Como ajudar um amigo que é vítima de bullying na escola

Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 1 de 15 – O bullying é algo extremamente sério e muitas vezes podemos ajudar pessoas próximas a nós a enfrentarem essa situação. Confira nas próximas fotos algumas atitudes que podem ajudar algum amigo que esteja passando por isso.(Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 2 de 15 – Deixe a pessoa vítima de bullying saber que não está sozinha. Dar apoio, suporte e atenção é essencial. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 3 de 15 – Se você tem contato com o agressor, peça que ele pare. Converse com ele e tente mostrar que o que ele faz não é legal. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 4 de 15 – Não ameace o agressor, só peça para ele parar. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 5 de 15 – Diga ao agressor que seu comportamento não é engraçado nem aceitável. Muitas pessoas que cometem bullying querem esse tipo de atenção. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 6 de 15 – Não pague o bullying com a mesma moeda, devolver uma agressão pode piorar a situação. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 7 de 15 – Incentive a pessoa a denunciar e pedir ajuda, sofrer calado é horrível. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 8 de 15 – Se a pessoa não quiser, denuncie você mesmo a agressão para algum responsável, como o diretor da escola onde estiver acontecendo o bullyng, os pais da pessoa, professores, o chefe da empresa e etc. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 9 de 15 – Incentive a pessoa vítima de bullying a conversar com quem passa pela mesma coisa, existem grupos de apoio que ajudam muito. (Foto: Divulgação) Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Foto 10 de 15 – Mude um pouco o assunto. Leve a pessoa para fazer outras coisas e se distrair um pouco. Ficar só revivendo o bullying também faz mal. (Foto: Divulgação) Foto 11 de 15 – Ignore a pessoa ou as pessoas que praticam o bullying, normalmente elas querem atenção, se forem ignoradas pelas pessoas pode ser que não tenham mais motivação para continuar. (Foto: Divulgação) Foto 12 de 15 – Faça companhia para a pessoa vítima do bullyng. Tente não deixá-la sozinha. Às vezes quem pratica o bullying prefira o momento que a vítima esteja sozinha. (Foto: Divulgação) Foto 13 de 15 – Diga que ela não precisa ter medo nem vergonha de contar o que acontece. (Foto: Divulgação) Foto 14 de 15 – Adultos também podem ser vítimas do bullying. No trabalho isso é comum. Se suspeitar que algum colega está passando por isso, diga para ele desabafar e procurem alguém para denunciar. (Foto: Divulgação) Foto 15 de 15 – O bullying não é brincadeira e precisa ser denunciado. (Foto: Divulgação)

O bullying é algo extremamente sério, que atinge crianças, jovens e adultos de todos os gêneros e classes sociais. Muitas vezes, a pessoa vítima do bullying sofre sozinha, por medo de denunciar e vergonha de contar para os amigos e família. Em alguns casos, nem as pessoas mais próximas percebem o que está acontecendo.

++ 13 possíveis motivos que levam as pessoas a trair

O bullying se caracteriza por um comportamento frequente que fere outra pessoa de propósito. A agressão pode ser verbal, física, virtual (cyberbullying) ou emocional. Ele pode ter consequências a longo prazo para a vítima, para o agressor, e até para quem presencia os ataques.

A pessoa que sofre o bullying é atingida de diversas maneiras e por vários motivos (são motivos para o agressor mas não para o resto das pessoa): pode ser porque tem alguma característica física ou de personalidade marcante, como por exemplo alguém mais baixo, ou alguém mais quieto ou alguém que use óculos. Em alguns casos, os agressores escolhem uma pessoa aleatoriamente, só para ter uma vítima para “tirar sarro”.

O bullying não é brincadeira e precisa ser denunciado. As pessoas que sofrem com isso precisam de suporte e ajuda da família e dos mais próximos. Pensando nisso, selecionamos algumas maneiras de ajudar quem está passando por essa terrível realidade.

Como podemos ajudar uma vítima de bullying?

Se você acessou a internet nas últimas semanas, com certeza viu alguma postagem sobre “13 reasons why”, a nova série da Neflix, que aborda temas como bullying, assédio e suicídio. Caso você não tenha ideia sobre o que eu estou falando, um resumo: a série acompanha a história de Clay, um garoto que recebe uma caixa de sapatos com várias fitas cassetes na porta de sua casa.

