Como ajudar um dependente químico (com imagens)

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Daniel Santos Cardoso seguiu a trajetória comum ao vício. Aos 12 anos começou a beber, depois experimentou maconha e por fim perdeu o controle na cocaína. Foram vários internamentos por overdose.

No último, deu entrada no hospital e se despediu da filha e da esposa. Pelo seu estado, tinha certeza que ia morrer. Mas uma enfermeira lhe deu a esperança de vida.

“Ela perguntou para a mãe da minha filha: você crê que ele nunca mais vai usar drogas?”

Essa pergunta tocou Daniel e foi um marco para a transição a uma vida nova e sem drogas. A ideia do aplicativo Socorre.me surgiu após essa experiência. O Analista de Sistemas desenvolveu o software e encontrou na ajuda a outros dependentes um propósito de vida.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)Daniel Cardoso apresenta ideias em palestras, fóruns, comunidades, igrejas e congressos

O aplicativo é gratuito e de fácil utilização. Está disponível para Android e IOs em oito idiomas. Em três anos já foi baixado por 16.500 pessoas.

 O usuário preenche um perfil sobre hábitos e histórico do uso de drogas. Pode fazer um acompanhamento que inclui fotos para comparar o antes e o depois.

Uma contagem marca o número de dias em que a pessoa está “limpa” e traz orientações para casos de recaída.

>>Os primeiros sintomas, os riscos de morte e quando se vacinar contra a febre amarela

O Socorre.me também calcula o quanto de dinheiro e tempo  já foram gastos com o vício. Em dez anos, por exemplo, uma pessoa que fuma um maço de cigarros gasta cerca de R$ 30 mil. No caso de drogas é comum a pessoa perder carro, casa e todos os bens da família.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)Aplicativo oferece vários serviços para ajudar na recuperação da dependência química

O aplicativo usa vídeos e fotos motivacionais. As imagens pessoais de cada usuário ajudam a lembrar o que é mais importante.

Momentos de felicidade com pessoas queridas e lugares que trazem paz e tranquilidade ajudam nas crises de abstinência.

  Uma lembrança de uma viagem ou um momento especial em que a pessoa foi feliz sem o uso de drogas fortalece a decisão de não recair no vício.

Experiência

O auxiliar administrativo Janderson da Silva, 33 anos, usa o Socorre.me desde 2016. Teve o primeiro contato com álcool e drogas aos 13 anos, após a perda do pai. Usou maconha, cocaína, crack e éter.

Depois de baixar o aplicativo no celular passou a receber mensagens diárias. “Todos dia eu recebia uma mensagem sobre o quanto eu gastei com minha vida desregrada e o que eu poderia ter conquistado.

Além de mensagens espirituais e motivacionais. Ano após ano a linha do tempo me mostra as mudanças sem as drogas. Tudo isso foi fundamental para mim.

” Atualmente Janderson da Silva trabalha como missionário em São Paulo e ajuda pessoas em busca de reabilitação.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)O aplicativo foi fundamental para a reabilitação de Janderson da Silva. Foto: Arquivo pessoal.

Reconhecimento

A tecnologia de combate às drogas criada por Daniel foi considerada pelo Sebrae uma das 25 melhores ideais surgidas em 2015, quando o projeto foi apresentado na sede da instituição em São Paulo.

Hoje, Daniel faz parte de um seleto grupo de startups brasileiras que ganha mercado a cada dia. Também criou um canal no YouTube para ajudar na recuperação de usuários de drogas e pessoas compulsivas.

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Pensando nesta relação, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do Distrito Federal (Sejus-DF), por meio do projeto Ame, mas não sofra! promoveu esta semana Curso de Multiplicadores de Ações de Apoio às Famílias de Dependentes Químicos.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)

Coordenadora do projeto Ame, mas não sofra!, Gianni PuglisiImagem Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Segundo a coordenadora do projeto, Gianni Puglisi, é comum os pais colaborarem com o vício pensando que estão ajudando. “A família acha que está colaborando com a recuperação, quando na verdade está atrasando.

Por exemplo: há mães que pagam dívidas dos filhos com traficantes ou outras que vão à boca [de fumo] comprar a droga porque acham o local perigoso para o filho, pais que dão dinheiro para o filho comprar droga, para que o dependente não roube.

