixando a cabeça mais baixa que o corpo, e dar cinco pancadas utilizando o punho da mão.

Vire a criança para cima apoiando sua cabeça e deixando-a mais baixa que o corpo e observe se ocorreu a saída do objeto. Caso o objeto não tenha saído, aplique cinco compressões rápidas no tórax entre a linha dos mamilos utilizando os dois dedos maiores da mão.

Se as manobras não funcionarem, pedir ajuda rapidamente e continuar tentando o procedimento.

Primeiros socorros em caso de fraturas

Dizemos que ocorreu uma fratura quando o osso perde sua continuidade. A fratura pode ser exposta quando a pele é rompida e pode-se ver o osso, e fechada quando a pele não se rompe. Em ambos os casos, é fundamental ajuda médica profissional para que a recuperação do osso seja feita de maneira adequada.

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens) Em caso de fratura deve-se imobilizar o local lesionado.

Primeiramente, o socorrista deve imobilizar a região acometida para evitar a movimentação dos fragmentos dos ossos lesionados. Não se deve tentar colocar o osso no local, pois isso pode agravar o quadro, caso seja feito de maneira inadequada.

Leia também:  Como bloquear alguém no twitter: 5 passos (com imagens)

Em caso de fraturas expostas, é necessário tentar controlar, caso esteja presente, a hemorragia com um pano limpo que deve ser colocado sobre o local e pressionado.

Lembre-se que fraturas em costas e pescoço necessitam de mais atenção e a movimentação só deve ser feita por profissionais.

Leia também: Diferença entre fratura, entorse e luxação

Primeiros socorros em caso de desmaio

O desmaio caracteriza-se como uma perda transitória de consciência e, diferentemente do que muitos pensam, geralmente, não é uma situação que é considerada uma ameaça à vida.

O desmaio pode ser causado por diferentes causas como, por exemplo, hipoglicemia, cansaço, fortes emoções, calor intenso, dores e mudanças súbitas de posição.

Os maiores problemas decorrentes de desmaio estão no fato de que a queda pode levar ao desenvolvimento de lesões.

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens) Apesar de o desmaio ser uma situação que preocupa muitas pessoas, geralmente, não causa ameaça à vida.

Ao presenciar um desmaio, algumas medidas podem ser tomadas, como deitar a vítima, afrouxar suas roupas, garantir que o ambiente fique arejado e elevar os membros inferiores. Caso a pessoa sinta a sensação de que irá desmaiar, essa pode ser orientada a se sentar e colocar a cabeça entre os joelhos ou então se deitar.

Primeiros socorros em caso de convulsão

As convulsões podem ser definidas como crises epiléticas em que se observa um acometimento do sistema motor, geralmente, desencadeando uma série de contrações musculares violentas, salivação, palidez, lábios azulados e perda da consciência.

Em caso de convulsões, algumas medidas são importantes, sendo a primeira delas tentar evitar que a vítima caia desamparadamente. Tente deitar a vítima e afastar de perto dela objetos que podem ser perigosos. Suas roupas devem ser afrouxadas e o rosto virado para o lado para evitar engasgos.

Não se deve interferir nos movimentos, nem colocar objetos entre os dentes da vítima. Quando a convulsão passar, mantenha a vítima deitada até a recuperação da consciência. Caso a convulsão demore mais de 5 minutos, é essencial chamar o serviço de emergência.

Por Ma. Vanessa Sardinha dos Santos

Torniquete: uma ferramenta salvadora de vidas

Como Aplicar um Torniquete: 9 Passos (com Imagens)

Tenha acesso ilimitado a todos os artigos, quizzes e casos clínicos do Portal PEBMED.

Faça seu login ou inscreva-se gratuitamente!

Tempo de leitura: 5 minutos.

A despeito da trágica realidade das guerras pelo mundo, é inegável que tais eventos trouxeram grande avanço na medicina e uma vasta base de dados para pesquisa que dificilmente seria obtida em ambiente civil ou mesmo em ambiente militar em tempos de paz. Em respeito às vidas perdidas, é nosso dever utilizar todo o conhecimento adquirido na prevenção de novas mortes.

Um exemplo de ferramenta que teve grande parte de sua evolução (com diversas fases de amor e ódio) construída em episódios de guerra é o torniquete.

Torniquetes são dispositivos de contenção de hemorragias que são aplicados nos membros (inferiores e superiores) geralmente para conter lesões de extremidades exsanguinantes.

