Como aplicar o tratamento de silêncio em alguém

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em Alguém
Podiam estar vários dias sem
falar e os motivos nem sempre eram óbvios. Às vezes era algo que João dizia e
de que Mariana não gostava que a levava a fechar-se na sua concha. Outras vezes
era um pedido que ficava por atender e a mágoa que sentia levava-a a
“retirar-se”. Fisicamente continuava lá, muitas vezes respondendo ao essencial,
mantendo a cordialidade. Do ponto de vista dos afetos a mudança era radical –
«Como se fosse outra pessoa», afirmava João. Sentia-se castigado, desprezado e
cada vez mais frágil. Com a passagem do tempo e as infrutíferas tentativas de
reaproximação, a situação piorou. «A páginas tantas, eram mais as vezes em que
eu desconhecia os motivos do amuo. Podia ser qualquer coisa. Bastava que eu me
desviasse do que a minha mulher tinha pensado. Além disso, a duração do
silêncio podia ser de semanas».

É difícil imaginar que haja
casais que possam estar semanas sem falar mas esta é a realidade de muitas
pessoas com quem tenho trabalhado. O tratamento do silêncio é uma forma de
abuso emocional que tem como objetivo impor a própria vontade. De resto, é
quase sempre assim quando falamos de violência emocional: a pessoa que pratica
os abusos (e que até pode estar convencida de que não há violência nos seus
atos) procura controlar o comportamento do companheiro desrespeitando-o.

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em Alguém

 Não é por acaso que se ouve dizer que uma
relação feliz também é feita de desencontros e cedências. Quando a pessoa de
quem gostamos nos magoa, tem uma perspetiva muito diferente da nossa ou pura e
simplesmente não faz aquilo que esperávamos é normal que nos sintamos
frustrados.

Momentaneamente temos o direito de sentir raiva e pode ser prudente
dizer «Preciso de um tempo sozinho(a)». De uma maneira geral, falo de uns 30
minutos até que a pessoa seja capaz de se acalmar e esteja disponível para
conversar.

Quando isto acontece, aquilo que a pessoa mostra é:

«Estou triste/ magoado(a) contigo mas quero perceber aquilo que sentes

e quero que saibas o que eu sinto».

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em Alguém

Está demasiado centrada nas suas
necessidades e utiliza a retirada dos gestos de afeto para castigar e impor a
sua vontade. Muitas vezes o amuo só desaparece depois de a sua vontade ser
satisfeita. E, mesmo assim, pode levar algum tempo até que a normalidade seja
resposta. O que importa é passar a mensagem:

«Se te desvias daquilo que eu espero de ti, castigo-te».

Se é alvo desta forma de abuso
emocional, saiba o que deve fazer:

  • Tome consciência de que se trata
    de uma forma de desrespeito e NÃO tente uma reaproximação.
  • Saia de cena. Mostre de forma
    clara que não vai ficar “ali” durante o castigo.
  • Foque-se em qualquer atividade
    que lhe dê prazer e/ou permita que se distraia do foco de tensão. Vá ao cinema,
    faça desporto, saia com amigos.
  • Quando o seu companheiro quiser
    voltar ao assunto que motivou o amuo, sinalize esta forma de abuso. Diga de
    forma clara «Não vou permitir que me desrespeites desta forma».
  • Foque-se na sua recuperação. O
    abuso emocional deixa marcas profundas na autoestima. Procure ajuda
    especializada e obtenha ferramentas para identificar e dar resposta a todas as
    formas de abuso de que possa estar a ser alvo.

O tratamento do silêncio, bem
como outras formas de violência emocional, não existe apenas nas relações
amorosas. Muitas vezes está presente na relação entre pais e filhos, entre
amigos ou em contexto profissional. Por se tratar tantas vezes de exercícios subtis
de manipulação, pode ser difícil para a pessoa que esteja a ser alvo de abuso
emocional identificar o problema. A ajuda psicoterapêutica é uma forma sólida
de ganhar poder sobre a própria vida, impondo limites e resgatando a
possibilidade de ser feliz.

Silêncio em doses: uma forma de manipulação

O silêncio em doses pode ser uma forma, como muitas outras, de agressão passiva.

Ela se define como um controle calculado da comunicação na qual o silêncio desempenha um papel fundamental e tem como objetivo controlar e enfraquecer a outra pessoa ou a sua posição. Nem sempre se manipula através das palavras.

A manipulação também ocorre por meio dos silêncios. Essa última estratégia é muito prejudicial por utilizar uma máscara mais camaleônica.

É chamada de silêncio em doses porque não é constante, como acontece quando alguém o ignora ou para de falar com você.

Nesse tipo de manipulação, mistura-se o encontro com o desencontro, a expressão e a falta dela. Tudo isso acontece de maneira arbitrária.

É o manipulador que decide o ritmo da comunicação na busca do seu interesse para quem o outro é apenas um instrumento.

“Às vezes, o silêncio é a pior mentira.”
-Miguel de Unamuno-

Como o silêncio é uma forma de expressão que se mostra muito ambígua, o mais comum é que a vítima se sinta bastante confusa ou angustiada.

Ela não sabe o que pensar e gasta muito tempo, além de energia emocional, tentando adivinhar o que cada silêncio quer dizer. Ela se sente insegura e hesita antes de dar qualquer passo.

Muitas vezes, acaba pensando que é ela quem tem um problema, ou que não sabe interpretar ou dá uma importância exagerada aos silêncios.

Como o silêncio em doses se manifesta?