A família se torna facilitadora e isso é prejudicial para todos”, contou Gianni.

A coordenadora ressalta que a família deve entender que a dependência é uma doença que precisa de tratamento multidisciplinar.

”A gente tenta dar uma chacoalhada na família para ela perceber que esse processo [de deterioração da família] não é normal, que a família não deve se anular, mas sim procurar ajuda.

A gente procura informar através de psiquiatras que a dependência é uma doença, mas a família insiste que o carinho, o amor e o grito vão resolver, mas o que resolve é o tratamento”.

Fernando José Wanderley, psicólogo e palestrante do evento, explica que a família deve seguir adiante, apesar do problema de dependência. “A ideia é ensinar a família a se desligar emocionalmente do problema, a ponto não de abandoná-lo, mas manter uma distância saudável para seu desenvolvimento.

Segundo o especialista, se as pessoas que estão ao redor seguirem suas vidas, continuarem suas profissões, forem ao teatro, tiverem uma vida normal, eles terão força para ajudar o dependente quando ele realmente quiser tratamento.

“Se o adicto não quiser parar ele não para, não adianta a família se voltar toda para ele, se anular”.

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Psicólogo Fernando José Wanderley Fabio Pozzebom/Agência Brasil

O especialista fala em “terapia da realidade”, mostrar que o dependente tem apoio se ele quiser, mas que ele precisa querer sair da situação. Wanderley reconhece que na maioria das vezes não é fácil para a família se distanciar, mas ela deve fazer isso por etapas, “vivendo um dia de cada vez”.

Maria do Socorro Rodrigues emagreceu 7 quilos quando descobriu por meio da escola do filho que ele estava usando drogas aos 16 anos. “Foi um choque. Eu não sabia o que fazer”. A aposentada conta que o filho já tentou tratamento várias vezes e hoje, aos 32 anos, está novamente se tratando. Aos poucos ela aprendeu a lidar melhor com o problema seguindo sua vida adiante.

“Quando ele, já depois dos 20 anos, ameaçou ir embora de casa eu disse que a porta estava aberta para ele ir embora e para voltar quando quisesse. Ele acabou não indo”, relembra.

Hoje Maria do Socorro participa do curso para aprender a lidar com a situação e também passar informações para o grupo da igreja onde ajuda dependentes e parentes.

“Com o curso eu pude ver que a culpa de meu filho se drogar não foi minha. A gente acabe se sentindo culpada, mas não é”.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)

Fátima Pereira, assistente social (Fabio Pozzebom/Agência Brasil) Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Já Fátima Pereira foi para o curso por interesse profissional. “Como assistente social da área de saúde já vi muitas famílias se desestruturarem por causa da dependência. O mais difícil é mover a família a pedir ajuda, mas ela também precisa de tratamento”, ressaltou.

Fátima conta que já viu famílias perderem todo o patrimônio, tanto no tratamento de um dependente quanto com a falta de conhecimento de como dar limites a ele.

O projeto Ame, mas não sofra! tem quase um ano e atende parentes de dependentes na sede da Sejus-DF ou por meio do telefone (61) 2104 1868, identificando as necessidades da família e encaminhando para o atendimento de saúde, se necessário. Entre as pessoas que procuraram o atendimento neste primeiro ano de funcionamento, 80% são mulheres e metade destas mulheres, são mães de dependentes.

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Edição: Denise Griesinger

Érika Vilela

A vida acontece num processo contínuo, é movimento, é mudança. O dependente químico, para mudar, precisa se sentir pronto e decidido pela transformação. O modelo dos estágios de mudança (a pré-contemplação, a contemplação, a preparação, a ação, a manutenção e a recaída) é uma das muitas formas usadas no tratamento da saúde mental para preparar alguém para a transformação.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)Foto: Wesley Almeida/cancaonova.com

De modo geral, há cinco princípios norteadores para a abordagem motivacional:

1. Expressar empatia

Por meio de uma escuta reflexiva, você acolhe e compreende o ponto de vista do outro sem necessariamente concordar com ele. Frases como “entendo o que você diz” ou “partindo do seu ponto de vista” são valiosos instrumentos a serem usados nesse princípio.