Ao ouvir as gravações, ele descobre que elas são de sua falecida colega Hannah, que cometeu suicídio recentemente. No decorrer dos episódios, são apresentados nas fitas quais são os motivos pelos quais Hannah colocou um fim em sua própria vida. Já fizemos aqui posts sobre a importância da série e também sobre porque você talvez não deva assisti-la. 

As reações de quem assiste “13 reasons why” são os mais diferentes possíveis, mas acredito que uma foi comum: a sensação de impotência. Deu vontade de ajudar aquela garota. De abraçá-la e dizer: você não precisa passar por isso sozinha.

De fazer justiça contra todos aqueles que a magoaram. A dor da personagem pareceu tão real, que foi difícil separar a realidade da ficção.

A verdade é que a gente não pode fazer nada para ajudar Hannah, a personagem, mas podemos observar mais e tentar perceber quando uma pessoa próxima está passando por algo semelhante.

Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola

De acordo com a psicóloga Thaís Quaranta, “o número de ocorrências de mortes por suicídio na adolescência tem aumentado cada vez mais e, em muitos casos, é comum observarmos a agressão como um fator responsável ou que contribui em grande escala para um desfecho infeliz”. O jovem que sofre com isso, muitas vezes, se vê sem saída e pensa que a morte é a única forma de aliviar o seu sofrimento. Em alguns outros casos, como o de Hannah na série, o suicídio é visto como um meio de responsabilizar e punir os agressores por seus atos.

Thaís conta que cada pessoa pode lidar com o bullying de uma maneira diferente, já que, quando nascemos, nós vivenciamos experiências de modo único, assimilando cada detalhe e articulando com seus aspectos genéticos inatos, formando nossa individualidade. Por isso, às vezes temos a sensação de que conseguiríamos lidar com situações que podem ser destrutivas para algumas pessoas, como aconteceu com Hannah, que o tempo todo era chamada de “rainha do drama” ou coisa do gênero.

As consequências que agressões podem ter na vida de uma pessoa dependem tanto da vulnerabilidade emocional da vítima (alguém com maior predisposição a transtornos mentais ou com pouco suporte familiar, por exemplo) e do tipo, intensidade e frequência da exposição a agressão. “Subestimar os problemas, achar que é frescura, ou não lidar com a situação podem ser fatores decisivos para que a vítima opte por uma medida drástica para dar fim às agressões”, explica.

Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola

Para ajudar alguém que passa por isso, a psicóloga diz que o primeiro passo é conquistar a confiança da vítima. “É importante não incentivar a revidar e nem a culpar pela situação, mas sim, acolher e ouvir a pessoa para juntos pensarem na melhor forma de resolver”. Se as agressões ocorrem no ambiente escolar, a aproximação entre os pais e a instituição de ensino também é muito importante.

“A mediação do adulto é fundamental para entender e resolver os problemas entre vítimas e agressores. Além disso, as crianças não nascem sabendo se relacionar – é preciso aprender e desenvolver habilidades sociais, respeito às diferenças e assertividade para expressar seus sentimentos e intenções de maneira adequada”, explica.

Normalmente, quem sofre bullying tem dificuldade em buscar ajuda e, por isso, é importante observar o comportamento das pessoas para conseguir identificar se ela precisa de algum apoio. “As vítimas começam a se distanciar dos adultos para esconder seus medos e angústias.

Fatores como oscilações de humor (expressão de ansiedade, tristeza, raiva), alterações comportamentais (xixi na cama, isolamento, resistência a ir para escola, agressividade), alterações emocionais (medo, ansiedade, baixa autoestima), e alterações fisiológicas (mudanças no padrão de sono e alimentação, dores de cabeça ou estômago, vômitos) e diminuição do rendimento escolar ajudam os pais e professores a perceberem que há algo errado”, relata Thais.

Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola

Nos adolescentes, temos visto comportamentos autodestrutivos, como consumo de álcool e automutilação.

A médica ainda reforça que, “quando não cuidado, o bullying pode trazer consequências como transtornos de ansiedade e/ou humor (como ansiedade e depressão), problemas de relacionamento, abandono de estudo, abuso de álcool e drogas, agressividade, e o próprio suicídio”.

Por isso, o apoio de familiares, amigos e pessoas próximas é muito importante em um momento como este. Em casos mais graves, a médica também recomenda a ajuda de um profissional (temos indicações aqui).

Bullying na sala de aula: Como identificar, combater e prevenir

5 min de leitura

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Você sabia que o tão comentado bullying nas escolas é muito mais do que apelidos, piadinhas e rótulos constrangedores? Trata-se de um tipo de violência física ou psicológica, e é imprescindível saber lidar com esse desafio no ensino público.