O silêncio em doses se manifesta de muitas maneiras. Uma bastante comum acontece quando o manipulador tenta fazer você falar primeiro sobre tudo. Não é uma cortesia. A pessoa deixa você falar para sondar sua vida, para obter informações sobre você e estudar a situação.

Por outro lado, cuidado, nem todo mundo que deixa você falar primeiro está te manipulando. Para se caracterizar como manipulação, é preciso que esse comportamento seja frequente ou constante, intencionado, e que não seja correspondido.

Essa pessoa vai falar pouco sobre si mesma ou o fará sendo evasiva.

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em Alguém

Outra forma por meio da qual o silêncio em doses se apresenta é quando alguém quebra a comunicação subitamente e, em seguida, a retoma inesperadamente também.

Quando ela para de responder ligações ou mensagens sem dar nenhuma explicação. Depois de um tempo, a pessoa aparece como se nada tivesse acontecido.

E se você perguntar quais os motivos do distanciamento, a pessoa dirá que não aconteceu nada, que foi uma impressão equivocada sua.

Do mesmo modo, o silêncio em doses aparece quando se impõe uma espécie de censura sobre certos temas, sem explicação. Quando você tenta conversar sobre isso, a pessoa simplesmente foge do assunto ou se nega a dar detalhes.

Isso, com certeza, se aplica a assuntos importantes para ambas as partes.

O ruim não é uma pessoa não querer falar sobre alguma coisa em particular, mas o fato de ser sistemática e não dar nenhuma explicação sobre sua atitude, sabendo que esta afeta a outra pessoa.

Finalmente, outra forma bastante comum de silêncio em doses é não falar alguma coisa porque, supostamente, não saber seria melhor para o outro. Essa estratégia se aplica a assuntos que dizem respeito exatamente a esse alguém de quem se está ocultando a informação.

A palavra é poder e o silêncio também

O que distingue um silêncio manipulador de um silêncio espontâneo é o propósito.

Quem recorre a essa estratégia de se esconder na ausência de palavras a utiliza com o objetivo de controlar o outro.

A pessoa sabe que provoca uma incerteza, que projeta insegurança, e é exatamente isso que ela busca. Ao se esconder no silêncio, a pessoa deixa o outro sem ferramentas para agir em igualdade de condições.

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em Alguém

Não se deve confundir o silêncio manipulador com a timidez. Nem todo mundo tem facilidade para se comunicar espontaneamente. Há pessoas que precisam de tempo e compreensão para expressar o que pensam e sentem. Elas não falam por causa da timidez ou falta de confiança. No entanto, seu objetivo não é controlar as outras pessoas, mas se proteger.

O silêncio em doses se diferencia pelo efeito que provoca na outra pessoa. É alternado com uma comunicação aparentemente “normal”. É uma ausência de palavras que dá a sensação de estar escondendo alguma coisa.

Como é sutil, essa estratégia dificilmente pode ser confrontada, sob pena de quem a confronta ser acusado de paranoico ou fantasioso.

Contudo, por mais sutil que seja, provoca muito dano em um relacionamento e, especialmente, na pessoa que é objeto dessa prática.

Esse tipo de silêncio pode ser extremamente agressivo principalmente porque mergulha a comunicação em um terreno lamacento. Os mal-entendidos e as suposições viram rotineiros.

E o abuso como tal dificilmente aparece claramente, exceto por seus efeitos.

Se o outro, depois de você ter mostrado sua atitude, não parar de usar essa prática tão tóxica, não resta outra saída senão uma negação direta e explícita, além, é claro, do afastamento.

Imagens cortesia de Pablo Thecuadro.

O tratamento do silêncio é um método de punição psicológica

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em AlguémYoung couple having relationship difficulties, indoor shot

  • Por: Karen Young
  • O tratamento do silêncio é um método de punição psicológica, que consiste em ignorar e excluir alguém durante um período de tempo.
  • É uma forma passivo-agressiva de manipulação que transmite desprezo, sempre com o intuito de controle.
  • Uma pesquisa feita mostrou que o ato de ignorar ou excluir, ativa a mesma área do cérebro que é responsável pela dor física.
  • O tratamento do silêncio pode parecer uma resposta mais a adequada ao que chamamos de “sair por cima”, com honra e dignidade, mas essa pesquisa mostrou que essa atitude é muito prejudicial tanto física como emocionalmente.
  • Kipling Williams , professor de psicologia na Purdue University, que estudou o ostracismo por vinte anos, explica: “Excluir e ignorar as pessoas, como virar-lhes as costas ou tratamento do silêncio, é usado para punir ou manipular, e as pessoas podem não perceber o dano emocional ou físico que está sendo feito.”
  • A capacidade de detectar o ostracismo está gravada em nós – não importa se você está sendo ignorado por um grupo ou uma pessoa que você não suporta, a dor ainda é registrada.

O tratamento do silêncio, mesmo que por um tempo pequeno, ativa o córtex cingulado anterior, que é a parte do cérebro que detecta a dor física. A dor inicial é a mesma, independentemente se a exclusão vem de estranhos, amigos íntimos ou inimigos.

É muito comum acontecer quando um parceiro(a), faz um pedido, uma crítica ou queixas e é recebido pelo outro parceiro(a) com silêncio e distância emocional.

Leia também:  Como azulejar o piso do banheiro (com imagens)

Paul Schrodt , PhD, Professor de Estudos da Comunicação, revisou 74 estudos de relacionamento que envolveram mais de 14.000 participantes. As descobertas de sua análise foram profundas e revelaram que o tratamento do silêncio é “tremendamente” prejudicial para um relacionamento.