2. Desenvolver a discrepância

Mostre a diferença entre seu comportamento, suas metas e o que ele pensa que deveria fazer para alcançá-las. Em meu consultório, costumo usar a figura do “caminho”, ilustrando onde ele está agora, onde quer chegar, qual o melhor trajeto a percorrer para atingir o ponto de chegada.

3. Evitar a confrontação

A pessoa deve ser sempre “convidada a pensar sobre o assunto”. Faça uso de perguntas como: O que você pensa sobre isso? Podemos pensar juntos em um plano de mudanças de hábito?

4. Lidar com a resistência

Aquele que precisa de nossa ajuda pode resistir às sugestões ou propostas que você fizer. Seja compreensivo e aguarde vir dele a decisão de quando e como mudar. Forneça informações que o ajude a considerar novas e diferentes alternativas.

Exemplificando, ao abordar alguém que faz uso abusivo ou nocivo de álcool, esclareço sobre os danos do consumo de alto risco, as doses de bebidas consideradas seguras pelos especialistas e a diferença no teor de álcool que cada bebida contém.

Aguardo que ele me interrogue: “O que fazer e como parar?”.

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5. Fortalecer a autoeficácia

Esse princípio está relacionado à motivação da fé que a pessoa tem em si mesma, em sua capacidade de mudança. Encorajar e estimular cada passo são atos importantes para que ela se sinta fortalecida e permaneça firme no decorrer do caminho.

Após nos aprofundarmos nesses princípios, vamos refletir sobre o primeiro estágio, que é a pré-contemplação. Nele, a pessoa não considera ruim o uso que faz da substância. É aquele usuário feliz, que não vê seu comportamento como um risco para a sua saúde, de seus familiares e da sociedade.

O que fazer nesse estágio? A informação ainda é o melhor instrumento a ser utilizado. Conscientizemos e esclareçamos sem nos impor. Deixemos o primeiro passo partir dele. Depois, façamos recomendações ou o motivemos em estratégias para reduzir ou cessar o consumo. Esse será o ponto de partida da próxima etapa: a contemplação.

Por enquanto, resta-nos observar o discreto movimento do rolar da pedra.

Como Ajudar um Dependente Químico (com Imagens)

Mineira de Montes Claros (MG), Érika Vilela é fundadora e moderadora geral da comunidade ‘Filhos de Maria’. Cursou Medicina pelas Faculdades Unidas do Norte de Minas e especialista em psiquiatria pelo Instituto de ciências da Saúde, e em Dependência Química pela UNIFESP.

Érika atua como pregadora, articulista, missionária pela Casa Mãe de Misericórdia e médica na Estratégia Saúde da Família e na Clínica Home-Med. Evangelizadora com fé e ciência, duas asas que nos elevam para o céu, ela tem a bela missão de encontrar, na união mística com a dor salvífica de Cristo, a força para seguir em frente, sabendo que Deus opera sempre as Suas maravilhas!

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Descubra como ajudar um dependente químico com a história da Amélia

Ser uma mulher separada, com três filhos, e ver que todos eles são viciados em droga é um problema que nem todas as pessoas conseguem enfrentar. Por isso, você precisa conhecer a história da Amélia Silveira, de 45 anos, que ao ajudar um dependente químico — seu filho Wagner —, descobriu que os outros dois estavam na mesma situação.

A luta foi grande para evitar a morte deles: foram muitas brigas, castigos, internações, opiniões alheias e julgamentos a serem superados. No entanto, seu afinco mantém os filhos, hoje, em tratamento. Continue a leitura para saber como foi a trajetória da Amélia nesse longo percurso!

Como tudo começou

Meu nome é Amélia Silveira e tenho 45 anos. Fui casada por 25 anos e vivia com meu ex-marido no Rio de Janeiro. Logo que nos separamos, em 1989, vim morar em São Paulo, em Guarulhos, com meus três filhos: Wagner, de 17 anos, Anderson, de 15, e Willian, de 13 anos.

Comprei uma casa e vivíamos na frente. Os fundos da propriedade foram alugados para três rapazes que também vieram do Rio de Janeiro. Nessa época, eu fazia o curso de Direito e não sabia o que acontecia lá quando estava fora — e nem que aqueles garotos eram viciados em drogas.