O bullying é uma prática terrivelmente comum entre os estudantes e pode causar danos irreparáveis nos alunos e seus familiares. A prova disso é o triste caso do garoto que atirou contra os colegas de classe em Goiânia, chocando o país inteiro em outubro de 2017.

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Outra história marcante, mas com um final mais animador, é a de Keaton Jones, um adolescente norte-americano que relatou ser vítima de bullying e questionou a razão de ser constantemente incomodado pelos colegas. O vídeo emocionou e viralizou na internet, fazendo com que Jones recebesse apoio de várias pessoas, inclusive de celebridades.

Tendo em vista que a origem do bullying, muitas vezes, ocorre dentro da sala de aula, é responsabilidade das escolas identificar, combater e prevenir essas atrocidades — conforme a Lei nº 13.185. Mas, não se preocupe, vamos ajudar você. Confira!

Conceito de bullying

O bullying se caracteriza por agressões intencionais e repetitivas, físicas e/ou verbais, feitas por um aluno ou um grupo de alunos sem motivo aparente, podendo causar danos físicos, psicológicos e emocionais na vítima.

O termo ‘bullying’ vem de ‘bully’, uma palavra inglesa que significa “valentão”. E é dessa forma que podemos imaginar a situação: algozes que, com atitudes e palavras ameaçadoras e agressivas, causam angústia e dor em uma pessoa indefesa.

Até algum tempo atrás, o bullying nas escolas não tinha esse nome e era visto como fatos isolados, brigas de crianças e piadas de mau gosto. Porém, atualmente, já é compreendido como um problema crônico nas escolas e, também, como crime.

Conheça a seguir os principais tipos de bullying.

Físico

Esse tipo de bullying se manifesta por meio de agressões físicas, como socos, chutes, tapas, bloqueios de passagem, empurrões e demais ações que envolvem toque de modo inadequado.

Apesar de ser um ato notório, em que facilmente se pode distinguir agressor e vítima, muitas vezes, essas atitudes são encobertas como se fossem uma “brincadeira entre amigos”. É preciso conscientizar os alunos para que a violência não seja confundida com descontração.

Psicológico

O bullying psicológico pode ser encontrado em perseguições, manipulações, chantagens, discriminações e ameaças que muitas pessoas sofrem em razão da sua cor de pele, orientação sexual, religião, aparência física ou outro motivo.

O bullying psicológico é tão sério que pode levar suas vítimas a desenvolverem quadros de ansiedade, depressão e fobia social.

Verbal

O bullying verbal é o xingamento, a piada ou o rótulo humilhante. Nesse caso, o aluno recebe um “título” por não se enquadrar em determinado padrão e não ser considerado “normal” ou “pertencente” por seus colegas. A consequência disso são adultos doentes, inseguros, dependentes e com problemas de interação social.

Material

O bullying material se caracteriza por esconder, sujar, estragar, rasgar, ou danificar de qualquer outra maneira um objeto que pertença à vítima.

Isso acontece por que o “valentão” quer sempre se mostrar mais forte e corajoso (e até perigoso) do que o outro aluno, e, para isso, destrói seus pertences como forma de intimidação.

Cyberbullying

Com a facilidade da tecnologia e encorajados pela falsa liberdade por estarem atrás de uma tela, os agressores não medem esforços para atacarem suas vítimas com ameaças, fofocas, chacotas e imagens ou vídeos comprometedores expostos em redes sociais e sites.

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O cyberbullying representa uma invasão à privacidade de alguém, causando sofrimento, constrangimento e temor. E, infelizmente, os casos de vítimas no Brasil surgem constantemente.

Como identificar o bullying no ambiente escolar

O que começa com um apelido supostamente inofensivo pode causar traumas duradouros que comprometem toda a vida pessoal e escolar de um aluno. Por isso, é fundamental identificar qualquer vestígio do bullying nas discretas brincadeiras e comentários.

Agora, que você entende que esses atos são construídos diante de uma relação desigual e sem motivo evidente, o ideal é ser veemente em não aceitar práticas maldosas, como apelidos, fofocas, brincadeiras de mão ou xingamentos na sua escola.

Não trate situações que parecem pequenas com menos seriedade. Lembre-se: nem sempre o bullying será escancarado. Às vezes, ele é velado em olhares, murmurinhos e exclusão.

