Como aguentar as dificuldades do ensino médio

Como Aguentar as Dificuldades do Ensino Médio

Para os que trabalham em contexto escolar e todos nós que somos agentes educadores, sabemos que vamos vivenciar algumas experiências mais de uma vez. Entra ano e sai ano, vamos nos deparar com felicidades e realizações nossas e de nossos alunos, mas também vamos certamente nos deparar com dificuldades de leitura, escrita, compreensão, interpretação, cálculos e demais aprendizagens de nossos alunos. Nos relatos apresentados, vemos que muitas estratégias de projetos foram criadas, fomentadas, adaptadas e adequadas para suprir de maneira complementar e suplementar as dificuldades apresentadas pelos alunos em sala na hora de construir um conhecimento.

Profissionais da educação não têm a possibilidade de escolher o seu alunado nesta nova realidade diversa e universalizada de acesso escolar.

Acontece, então, de receber em sala os diversos alunos que, em sua jornada, também trazem diversos históricos: condições socioeconômicas desfavoráveis, falta de estímulo para o estudo e, ainda, dificuldades decorrentes de situações culturais, biológicas e sensoriais.

Todos esses históricos podem ser identificados em algum momento de sua escolarização como uma pessoa com dificuldades de aprendizagem, como relata Willis Santana dos Santos, da Escola Municipal Santa Fé, em Teresina (PI), em seu relato denominado “Apaixonando Leitores”, cujo diagnóstico inicial detectou que muitos alunos chegavam até aquele momento escolar sem conteúdos fundamentais básicos, apresentando dificuldades na leitura e compreensão, muito também por causa das adversidades socioeconômicas que impediam uma melhor estrutura de estudo e aprendizagem para os discentes.

Dificuldades de aprendizagem referem-se a algum prejuízo, atraso e/ou desordem na apreensão de comandos e informações em geral, as quais podem ter as suas origens em fatores diversos, […] mas não têm toda as suas origens na ordem biológica. Em alguns casos, suas origens podem advir de conflitos pessoais, culturais e sociais.

Dificuldades de aprendizagem referem-se a algum prejuízo, atraso e/ou desordem na apreensão de comandos e informações em geral, as quais podem ter as suas origens em fatores diversos e podem estar ligadas a certos comprometimentos no cérebro, mas não têm todas as suas origens na ordem biológica. Em alguns casos, suas origens podem advir de conflitos pessoais, culturais e sociais. Vale ressaltar que ter dificuldade de aprender não significa que o aluno não aprenda, pois todas as pessoas são capazes de aprender.

Dificuldades de aprendizagem precisam de intervenção na sala de aula e o quanto antes ocorrerem a detecção e a atuação do profissional docente menores serão as lacunas e os efeitos resultantes disso.

Pessoas nesta situação podem, com a ajuda da escola, da família e de terapeutas, desenvolver caminhos para lidar com suas debilidades. Conseguir intervir cedo aumenta e melhora a chance de sucesso na escola e, consequentemente, na vida.

Se isso não acontecer, além das consequências já esperadas, podem aparecer frustrações, baixa autoestima e outros problemas. 

O professor Willis, já citado, complementa:

“Mais do que transmitir conteúdos, eu precisava fazer com que os pequenos se vissem como pessoas importantes, que despertavam carinho, preocupação, cuidados e desejos de um futuro melhor”.

O aprendizado, objetivo final e alvo principal do direito à educação, às vezes é confundido e trocado por uma palavra muito próxima a ele: o ensino, assim criando um hiato entre ensinar e aprender. A escola há algum tempo se vê como lugar de ensinar, e não lugar de aprender.

Perceba que se a escola é lugar de ensinar seu agente principal é o ensinante, o professor, o educador, o funcionário ou a pessoa que esteja na função de transmitir o conhecimento.

Porém, se colocarmos o aprender como finalidade, o ator que se destaca não é o formador, mas é o formando, o aluno.

A professora Mychelys de Mattos Queiroz, da Escola Municipal Nossa Senhora do Rosário, em Manaus (AM), no relato intitulado “Escritores Mirins”, após detectar em sua classe dificuldades na produção de textos e na leitura, fomentou a mesma aprendizagem, buscando outros canais de engajamento no conteúdo.