A convivência dos meninos com os vizinhos fez com que eles convencessem meus filhos a consumir drogas. Quando eu descobri, perdi o chão. Isso aconteceu em um dia que o Wagner usou muita cocaína e misturou com bebida alcoólica. Ele começou a passar mal, não conseguia respirar e me pediu para levá-lo ao hospital.

Chegando lá, a descoberta: estava tendo uma overdose. Daí, o próprio Wagner me contou que era usuário de maconha e cocaína, e que tinha influenciado os irmãos menores a usarem também. Imagina o desespero que eu senti! Fiquei três noites sem dormir, sentindo vergonha. Se meus amigos da igreja descobrissem, o que iam dizer?

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Mandei os inquilinos embora. Para piorar a situação, meus filhos me confirmaram que já tinham começado a vender. A droga era repassada na lanchonete que os três trabalhavam — fui eu que consegui o emprego.

Clínica de recuperação para ajudar um dependente químico

Não sabia que atitude tomar, e me sentia insegura. Criticava e brigava com eles o tempo todo. Parece que, a cada briga, a situação piorava. Decidi, então, internar dois deles. O Wagner ficou em uma clínica de recuperação em Taubaté, e o Anderson em Mairiporã.

Por ser o mais novo, achei que conseguiria curar o Willian em casa mesmo, mas não deu certo. Um dia preparei a mala dele escondido, coloquei no carro e convidei-o para visitar o Anderson. Quando chegamos na clínica, internei ele também.

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Tudo era novidade para mim nesses 6 meses que os meninos ficaram em tratamento para dependência química. Nessa fase, em 1992, eu já estava com meu segundo esposo, um italiano que me deu a força que eu precisava para enfrentar esse processo. Ele estava sempre presente.

Os meus filhos faziam tratamento com psicólogos e com os médicos. A cada 15 dias passávamos o dia com eles, almoçando, conhecendo mais a respeito do tratamento e da evolução de cada um. Conversávamos com os médicos, terapeutas e diretores.

Também participávamos de grupos de suporte à família. Em uma das clínicas, de um centro espírita, havia a presença de muitas psicólogas para acompanhar — além do Nar-Anon, que era um grupo que eu gostava muito, porque achava que era mais neutro.

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Citei esses porque meus filhos passaram por várias internações. Em 2012, Wagner ficou 15 dias na Cracolândia. Eu não sabia onde ele estava, mas a moto dele tinha rastreador. Assim, pedi para um amigo se passar pelo Wagner, informando a empresa de rastreamento que a moto tinha sido furtada e precisava da sua localização.

A empresa localizou e chamou a polícia. Quando chegamos lá, ele estava com mais 8 pessoas há 2 semanas se drogando. Trouxe meu filho de volta para casa e o internei novamente. Essa foi a última dele.

Entendi que meu papel na vida do Wagner — o filho que me deu mais trabalho — era dar apoio e pagar as internações. No entanto, a presença da sua esposa Marina e do seu filho João Vítor foi fundamental para que ele percebesse a relevância da família.

Nessa ocasião fiz tudo ao contrário das internações anteriores. Deixei-o na clínica e não fui visitá-lo nenhum dia — me recusei a fazer os procedimentos que eles me pediam. Também não permiti que minha nora e meu neto fossem. O Wagner passou Natal e Ano Novo sozinho, mesmo implorando para irmos.

Um dia ele foi até a igreja que tem lá dentro da clínica e conversou com a imagem de Jesus, questionando qual era o propósito de sua vida. Na noite seguinte sonhou com um projeto de vida que colocou no papel para mostrar para a psicóloga, que o incentivou. Assim nasceu o projeto Viver Sem Drogas. 

Depois que saiu da clínica de recuperação, ele passou a valorizar sua família, a esposa se tornou evangélica e ele frequenta a igreja todos os domingos — casou perante Deus com a Marina. Ele tem dois apartamentos e já está acabando de quitá-los. Tem carro e os filhos estudam em colégio particular. Wagner pratica Karatê com os filhos e a filha faz balé.

Na verdade, eu acho que quem conseguiu tirar o Wagner do mundo das drogas foi minha nora. Para mim ela é uma santa.