Atente-se aos seguintes sinais em seus alunos:

  • machucados sem explicação convincente;
  • roupas sujas ou rasgadas;
  • materiais escolares estragados ou frequentes perdas de objetos;
  • isolamento, medo de sair sozinho ou não querer ir à escola;
  • queda no rendimento escolar;
  • ausência de socialização e amizades;
  • tristeza, solidão, insônia e estresse;
  • perda do apetite;
  • baixa imunidade;
  • pensamentos suicidas.

Ações para combater e prevenir o bullying nas escolas

É necessário compreender qual é o papel das escolas no combate e prevenção ao bullying, pois a instituição pode sofrer as consequências previstas em lei, se for considerada culpada dos atos.

Embora pareça que o foco da lei é punir e colocar as escolas em situação de fragilidade, seu real interesse é impulsionar uma mudança cultural. Para isso, é inevitável o desenvolvimento de medidas de conscientização, prevenção e combate ao bullying. Conheça algumas ideias.

Incentivar os alunos a denunciarem o bullying

A escola não pode ignorar os acontecimentos e deve garantir que o aluno se sinta seguro para reportar o bullying, deixando claro que a direção e os professores estão dispostos a ajudá-lo.

Aproxime-se dos seus alunos — e peça para que os docentes façam o mesmo — com o intuito de incentivá-los a denunciarem atos de bullying e ensiná-los que não devem aceitar essas atitudes, tampouco reproduzi-las.

Oferecer eventos sobre a temática

Promover campanhas de conscientização, palestras e debates a respeito do bullying é uma ótima forma de combate e, principalmente, prevenção. Nesses eventos, é possível falar diretamente com alunos, mas, também, capacitar educadores para discussão e solução da prática nas escolas.

Para os alunos, u ma boa ideia é passar filmes que os façam refletir sobre o tema. Eles precisam conhecer as consequências das suas ações e saber quantas vidas foram impactadas negativamente por causa dessas “brincadeiras”.

Atuar junto com os pais e a comunidade escolar

A conscientização é cultural e, para que a mudança aconteça, deve ser trabalhada em todos os ambientes que o aluno frequentar. Diante disso, é importante desenvolver ações para integrar escola, pais e comunidade nessa causa.

Estimular lideranças positivas entre os alunos

Brincadeiras que incentivam a competição e disputa de ego são péssimas aliadas no combate ao bullying. Portanto, adote o conceito de liderança positiva e estimule a empatia e o trabalho em equipe.

Disponibilizar apoio psicológico

Uma sugestão é contar com um psicólogo na escola a fim de ajudar na identificação de ocorrências, apoiar alunos que sofrem com a violência do bullying e, também, auxiliar os que cometem esses atos. Afinal, essas crianças ou adolescentes estão “perdidos” por alguma razão e merecem nossa atenção.

Vale ressaltar que a escola não deve se concentrar em punir os alunos agressores, mas em instruí-los. Em tempos de intolerância, o mais indicado é adotar atitudes firmes e falas claras ao defender o respeito ao próximo e às diversidades.

Para superar de vez o bullying nas escolas, é preciso escutar seus alunos. Para tanto, o que acha de contar com a contribuição do corpo discente na tomada de decisão? Saiba mais sobre gestão escolar participativa!

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Bullying: como ajudar vítimas a recomeçar em outra escola?

Como Ajudar um Amigo que é Vítima de Bullying na Escola Mudar de escola nem sempre basta para acabar com o problema Pixabay

O bullying, o ato de cometer abusos psicológicos e/ou físicos de forma sistemática, é comum no ambiente escolar e não raro dificulta o bom convívio de crianças e adolescentes na escola, seus estudos e a visão que elas têm de si mesmas, podendo causar danos persistentes na vida das vítimas.

Conseguir quebrar o ciclo de violência e superar os traumas que ficaram depois de uma experiência dolorosa é tão importante quanto complicado e, muitas vezes, a mudança de escola é uma opção encontrada por estudantes e suas famílias para resolver o problema.

 No entanto, a simples mudança de ambiente e de companhias nem sempre basta para que a criança ou adolescente volte a se sentir bem na escola e consigo mesmo, sendo necessário continuar acompanhando de perto o processo de adaptação do estudante que sofreu bullying para ajudar a vítima a se fortalecer novamente.

O LeiaJá ouviu uma psicóloga estudantil, uma aluna que já foi vítima de bullying e uma mãe que já precisou auxiliar o filho que sofreu violência em sua primeira creche, para entender como se dá esse processo de superação e adaptação a um novo ambiente, além de compreender como é possível ajudar estudantes que passaram por problemas semelhantes. 

