Como ajudar um namorado deprimido (com imagens)

Quando um amigo ou familiar está deprimido, o que pode ser feito para ajudá-lo a sair da depressão são pequenas atitudes que podem fazer toda diferença como não julgar os motivos dele, não minimizar a dor que ele está sentindo e manter-se sempre em contato.

Algumas outras dicas que podem ajudar a conviver com uma pessoa deprimida, para ajudá-la a sair da depressão, são:

1. Entenda o que é depressão 

Como Ajudar um Namorado Deprimido (com Imagens)

A depressão é um distúrbio emocional que precisa de tratamento médico, porque é necessário tomar remédios antidepressivos, sob indicação do psiquiatra ou neurologista, além de ser seguido com um psicoterapeuta ou psicólogo, para poder conversar sobre os problemas a fim de curar a depressão mais rápido. Mas no dia a dia, uma boa conversa com um amigo também pode contribuir para um dia melhor.

Durante uma crise depressiva a pessoa tem momentos de altos e baixos e por isso é normal você ficar animado achando que seu amigo está melhorando e 2 dias depois perceber que ele está novamente no fundo do poço. Essas alterações são normais e esperadas, mas tendem a ser menos evidentes quando a pessoa está saindo da depressão.

2. Mostre sua preocupação com dor do outro

Não importa o motivo que tenha deixado seu amigo deprimido, a melhor forma de demostrar que você se preocupa é perguntar como ele está, como tem se sentido nos últimos dias e quais são as tarefas que precisa cumprir, por exemplo. De forma prática você pode se oferecer para ajudar com os deveres de casa ou afazeres diários.

3. Tenha tempo para estar junto

É normal uma pessoa deprimida querer se afastar dos outros e preferir ficar trancada sozinha no quarto, dormindo a maior parte do tempo. Essa é uma tentativa de fuga da realidade, mas que não funciona como forma de tratamento. Você pode se oferecer para ir na casa dele ou para se encontrarem para ir num local calmo, em onde possam estar em contato com a natureza.

Uma pessoa deprimida não gosta de muito barulho, nem de estar muito próximo de outras pessoas, mas estar um parque onde tenha árvores e grama, pode ser um bom momento para desanuviar a mente e conversar um pouco.

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4. Entenda seus sentimentos 

Quando uma pessoa está deprimida e alguém pergunta se está tudo bem, pode ser que a resposta seja uma enxurrada de problemas e você não tem a obrigação de resolver nenhum deles.

Uma boa postura nesse momento, é saber dizer palavras de conforto como 'sinto muito', ou 'eu imagino o tamanho da sua dor'.

Ser sincero é tudo o que um amigo deprimido deseja, mas isso nem sempre é fácil para ele.

As conversas são importantes, mas também não precisa ter medo de pequenos períodos de silêncio.

Um abraço ou uma lágrima de solidariedade podem ser a mais bela expressão de amor que poderá dar ao seu amigo, sendo por vezes, mais válidas que palavras ao vento como 'você vai sair dessa'.

Ser compreendido é um dos maiores desejos de qualquer pessoa que esteja enfrentando uma depressão.

5. Mantenha-se em contato

As redes sociais podem ser muito superficiais e por vezes as frases são mal interpretadas, por isso o melhor momento para conversar é tendo tempo para estar lado a lado. Mas ao longo do dia poderá enviar mensagens de voz, emoticons ou pequenas mensagens escritas pelo messenger ou whatsapp, por exemplo.

6. Leve comida para ele 

Uma pessoa em depressão pode ficar tarada pela comida e passar o dia todo comendo tudo o que vê pela frente ou pode simplesmente passar o dia sem comer absolutamente nada. Nenhuma das 2 opções é saudável, por isso você pode levar um sanduíche saudável com pão integral, queijo branco, tomate e folhas de manjericão frescas, por exemplo.

Os alimentos ricos em triptofano são excelente opções para ajudar qualquer pessoa a sair da pressão. Bons exemplos são tomate, banana e nozes, mas você pode ser uma lista completa aqui.

O consumo da biomassa de banana verde constitui um ótimo remédio caseiro para depressão. Basta colocar cerca de 5 bananas verde numa panela de pressão, cobrir com água e deixar cozinhar por cerca de 10 minutos.

Depois deve-se descascar as bananas e batê-las no liquidificador acrescentando uma quantidade mínima de água. A seguir coloque este 'purê' de banana verde em forminhas de gelo e guarde no congelador ou freezer.

Acrescente 1 cubinho desta biomassa de banana verde em cada uma das refeições.

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7. Caminhe com ele

Uma caminhada de meia hora ao ar livre, especialmente quando o sol está ameno, é uma excelente forma de encontrar tempo para conversar e melhorar a auto-estima dele.

Os benefícios da caminhada incluem a liberação de serotonina na corrente sanguínea e vai fazer os dois se sentirem bem.

Quando estiverem caminhando seja gentil mas não deixe seu amigo deprimido ficar olhando só para o chão.

Assista também o vídeo seguinte e saiba como identificar a depressão na adolescência:

Ele teve uma ideia genial para ajudar a namorada a enfrentar a depressão

Não é nada fácil ver alguém que amamos enfrentar a depressão. A condição pode ser devastadora e gerar muito sofrimento. Porém, algumas atitudes de amigos e pessoas próximas são fundamentais para lidar com a depressão da melhor maneira possível.