Esse tratamento segundo Paul Schrodt, diminui a satisfação no relacionamento para ambos os parceiros, acaba com o sentimento de intimidade e reduz em muito a capacidade de comunicação de uma maneira saudável e significativa.

“É o padrão mais comum de conflito no casamento ou qualquer relacionamento romântico estabelecido e comprometido”, diz Schrodt. “E isso causa um tremendo estrago.”

E esse padrão é muito difícil de quebrar porque os dois parceiros colocam a culpa sempre um no outro. “Os parceiros ficam presos nesse padrão, em grande parte porque cada um vê o outro como a causa desse conflito”, explica Schrodt. “Ambos os parceiros vêem o outro como o problema.”

Um parceiro costuma reclamar que o outro sempre está emocionalmente indisponível, o outro acusará seu parceiro de ser sempre muito exigente ou crítico.

Quando os casais ficam presos nesse padrão de “demanda-retirada”, os danos podem ser tanto emocionais quanto fisiológicos, incluindo ansiedade e agressão, bem como disfunção erétil e problemas urinários e intestinais.

Não importa qual parceiro exige ou qual se silencia, o dano ao relacionamento é o mesmo. É o padrão em si que é o problema, não o parceiro específico.

O tratamento do silêncio não deve ser confundido com tempo para esfriar a cabeça após uma discussão difícil. Williams sugere que, em vez de voltar ao tratamento do silêncio, tente dar um tempo ; “não posso falar com você agora, mas podemos conversar sobre isso mais tarde”.

Ninguém que entra no tratamento do silêncio, espera que isso danifique o seu relacionamento, mas é justamente esse o perigo.

O silêncio pode parecer uma resposta digna e honrosa, mas não é. É uma maneira de infligir dor, mas sem deixar as marcas físicas.

Então fica a dica, não trate os outros com o silêncio!

Texto originalmente publicado no Hey Sigmund, livremente traduzido e adaptado pela equipe da Revista Bem Mais Mulher

Deixar de falar com alguém por punição

Como Aplicar o Tratamento de Silêncio em AlguémEsta foto é sua? Por favor, entre em contato.

“Gerenciar o silêncio é mais difícil do que lidar com a palavra”,  disse o jornalista e político Georges Clemenceau. Sem dúvida, o silêncio pode dizer um monte de coisas sem dizer coisa alguma. Mas temos de ter muito cuidado ao usá-lo como punição, pois quando a gente não diz o que pensa, dá ao outro o direito de interpretar o nosso silêncio da forma que ele quiser.  E como disse o músico Miles Davis, “o silêncio é o barulho mais alto”.

Muitas pessoas usam o silêncio como uma ferramenta para expressar sua raiva, sua inconformidade ou apenas para dar uma lição aos outros. Assim, quando estão com raiva, “pune” o outro deixando falar com ele com a intenção de que assim ele “caia na real” e reconheça seus erros. Mas esta é uma boa estratégia? O que realmente está por trás de tal silêncio?

Primeiro, é importante distinguir entre o silêncio nascido do desejo de não discutir mais, porque foi entendido que o conflito chegou a um impasse e não se quer adicionar mais combustível  ao fogo, e o silêncio que é usado como uma punição a fim de ensinar uma lição para o outro.

A pessoa que usa o silêncio como punição geralmente é porque não tem outros recursos psicológicos para abordar. O silêncio é a sua resposta por várias razões:

  • Pensa que o seu correspondente não quer ouvi-lo, que não está aberto a sua opinião, e usa silêncio para “forçá-lo” a ouvir.
  • Acha que o outro deveria pedir desculpas por sua atitude ou palavras, e usa o silêncio como um aviso.
  • Pensa que é inútil falar sobre isso porque não vai chegar a um acordo, então usa silêncio para o outro se sentir obrigado a dar o braço a torcer.
  • Sente-se profundamente ofendido, mas não querendo admitir isso, usa silêncio para depreciar o outro.
  • Não quer abordar uma questão sensível e usa o silêncio como subterfúgio até que o outro se canse ou até mesmo peça perdão por estar cobrando um posicionamento.

Seja qual for a razão, basicamente, este uso do silêncio é um tipo de punição por meio do qual ele culpa a outra pessoa e coloca toda a responsabilidade do relacionamento nas mãos do outro. É como dizer “Eu não vou dizer mais nada, você vê o que você faz, a responsabilidade final é sua e aguente as consequências depois”.

Isto significa que a pessoa que está em silêncio, realmente não tem interesse em resolver o conflito através do diálogo, mas só quer que o outro aceite sem questionar o seu ponto de vista.

Usar o silêncio como punição é uma atitude manipuladora e agressiva, pois a indiferença é o pior tipo de ofensa numa relação. 

Usar o silêncio como punição é uma atitude infantil que não resolve coisa alguma, porque embora fornece para quem cala uma satisfação egoísta, deixa um gosto amargo na boca do outro e gera conflitos desnecessários ao relacionamento. Na verdade, gradualmente esse comportamento de manipulação emocional pode levar o relacionamento ao enfado e adoecimento daqueles que vivem constante sob este julgo.

Não há dúvida de que o silêncio pode ter vários significados, mas usá-lo como punição implica uma atitude passivo-agressiva. Ou seja, parar de falar com alguém é uma agressão velada.

Na verdade, em alguns casos, este tipo de silêncio pode deixar cicatrizes mais profundas do que aquelas terríveis palavras ditas no calor das emoções.