“Minha mãe foi me ajudando a trabalhar a situação”

A estudante Maria Vitória Bernardo vive em Espírito Santo do Pinhal, município localizado no interior do Estado de São Paulo e sofreu bullying quando era criança, em sua primeira escola.

A situação já fazia com que a mãe de Maria Vitória fosse frequentemente à escola pedir que fossem tomadas providências sem que, no entanto, nada mudasse.

O ponto máximo de tensão ocorreu quando as provocações e abusos psicológicos se transformaram em agressão física. 

“Eu estava sentada na hora do intervalo com meus dois amigos e eu estava comendo um salgado e na época  eu não gostava muito de tomate, era um salgado de pizza, tirei o tomate e coloquei ele em cima de um guardanapo, só  que acabou voando e caiu na perna de uma menina.

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Na hora eu pedi desculpas e, na hora que eu abaixei para pegar o tomate no chão, senti um tapa nas minhas costas, começou a arder na mesma hora, a menina era mais velha, eu sempre fui pequena e ela era bem maior.

Sentei e comecei a chorar, fui atrás de uma inspetora mas ela disse que se a menina me bateu foi porque eu dei motivo.

Minha perna tremia, minhas costas ardiam, eu estava até branca porque eu não tinha feito nada, apanhei de uma menina e quando fui pedir ajuda colocaram a culpa em mim, eu não conseguia compreender”, contou ela. 

Nos dias que se seguiram, Maria Vitória e sua mãe tiveram vários problemas com a escola, com a inspetora, a diretora e com a aluna que praticou a agressão, pois mesmo decidida a mudar a filha de escola, a mãe de Maria não conseguiu vaga para ela em nenhuma outra instituição pois o ano letivo estava perto do final.

Assim, mesmo em meio a muitos conflitos entre a direção da escola e sua mãe, Maria Vitória precisou continuar onde estava até o ano acabar.

Ela conta que depois de uma conversa entre as duas meninas, suas respectivas mães, a inspetora e a diretora da escola, não houve mais nenhum episódio violento até que o ano terminasse. 

A mudança de instituição, no entanto, foi algo que afetou muito a saúde emocional de Maria Vitória, que na época tinha, entre oito e nove anos de idade e nunca tinha estudado em outra escola antes.

Para ela, foi “um turbilhão de sentimentos” pois seus amigos continuavam na antiga escola e apesar de ser acolhida e bem tratada por professores e alunos na nova instituição de ensino, de acordo com ela, “todos já tinham suas panelinhas, rodinhas, então foi difícil”, explicou a estudante. 

“No começo foi horrível, fiquei umas duas semanas chorando sempre que chegava em casa, me sentia insegura com medo de acontecer a mesma coisa.

Minha mãe sempre conversou comigo, sempre foi muito clara e sincera em relação à situação, me incentivou a estudar e fazer novas amizades, sempre me ouvia desabafar e me aconselhava”, contou Maria Vitória, que também destaca que o apoio de sua mãe, da equipe da escola e dos alunos foi essencial. 

Hoje, olhando para o que passou, a estudante que atualmente está cursando o segundo ano do Ensino Médio avalia que a mudança foi positiva e ajudou sua vida a ser melhor, trazendo aprendizado. O problema que enfrentou na primeira escola, de acordo com Maria Vitória, “deixou marcas, foi ruim na época, mas hoje eu levo numa boa”. 

“Passamos a confiar mais no que ele comunica”

Letícia Magalhães* é pesquisadora e professora, vivendo atualmente em Bilbao, na Espanha, onde faz doutorado. Antes de se mudar, ela decidiu tirar seu filho, então com três anos de idade, da creche em que ele estudava ao perceber mudanças em seu comportamento ao mesmo tempo em que a equipe da escola nunca explicava o que estava acontecendo de errado. 

O filho de Letícia tem Síndrome de Down e ainda não consegue falar, comunicando-se por meio de gestos e sons.

Somente depois de tirá-lo da creche ela soube o motivo de o menino “gritar, espernear, se agarrar à gente e se comportar como se estivesse sendo levado para uma tortura” sempre que ia para a creche: o garoto estava sofrendo bullying por parte dos colegas e também de alguns professores.

“Soubemos de algumas coisas que aconteciam, de baterem nele ou o deixarem sozinho chorando do lado de fora, e ‘brincadeiras’ violentas como os alunos grandes sentarem na cabeça dele”, contou a mãe.