O usuário do Reddit bovadeez compartilhou a forma que encontrou de ajudar sua namorada a enfrentar a doença. Após encontrar um site que indicava usar palitos coloridos com mensagens positivas para aliviar o sofrimento de pessoas em depressão, ele decidiu testar o método em casa. No post em que compartilhou a história, escreveu:

Minha namorada sofre às vezes com uma depressão incapacitante e ansiedade. Eu vi essa ideia em algum lugar da internet e fiz acontecer

Como Ajudar um Namorado Deprimido (com Imagens)

Na rede, o usuário também compartilhou fotografias de como aplicou a ideia. Em uma jarra, ele colocou diversos palitos pintados com diferentes cores e acompanhados de uma legenda. Cada cor era equivalente a um tipo de mensagem – palitos pintados de laranja eram destinados a citações, enquanto aqueles pintados de rosa traziam dicas de coisas que a fariam relaxar, por exemplo.

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A ideia é que a namorada possa retirar um palito do pote sempre que sentir que precisa de ajuda. As mensagens incluem desde lembretes como “Você merece!” até dicas para combater a ansiedade, como “Faça uma pausa“.

E, embora a atitude seja genial, é importante lembrar que a depressão é uma doença real que acomete mais de 11 milhões de brasileiros e, como tal, requer acompanhamento e tratamento médico.

Caso suspeite que você ou uma pessoa de sua relação sofre com esta condição, não deixe de buscar ajuda de profissionais qualificados através de seu plano de saúde ou na unidade básica de saúde mais próxima de sua casa.

Como ajudar alguém com Transtorno do Humor: Depressão e Bipolaridade

Como ajudar alguém com Transtorno do Humor: Depressão e Bipolaridade

Como Ajudar um Namorado Deprimido (com Imagens)

Os transtornos do humor, como depressão e transtorno bipolar, afetam milhões de pessoas. Familiares e amigos também são afetados de alguma forma.

Se um ente querido, um familiar, tem o transtorno de humor, você também pode se sentir desamparado, oprimido, confuso e sem esperanças, ou ainda você pode se sentir magoado, irritado, frustrado e com ressentimentos. Você também pode vir a ter sentimentos de culpa, vergonha e solidão, ou sentimentos de tristeza, cansaço e medo. Todos esses sentimentos são normais.

O Que Você Precisa Saber

  • A doença de um ente querido, não é culpa sua e nem dele.
  • Você não pode curar o seu familiar, mas pode lhe oferecer apoio, compreensão e esperança.
  • Cada pessoa apresenta o transtorno de humor de uma forma diferente, com sintomas também diferentes. Isto é, varia de pessoa para pessoa.
  • A melhor maneira de você saber sobre o que o seu familiar portador do transtorno bipolar necessita, o ideal é perguntar diretamente para ele e buscar mais conhecimentos acerca da doença.

O Que Você Precisa Saber:

  • Informação:  contatos do psiquiatra, terapeuta do familiar portador, o seu hospital local para atendimento, e sobre os membros da família de confiança que podem ajudar em uma crise/episódio e os amigos de contato. (Incluindo os números de emergência médica, caso seja necessário)
  • Se você é ou não é uma pessoa autorizada a falar com o psiquiatra do seu ente querido, sobre o tratamento, e se isso não puder acontecer, o que fazer para receber a autorização.
  • Quais são as instruções especiais para os tratamentos e medicamentos que o seu familiar recebe, quais as dosagens, e quaisquer mudanças necessárias na dieta ou da atividade de vida diária.
  • Quais são os sinais mais prováveis de aviso de que um episódio maníaco ou depressivo se aproxima (tais como palavras ou comportamentos), e o que você pode fazer para ajudar nestes momentos.
  • Que tipo de ajuda pode oferecer diariamente, como apoiar nas tarefas domésticas ou ajudar com as compras.
  • Peça esclarecimentos de coisas que você não entende, de forma tranquila, educada e firme para a equipe de saúde, para cuidadores.  Como também escrever as coisas para se lembrar.

O que dizer para ajudar

  • Você não está sozinho(a) nessa. Conte conosco, conte comigo.
  • Entendo que é uma doença real, que traz pensamentos e sentimentos.
  • Você pode não acreditar agora, mas a maneira como você se sente mudará.
  • Talvez eu não consiga entender exatamente como você se sente, mas eu te amo e quero lhe ajudar.
  • Quando você pensar em desistir, pense que em apenas um dia, hora ou minuto, você poderá aproveitar o sucesso.
  • Você é importante para mim. Sua vida é importante para mim.
  • Diga-me o que posso fazer agora para lhe ajudar.
  • Nós vamos passar por isso juntos.

O que você deve evitar dizer:

  • É tudo sua imaginação.
  • Todos nós temos momentos como este.
  • Você vai ficar bem. Pare de se preocupar.
  • Olhe para o lado positivo.
  • Você tem tantas coisas para viver. Por que você quer morrer?
  • Eu não posso fazer nada sobre a sua situação.
  • Deixe isso.
  • Pare de agir como um louco.
  • E você? Não deveria estar melhor agora?

O que fazer se alguém está em crise

Algumas pessoas são estabilizadas rapidamente após o início do tratamento medicamentoso, outros levam mais tempo e precisam tentar vários tratamentos, drogas ou combinações de drogas antes de se sentir melhor. A psicoterapia pode ser útil para ajudar controlar e entender os sintomas no momento.