Buscou o reconto oral como estratégia de atenção e organização de pensamento, mas também envolveu outros saberes, como artes, geografia e matemática, para suprir as lacunas presentes e fazer com que seus alunos não só assistissem a aula, mas participassem e construíssem o conhecimento almejado e proposto, fazendo com que até os alunos mais receosos pudessem encontrar espaço para se desenvolver nas produções.

Quando focamos no ensino, julgamos erroneamente por ter dificuldades um aluno que não desenvolveu completamente o que foi esperado ou que não correspondeu a toda a nossa expectativa. Porém, posso dizer que muito disso pode ser também “dificuldade de ensinagem”, e isso exige do docente uma mudança de abordagem, de plano e de atitude. Mychelys, sobre si, comenta que:

“O professor teve de se mostrar aberto e afetivo, fazendo de cada aula um momento de reflexão sobre sua prontidão e espaço para que fossem colocados em prática seus conhecimentos prévios. Isso se tornou um exercício de diálogo e de troca de conhecimentos, fazendo com que os alunos se sentissem cada vez mais entusiasmados.”

Como Aguentar as Dificuldades do Ensino Médio

É aí que entra o planejamento, que acredito ser o primeiro passo para organizar bem as ações pedagógicas do ano.

Planejar e arquitetar o processo didático deve fazer parte da rotina da escola e de cada educador para que possam construir juntos e contribuir com estratégias diferentes e diversificadas, a fim de atender às múltiplas necessidades do sujeito e resultar em melhores resultados. Planejar, executar, avaliar e replanejar são constantes do trabalho de escolarização. O (re)planejamento é uma parte importante do gerenciamento da aprendizagem. Com as estratégias de planejamento adequadas pode-se manter o grupo envolvido, organizado e no caminho certo enquanto se ensina, permitindo que você facilite mais a aprendizagem e gerencie menos as discrepâncias de comportamento e conhecimentos, habilidades e atitudes.

(Re)planejar para lidar com dificuldades de aprendizagem identificadas nos alunos é fundamental para o trabalho. No meio do exercício docente ainda somos atropelados pelas situações e perguntas: E se eles não aprenderem? E como incluir esses e outros? E se acontecer uma situação de briga? Ou de desinteresse?

Não existe a receita mágica, mas ter uma boa gestão de aula ajuda a dirimir, prever e superar problemas e dúvidas como essas e outras. Philippe Perrenoud afirma que “Esses dilemas não conseguem ser totalmente superados pela experiência nem pela formação”. 

Para que haja êxito no ensino é necessário que haja uma conversão de vários fatores nesse sentido:

Faça avaliações diagnósticas e recorrentes. Isso vai ajudá-lo a planejar a aula com o tempo e a estratégia certos, que não fiquem lacunas para que surjam outros comportamentos. Desde o layout da sala até algumas variáveis previstas. Isso o ajudará a estar preparado. 3. Tenha um plano de aula adequado Boa parte do planejamento da sala de aula está no desenvolvimento de planos eficientes. Um bom plano de aula pode incluir um objetivo ou meta, os passos da lição, o resultado esperado e espaço para mudanças ao longo do caminho. Não deixe que na execução do plano de aula algum aluno se perca ou se distancie do grupo por qualquer motivo que seja. Não permita que alunos estejam longe por não atingirem o conteúdo nem por comportamento de isolamento. Crie uma aula envolvente e um material que pode ser acessado por todos. Com certeza uns precisarão de mais ajuda. Aqueles alunos que são pares mais experientes podem ser transformados em monitores e ajudadores, facilitando a aprendizagem de toda a turma. 5. Gerenciamento de conflitos e comportamento É importante que o planejamento da sala de aula tenha regras e consequências definidas. Isso possibilita que os alunos se distraiam menos e se mantenham focados na lição. 6. Crie uma rotina organizada, mas não engessada A aula estruturada ajuda no foco e diminui agitações e ansiedades. Às vezes, é divertido ser surpreendido e experimentar algo único. Aproveite esses momentos, mas tente fazer isso dentro do contexto da lição, não prejudicando o plano. 7. Avalie e convide seus alunos para este processo Avaliar a aula, o professor e a si mesmo: esse momento não precisa ser um momento sério. Pode ser um momento de entretenimento e gamificação. Para os alunos que acabam mais rápido ou para uma eventualidade, tenha sempre na manga uma estratégia de envolver a todos e mantê-los focados no projeto.