 O problema fez com que o menino tivesse medo de outras crianças e, para Letícia, o maior desafio ao buscar outro lugar para que seu filho estudasse era achar um lugar “onde ele fosse visto como uma pessoa normal e onde os princípios pedagógicos não incluam entender a violência como uma coisa natural nas crianças”, explicou ela. 

Já depois da mudança para a Espanha, Letícia encontrou uma instituição que atendia a seus critérios e conta que desde então seu filho deixou de sentir medo dos colegas.

Apesar do apoio encontrado na nova escola, a mãe explica que a readaptação ainda está acontecendo mesmo depois de dois anos que a criança sofreu violência. “A escola, colegas e as famílias dos colegas têm sido importantes nesse processo.

Ele vai superando, mas creio que algumas coisas ficarão gravadas”, explicou Letícia. 

Em casa, a forma encontrada de ajudar o filho a se readaptar ao ambiente escolar após o bullying foi, de acordo com ela, foi prestar mais atenção aos sinais que ele dava e confiar no que o menino expressa.

 “Ele fala pouco mas se faz entender e passamos a confiar mais no que ele comunica, se ele está desconfortável, triste, é porque algo aconteceu.

Tem dias que ele não quer ir para a escola, e fomos percebendo quando é um motivo pelo qual realmente não deve ir como sentir alguma dor, ou quando é só vontade de ficar em casa, então é preciso realmente conhecer o filho”, contou a mãe.

Ela também explica que quando percebe que o menino não quer ir para a escola, relembra as coisas boas que tem lá e, diante de uma nova negativa, busca entender o que houve.

“Estamos bastante presentes na escola e juntamos os pais e mães com alguma frequência, esse contato ajuda a construir amizade entre as crianças e superar comportamentos danosos”, explica Letícia, que também conta que, para ela, é muito importante entender que ter muito medo da escola é um sinal de alerta e que “se alguma vez ele fizer como fazia na escola antiga, de gritar, espernear, se agarrar à gente, se comportar como se estivesse sendo levado para a tortura, não é normal. Me diziam que todas as crianças fazem isso. Não é verdade, meu filho fazia isso quando ia a um lugar onde era maltratado”, reforçou ela.

Ajuda profissional

Raquel Lacerda é psicóloga educacional e explica que é muito importante acompanhar e verificar sempre como a criança ou adolescente se comporta, caso não relate o que está havendo, para poder detectar a ocorrência do bullying.

Ela explica que mesmo quando a vítima não conta, em geral se mostra tensa, preocupada com aspectos que podem ser alvos do bullying, tentar mudar esses aspectos, apresentar isolamento ou um comportamento mais deprimido são indícios de que alguma coisa está errada.

“Às vezes, por exemplo, uma adolescente se tranca no quarto dizendo que vai dormir e na verdade usa a auto flagelação como uma tentativa de escape. Qualquer mudança de comportamento significativa como estar mais calado, mais triste, chorar escondido e responder que não é nada, todos são sinais de que é necessário buscar ajuda profissional”, explica Raquel.

O papel da escola, nesse caso, é acompanhar tudo para estar atenta aos limites entre brincadeira e violência.

Raquel explica que a equipe de psicologia precisa estar em contato frequente com os professores e, em caso de algo passar do limite, a intervenção deve ser feita com a vítima, com o agressor e também com o restante da turma.

“É preciso chamar as famílias, analisar se a vítima se coloca nessa posição e se o estudante sofre bullying na família, são muitas questões. O trabalho preventivo e a intervenção têm que ser constantes e a família tem que procurar um psicólogo”, pontuou ela.

Para decidir se é melhor ou não trocar de escola, não há uma resposta única. “Depende da relação e das providências tomadas. Os pais têm que estar junto, acompanhando, buscar um processo psicoterapêutico para que a vítima possa de fortalecer, mas se houver negligência da escola, não adianta insistir em permanecer”, explica a psicóloga. 

Após a mudança de escola, muitas vezes mudar de ambiente, se afastar dos agressores e conhecer pessoas novas parece algo positivo e, segundo Raquel, de fato é, mas muitas vezes não é suficiente pois é comum que a vítima sinta muito medo de que, mesmo na escola nova, o antigo problema se repita.