Se o seu amigo ou familiar enfrenta desafios no tratamento, apoio e paciência são necessários mais do que nunca.

A educação pode ajudá-lo tanto para encontrar opções disponíveis e como ajudá-lo a decidir se você precisa de uma segunda opinião.

Ajude o seu ente querido para tomar os medicamentos como foram orientados, e não assumir que a pessoa não está seguindo o plano de tratamento só porque você não está se sentindo 100% melhor.

Há uma esperança

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Como amigo ou parente de alguém que está lutando com transtorno bipolar ou depressão, o seu apoio é uma parte importante no processo de melhoria e recuperação.

Não perca a esperança! O tratamento para o transtorno de humor funciona, e a maioria das pessoas portadoras podem voltar a levar vidas produtivas e estáveis.

Continue trabalhando com seu ente querido, juntamente com os provedores de cuidados de saúde para encontrar os tratamentos que funcionam, e sempre lembrar ao seu parente ou amigo portador que ele tem o seu apoio.

Fonte: http://www.dbsalliance.org/site/PageServerpagename=esp_about_helping

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Palavras de conforto para pessoas com depressão

Você não está sozinha. Sei que as pessoas dizem que depressão é vaidade, mas eu não acredito nisso. É bobagem. Estou com você. Pode contar comigo para o que precisar, seja um abraço, seja apenas minha presença ao seu lado.

Envie mensagens motivadoras a quem sofre de depressão

Não é como se a pessoa estivesse nessa situação apenas porque ela quisesse. Você, que está passando por isso, saiba que não está sozinho. As coisas estão ruins agora, mas você vai superar. Não é fácil, mas há pessoas que amam você e ajudarão no que você precisar.

Só quem passa ou já passou por depressão sabe que a doença não é falta do que fazer. Tanto que existem pessoas cheias de atividades no cotidiano que estão depressivas. Não se sintam culpados em ter a doença. Não é sua culpa.

Para você, que está com depressão: sinta-se abraçado e acolhido. Para você que está ao lado de alguém depressivo: que tal convidá-lo para caminhar ou correr? Atividade física pode ajudar no tratamento da doença.

Não há vergonha alguma em pedir ajuda. Estar com depressão não é motivo de vergonha. Eu sei que dói, mas procurar ajuda vai aliviar essa dor. Você não precisa passar por tudo isso sozinho.

Depressão é uma doença que faz o indivíduo parar de enxergar a realidade que está à sua volta. E há muitas coisas boas acontecendo. Muitas pessoas se inspiram em você. Procurar ajuda é um passo importantíssimo no tratamento

Depressão é uma doença silenciosa. Nem sempre as pessoas que estão ao nosso redor percebem os sintomas. Converse com elas. Quando temos o apoio de quem amamos, o caminho se torna menos doloroso de enfrentar. Procure ajuda. Você é importante.

Ao sentir os primeiros sintomas da depressão, a tendência de muitas pessoas é isolar-se, não querer contato algum. Falar é difícil, mas falar ajuda. Falar pode ser aquilo que vai tirar você dessa situação. Você não precisa carregar esse fardo. Sua família se preocupa com você e fará de tudo para vê-lo melhor.

Você, que está deprimido, saiba que há com quem desabafar. Não podemos forçar quem sofre de depressão a um falso regime de alegria. Muitas vezes, o que a pessoa precisa é de alguém ao seu lado. Mas também, em outras, ela precisará de privacidade.

É possível vencer a depressão. Leia dicas de lidar com esse mal.

Não se entregue. Você vai ficar bem. Eu sei que apenas palavras não servirão. Por isso, olhe a sua volta. Olhe quantas pessoas amam você e estão dispostos a ajudar. Depressão é uma doença, e a partir do momento em que você entende isso, o primeiro passo em direção à cura está dado.

Ser bom é um dádiva divina. Pratique a bondade.

Prepare seu emocional para lidar com um relacionamento

Não tenha vergonha de pedir ajuda. Depressão é uma doença, e há pessoas capacitadas que ajudarão você a enfrentar a situação. Esses profissionais são importantíssimos, assim como o apoio de sua família e amigos. Não tenha receio em falar com eles, por mais difícil que seja.

Muitas vezes, um sorriso pode disfarçar a mais profunda depressão. Às vezes, a pessoa que é portadora da doença força um sorriso para fingir que está tudo bem. Você não precisa se mostrar forte o tempo inteiro. Se você está sentindo um vazio dentro de si, procure ajuda.

Os sintomas da depressão são muito parecidos com os sintomas de outras doenças, como a ansiedade. Procure ajuda. Um profissional capacitado realizará o diagnóstico correto. Conversar com alguém de confiança, nessas horas, serve de grande ajuda.

Você está deprimida. Não vou te forçar a falar, mas saiba que desabafar pode aliviar um pouco esse peso que você vem carregando. Eu vou estar aqui ao seu lado para quando você estiver pronta para falar. E mesmo que não esteja, não esqueça que pode contar comigo.

Se você conhece alguém com depressão, não desdenhe do que essa pessoa está sentindo. Ouça-a, tenha empatia. E você, que está com essa doença, não deixe que a ignorância dos outros te impeça de pedir ajuda. Existem pessoas que vão te entender e que vão tentar ajudar.

Pessoas com depressão precisam de suporte. Esteja lá por elas!

Como manter o namoro com alguém que está em depressão, sem adoecer junto

Falta de vontade de sair, de levantar da cama, tristeza, desânimo persistente. A depressão é uma doença que atinge milhões de pessoas pelo mundo e pode levar à morte.