Porque o silêncio é  suscetível a quaisquer tipos de interpretações.

Devemos lembrar sempre que o silêncio não é a melhor maneira de resolver conflitos e preencher a lacuna. O entendimento é conseguido por meio de um diálogo.

 Ainda que, em alguns casos, o silêncio pode até funcionar para que outro peça desculpas e dê o braço a torcer, em última análise, essa tática só vai gerar ressentimento e problemas desde que o conflito não seja verbalizado, discutido, refletido e pesado dentro de uma conversa adulta por aqueles que sabem que o relacionamento a dois é feito de duas pessoas e as duas contribuem para o seu sucesso ou para o seu fracasso.

Como sente a pessoa que sofre o “tratamento silencioso”?

O silêncio pode ser interpretado de muitas maneiras, mas geralmente é interpretado da pior maneira possível.

Uma meta-análise conduzida na Universidade do Texas, que incluiu os resultados de 74 estudos envolvendo 14.000 pessoas concluíram que o silêncio é geralmente muito destrutivo nos relacionamentos.

Pois as pessoas interpretam isso como uma falta de envolvimento e uma tentativa egoísta de manipulação emocional.

Esses psicólogos observaram que o uso do silêncio como castigo é comum em casais e é um dos fatores que levam ao divórcio porque essas pessoas, não apenas se sentem menos satisfeitas com a relação, mas, também percebem que o seu parceiro está emocionalmente mais distante.

Na verdade, um dos problemas é que quem recebe o tratamento do silêncio vai se sentir cada vez mais frustrado com a falta de resposta e do envolvimento emocional e afetivo do outro. Assim, o relacionamento vai se tornar mais apertado e maiores atritos acontecerão.

A pessoa que é vítima de tratamento de silêncio vai se sentir confuso, frustrado e até mesmo culpada. Também se sentirá sozinha e incompreendida. Obviamente, esses sentimentos não contribuem para melhorar as relações e resolver o conflito, pelo contrário, eles criam uma crescente lacuna.

Os usos positivos de silêncio

Às vezes é melhor ficar calado, tais como:

  1. Quando estamos muito zangado e percebemos que podemos dizer coisas das quais vamos nos arrepender mais tarde.
  2. Quando o outro está muito exaltado.
  3. Quando usado como uma pausa na discussão para o outro refletir sobre suas palavras.

A diferença entre o uso positivo do silêncio e o silêncio usado como punição, é que no segundo caso, não há respeito pelo outro e na verdade o objetivo não é o bem da relação, mas agredir o outro.

Em qualquer caso, é importante assumir que o silêncio é um dardo vazio que pode adquirir múltiplos significados. Por isso, se alguém realmente importa para nós, é melhor dizer assertivamente o que pensamos e sentimos. Então, não haverá espaço para mal-entendido.

Texto extraído de Rincón de la psicología – Tradução e livre adaptação – Portal Raízes.

Fontes: Schrodt, P. et. Al. (2014) Uma revisão meta-analítica da Demanda / Retirar padrão de interação e suas associações com individual, relacional, e comunicativo Outcomes. Monografias de comunicação ; 81 (1): 28-58.

Pedra, CB et. Al. (2012) Toward a Science of Silence. As consequências da saída de um Unsaid memória. Perspect Psychol Sc i; 7 (1): 39-53.

Tratamento silencioso

Tratamento silencioso é a recusa de se comunicar verbalmente com alguém que deseja a comunicação. Pode variar de uma atitude mal-humorada a uma atitude abusiva.

Pode ser uma forma passiva-agressiva de abuso emocional em que o desprazer, a desaprovação e o desprezo são exibidos por meio de gestos não-verbais, enquanto se mantém o silêncio verbal.

[1] A psicóloga clínica Harriet Braiker a define como uma forma de punição manipulativa .[2]

O tratamento silencioso é uma forma disseminada de rejeição social, por ora menos que a rejeição e em outros momento mais do que a rejeição, não é abuso físico ou verbal, o alvo não é insultado ou agredido fisicamente o que o torna menos que outras formas de rejeição porém o tratamento silencioso envolve a encenação de um papel, fingir que o alvo não existe, uma metáfora para a separação, a insignificância e mesmo a morte.[3]

Origem do termo

O termo originou-se do “tratamento” através do silêncio usado nas prisões do século XIX.

Em uso desde as reformas prisionais de 1835, o tratamento silencioso era usado nas prisões como uma alternativa à punição física, pois acreditava-se que proibir os prisioneiros de falar, chamando-os por um número em vez de seu nome e fazendo-os cobrir seus rostos para não verem uns aos outros incentivaria a reflexão sobre seus crimes.[4] Ferguson nota que marinheiros mercantes usavam o termo para descrever a punição de homens ao mar.[3]

Nas relações pessoais

Abusadores punem suas vítimas, recusando-se a falar com elas ou até mesmo reconhecerem a sua presença. Através do silêncio, os agressores comunicam em voz alta seu desprazer, raiva e frustração.[5] As consequências desse comportamento na pessoa isolada pelo silêncio são sentimentos de incompetência e inutilidade.[6]

Em uma pesquisa conduzida por Robin M. Kowalski e Sonja Faulkner, todas as vítimas do tratamento silecioso relataram que a repetida exposição ao tratamento silencioso provocou muitas emoções negativa como raiva, frustração, tristeza e desespero. Outros relataram que o tratamento prercipitou vários comportamentos como anorexia.
[7]