Segundo Raquel, a formação da identidade da criança é prejudicada por assimilar as “causas” do bullying como características de fato suas, comprometendo a auto-estima em outras relações, causando medo de sair de casa, fechamento para outras relações devido à falta de aceitação, passando a assumir o lugar de vítima, o que é um processo sofrido e doloroso. 

No que diz respeito ao agressor, a psicóloga explica que é possível que seja uma criança ou jovem que também sofre com insegurança, inveja e outras questões que precisam de cuidados.

Raquel frisa a importância de não banalizar tudo como bullying, mas também não desconsiderar o sofrimento, apurar o olhar para o que acontece com os estudantes e garantir que o suporte necessário esteja presente tanto por parte da escola quanto com a família, além de garantir o apoio de um profissional.

  • *Nome fictício
  • LeiaJá também 
  • –> Mais de 80% dos estudantes conhecem vítimas de bullying
  • –> Bullying tem relação com problemas familiares, diz estudo
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Mensagens sobre bullying

Tudo isso vai passar. A provocação, a sua tristeza, toda essa injustiça. Isso vai passar, porque a maldade não resiste à gentileza que há no mundo. Mesmo que agora você não perceba, há muito mais gente querendo sua felicidade do que essa gente vazia que hoje faz mal a você.

Nunca se sinta mal por ser quem você é. Você merece todo o respeito e amor por ser desse jeito, que ninguém mais pode copiar. Não mude sua forma de agir ou pensar porque alguém te atacou. Isso só revela uma falha do outro, não sua!

O que é bullying?

Desde quando o respeito virou um luxo? É a falta deste sentimento que faz nascer o bullying. É a crença de que algumas pessoas são piores do que as outras, por qualquer característica que seja. Redescobrir o respeito é a chave para combater esse problema.

O bullying não pode ser deixado nas mãos das vítimas. Não é responsabilidade delas combater esse problema, é a de todos ao redor. O bullying começa a ser combatido quando alguém se levanta e diz que ele não será tolerado.

Bullying – Igor Angelkorte – Atores nacionais

Não há idade para o bullying, assim como não há idade para pessoas serem inseguras ou cruéis. No ambiente de trabalho, você também pode ser uma vítima. Isso não faz de você um profissional mais fraco, apenas alguém que tem um desafio a vencer.

Algumas das pessoas mais fortes do mundo já sofreram bullying algum dia. Isso justifica? Não, mas é um incentivo a você, que sofre hoje. Elas venceram seus agressores e hoje são capazes de dar exemplo de vida ao mundo. Você também é capaz de chegar lá!

Como conversar com quem está praticando bullying?

Dar a volta por cima numa situação de bullying não significa atacar os agressores, mas sim, ser melhor do que eles. Sorrir, quando eles esperam a tristeza. Ter segurança, quando eles usam da própria insegurança para causar o mal. Ter sucesso aonde eles falharam. Ser feliz: essa é a melhor “vingança.”

Não dá para se acostumar com o bullying. Não dá para dizer que isso é normal. Porque não é normal. Não vai criar pessoas mais fortes. Não “acontece com todo mundo”. Não é para aceitar. É para combater. A violência não é a resposta de nada, especialmente a violência que machuca crianças e deixa marcas por toda a vida.

Qualquer um pode acabar sendo vítima de bullying. Então por que as pessoas continuam praticando? É por não pensarem que amanhã pode acontecer com elas? É por acharem que a vítima fez algo errado para estar nessa? É por não se colocarem no lugar dos outros? Se houvesse apenas um pouco mais de empatia, essa violência logo deixaria de ser um problema.

Mensagens de combate ao bullying.

O silêncio também é violência. Quantas vezes você viu bullying ser cometido, e não fez nada? Está esperando o quê? Você ser a próxima vítima? Falar hoje é a melhor forma de evitar a tristeza de outros, ou até a sua, amanhã.

Liberte-se! O orgulho não leva a lugar algum

Combata este preconceito com sábias palavras de tolerância

Quem comete bullying não está apontando um defeito na outra pessoa, mas refletindo seus próprios problemas. Se você foi vítima dessa situação, lembre-se sempre de que não foi sua culpa, mas do agressor, que tem muitas questões próprias a resolver, e escolheu lidar com elas da pior maneira possível: com a violência.

Quais são os efeitos que o bullying causa a curto prazo

Eu pego esse seu bullying e transformo em amor. Eu te perdôo, mesmo que você não entenda o porquê. Eu não deixo a sua raiva virar mágoa dentro de mim. Eu rejeito o seu bullying, rejeito até mesmo a dor que você pensou que ele iria causar em mim.