Familiares e amigos de alguém com um quadro depressivo muitas vezes sofrem junto. Se o vínculo for amoroso, então, o impacto pode ser ainda maior.

Relacionar-se amorosamente com uma pessoa em depressão não é simples, mas a doença não é contagiosa e é possível, sim, namorar sem adoecer.

“Não se transmite depressão e um não tem o poder de tornar o outro depressivo.

No entanto, a doença pode interferir no humor do casal, impossibilitando que a harmonia e a saúde mental, fundamentais para qualquer relacionamento, sejam preservadas.

O maior desafio está em poder identificar o que é seu e o que é do outro, para assim tentar ajudá-lo”, explica a psicóloga Kátia Bonfadini Pires, da Clínica Leger.

A psicoterapeuta Denise Figueiredo, especializada em terapia de casais, conta que há estratégias que podem ajudar a lidar com a depressão.

“Mente, corpo e espírito precisam estar harmonizados para sair da depressão. Estabelecer uma rotina que tenha atividade física, por exemplo, é ótimo, então, façam juntos uma caminhada. Ampliar a rede de cuidado e proteção dessa pessoa também conta.

Se a pessoa não consegue sair, convide alguns amigos e receba em casa. Também é importante não tornar a depressão segredo e contar às pessoas próximas.

Isso faz com que o deprimido veja que outras pessoas enfrentam isso e que ele não está sozinho”, afirma ela.

Juntos há dois anos, o designer Gabriel, de 30 anos, e o professor Thiago, de 34, lidam juntos com a depressão de Gabriel, que ele tinha antes de conhecer o namorado.

“Ele já tinha ciência dos meus problemas psicológicos, já convivia com a depressão. Achei melhor deixar isso claro para ele de cara. Conversei, falei que eu tinha certas limitações e que era compreensível se ele não quisesse entrar nesse barco. Entrou.

De uma forma geral, eu tento fazer de tudo para não impactar a relação, mas claro que uma hora não dá. Eu nunca sei quando vou acordar bem ou o que pode acontecer durante o dia que vai causar alguma reação.

Sinto que acabo privando ele de diversos programas por minha causa”, conta Gabriel, que esteve por muitos anos em processo terapêutico e, agora, está fazendo uma pausa.

“Ele ter depressão me faz ter mais cuidado com as palavras e atitudes. Algumas vezes, há uma instabilidade no entorno que afeta ele e afeta a gente, mas o que eu faço é buscar apoiar e trazer leveza.

Acho que a maior dificuldade do namoro foi entender situações como querer sair e ele não querer de jeito nenhum e eu entender que não era o Gabriel falando e, sim, a depressão. Também há situações em que ele fica silencioso e quieto. Tento entender que não é comigo.

E tento ser um ponto de apoio para o Gabriel”, explica Thiago, que prefere não ter o sobrenome revelado por ser professor. “Acho que ele está bem melhor hoje em dia. Ele diz que eu trago leveza.”

“O fato de ele compreender e entender a minha situação me deixa mais à vontade, sim. Ele me deixa confortável pra ter o meu momento e entende quando acontece alguma crise”, conta Gabriel.

Depressão de um, terapia para os dois

Kátia Bonfadini Pires explica que, quando se está lidando com uma pessoa em depressão, é importante que os dois busquem tratamento psicológico para que possam se ajudar e para que a parte saudável não adoeça.

“O importante é saber separar o que é de cada um, o que cada um está sentindo. Para isso, é importante que ambos tenham um acompanhamento de um profissional capacitado em psicologia, para se tratarem e descobrirem a melhor maneira de lidar um com outro. Caso contrário, é bem provável que a relação desande e não dê certo”, alerta ela.

Denise endossa o discurso de Kátia.

“Se um dia, a parte que não está adoecida acorda e quer sair e a pessoa com depressão não deseja, cabe negociar e dizer 'olha, eu preciso sair, fazer as minhas coisas, trago uma comida na volta'.

Não convém que o parceiro audável fique em casa naquele mesmo estado, não fará bem a ele. Em casos graves, em que a pessoa em depressão não pode ficar sozinha, a responsabilidade pelo cuidado precisa ser compartilhada”, explica.

Preconceito com tratamento

Os estudantes João Francisco e Gabriela Casemiro estão juntos há três anos. Gabriela tem depressão e síndrome do pânico e João Francisco tem ansiedade generalizada, o que atrapalha muito a vida social dos dois.

“Lido com a depressão desde os 10 anos, pratiquei automutilação durante um tempo e meu pai teve muita dificuldade em entender, não aceitava que eu deveria tomar remédio, achava que terapia era besteira”, diz ela.

“No ensino médio, piorei muito com a pressão do colégio. Consegui me abrir com a minha mãe, fui ao psiquiatra e comecei a me tratar com remédio. Hoje, a depressão afeta a minha relação de várias formas.

A gente tem muito problema de sair para os lugares, sentimos muito medo. É difícil a gente conseguir se animar com as coisas. É difícil um apoiar o outro, porque cada um tem um quadro. Nós dois temos tendência a nos isolarmos.

Mas a gente tem tentado entender o espaço do outro, as necessidades, mas é difícil”, relata ela.

Hoje em dia, Gabriela e João estão buscando ajuda profissional para lidar, individualmente, com suas questões.