Leia também:  Como armazenar sementes de linhaça: 11 passos

No local de trabalho

Uma pesquisa do Workplace Bullying Institute no local de trabalho sugere que “usar o tratamento silencioso para isolar e separar os outros” é a quarta tática mais comum de todas as táticas experimentadas e é relatada em 64% dos casos de assédio moral no trabalho.[8] O tratamento silencioso é uma forma reconhecida de supervisão abusiva. Outras formas incluem: lembrar a vítima de fracassos do passado, deixar de dar crédito apropriado, atribuir injustamente culpa ou explodir em ataques de raiva.[9]

Referências

  1. ↑ «The Silent Treatment». Consultado em 1 de agosto de 2016 
  2. ↑ Braiker, Harriet B. (2004). Who's Pulling Your Strings ? How to Break The Cycle of Manipulation. [S.l.: s.n.] ISBN 0-07-144672-9  (em inglês)
  3. a b Kipling D.

    Williams (1 de julho de 2002). Ostracism: The Power of Silence. [S.l.]: Guilford Press. pp. 70–71. ISBN 978-1-57230-831-2 

  4. ↑ London, The Kolberg Partnership,. «London's Most Notorious Prisons – Page – Life In London Magazine – All In London».

    Consultado em 1 de agosto de 2016  (em inglês)

  5. ↑ Gregory L. (2009) Healing the Scars of Emotional Abuse
  6. ↑ Femenia, Nora (21 de agosto de 2012). Warner, Neil, ed. «The Silent Marriage:: How Passive Aggression Steals Your Happiness, 2nd Edition». Creative Conflict Resolutions, Inc.

    – via Amazon  (em inglês)

  7. ↑ Robin M. Kowalski (11 de novembro de 2013). Aversive Interpersonal Behaviors. [S.l.]: Springer Science & Business Media. pp. 158–160. ISBN 978-1-4757-9354-3 
  8. ↑ «Top 25 workplace bullying tactics».

    Consultado em 1 de agosto de 2016 

  9. ↑ James Larsen Abusive Supervision Article No. 309 Business Practice Findings

Ligações externas

  • Sharon Jayson, Tratamento silencioso diz muito sobre um relacionamento, 17/8/2014
  • Como Responder Ao Tratamento Silencioso

Tratamento silencioso diz muito sobre um relacionamento – Emais – Estadão

  • Se você estiver sofrendo em silêncio – ou por causa dele – seu relacionamento pode estar mais ameaçado do que você imagina, segundo uma nova pesquisa segundo a qual as interações que incluem o “tratamento silencioso” podem estar condenadas à ruína.
  • Apesar de os pesquisadores dizerem que a indiferença é a maneira mais comum de as pessoas lidarem com os conflitos maritais, uma análise de 74 estudos, baseada em mais de 14 mil participantes, mostra que quando um parceiro se retira em silêncio ou se fecha emocionalmente por causa das cobranças percebidas do outro, os danos são tanto emocionais como físicos.
  • “Quanto mais este padrão emerge no relacionamento, maiores as chances de um ou ambos os parceiros experimentarem níveis mais altos de ansiedade ou poderem usar formas mais agressivas de comportamento”, diz Paul Schrodt, um professor de estudos da comunicação na Texas Christian University em Fort Worth, que liderou estudo que saiu recentemente na publicação Communication Monographs.

“Cada parceiro vê o comportamento do outro como o começo de uma briga”, diz ele. “Se você lhe pergunta por que ele é tão retraído em relação à mulher, é porque ´ela está constantemente me azucrinando e constantemente fazendo um milhão de perguntas`. Se você pergunta a ela ´por que ela está fazendo cobranças dele, é porque ´ele não me conta nada. Não sinto que ele se importe com o nosso relacionamento`. Cada parceiro não consegue ver como seu próprio comportamento está contribuindo para o padrão.”

Em boa parte da pesquisa, diz Shrodt, o homem tende a ser mais silencioso; mas o psicólogo Les Parrott, de Seattle, diz que não viu uma grande diferença entre gêneros,

“Vejo muitos homens ficando exigentes”, diz ele.

Para Shrodt, é o padrão que é muito danoso porque indica uma série de sinais de desgaste do relacionamento.

A pesquisa, que se estendeu de 1987 a 2011, não foi especificamente sobre o tratamento silencioso, mas este faz parte de um padrão mais amplo que se estende não só a relacionamentos românticos, mas a estilos de comportamento parental também, que também fizeram parte da pesquisa, diz ele.

Parrott, coautor de The Good Fight: How Conflict Can Bring you Closer (A boa briga: como o conflito pode aproximar o casal, em tradução livre), um livro publicado em abril, diz que o tratamento silencioso é um padrão muito difícil de romper porque é muito entranhado.

“Aprendemos esta estratégia muito cedo – desde a primeira infância –, a de nos calarmos diante de outro como maneira de punição”, diz Parrott. “Muitos de nós são propensos a emburrar ou fazer beicinho, e isso é uma primeira forma de dar a alguém o tratamento silencioso.”

Parrott, que é professor de psicologia na Seattle Pacific University, diz que não vem nada de bom do tratamento silencioso porque ele é “manipulador, desrespeitoso e contraproducente”. 

A análise de Shrodt revela que casais que usam tais comportamentos de conflito experimentam uma satisfação mais baixa no relacionamento, menos intimidade e pior comunicação, que também é associada ao divórcio. E, diz ele, alguns estudos revelaram que os efeitos não são apenas emocionais, mas psicológicos, como disfunção urinária, intestinal ou erétil.