Quando você se aceita, não importa o que os outros pensem de você. Eles podem te criticar e tentar te atingir, mas você estará acima disso tudo. Você pode não conseguir mudar a cabeça de um bully, mas pode mostrar a ele, ao mundo e a você mesmo que é muito mais forte do que qualquer coisa que seja atirada em sua direção.

Como identificar que alguém está sofrendo bullying?

O bullying engana. Ele leva a pensar que o agressor é forte, e a vítima é fraca. Sim, o agressor até se aproveita de alguma fraqueza da vítima, mas isso só serve para mascarar suas próprias inseguranças. Forte é quem segue em frente, mesmo depois de enfrentar a violência. Fraco é quem teve de recorrer a ela em primeiro lugar.

Combata o bullying com aquilo que é capaz de derrotar toda e qualquer violência: a compaixão! Combata o bullying, às claras, com determinação, força e sem vergonha de erguer sua voz. Quem deveria ter qualquer vergonha é quem acha que é aceitável fazer mal aos outros!

Quais são os efeitos que o bullying causa a longo prazo

Escola é lugar de crianças e adolescentes aprenderem e serem felizes. Se, por qualquer motivo, uma dessas coisas não ocorre, algo está errado. É preciso impedir que o mal do bullying crie raízes. É preciso lutar para ver o rosto desses jovens sempre brilhando de alegria.

Como ajudar meu amigo que sofre bullying?

Falar sobre bullying se tornou cada vez mais necessário com o passar do tempo, principalmente pelo comportamento que se tinha há um tempo. Além disso, as consequências de tais atos também foram fundamentais para que tal tema fosse campo de debate.

Muitos
especialistas já apontavam que o crescimento de casos como suicídio e depressão
partiam justamente da prática do bullying, e sendo o espaço escolar o local
onde mais se observa essa ação.

Entendendo que
sofrer bullying é algo muito grave, é muito importante que você possa estar
pronto para tomar uma atitude. No entanto, quando é feito com um amigo nosso o
caso muda de figura.

Primeiramente a
gente não sabe se configura de fato o bullying e como ele pode reagir. Por isso
vamos dar algumas dicas de como você pode ajudar um amigo a superar esse
momento crítico.

O que é bullying

Para começar, é
preciso entender o que é o bullying. O termo veio do inglês, uma variação de
bull, que neste contexto é relativo a valentão. Foi lá que nasceu o termo e
também toda a preocupação com as consequências.

De uma maneira
geral a prática do bullying ocorre por ridicularizações constantes ou
brincadeiras que constrangem a vítima. Em casos mais extremos, é possível que
os casos passem para a violência física.

A maior
dificuldade em torno de reagir é que justamente por conta da coação, muitos
adolescentes se calam, por medo de atitudes piores. Tal comportamento pode ter
um desfecho trágico, e é justamente o que preocupa.

A Organização
Mundial da Saúde (OMS), já considera como sendo um risco para a vida, já que
pode desenvolver até quadros depressivos profundos em vítimas do bullying que
não recebem a devida ajuda.

Como identificar o bullying

Conforme já foi
dito, o bullying pode ser uma simples brincadeira para alguns, mas que gera
muito sofrimento para outras. A principal dica para você conseguir ajudar uma
pessoa, é saber dela se aquela ação está lhe incomodando.

É natural que em
um primeiro momento exista uma resistência para falar sobre o que está
acontecendo, mas mantenha o foco e insista um pouco até que a pessoa possa
dizer se de fato está se sentindo bem ou não com as brincadeiras, ou se está
havendo algum tipo de agressão.

Tendo avaliado
esse ponto você precisa prontamente tomar algumas atitudes que possam ajudar
essa pessoa, para que ela possa retomar sua rotina, já que muitos deixam de ir
ao colégio, inclusive.

Melhores formas de ajudar

A principal dica
é procurar por um responsável que possa dar os encaminhamentos necessários,
seja a direção da escola ou até os pais da vítima, para que isso se resolva da
melhor maneira.

O importante é
lembrar que o enfrentamento direto com o agressor não é indicado, pois isso
pode agravar ainda mais os ataques, e a vítima pode ser a maior atingida. Conversar com um adulto é o que vai garantir a
possibilidade de todos se entenderem e o bullying seja interrompido.

Psicólogo clínico (CRP-03/18027) e redator escreve no Tribuna Universitária sobre dicas de comportamento e saúde mental

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