Em outros tempos, um bom aluno era o que tinha uma autorregulação calibrada para aguentar quatro horas e meia sentado na cadeira, que suportava bem rotinas e repetições de exercícios e aprendia bem pelo estímulo auditivo.

Hoje, baseados nas pesquisas das múltiplas inteligências de Howard Gardner, percebemos que temos uma pluralidade de maneiras de ser e de aprender, e isso não denota dificuldades de aprender, mas outras maneiras de aprender. Por isso, se faz tão necessário o exercício contínuo do labor docente, que é planejar, executar, avaliar e replanejar.

Essa estratégia permite atingir seus objetivos, personalizar o ensino e gerar impacto positivo na vida escolar dos alunos, preparando-os melhor para a vida.

Referências bibliográficas:

College Planning for Students with Learning Disabilities. LDonline. Disponível em: http://www.ldonline.org/article/6130/. Acesso em: 26 fev. 2019.

Dificuldade de aprendizagem: além do muro escolar. Faculdade Amadeus. 18 mai. 2016. Disponível em: http://faculdadeamadeus.com.br/graduacao/Web/content/content-anais/encontro-multidisciplinar/attachments/download/DIFICULDADE%20DE%20APRENDIZAGEM%20alem%20do%20Muro%20Escolar.pdf. Acesso em: 26 fev. 2019.

GARDNER, Howard. Múltiplas inteligências: a teoria na prática. Artmed,1995.

LA TAILLE, Yves de; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. Summus Editorial, 1992.

VYGOTSKI, L. S. A formação social da mente. 7. ed. São Paulo: Martins Fonte, 2007. (Coleção Psicologia e Pedagogia). Disponível em: http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/vygotsky-a-formac3a7c3a3o-social-da-mente.pdf. Acesso em: 28 fev. 2019.

PERRENOUD, Philippe. Ensinar: agir na urgência, decidir na incerteza: saberes e competências em uma profissão complexa. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. 

O dia a dia de quem enfrenta as dificuldades do ensino público

Natássia Ferreira

Como a desvalorização da educação afeta a realidade de estudantes e professores do ensino fundamental.

Quem nunca ouviu falar em falta de professores na rede pública de ensino? Embora essa já seja uma informação que povoa o imaginário dos brasileiros, uma visita a uma escola na periferia das cidades ainda assusta. É o caso da escola Municipal de Ensino Fundamental Residencial Figueira, localizada no bairro de mesmo nome, na cidade de Viamão.

Quem conta essa história é a professora das séries inicias Patrícia Carvalho Hidalgo. Há 28 anos atuando na rede pública, oito no Residencial Figueira, ela observa que a falta de docentes é um obstáculo.

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“Comparando a escola pública com a privada, o conteúdo é o mesmo. A diferença é que a gente tem uma sala de informática que não é usada porque não tem professor adequado.

No fundamental, não tem educação física porque não tem professor especializado”, lamenta.

Professora do jardim nível um e dois, Patrícia ama o que faz e se dedica a incentivar os alunos.

A sala é decorada com o alfabeto colado nas paredes, estante com livros de histórias, e trabalhos feitos pelos alunos completam o visual. Todos ficam dispostos em mesas redondas.

Com os livros didáticos fornecidos pela prefeitura, Patricia ensina a letra “C” no dia em que a reportagem do Humanista esteve na escola.

Como Aguentar as Dificuldades do Ensino MédioProfessora Patrícia Carvalho Hidalgo em sala de aula.

Apaixonada pela profissão, a professora se preocupa com seus alunos e destaca que muitos acabam estudando somente na escola – em parte, pela ausência dos pais na vida escolar: “O que eu vejo é isso, a falta de participação dos pais na vida dos filhos. Aquela questão de olhar a agenda, mandar um bilhete para a professora, olhar se tem tema de casa”.

E a realidade é dura também para os pais que prezam pela educação dos filhos. Dalva Rodrigues é mãe da Taís Rodrigues Pinheiro, 9 anos, que está no terceiro ano da Escola Residencial Figueira.

Dalva sempre incentivou a filha aos estudos e acredita que o ensino poderia ser melhor. “Ela já está no terceiro ano e ainda não aprendeu a multiplicar. Só faz conta de mais e menos”, conta a mãe.

Com o apoio dos pais e dos dois irmãos mais velhos, Taís aprendeu a ler e escrever antes de ingressar no jardim.