“Eu tenho plano de saúde, mas a oferta de psicólogos é baixa e disputada. Além disso, você tem que 'dar match' com um profissional, o que não é simples. Então, eu e ele estamos nesse momento de buscar. Eu não fiz isso antes porque sempre ouvi que terapia era para gente maluca e você não quer ser visto como maluco pelas pessoas. Demorou para eu me desprender dessa ideia”, diz ela.

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Kátia afirma que não se deve assumir a função de curar o parceiro ou parceira e, sim, como no caso de Gabriela e João, buscar quem realmente pode ajudar a enfrentar diferentes quadros psiquiátricos com a devida seriedade.

“A maior responsabilidade com o outro neste caso está em solicitar ajuda de um profissional e não tentar resolver sozinho a situação, pois a depressão é uma doença grave que mata milhares de pessoas a cada ano”, alerta.

Uma boa relação amorosa não resolve, mas pode sim ajudar em um quadro depressivo. Denise pondera que a compreensão e o companheirismo com a doença contam muito.

“Meu maior conselho é jamais minimizar a dor do outro. Com respeito, buscar entender e buscar ajuda para poder ajudar é o melhor caminho. Não existe uma relação de causa e efeito, como 'tenho uma boa relação, logo, não terei depressão'. Mas uma boa relação de carinho, amor e respeito pode ajudar muito a sair do modo deprimido”, garante a especialista.

Namoro uma pessoa que tem depressão

Meu namorado e eu estamos juntos há quase dois anos. Tem sido uma delícia: somos companheiros, curtimos o mesmo tipo de música, nos divertimos muito juntos e ele me respeita sempre. Mas existe uma questão importante no nosso relacionamento: ele tem depressão.

Veja bem: eu disse que a questão é importante, e não definidora. Porque nosso relacionamento não se define por isso; é só algo a mais, uma característica dele que me afeta enquanto namorada. Às vezes é mais fácil; outras vezes, parece impossível, mas sempre tem um jeito. Aos poucos, eu tenho aprendido a lidar com isso. E isso é o que eu aprendi até agora:

  1. Depressão não é uma tristeza básica. Depressão é uma doença físico-emocional, causada por uma deficiência nos neurotransmissores e que pode ser desencadeada por vários motivos ou por motivo nenhum – vamos deixar isso bem claro.

    Existem várias formas de depressão, e os sintomas variam, mas geralmente a pessoa deprimida fica sem forças para viver, se isola e acaba deixando de cuidar de si mesma (física e emocionalmente).

    Quando entra em crise, meu namorado costuma me explicar que é como se ele não conseguisse sentir nada, nenhuma emoção, a não ser um tédio extremo e alguma ansiedade. Mas isso muda de pessoa para pessoa.

    A depressão não tem cura, mas os sintomas podem ser controlados com terapia, com remédios antidepressivos e com reguladores de humor prescritos por um psiquiatra. E ter pessoas queridas ao redor pode ajudar, ainda mais se essas pessoas entenderem que a depressão não é uma questão de má vontade, de preguiça ou de incapacidade.

  2. Repita comigo: a culpa não é minha. Não tenho responsabilidade. Nada do que eu fizer pode acabar com a depressão. Vamos combinar: este será seu mantra daqui para frente.

    Às vezes, a pessoa deprimida precisa de um tempo sozinha. Isso pode ser muito difícil.

    Meu namorado tem esses períodos e eu, que sou muito insegura, costumo ficar ansiosa e com medo que ele não queira mais ficar comigo – meu primeiro pensamento é “o problema sou eu”.

    Isso é só um exemplo, já que as pessoas encaram a depressão das mais diversas formas, uns mais agressivos, outros mais tristes, outros mais apáticos.

    Seja qual for o sintoma, acredite: o problema não é você. A culpa não é sua, a responsabilidade não é sua e nada do que você fizer pode acabar com a depressão do seu namorado. A depressão de seu parceiro é uma condição dele. Então, saiba que você não precisa se sentir culpada, como se você tivesse causado alguma crise: você não tem esse poder. É físico.

    Agora, se o seu namorado deposita a responsabilidade e a culpa em você, talvez seja a hora de rever se este relacionamento realmente te faz bem ou se é um relacionamento abusivo. Meu namorado frequentemente deixa bem claro que eu não tenho culpa nenhuma, que ele me ama e que quer me ver feliz, mesmo quando ele está se sentindo mal.

  3. Comunicação é a palavra-chave de qualquer relacionamento, e aqui a conversa se torna ainda mais importante. Não tenha medo de machucar os sentimentos do seu namorado: se vocês estão juntos, diga o que você está sentindo sempre que possível e evite guardar mágoas.

    Por exemplo: às vezes, meu namorado se fecha em si e eu tenho a impressão de que ele cansou de mim. Então, deixo bem claro que estou me sentindo insegura, e conversamos muito até eu conseguir ficar tranquila. Não é um processo fácil, mas ajuda muito.

    Mas fique atenta: o fato de o seu namorado ter depressão não significa que você precisa aguentar qualquer coisa. Depressão é uma doença, e é algo sério, mas não é desculpa para desrespeitar você.

    Se o seu parceiro sofre de depressão, ele precisa procurar um bom psicólogo para tratar do problema, e não descontar tudo em você. Lembre-se: você é a namorada dele, e não um saco de pancadas.

    Você merece ser respeitada e amada sempre.