“Os parceiros ficam presos neste padrão, em grande parte porque cada um vê o outro como a causa”, diz Shrodt. “Para cada parceiro, o outro é o problema.”

  1. Parrott e Shrodt concordam em que ter consciência do padrão pode ajudar a resolovê-lo.
  2. “O conflito é inevitável, mas a maneira como se lida com ele pode fazer a diferença”, diz Parrott.
  3. Como romper o padrão do tratamento silencioso:

– Ter consciência do que está realmente se passando. A pessoa que faz cobranças sente-se abandonada; a pessoa silenciosa está se protegendo. Cada uma precisa perguntar: “Por que estou me comportando desta maneira? Como meu comportamento faz meu pareceiro se sentir?”

– Evitar o assassinato de caráter. Será mais danoso rotular seu cônjuge como “egoísta” ou “rude”.

– Usar a palavra “eu”, porque quanto mais usar “você”, mais tempo durará a disputa. Você pode dizer algo como, “É assim que eu me sinto quando você deixa de falar comigo”.

– Concordar mutuamente em dar um tempo. Quando o ciclo surge, ambos os parceiros precisam esfriar as cabeças e aquecer os corações antes de se atracar. E algumas pessoas simplesmente precisam de um pouco de tempo para pensar antes de falar.

– Pedir genuinamente desculpa assim que puder. 

Tradução de Celso Paciornik 

Tratamento silencioso: como se relacionar quando o silêncio é a comunicação

Há alguns meses me hospedei em um hostel para participar de um evento. Tarde da noite, ao sair do meu compromisso, comprei uns sanduíches prontos no supermercado para “jantar”. Cheguei no hostel e fui comer no terraço. Lá estava um rapaz, filho de mãe brasileira e pai suíço, que logo veio sentar perto de mim e puxar conversa.

Em determinado momento começamos a falar sobre a relação com a sua família. Entre uma história e outra, o rapaz revelou que não estava conversando com o irmão. Perguntei o porquê. Ele explicou a situação e, em seguida questionei se havia conversado abertamente sobre o motivo do corte na comunicação. Ele apenas disse que o irmão sabia a razão do seu afastamento.

Questionei se ele já havia refletido que um evento é experienciado de forma muito singular por cada pessoa. Que talvez o irmão não tivesse tanta clareza sobre o motivo de ele ter ficado magoado. Ou embora suspeitasse, não soubesse como isso o afetou ou como poderia remediar a situação.

Enfatizei que por mais desconfortável que seja, conversar de forma franca com quem faz parte do problema é sempre a melhor alternativa para resolver um conflito.

Diante disso, com um sorriso “malicioso”, o rapaz disse que era bom “dar um gelo” no irmão para “ele aprender”. Fim da história.

Lembrei desse relato ao receber essa resposta à uma pergunta que fiz no stories do @pessoamelhor. Eu fiz o seguinte questionamento: Você já “perdeu” alguma relação por causa de problemas de comunicação? Caso sim, qual foi o problema/dificuldade?

Esse tipo de comportamento: cortar a comunicação ou afastar-se em meio a um conflito ou sem um motivo aparente é mais comum do que gostaríamos, e pode ser a expressão do chamado “silent treatment” ou tratamento silencioso.

O que é o tratamento silencioso?

O tratamento silencioso é uma forma de abuso emocional passiva-agressiva baseada na atitude de recusar a comunicação quando alguém a deseja/inicia.

Ocorre quando uma pessoa tenta se comunicar com outra face a face, via mensagem, carta, email, telefone, sinal de fumaça rs, sem resposta. A pessoa que recebe a comunicação decidi não retornar.

Pode ocorrer nas nossas relações de trabalho, de amizade, familiares e a dois. Ou seja, em qualquer relacionamento.

De alguma maneira, a pessoa que se nega a comunicar sente-se ferida. Por ter dificuldade de processar os sentimentos e expressá-los, fecha-se em si mesma completamente.

Ainda que de forma inconsciente, quem adota o tratamento silencioso acredita que é vítima do outro. Que o outro é a razão das suas emoções e sentimentos difíceis. O corte de comunicação e o distanciamento é uma forma de autodefesa.

O tratamento silencioso pode ser adotado de forma intencional ou não

Não é intencional quando baseia-se apenas na dificuldade de a pessoa se expressar emocionalmente. Para justificar o seu comportamento, a pessoa pode dizer a si mesma que: “nem vale a pena tentar conversar” ou “melhor não me desgastar com isso”. Uma desculpa que camufla a dificuldade de lidar com a situação de forma assertiva.

É intencional quando utilizado como forma de punição psicológica, com o objetivo de manipular o outro: gerar nele uma reação desejada.

De forma intencional, o tratamento silencioso é utilizado especialmente por pessoas com tendência e transtorno de personalidade narcisista. Adotam esse comportamento para manipular o outro. Fazer com que ele atenda às suas necessidades, pois do contrário serão punidos. Punidos com o silêncio.

Identificamos que o tratamento silencioso é intencional quando…

  • Ocorre com frequência e dura longos períodos de tempo.
  • É utilizado como uma ferramenta de punição. É adotado com o objetivo de causar uma reação emocional no outro: fazer você se sentir mal, culpado, de colocá-lo no seu lugar.
  • Só termina quando você pede desculpas ou cede às demandas da pessoa.
  • Você muda o seu comportamento para evitar o tratamento silencioso.