O primeiro relato data de 1674, durante a guerra franco-holandesa, onde teria sido utilizado em campo de batalha por Morel.

1 Desde então, ao longo da história, (e por muitas guerras – primeira e segundas guerras mundiais, Coreia, Vietnã e a Guerra Civil espanhola são apenas alguns exemplos) seu uso passou por muitos debates até chegar aos dias de hoje, onde temos evidências científicas para embasar condutas.

O uso de torniquetes mostrou-se efetivo na realização de hemostasia temporária e redução de mortalidade por lesões de extremidades com risco mínimo de complicações relacionadas diretamente a seu uso em campo de batalha.3  

O atentado terrorista ocorrido durante a maratona de Boston (2013) foi o primeiro grande ataque terrorista da era moderna nos EUA onde houve diversas lesões graves (semelhante a lesões de guerra) em extremidades de membros inferiores.

4  Por conta disso, foi possível avaliar sua eficácia também em ambiente civil pré-hospitalar. Os resultados foram animadores.

Em ambiente civil pré-hospitalar os resultados foram compatíveis com os dados extraídos das pesquisas realizadas em ambiente militar.

Leia mais: Controle o sangramento! Segundos fazem a diferença

Ou seja, eficácia na contenção de hemorragias com pequena chance de complicações relacionadas diretamente ao seu uso. Foi evidenciado o uso de torniquete no ambiente civil pré-hospitalar como fator isolado de redução de seis vezes na mortalidade nos pacientes vítimas de lesões de extremidades com sangramento ameaçador à vida.5  

Enquanto em países da América do Norte e em vários países europeus há atualmente uma tentativa de informar a importância da contenção de sangramentos com o uso de torniquetes e de garantir o acesso em massa a treinamentos e materiais para controle de hemorragias; ao ponto de muitas vezes, em locais onde há Desfibrilador Externo Automático (DEA) disponível, haver também um kit para casos de trauma. e nos Estados Unidos existir,

Ainda temos muito a avançar no Brasil quando o assunto é conscientização da população (leiga e de profissionais da saúde) sobre a importância do uso de torniquetes e qual a melhor maneira de aplicá-los. Nos Estados Unidos, por exemplo, há um Dia Nacional de Controle do Sangramento (National stop the bleed day em tradução livre), criado em 23 de maio de 2018.

Pontos a serem considerados sobre torniquetes

O uso do torniquete é prejudicial pois causa lesão e perda de membros?

Não.

É importante frisar que em uma época em que o tempo resposta de atendimento aos traumas de extremidade e o tempo para evacuação de soldados feridos eram prolongados, em eventos mais recentes (guerras do Iraque e Afeganistão) o número de lesões e amputações pelo uso de torniquetes caiu muito devido ao acesso de todos os membros das forças armadas dos EUA a torniquetes táticos e treinamento de como utilizá-los e às remoções rápidas por helicóptero de militares feridos.

Os dados evidenciam um número muito baixo de complicações (2% de todas as complicações dos pacientes traumatizados que usaram torniquete) e muitas vezes não se pode determinar se essas complicações foram causadas pelo torniquete ou pelo trauma inicial.6   Pode-se utilizar um torniquete por até duas horas sem medo de complicações.7   

Um bom torniquete pode ser improvisado com quase qualquer material?

Não.

Apesar de amplamente difundida, essa informação não é verdadeira. Torniquetes improvisados tendem a criar o chamado torniquete venoso, causando a falsa impressão de que a hemorragia foi contida e podendo resultar em um sangramento paradoxal que leva a sangramentos maiores do que se não fosse aplicado nenhum torniquete.8   

Leia também:  Como baixar o windows movie maker: 11 passos

O uso de torniquetes não é tão difundido por que o treinamento é difícil?

Não.

Com tantas informações erradas disponíveis sobre o assunto, poderíamos até pensar que sim. Porém, alguns estudos mostram que mesmo treinamentos mínimos (menos de um minuto de duração) fazem com que as pessoas treinadas sejam eficientes em aplicar corretamente um torniquete.9      

Como deve ser um torniquete para que seja eficaz?

Como já vimos, o uso de torniquetes improvisados é fortemente desaconselhado. Um bom torniquete (assim são feitos os produtos fabricados para este fim) tem pelo menos 4 cm de largura e cerca de 95 cm quando totalmente aberto (esse comprimento serve para garantir que o torniquete dê pelo menos mais do que uma volta completa no membro), garantindo sua correta fixação.