  4. Nós, mulheres, somos socialmente programadas para cuidar dos outros. Por isso, é muito comum que, ao namorar alguém com depressão, a gente tenha a ilusão de poder “curar” aquela pessoa. Mas isso é um engano muito cruel.

    Primeiro porque você não deveria namorar uma pessoa apenas para “salvá-la”. Isso é no mínimo uma razão bem esquisita para estar junto de alguém. Segundo porque “salvar” qualquer pessoa da depressão é impossível. A culpa não é sua, a responsabilidade não é sua e nada do que você fizer pode acabar com a depressão do seu namorado.

    Uma pergunta muito difícil que meu namorado me faz de vez em quando é se eu estou realmente bem com nosso relacionamento. Eu preciso parar e pensar toda vez, porque é mesmo difícil discernir o que é a necessidade de cuidar e o que é amor. 

    Namoro não é caridade. Se, ao pensar no seu namorado, te dá pena e tristeza, ao invés daquela sensação gostosinha de “quero estar com essa pessoa”, será que está mesmo tudo bem? Querer ajudar a pessoa amada faz parte de um relacionamento. Mas estar com ela só por isso não faz muito sentido.

  5. – Seja compreensiva
    Sabe quando você fica gripada e não quer ver ninguém? Depressão é mais ou menos a mesma coisa, só que em proporções bem maiores e em termos psicológicos.

    Seu namorado está doente, e você precisa compreender que ele provavelmente não vai ter pique para te acompanhar na balada, para ficar te olhando apaixonadamente, para ir naquele jantar de família com você ou até (sim) para transar.

    Tente exercitar a empatia: quando você está com candidíase ou infecção urinária fica difícil de ter relações sexuais, não é? Então, respeite a depressão do seu namorado!

    – Estude sobre depressão
    Procure a tag #depressão no tumblr, leia artigos online, converse com pessoas que tenham depressão, consulte psicólogos, veja filmes sobre o assunto.

    Uma coisa que eu costumo repetir sempre para o meu namorado é que eu nunca vou entender o que ele passa, mas posso empatizar e apoiá-lo sempre.

    E, quanto mais você conseguir entender como a depressão se manifesta, menos difícil será lidar com ela.

    – Incentive o tratamento psicológico 
    Vamos lembrar que a depressão é uma doença, e não uma tristeza passageira. Portanto, ela só pode ser tratada por um médico especializado – que, no caso, é um psicólogo -, e seu namorado só vai conseguir melhorar se tiver a capacidade de encarar isso.

    Meu namorado é bem resolvido com o tratamento psicológico dele, e costuma dar um argumento muito bom para quem recusa a terapia: se você quebrasse uma perna, diria que não precisa de médico? Então, por que dizer que seu emocional não precisa de médico quando ele está visivelmente doente?

    Não fique em cima
    Seu namorado está deprimido, e não “tristinho”. Ele está doente.

    Então, imagine como é frustrante quando você o abraça e diz que “vai ficar tudo bem”? Abra espaço para ele, deixe ele ficar um tempo sozinho se precisar, ouça o que ele tem para dividir com você, mas não pressione. Em vez de dizer “o que você quer que eu faça?”, que tal perguntar “como você está se sentindo hoje?”.

    Às vezes, só ficar em casa com ele por um tempinho já faz alguma diferença (meu namorado, por exemplo, gosta de jogar videogame quando está deprimido, então eu costumo ir ler ou desenhar na casa dele, mas sem deixar de fazer minhas coisas para isso. Costuma ser uma troca bem gostosa de energias).

    Pequenas ações não-sufocantes são bacanas, porque mostram que você se importa o suficiente para dar atenção só por dar atenção – e não porque você precisa de atenção de volta. Tenha paciência: tratar uma depressão não é como tratar uma gripe.

  6. Até agora, só falamos do bem estar do seu namorado. Mas nessa história toda, você importa também. Uma coisa complicada de estar em um relacionamento com alguém que tenha depressão é que é muito fácil ceder e fazer sempre o que você julga melhor para a pessoa. Mas, de novo, a culpa não é sua, a responsabilidade não é sua e nada do que você fizer pode acabar com a depressão do seu namorado.

    Então, primeiro: procure uma terapia bacana. Eu faço terapia uma vez por semana e isso tem me ajudado em muitos aspectos, não só em relação ao meu namorado.

    Fui percebendo aos poucos que eu não preciso ficar fazendo as vontades das outras pessoas para que elas gostem de mim – o que era um problema quando comecei a namorar. A terapia também te ajuda a entender o que você realmente quer, e a discernir compaixão de amor, por exemplo.

    Aos poucos, você vai compreendendo se a relação te faz bem ou mal, e, caso te faça mal, vai ganhando forças para terminar.

    Segundo: separe o seu humor do dele. Se ele está numa crise de depressão, isso não significa que você precisa estar para baixo. Aliás, pense bem: se você ficar triste porque ele está deprimido, ele provavelmente vai se sentir culpado, o que só piora as coisas.

    Então, saia com seus amigos, trabalhe, continue seus hobbies, mantenha-se ativa: se o seu namorado te ama, vai ficar aliviado de te ver feliz. Meu namorado vive me incentivando a viajar, a conhecer pessoas novas, a sair sem ele, a ter minha vida.

    E isso é incrível, porque nenhum namoro deveria te podar.

    Terceiro: converse com seus amigos sobre isso. Traga-os para perto, saia com eles, desabafe. Pode ser muito difícil fazê-los entender o estado do seu namorado, mas tentar é sempre um bom exercício, porque você acaba não se isolando e, ao mesmo tempo, tirando um peso grande dos ombros. Você pode confiar nas suas amigas também e exercitar a sororidade.