Da tempestade à bonança

Uma coisa tenho a dizer: hoje entendo que a dependência química se trata de uma doença. Meus filhos precisaram ser internados em clínicas de recuperação, passaram por recaídas e, a cada internação, me sentia frustrada por não conseguir curá-los. Faz parte do processo.

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Considero que as clínicas são os melhores lugares do mundo para qualquer mãe/pai deixar seu filho em tratamento com internação voluntária (que é excelente) ou internação involuntária (que é primordial).

Agradeço a Deus por ter tido essa força, porque foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado. Afinal, para um usuário de drogas, existem os caminhos da internação, da cadeia ou da morte.

Hoje o Anderson está bem, trabalhando de Uber. Wagner mudou positivamente a conduta de sua vida, mas a felicidade não está completa, porque o Willian, que já tinha deixado as drogas, sofreu um acidente de moto e faleceu em 2000.

Mesmo com esse vazio no meu coração, acompanho e participo do projeto Viver Sem Drogas, do Wagner. Foi por meio dele que conheci a Rock Content e vi os resultados que trouxeram para o site. Acabei contratando a empresa para divulgar o meu escritório de advocacia na área de Direito Esportivo.

Já obtive resultados: recebi 6 clientes. Até um jogador de futebol do México já entrou em contato comigo. O empresário dele viu o meu site e pediu para a mãe do jogador, que mora em Foz do Iguaçu, ligar para mim em São Paulo. Fechamos o contrato e vou providenciar alguns documentos para ele.

Gostou de conhecer a história de superação da Amélia? Então compartilhe este post nas redes sociais para ajudar um dependente químico e, principalmente, a família dessa pessoa!

Somos especializados no encaminhamento e tratamento de usuários de drogas. Entre em contato com a Instituição Viver sem Drogas para conversarmos mais!

E quando o dependente n�o quer se tratar?

“A pessoa � quem precisa querer parar”. Mesmo com a grande quantidade de informa��es dispon�veis sobre o assunto depend�ncia, pouco se tem falado sobre uma quest�o fundamental: como persuadir um dependente a aceitar ajuda?

A interpreta��o literal desta premissa gera enorme desesperan�a e sentimento de impot�ncia �s fam�lias de dependentes de drogas, influenciando-os para que cheguem ao tratamento j� com quadros negativos, grav�ssimos ou irrevers�veis. Assim, uma grande parcela fica entregue ao curso autodestrutivo desta doen�a, imaginando que nada se possa fazer.

A motiva��o para mudar � necess�ria, mas conv�m examinar esse aspecto com um cuidado maior, pois corre-se o risco de ser conduzido por grande mal-entendido.

� fato que, para um tratamento ser bem sucedido, � imprescind�vel a ades�o do paciente. No entanto, o problema com o qual nos defrontamos � que nem sempre o principal interessado quer ajuda.

� raro um dependente procurar algum recurso espontaneamente.

Usualmente o indiv�duo deseja modificar algo quando percebe que est� se prejudicando ou mesmo quando est� descontente. Mas raramente ele consegue experimentar este processo.

Uma das caracter�sticas mais marcantes da depend�ncia qu�mica � a perda da condi��o de perceber o que est� acontecendo. O sujeito diminui a intensidade dos problemas, transfere a responsabilidade para os outros, faz promessas que n�o pode cumprir.

O resultado � sempre o mesmo: as perdas continuam e cada vez mais intensas.

Portanto, compreendemos que, mesmo com as informa��es dispon�veis sobre os riscos causados pelo uso de drogas ou os conselhos de familiares e amigos, os tratamentos podem ter pouca repercuss�o sobre o comportamento do dependente.

Surgem ent�o questionamentos dignos de nota: o fato de um indiv�duo n�o aceitar submeter-se a um tratamento mesmo apresentando dificuldades evidentes significa que devemos desistir de trat�-lo?

Ser� justo permitir que o dependente qu�mico portador de uma doen�a que est� fora de seu controle fique � merc� de um processo t�o autodestrutivo? O n�mero crescente de indiv�duos com este tipo de dificuldade nos motiva cada vez mais a buscar novas alternativas de abordagem. Pessoas s�o diferentes e beneficiam-se de diferentes abordagens. E para tal, � fundamental o aux�lio e a interfer�ncia de profissionais especializados para pensar junto com a fam�lia sobre o problema e discutir as estrat�gias mais adequadas de interven��o para aquela pessoa.