Como devo aplicar o torniquete?

  • Utilize o torniquete para conter hemorragias em membros sempre que a compressão direta não puder ser realizada ou não for efetiva.
  • O torniquete deve ser aplicado no membro afetado cerca de 5 a 7 cm em posição proximal à lesão.
  • Não aplicar sobre articulações. Caso a lesão esteja próxima a um articulação, posicione o torniquete acima da articulação.
  • Aperte o torniquete até que o sangramento pare completamente.
  • A correta aplicação do torniquete dói bastante. Avise isso ao paciente.
  • Pode ser colocado por cima das roupas. (Mas tenha cuidado para não aplicar em cima de objetos dentro dos bolsos da vítima, por exemplo).
  • Caso um torniquete não seja suficiente para interromper completamente o sangramento, pode-se utilizar mais um torniquete em posição proximal ao primeiro.
  • O torniquete pode ser aplicado em outras pessoas ou a própria vítima pode aplicar em si mesma.
  • Registre o horário de aplicação no torniquete.
  • Não afrouxe ou retire o torniquete (Somente deve ser retirado no momento em que possa ser feita a correção da lesão).

Utilize e multiplique essas informações. A única coisa mais trágica que uma morte é uma morte que poderia ter sido evitada.

É médico e quer ser colunista do Portal da PEBMED? Inscreva-se aqui!

Autor:

Médico Emergencista • Coordenador Médico SOMARR (Serviço OTO de Medicina Assistencial e Resposta) • Coordenador Médico do Time de Resposta Rápida da Santa Casa de Fortaleza • Preceptor das Residências de Medicina de Emergência da ESP – CE e IJF

Referências:

  1. Welling DR, McKay PL, Rasmussen TE, Rich NM. A brief history of the tourniquet. J Vasc Surg 2012;55:286e290.
  2. King DR, Larentzakis A, Ramly EP. Tourniquet use at the boston marathon bombing: lost in translation. J Trauma Acute Care Surg 2015;78:5949.
  3. Kotwal RS, Montgomery HR, Kotwal BM, et al. Eliminating preventable death on the battlefield. Arch Surg 2011;146:1350e1358.
  4. KapurGB, Hutson HR, Davis MA, Rice PL. The United States twenty-year experience with bombing incidents: implications for terrorism preparedness and medical response. J Trauma. 2005;59(6):1436Y1444.
  5. Teixeira PGR, Brown CVR, Emigh B, Long M, Foreman M, Eastridge B, Gale S, Truitt MS, Dissanaike S, Duane T, et al. Civilian Prehospital tourniquet use is associated with improved survival in patients with peripheral vascular injury. J Am Coll Surg. 2018;226(5):769–776.e1.
  6. Kragh Jr JF, Walters TJ, Baer DG, Fox CJ, Wade CE, Salinas J, et al. Survival with emergency tourniquet use to stop bleeding in major limb trauma. Ann Surg 2009;249(1):1–7.
  7. Bulger EM, Snyder D, Schoelles K, Gotschall C, Dawson D, Lang E, et al. An evidence-based prehospital guideline for external hemorrhage control: American College of Surgeons Committee on trauma. Prehosp Emerg Care 2014;18(2):163–73.
  8. Kragh JF Jr., O’Neill ML, Walters TJ, Dubick MA, Baer DG, Wade CE, Holcomb JB, Blackbourne LH. Minor morbidity with emergency tourniquet use to stop bleeding in severe limb trauma: research, history, and reconciling advocates and abolitionists. Mil Med. 2011;176(7):817Y823.
  9. Wall PL, Welander JD, Singh A, Sidwell RA, Buising CM. Stretch and wrap style tourniquet effectiveness with minimal training. Mil Med. 2012;177(11):1366Y1373.

O XABCDE do Trauma: A Atualização na PHTLS 9ª edição

Você sabia?

O MNEMÔNICO mais famoso do TRAUMA “ABCDE”, foi REVISADO!

No paciente crítico de trauma multissistêmico, a prioridade para o cuidado é a rápida identificação e gestão de condições de risco de vida. A avassaladora maioria dos pacientes com trauma tem lesões que envolvem apenas um sistema (por exemplo, uma fratura isolada do membro).