    Quarto: não se sinta culpada ou egoísta se decidir terminar. Manter um relacionamento com uma pessoa em depressão demanda muita atenção, cuidado e zelo, mas pode ser que você esteja dando demais de si mesma sem nenhum retorno. Pode ser que você não aguente mais seu namorado sendo grosso com você.

    Pode ser que você não consiga suportar quando ele se afasta. E quer saber? Tudo bem! Você não é uma pessoa horrível ou egoísta por deixar seu namorado nesse estado. De novo, pela milésima vez: a culpa não é sua, a responsabilidade não é sua e nada do que você fizer pode acabar com a depressão dele.

Sabe o que é mais curioso? É que manter um relacionamento, mesmo que um dos parceiros não seja deprimido, demanda muitos dos pontos que eu citei: cuidado consigo, companheirismo, diálogo, apoio mútuo e manter uma vida própria. Namorar alguém com depressão, portanto, não é algo de outro mundo: só requer um pouquinho mais de maturidade e vontade – e o exato mesmo tanto de respeito mútuo de qualquer relacionamento.

* “Namorado” = “namorado ou namorada”

** A autora pediu anonimato para preservar a intimidade do namorado. E nem precisava justificar, né?

Meu namorado tem depressão, e agora? Como ajudar seu amor sem descuidar de você

“Em alguns dias nos falamos com o corpo; ela precisa de silêncio para se organizar e a paciência é a alma da relação. Dou bastante suporte, sempre tento saber como ela está e se quer a minha presença. Às vezes, ela parece estar em outro planeta, não me responde e eu fico muito aflito.

Quando finalmente fala, mostro como estou feliz por poder conversar com ela, porque a amo e quero saber se ela está bem. Já tive depressão, o que torna muito mais fácil entender a confusão que se passa em sua cabeça, os pensamentos acelerados e a lógica quase sem nexo para a maioria das pessoas.

Sei exatamente como é e consigo perceber que ela fica mais tranquila por saber que entendo o que ela está vivendo.”

O depoimento acima é do analista de suporte técnico Rodrigo Castellano. Poderia ser apenas mais um relato sobre o dia a dia de um casal, não fosse um detalhe. Em 2011, Patricia Teixeira, sua companheira há 3 anos, recebeu o diagnóstico de depressão.

Desde então, Teixeira começou a observar com mais atenção como a doença impacta em seus relacionamentos. De acordo com ela, a depressão faz você sentir que está errado a todo momento e que nada do que você faz é o suficiente.

Por isso, ter um companheiro que tenha empatia e entenda o seu contexto é primordial para que a pessoa não se afunde ainda mais na doença.

“Estar em um relacionamento pode ser perigoso para as pessoas que convivem com a depressão. Isso porque você se torna um alvo fácil para relacionamentos abusivos”, explica Teixeira. “Para quem tem depressão, sentir que não está sozinho é um santo remédio”, define.

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A depressão faz o paciente achar que está errado o tempo todo.

Para lidar com a depressão, primeiro é preciso entendê-la

No Brasil, a depressão atinge cerca de 5,8% da população, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Porém, falar sobre o tema ainda é um tabu.

Para muitos, a depressão está associada à ideia de “falta de coragem”. Como se a doença fosse mais um “estado de espírito” do que um desequilíbrio do nosso corpo, literalmente. Isso, associado ao preconceito e à desinformação, leva as pessoas a se calarem sobre os desafios enfrentados durante uma crise.

A estudante Mariana Pereira*, de 19 anos, namora há 5 anos o jovem Pedro Henrique Castro, de 20. Em 2018, Castro foi diagnosticado com depressão, e a estudante passou a refletir bastante sobre como reconhecer a doença foi importante para o casal.

“Nosso relacionamento é como pisar em ovos. Tenho medo de dizer coisas que piorem a situação dele. Faço de tudo para ser uma boa companhia. Quando ele me contou da depressão, me senti culpada por diversas vezes ter sido grossa e pelas coisas que falei sem pensar. Em partes, acreditava que a culpa do diagnóstico dele era minha”, conta Pereira.

A estudante conta que, apesar da necessidade de acompanhamento psicológico, o namorado ainda resiste ao tratamento.

“Recentemente, com o aumento das crises, ele decidiu contar para a família. Eu quero ajudá-lo de todas as formas, mas entendo que não tenho os mesmos recursos de um profissional. Ele precisa melhorar e não acho que vá conseguir só com a minha ajuda”, opina.

Definida pela OMS como um transtorno mental frequente, a depressão pode se mostrar de várias formas, como na perda da capacidade de começar novas atividades e em uma tristeza e apatia ao experimentar situações que, em condições normais, poderiam estimular satisfação e prazer. Os sintomas físicos também podem surgir, como a perda de apetite, a diminuição da libido, dores no corpo ou até mesmo desarranjos intestinais.

Além disso, o psicanalista Christian Dunker explica que a depressão se mostra de maneiras distintas em homens, mulheres, crianças e adultos, podendo ser confundida ou mascarada com uma série de outros transtornos.

“O humor da pessoa muda e, no geral, ela se torna mais agressiva e reativa”, descreve o psicanalista.