De acordo com os relatos da mãe, a menina até escreveu um livro. Taís é estudiosa e sonha em ser médica veterinária para cuidar da sua cachorrinha, a Polly. Boa com os números, ela cuida da mesada usando a matemática que aprendeu na escola. “A professora é legal, matemática é legal. Quando junto meu dinheiro, gosto de contar para ver quanto eu vou gastar e quanto vai sobrar.”

Por outro lado, a mãe acha que a filha recebe um ensino fraco para o terceiro ano, e teme que a menina não esteja preparada quando for para o quarto ano ou troque de escola.

Dalva critica a medida que impede que os alunos sejam reprovados até o terceiro ano, e acredita que esse é um fator que acaba influenciando em toda uma sala de aula.

“Com essa nova lei, tem muitos alunos ali que não sabem ler e escrever e estão no terceiro ano. Isso também está prejudicando e atrasando quem já sabe”, observa.

Outra professora que enfrenta diariamente os perrengues da profissão é a Tatiane Zanatta Trombini, que leciona educação física há quatro anos. Tatiane se divide entre os municípios de Cachoeirinha, onde dá aula para alunos do ensino fundamental, e Viamão, para o ensino médio, no Instituto Estadual de Educação Isabel de Espanha.

Tatiane aponta que as diferenças entre o estado e o município são grandes.

Ela destaca que o salário na rede municipal é o dobro do que na rede estadual, o ensino no município exige mais dos alunos, existem reuniões pedagógicas uma vez por semana. Mas destaca também que o investimento é pouco em ambos os casos.

A professora aponta que desde que iniciou na profissão, o panorama na área a educação vem mudando. “Eu vejo que a educação tem sido desvalorizada ano a ano”, reclama.

“Começa lá no governo federal, estadual, aí chega no municipal e parece que ela é jogada de lado. Então, falta investimento, falta qualificação profissional, e a gente não tem incentivo para fazer cursos de aperfeiçoamento”, relata.

Outro fator levantado por Tatiane é sobre a dura realidade dos professores para se manter na profissão. “O professor em si, ele está muito cansado, está desmotivado, está adoecendo”, desabafa.

A aluna do sexto ano Vikthória dos Santos Tavares, de 12, estuda na Escola Castelo Branco, também em Viamão. Vikthória, que pensa em ser médica ou advogada, aprendeu a ler antes de ingressar na escola, por incentivo da mãe.

A estudante diz que as aulas poderiam ser melhores, sente falta de mais conteúdo e pontua que tem alguns professores que não são formados nas disciplinas que lecionam. “A minha professora de geografia é formada em quase tudo menos geografia.

Não que a aula dela seja ruim, só que como ela não é formada naquilo, só passa umas perguntas no quadro e às vezes não dá tempo da gente fazer. Nem no livro a gente acha as respostas”, lamenta.

Como Aguentar as Dificuldades do Ensino MédioVikthória Tavares, aluna do sexto ano.

E o Ideb?

A Escola Residencial Figueira, onde a professora Patrícia Carvalho Hidalgo leciona e a Taís Rodrigues Pinheiro estuda, ficou com nota 3.1 no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2017. A meta era de 5.6 pontos para o período.

E o que é o Ideb? Trata-se do principal indicador que mede a qualidade da educação básica no Brasil. A cada dois anos, em uma escala que vai de zero a dez, calcula-se o desempenho das escolas públicas e privadas, no ensino fundamental e médio, a partir de questões aplicadas aos alunos em provas de língua portuguesa e matemática e da taxa de aprovação.

Os resultados do Ideb 2017 para a escola, município, unidade da federação, região e país são calculados a partir do desempenho obtido pelos alunos que participaram do SAEB 2017 (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e das taxas de aprovação, calculadas com base nas informações prestadas ao Censo Escolar 2017. Somente são divulgadas as escolas com pelo menos dez alunos matriculados nas etapas avaliadas, quinto e nono anos do ensino fundamental e terceiro ano do ensino médio.

O números mostram que muitos jovens que estão no ensino médio, prestes a fazer o vestibular ou o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), não sabem português e matemática.

Segundo dados divulgados pelo Saeb, apenas 1,62% dos estudantes da última série do ensino médio que fizeram os testes alcançaram níveis de aprendizado adequados para os padrões do MEC (Ministério da Educação).

Em matemática não é muito diferente: 4,52% dos 60 mil estudantes do ensino médio avaliados pelo Saeb 2017 passaram o nível sete da Escala de Proficiência da maior avaliação já realizada na Educação Básica brasileira.