De modo intencional ou não, o tratamento silencioso é uma forma de abuso emocional e pode causar graves danos à saúde mental e emocional de quem o recebe. Especialmente se a pessoa não é emocionalmente inteligente ou está fragilizada.

Tratamento silencioso x Tempo para reflexão

É importante destacar que o tratamento silencioso é diferente da necessidade de um tempo para reflexão.

Diante de um conflito, uma pessoa pode sentir a necessidade de tempo para acalmar-se e refletir sobre a questão e a relação. Às vezes precisamos deixar as ideias assentarem. Isso é saudável.

Nesse caso, a pessoa comunica claramente: “preciso de um tempo para pensar sobre isso, depois conversamos”. O silêncio não é utilizado como ferramenta de punição ou manipulação. Nem como uma maneira de expressar a sua dificuldade de comunicar.

O que não fazer diante do tratamento silencioso

Quando há o convívio é mais fácil identificar se o tratamento silencioso é uma resposta emocional padrão de determinada pessoa, e a razão da sua utilização: para controle e manipulação, ou apenas representa a dificuldade de o outro se expressar.

Indiferentemente do caso, diante do tratamento silencioso é natural nos tornamos emocionais e adotar atitudes que mais prejudicam do que contribuem para resolver o conflito e fazer a pessoa sair do limbo do silêncio.

  • Queremos “tirar satisfação”. Com isso respondemos com raiva, o que pode apenas escalar o conflito.
  • Imploramos pela atenção do outro, o que encoraja o comportamento passivo-agressivo de quem utiliza o silêncio como ferramenta de punição e manipulação.
  • Pedimos desculpas apenas para acabar com o conflito, mesmo sem ter cometido um erro.
  • Continuamos à argumentar com a outra pessoa depois de ter tentado diversas vezes.
  • Personalizamos o problema, assumimos a culpa pelo silêncio do outro. “Se fulano não quer falar comigo é porque fiz algo errado”.
  • Ameaçamos terminar o relacionamento etc.

É muito arriscado adotar esse tipo de resposta emocional com pessoas com tendência narcisista ou transtorno de personalidade narcisista, pois elas não se conectam conosco emocionalmente.

Ou seja, não entram em empatia e nem admitem seus erros ou falhas. Interpretam a nossa expressão emocional como fraqueza, admissão da responsabilidade pelos erros que eles cometem e como símbolo de que têm controle sobre nós.

Adotar qualquer uma as respostas emocionais citadas apenas cria a reação que gostariam de receber. Com isso, continuarão a utilizar o silêncio como forma de punição e manipulação.

Já no caso das pessoas que utilizam o tratamento silencioso de forma não intencional, uma abordagem mais emocionada pode escalar o conflito. Imagine alguém imerso em sofrimento escutando uma fala super emocionada? Ele “escutará” através dos filtros do seu sofrimento. Melhor, não escutará.

O que fazer, Aline? Deixo a pessoa em silêncio, se afastar? Não tento reestabelecer a comunicação?

Na realidade, diante do tratamento silencioso o nosso papel não é reestabelecer a comunicação porque no caso não cortamos a comunicação com o outro. Concorda?

Logo, o nosso papel é deixar claro que somos receptivos à comunicação. Assim, ao invés de abordá-lo de forma emocional, devemos ser mais objetivos e dizer:

“Percebo que algo não está bem. Sinto muito se fiz ou falei algo que soou ofensivo para você. Quando estiver pronto/a para conversar, eu também estarei. Assim, juntos, com mais clareza sobre os fatos, podemos encontrar uma solução para o que gerou essa situação”.

Eu sei, está mega formal, mas você entendeu qual é o propósito aqui. É só adaptar para o seu “jeito de falar”.

Dito isso, retire-se da situação. Sério. Não insista perguntando o que está acontecendo ou “adulando” quem está em silêncio. Insistir e “adular” são maneiras de reforçar o comportamento.

Quando a pessoa sentir-se pronta para se expressar, podemos utilizar os passos da comunicação não-violenta (observar sem avaliar, expressar sentimentos, necessidades e fazer um pedido) para ajudá-la à comunicar suas emoções, sentimentos e necessidades.

Mas antes disso, se ela não assume a responsabilidade por se comunicar, o nosso papel é apenas demonstrar que estamos receptivos à sua comunicação. Anota aí.

O silêncio vale ouro, mas é improvável que o silêncio faça as coisas caminharem quando há um conflito. Dale Carnegie

O que fazer quando a pessoa reestabelecer a comunicação?

Quando a pessoa decidir comunicar-se, não espere por desculpas e justificativas sobre o seu comportamento. Não estamos procurando culpados, nem vencedores. Fazer ou esperar que o outro desculpe-se e explique-se é apenas uma maneira de colocá-lo na defensiva e de validar o nosso ego.

Com esse pensamento em mente, assim que o outro retornar você pode adotar o seguinte processo:

Parte 1: Não se justifique ou comece a inferir os motivos de ela ter utilizado o tratamento silencioso. Diga sinto muito para demonstrar que se importa com a pessoa e como ela se sente diante dessa situação.

“Pessoa, eu fico feliz que você voltou a se comunicar comigo. Sinto muito se alguma atitude ou fala minha serviu de gatilho para você adotar o silêncio como seu único recurso.

Parte 2: Esclareça a necessidade de cultivar uma comunicação transparente e que é receptivo à necessidade de espaço do outro.

Desejo que esteja confortável para expressar-se comigo, porque assim vamos conseguir cada vez mais melhorar a nossa relação. Se estiver experienciando alguma emoção difícil e precisar interromper a comunicação para processar isso, me avise. Vou respeitar o seu tempo.