A mudan�a do comportamento dependente � uma caminhada carregada de conflitos, sendo essencial a utiliza��o de todas as condi��es dispon�veis para auxiliar o sujeito a se engajar num processo de recupera��o.

Nossa experi�ncia tem demonstrado que internar um dependente de drogas contra sua vontade pode salvar-lhe a vida. A maioria dos pacientes internados compulsoriamente acaba aderindo ao tratamento e evoluindo satisfatoriamente.

A decis�o, contudo, deve ser tomada com a ajuda de profissionais experientes.

Muitas vezes o dependente n�o quer ser ajudado porque est� “cego e prisioneiro” deste modo de funcionar. Mas existem sa�das. A recupera��o � poss�vel. O engajamento e n�o acomoda��o dos familiares, a identifica��o preventiva, a busca de aux�lio especializado e o acompanhamento de longo prazo s�o aliados da caminhada bem sucedida.

  • Dra. Carmen Soto de Bakker Silveira
  • (Publicado em 07/04/2016)
  • Sobre a autora:

Dra. Carmen Soto de Bakker Silveira Psicoterapeuta na Cl�nica Quinta do Sol e coordenadora do Programa de Tratamento. Psic�loga formada pela Pontif�cia Universidade Cat�lica do Paran� / PUC/PR – CRP08/02307. Especialista em Psicologia Cl�nica.

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Filiada � ABEAD � Associa��o Brasileira e Estudos em �lcool e Drogas. Membro filiado da Sociedade Brasileira de Psican�lise de S�o Paulo, institui��o filiada � IPA (Associa��o Psicanal�tica Internacional – fundada por Sigmund Freud).

Membro da Federa��o Brasileira de Psican�lise – Febrapsi.

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  3. Download:   (arquivos PDF) �   Manual de Orienta��o Funcional do Projeto SEMEAR (2016)
  4. Refer�ncias:   (links externos) �   MPPR – Minist�rio P�blico do Estado do Paran� �   Projeto Semear   (MPPR)

O que fazer se um dependente químico se recusa a obter ajuda?

A dependência química faz com que o indivíduo se torne escravo físico e emocional das drogas. Assim, muitas vezes ele se recusa a obter ajuda. Muitos familiares, preocupados, tentam então entender as recusas do dependente químico.

Como ajudar alguém que não deseja ser ajudado? Como continuar vivendo sabendo que existe alguém nas ruas, no frio, com fome e não quer sair dali? Como superar a dependência química?

Estes são apelos desesperados daqueles que perderam a esperança mediante as recusas do dependente químico em relação ao tratamento. O que fazer então?

Por que o dependente químico se recusa a se tratar?

A dependência química é uma das doenças mais complexas do mundo. Isso porque, quando desenvolvida, afeta a parte orgânica do indivíduo, assim como sua mente e seu caráter.

Para o indivíduo, muitas vezes é mais fácil manter o vício do que superar as crises de abstinência. Além disso, muitos dependentes químicos se acostumaram a viver em situação de rua, sem obrigações, sem um emprego.

Para eles, enfrentar outro estilo de vida seria como dar os primeiros passos, tal como uma criança que começa a andar, e nem todo mundo está disposto a fazer isso. 

Um fator que influencia na decisão por um tratamento é o preconceito que ele enfrenta perante a sociedade. Muitas vezes, o dependente químico tem que enfrentar os julgamentos de seus próprios familiares.

Mais um motivo relevante é a questão da codependência, que influencia diretamente nas recusas do dependente químico para o tratamento. Leia também nosso artigo 9 sinais de que o dependente químico precisa de internação.

O fenômeno de codependência e como ele influencia na recusa de tratamento pelo indivíduo

A codependência em dependência química caracteriza-se por um fenômeno onde um familiar passa a viver em função do dependente químico. Existe aí uma dependência afetiva e emocional muito grande por parte desse familiar;

O codependente vive única exclusivamente em prol do dependente químico e sofre com ele todas as suas dores. Ele é capaz de ficar sem dormir, comer, assim como sair pelas ruas atrás de seu ente querido.