Para estes pacientes com trauma em um único sistema, há mais tempo para se aprofundar na pesquisa primária e secundária. Para o paciente gravemente ferido, o prestador de cuidados pré-hospitalares pode não ser capaz de conduzir mais do que uma pesquisa primária.

Nestes pacientes críticos, a ênfase está em avaliação rápida, inicio de ressuscitação e transporte p ara uma instalação médica apropriada. A ênfase no transporte rápido não elimina a necessidade de tratamento pré-hospitalar.

Pelo contrário, o tratamento d eve ser feito mais rapidamente e de forma mais eficiente e/ou possivelmente iniciado a caminho da instalação de recebimento.

O estabelecimento rápido de prioridades e avaliação inicial e o reconhecimento de lesões que ameaçam a vida devem enraizar-se no prestador de cuidados pré -hospitalares.

Portanto, os componentes dos inquéritos primário e secundário devem ser memorizado s e a progressão lógica de prioridades, avaliação e tratamento.

O operador deve entender e realizar da mesma maneira todas as vezes, independentemente da gravidade do prejuízo.

Deve pensar sobre a fisiopatologia das lesões e condições de um paciente. Uma das condições m ais comuns de risco de vida em trauma é a falta de oxigenação tecidual adequada (choque), que leva ao metabolismo anaeróbico (sem oxigênio). Metabolismo é o mecanismo pelo qual as células produzem energia.

  • Quatro etapas são necessárias para o metabolismo normal:
  • (1) Uma quantidade adequada de hemácias;
  • (2) Oxigenação das hemácias nos pulmões,
  • (3) Entrega de hemácias às células ao longo o corpo e
  • (4) Descarregamento de oxigênio para essas células.
  • As atividades envolvidas na pesquisa primária são voltadas a identificação e correção de problemas com essas etapas.

Uma Observação:

Um paciente traumatizado multissistêmico tem lesões envolvendo mais de um sistema corporal, incluindo o pulmonar, circulatório, neurológico, gastrointestinal, sistemas musculoesquelético e tegumentar.

Um exemplo seria um paciente envolvido em um acidente automobilístico que resulte um traumatismo cranioencefálico (TCE), contusões pulmonares , lesão esplênica com choque, e uma fratura de fêmur. Um paciente traumático de um único sistema tem lesão apenas em um sistema do corpo.

Leia também:  Como apagar todas as suas conversas do snapchat: 6 passos

Um exemplo seria um paciente com uma fratura isolada do tornozelo e nenhuma evidência de perda de sangue ou choque. Os pacientes geralmente podem ter mais de um a lesão nesse único sistema.

A pesquisa principal começa com uma rápida visão global do estado respiratório, circulatório e sistemas neurológicos do paciente, para identificar ameaças óbvias à vida ou membro, como evidências de hemorragia compressível grave; comprometimento de vias aéreas, respiração ou circulação; ou deformidades brutas. Ao se aproximar inicialmente de um paciente, o prestador de cuidados pré-hospitalares deve procurar hemorragias severas compressíveis e observa se o paciente parece buscar o ar de forma eficaz, esteja desperto ou não responda e se está movendo-se espontaneamente.

Uma vez ao lado do paciente, o provedor se apresenta ao paciente e pergunta seu nome.

Um próximo passo razoável é perguntar, “O que aconteceu com você?” Se o paciente parece confortável e responde co m uma explicação coerente e frases completas, o provedor pode concluir que o paciente tem uma via aérea pérvia, função respiratória suficiente para apoiar a fala, perfusão cerebral adequada e razoável funcionamento neurológico; isto é, provavelmente não há nenhuma ameaça imediata à vida deste paciente.

Se um paciente não puder fornecer tal resposta ou parece em perigo, uma pesquisa preliminar detalhada para identificar problemas com risco de vida deve ser iniciada.

Dentro de alguns segundos, uma impressão da condição geral do paciente deve ser obtida.

Ao avaliar rapidamente as funções vitais, a pesquisa primária serve para estabelecer se o paciente está aparente ou iminente em estado crítico.

O levantamento primário deve proceder rapidamente e de forma lógica a ordem. Se o prestador de cuidados pré-hospitalares estiver sozinho,intervenções podem ser realizadas quando condições de risco de vida são identificados.

Se o problema é facilmente corrigível, como aspirar uma via aérea ou colocar um torniquete, o provedor pode optar por resolver o problema antes de prosseguir para o próximo passo.