Parte 3: Sugira formas alternativas de comunicação caso surja um novo conflito no futuro e faça um acordo.

Se for o caso, me alerte sobre o que faço que te coloca na posição de utilizar o silêncio. Assim eu sou capaz de fazer algum ajuste para manter a fluidez da nossa comunicação e relação. Ou seja,eu posso avaliar e ajustar o meu comportamento se você me disser claramente o que e como te afeta*. Combinado?”*

Importante: o tratamento silencioso não tem NADA a ver com quem o recebe

Por mais que alguma fala ou atitude soe ofensiva para o outro, e vice-versa, isso não justifica a utilização do tratamento silencioso. Pessoas emocionalmente maduras são capazes de conversarem sobre as suas necessidades, interesses, contrapontos, de pedir tempo e espaço – se for o caso etc.

Por isso, é fundamental despersonalizar o tratamento silencioso. Ele não tem nada a ver com quem o recebe e está disposto a se comunicar de forma saudável. Inclusive em debater pontos divergentes e chegar à conclusão de que a melhor alternativa é concordar em discordar ou, até mesmo, romper a relação.

Sim, podemos juntos conversar e identificar que a melhor alternativa é romper um relacionamento. Conversando sobre isso, esclarecemos as razões do rompimento e ficamos “bem resolvidos com a decisão mútua”. Sem conversa, há sempre uma ferida aberta.

Por isso, no caso de receber o tratamento silencioso, desconsidere pensamentos do tipo:

“Eu não sou digno de atenção…”

  • “Por que ele/a não quer conversar sobre isso?”
  • “O que fiz de errado?”
  • “Como ele/a pode fazer isso comigo?”

Fazer esse tipo de reflexão e questionamento diante do silêncio do outro é natural. Nossa mente não curte informações incompletas. Mas dedicar atenção e energia à esse tipo de pensamento é desperdício de vida. Ao menor sinal, reconheça o pensamento e deixe ele partir.

Mude a forma como você interpreta o silêncio do outro

A nossa dificuldade de lidar com o silêncio do outro surge da maneira como o interpretamos. Quando alguém corta a comunicação conosco ou afasta-se sem motivo aparente, acreditamos que estamos sendo rejeitados, ignorados, excluídos… O silêncio dele se torna sobre a gente.

Assim, deixamos de enxergar a realidade sobre o tratamento silencioso. Ele é uma estratégia que o outro utiliza para atender as suas necessidades e desafios: controle ou dificuldade de expressar-se. Rejeitar, ignorar, excluir é a nossa forma de interpretar isso.

Escolha não ser atingido e você não se sentirá atingido. Não se sinta atingido e você não terá sido. Marco Aurélio

Eu sei, mesmo sabendo que o tratamento silencioso fala mais sobre o outro do que sobre algo que “fizemos errado”, é desconfortável recebê-lo. Especialmente quando ocorre com pessoas queridas, com as quais nos importamos.

Ao abandonarem a relação sem uma justificativa ou se fecharem em meio uma conversa importante transmitem a impressão de que a nossa conexão não importa para elas.

Mas antes de apegar-se à esse tipo de pensamento, é mais saudável praticarmos a empatia. Identificar que eles provavelmente estão em sofrimento. Seja a pessoa com tendência ou transtorno de personalidade narcisista, ou apenas que tem dificuldade de expressar-se emocionalmente não é feliz ao adotar esse tipo de comportamento.

Empatizar e reconhecer a dificuldade do outro nos ajuda a desapegar dos pensamentos que justificam e fortalecem emoções negativas em nós, e que poderiam nos colocar na defensiva.

Assim, deixamos de nos sentirmos incomodamos com o silêncio do outro. Escolhemos não ser atingidos. Estamos dispostos à escutá-lo, caso queira se comunicar. Mas não dependemos disso para nos sentirmos em paz conosco.

Na realidade, nunca dependemos do contexto externo para estar em paz conosco. Cultivar paz interior depende apenas de nós.

Quando você estiver pronto eu estarei pronto para conversar

Empatizar não significa aceitar. O tratamento silencioso deve ser firmemente “combatido” em nossos relacionamentos. Do contrário, diante de qualquer pequeno desencontro teremos que lidar com o drama do silêncio e constantemente nos esticarmos para tentar acessar o outro.

No longo prazo, a pessoa que sempre tem que ceder, ir atrás, iniciar a conversa, assumir erros que não cometeu, diminui seu senso de amor-próprio, perde o respeito dos outros e prejudica a sua autoestima.

Além disso, é muito desgastante cultivar um relacionamento de qualidade nessas condições. Pois os problemas não são resolvidos, apenas suprimidos. E, por isso, na primeira oportunidade voltam à superfície. É uma montanha russa emocional.

Se queremos construir melhores relacionamentos é fundamental demonstrar para as pessoas com as quais convivemos que o tratamento silencioso é uma forma de abuso emocional, que não é tolerada. A melhor maneira de ter nossos interesses e necessidades atendidos é por meio da comunicação.

Se não existe comunicação, não há relação.

Tanto no caso do irmão do rapaz suíço, quanto da pessoa em que o amigo se afastou sem explicar, a melhor atitude é dizer: parece que algo não está bem, quando você estiver pronto eu estarei pronto para conversar. Esclareça que está aberto à comunicação e deixe que o outro faça o movimento seguinte. Sem expectativas.

  1. Faça a sua parte e siga.
  2. Beijo!
  3. Aline 🙂

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*