  • Está tão doente quanto o próprio dependente químico e pode, inclusive, atrapalhar um possível tratamento.
  • Acontece que o dependente químico, ao se deparar com essa situação, sabe que tem apoio para que continue usando a droga, pois esta pessoa demonstra isso.
  • Assim o indivíduo que faz o uso da droga se torna capaz de manipular o codependente de uma maneira tão grande que ele acredita que deve fazer de tudo para manter o dependente bem.
  • O dependente químico não pensa nessa pessoa como alguém que sofre, mas sim como um apoio para o seu vício, enquanto que a outra parte se culpa pela doença do outro e acredita que deve fazer algo.
  • O dependente químico não vê, assim, razões para abandonar o vício, o que resulta nas recusas do dependente químico.

O tratamento da codependência gera reflexos no dependente químico

A partir do momento em que o codependente decide que é hora de cuidar de si mesmo, isso causará reflexos no indivíduo que faz o uso da droga.

O familiar codependente irá aprender que nem sempre é possível apoiar o indivíduo dentro da dependência química. Que certas atitudes devem ser evitadas para o próprio bem do dependente.

A mudança de postura desse familiar forçará o dependente químico a procurar novas alternativas para sobreviver. Ele precisa entender que só receberá ajuda se decidir parar com o vício, caso contrário, estará por conta própria.

Esta afirmação pode ser um pouco dura, no entanto, ela resultará na queda de recusas do dependente químico que se vê obrigado a pensar no que deve fazer.

Onde buscar tratamento para codependência?

O tratamento para codependência pode ser fornecido por grupos de apoio especializados para esse tema. Na maioria dos municípios brasileiros existem grupos de apoio que fornecem a base para saber lidar com situações relacionadas ao dependente químico.

Acompanhamento psicológico também é uma alternativa, tendo em vista a condição fragilizada do codependente.

No entanto, toda a família deve estar engajada a entender sobre a doença e buscar um tratamento adequado para que possa lidar com ela de maneira qualificada.

Internação compulsória, quando optar por ela?

  1. A internação compulsória é uma medida extrema em caso de recusas do dependente químico.
  2. Entende-se por internação compulsória aquela realizada sem o consentimento do indivíduo, uma vez que ele esteja correndo risco.

  3. Uma vez identificada situação de risco de morte eminente, a família deve realizar pedido junto ao Ministério Público de sua cidade para que a internação seja realizada.
  4. A justiça irá requerer dos órgãos públicos especializados avaliação para entender sobre o caso e se, de fato, o indivíduo corre risco.

  5. Consideramos risco de morte quando o dependente químico:
  • Encontra-se com a saúde debilitada e se recusa a receber tratamento médico;
  • Está sendo ameaçado por outras pessoas por diversos motivos, inclusive pelas dívidas com as drogas;
  • Está ameaçando a vida de outras pessoas em razão do uso da droga.

É muito doloroso ver um familiar nesta situação, no entanto, as recusas do dependente químico fazem parte da doença. Muitas vezes, é preciso que o indivíduo chegue ao fundo do poço para que compreenda que precisa de ajuda. Confira o artigo Como Luís Henrique conseguiu se livrar da dependência química.

O dependente químico precisa querer se tratar

  • A menos que esteja acontecendo uma das situações acima elencadas, é preciso deixar que o próprio indivíduo tome consciência de como está sua vida.
  • O tratamento compulsório muitas vezes não garante resultado satisfatório e em pouco tempo o indivíduo volta a fazer o uso de substâncias químicas.
  • É necessário que haja, então, um desejo profundo por parte do próprio dependente, uma vez que o tratamento para dependência química não é fácil.
  • Mediante o pedido de ajuda, começa o processo de tratamento e com ele as abstinências, dores, arrependimentos e angústias.
  • A família, acima de tudo, precisa estar preparada para os dois casos: o das recusas do dependente químico, assim como o do seu pedido de ajuda, sabendo agir de forma adequada em ambos os casos.

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Ficou com alguma dúvida sobre o que fazer se um dependente químico re recusa a obter ajuda? Entre em contato conosco. Nós podemos amparar você!

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