Por outro lado, se o problema não puder ser rapidamente controlado no local, como choque resultante de suspeita de hemorragia interna, o restante da pesquisa primária é completada rapidamente.

Se há mais de um operador, um pode completar a pesquisa primária, enquanto outro inicia o tratamento dos problemas identificados.

Quando várias condições críticas são identificadas, a pesquisa primária permite que o operador estabeleça prioridades no tratamento.

Em geral, a hemorragia externa compressível é gerida primeiro, uma questão das vias aéreas é gerida antes se é
um problema respiratório e assim por diante.

A mesma abordagem de pesquisa primária é utilizada independentemente do tipo de paciente. Todos os pacientes, incluindo idosos, pediátricos, ou pacientes grávidas, são avaliados de forma semelhante assegurando que todos os componentes da avaliação sejam realizados e que nenhuma patologia significativa seja perdida.

Semelhante ao ACLS, em que a prioridade da pesquisa primaria mudou de ABC para CAB, a pesquisa principal do paciente vítima de trauma agora enfatiza o controle de sangramento externo com risco de vida como o primeiro passo da sequência. Enquanto as etapas da pesquisa primária são ensinadas e exibidas de forma sequencial, muitos dos passos podem, e devem, ser realizados simultaneamente. Os passos podem ser lembrados usando o mnemônico XABCDE:

No X, há a contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto período de tempo, o que mais mata no trauma são as hemorragias graves.

A – Gerenciamento de Vias Aéreas e Estabilização da Coluna Cervical

No A, deve-se realizar a avaliação das vias aéreas. No atendimento pré-hospitalar, 66-85% das mortes evitáveis ocorrem por obstrução de vias aéreas. Para manutenção das vias aéreas  utiliza-se das técnicas: “chin lift”: elevação do queixo, uso de aspirador de ponta rígida, “jaw thrust”: anteriorização da mandíbula, cânula orofaríngea (Guedel).

No A também, realiza-se a proteção da coluna cervical. Em vítimas conscientes, a equipe de socorro deve se aproximar da vítima pela frente, para evitar que mova a cabeça para os lados durante o olhar, podendo causar lesões medulares.

A imobilização deve ser de toda a coluna, não se limitando a coluna cervical. Para isso, uma prancha rígida deve ser utilizada.

Considere uma lesão da coluna cervical em todo doente com traumatismos multissistêmicos!

B – Respiração (ventilação e oxigenação)

No B, o socorrista deve analisar se a respiração está adequada. A frequência respiratória, inspeção dos movimentos torácicos, cianose, desvio de traqueia e observação da musculatura acessória são parâmetros analisados nessa fase.

Para tal, é necessário expor o tórax do paciente, realizar inspeção, palpação, ausculta e percussão. Verificar se a respiração é eficaz e se o paciente está bem oxigenado.

C – Circulação (perfusão e outras hemorragias)

No C, a circulação e a pesquisa por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A maioria das hemorragias é estancada pela compressão direta do foco. A Hemorragia é a principal causa de morte no trauma.

Entenda as Diferenças no X e no C!

A diferença entre o “X” e o “C” é que o X se refere a hemorragias externas, grandes hemorragias.

Já o “C” refere-se a hemorragias internas, onde deve-se investigar perdas de volume sanguíneo não visível, analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma (pelve, abdome e membros inferiores), avaliando sinais clínicos de hemorragia como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e comprometimento do nível e qualidade de consciência.

D – Deficiência

No D, a análise do nível de consciência, tamanho e reatividade das pupilas, presença de hérnia cerebral, sinais de lateralização e o nível de lesão medular são medidas realizadas.

Nessa fase, o objetivo principal é minimizar as chances de lesão secundária pela manutenção da perfusão adequada do tecido cerebral. Importante aplicar a escala de Coma de Glasgow atualizada.

E – Expor / ambiente

No E, a análise da extensão das lesões e o controle do ambiente com prevenção da hipotermia são as principais medidas realizadas. O socorrista deve analisar sinais de trauma, sangramento, manchas na pele etc.

A parte do corpo que não está exposta pode esconder a lesão mais grave que acomete o paciente.

FONTE:

Original content here is published under these license terms:  X 
License Type: Read Only
License Abstract: You may read the original content in the context in which it is published (at this web address). No other copying or use is permitted without written agreement from the author.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*