Nem sempre seu parceiro vai estar bem; e tudo bem você ficar triste com isso

Não é possível colocar os diversos espectros da depressão em apenas uma caixinha fechada de estereótipos. “Alguns [pacientes] falam da descontinuidade da vida, já em outros o humor muda e a pessoa pode estar muito contente em um momento e mal no outro. Assim, a depressão pode ser uma espécie de dor intensa, com pensamentos de tristeza permanente”, compara Dunker.

Mas pouco se fala dos sentimentos de quem convive e mantém um relacionamento com alguém que foi diagnosticado com a doença. De acordo com Dunker, em muitos casos, o depressivo não responde exatamente como se espera “ao reconhecimento, amor e carinho que sentimos por ele”.

“Com isso, quem está em um relacionamento acaba envolto ao sentimento de que está dando mais do que recebe e, com o tempo, essa pode ser uma relação que vai se desgastar pelo saldo da falta de reconhecimento”, completa.

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Caminhar junto é importante para conseguir superar um quadro de depressão.

As crises acontecem e nada disso é sua culpa

Talvez este seja o maior desafio de um relacionamento: entender até que ponto um indivíduo tem responsabilidade e efeito sobre os sentimentos e os comportamentos do outro. No caso da depressão, isso é ainda mais desafiador.

É comum que em momentos de crise depressiva, o parceiro precise de espaço. É claro que é importante estar perto e acompanhar o seu companheiro, mas, sobretudo, é importante respeitar o tempo da outra pessoa — e a transformação necessária para que ela enfrente aquele período tortuoso.

Nem sempre vai ser fácil, mas é importante entender que essas situações fazem parte da doença e que você não tem culpa disso. A estudante Mariana Pereira, por exemplo, encontrou no distanciamento uma maneira de se proteger.

“Quando rolam as crises, tento acalmá-lo ao máximo, mas às vezes ele explode e eu não consigo ajudar. Não tenho paciência para tudo. Entendo que ele não tem culpa, mas não consigo absorver sozinha. Nesses momentos, me afasto e tento me acalmar de outras formas”, conta.

Já para Daniela Silva, de 22 anos, o segredo em momentos de crise é não se desesperar. Ela conta que a sua namorada Larissa Mariano, 21 anos, tem crises de ansiedade recorrentes, mas que nem sempre ela consegue estar por perto para ampará-la.

“Me sinto como se não pudesse ser útil em nada. O que tento fazer é falar sobre algo que a deixe mais tranquila, que a faça bem e feliz. Às vezes funciona, às vezes não, mas seguimos trabalhando para que um dia isso possa passar”, relata.

Larissa Mariano conta que as tentativas de acolhimento de sua namorada funcionam, já que toda vez que ela tem dificuldades para dormir, por exemplo, ou enfrenta uma situação grave de ansiedade, ela liga para Daniela e as duas ficam conversando por um tempo.

“É algo rotineiro, mas que me dá forças. Viver este relacionamento para mim é saber que tenho alguém o tempo todo e saber que não preciso passar por isso sozinha”, reflete.

Mas como lidar com o sentimento de culpa de nunca ser bom o suficiente para o seu parceiro, que não está bem?

O psicanalista Christian Dunker explica que é muito importante não deixar que esse tipo de pensamento seja uma constante.

“Em situações assim, reconhecer que a depressão tem uma força autônoma é muito importante para conseguir produzir alguns distanciamentos que são necessários e que façam aquela dupla seguir. É muito ruim quando um dos parceiros se acaba para que o outro consiga se reconstruir”, conclui.

Como posso ajudar meu parceiro que tem depressão?

  • Note os sinais. Preste atenção no comportamento do outro e conversem sobre os sentimentos. Caso seu parceiro se sinta desanimado por longos períodos, tenha pensamentos negativos recorrentes, não queira seguir em frente ou fazer coisas que antes lhe davam prazer, atente-se.
  • Não subestime o outro! Muitas vezes a depressão é confundida com a tristeza. Por isso, as pessoas subestimam as consequências incapacitantes da doença. Para quem convive com a depressão, por exemplo, levantar da cama e tomar um banho podem ser desafios enormes.
  • Incentive que o seu parceiro busque a ajuda de um profissional. Pode ser um terapeuta ou um psiquiatra.
  • Como a sociedade pode colaborar? Falar sobre o problema, com uma psicoeducação sobre a depressão, já ajuda milhares de pacientes a passarem pelo processo de uma maneira mais confiante.

E como eu posso me ajudar?

  • Tenha cuidado com o sentimento de pena e o que ele pode desenvolver em você;
  • Estude e entenda mais sobre as oscilações de humor do seu parceiro e saiba reconhecer certos padrões de comportamento e como eles te afetam;
  • Não seja extremamente tolerante com a agressividade e a autopiedade;
  • Respeite os seus limites;
  • Cuide de si para poder cuidar do outro: pratique alguma atividade física, exercite a mente e se sinta bem na sua própria pele;
  • Quando perceber que deixou de se cuidar e se priorizar, volte e analise a situação.

(*O nome da fonte foi alterado para manter o anonimato.)

Caso você — ou alguém que você conheça — precise de ajuda, ligue 188, para o CVV – Centro de Valorização da Vida, ou acesse o site.

O atendimento é gratuito, sigiloso e não é preciso se identificar. O movimento Conte Comigo oferece informações para lidar com a depressão.

No exterior, consulte o site da Associação Internacional para Prevenção do Suicídio para acessar uma base de dados com redes de apoio disponíveis.

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