No quinto ano do ensino fundamental, o Saeb 2017 mostrou avanços do desempenho de língua portuguesa e matemática. Nas duas etapas de conhecimento, os estudantes apresentaram nível quatro de proficiência média.

O nono ano do ensino fundamental também teve avanços, porém menores. Nessa etapa, os alunos apresentaram nível três em ambas as áreas de conhecimento avaliadas, considerado insuficiente pelo MEC.

Essa escala de proficiência de língua portuguesa é dividida entre os níveis zero e nove, enquanto a de matemática fica entre zero e dez.

Para a professora adjunta do Centro de Estudos Especializados da Faculdade de Educação da UFRGS Maria Goreti Farias Machado, o Ideb é um indicador interessante, mas ele sozinho não pode ser referência para dizer que a educação é boa ou ruim.

“O Ideb é insuficiente. Eu pego uma escola em que faltam nove professores, pego um aluno que é colocado numa sala para fazer uma prova sob pressão e depois digo que aquilo mede a qualidade da educação.

Como? Ele sozinho não pode ser o parâmetro de avaliação”, salienta.

Alternativas

As escolas da rede pública, nas últimas décadas, vêm sofrendo com a falta de uma gestão eficiente, falta de infraestrutura, violência, desvalorização dos professores e tantos outros fatores que levam a educação a índices cada vez mais baixos.

E quais as alternativas para reverter esse quadro? Para a professora Maria Goreti, existe uma espécie de tripé que poderia elevar os índices da qualidade na rede pública.

“Destaco três coisas: disponibilidade de recursos adequada, uma gestão eficiente e um projeto pedagógico voltado para a construção do ser humano integralmente.”

A professora também aponta que a reprovação até o terceiro ano pode ser boa ou não e que isso varia de acordo com a escola e o projeto pedagógico de cada instituição.

“Se o projeto pedagógico não for bom, não for implantado com seriedade, com recursos humanos adequados, esse aluno vai chegar no final do ensino fundamental sem estar com o conhecimento mínimo para seguir”, completa. Ainda dentro do projeto pedagógico, a pesquisadora dá ênfase para o que seria o ideal a se fazer nesses casos.

“A maioria dos projetos pedagógicos estabelecem a não retenção, geralmente até o terceiro ano. E não fazem nada para sanar as deficiências ou dificuldades de aprendizagem que o aluno tem”, explica.

“Agora, o aluno não reprova, mas o professor identifica quais são as dificuldades que ele está levando para o ano seguinte e tem um trabalho planejado para recuperar essas deficiências. Legal. Ele não reprova, vai seguir no segundo ano, mas vai ter um suporte pedagógico que vai ajudar a recuperar aquilo que ficou para trás.”

FOTOS: Natássia Ferreira

No último dia do Enem, estudantes relatam dificuldades em disciplinas da área de exatas

Nesse domingo (11), aconteceu a segunda etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2018. Os portões em Roraima foram abertos às 10h e fechados às 11h. No último dia da avaliação, os estudantes tiveram cinco horas para resolver as 90 questões de matemática e ciências da natureza (física, química e biologia). Em Roraima, 14.067 candidatos se inscreveram para esta edição.

Um fator favorável foi que este ano o Ministério da Educação (MEC) acrescentou 30 minutos ao segundo dia de prova atendendo a um pedido dos candidatos que reclamaram que o tempo nas outras edições não era suficiente para responder todas as questões. Esse bônus agradou a muitos e lhes deu a chance de melhorar a pontuação no exame.

Segundo os estudantes, mesmo no domingo tendo mais questões de exatas a prova foi bastante cansativa devido aos textos longos. Eles também relataram que as disciplinas de química e matemática trouxeram questões bastante difíceis.

  • A maioria dos aspirantes levou “kits de emergência”, como água, para se manterem hidratados, chocolates, barrinhas de cereal e até comidas um pouco mais reforçadas para aguentar as cinco horas de prova.
  • Edilane Lima, 27, que fez a prova na escola Gonçalves Dias e quer cursar farmácia, achou o exame um pouco cansativo.
  • “Os textos foram menores do que no primeiro domingo já que não se teve a disciplina de Língua Portuguesa, mas para mim hoje a disciplina de química foi bastante difícil e acredito que para ter um melhor Enem é preciso melhorar os textos, não alongar muito eles, porque quando a gente já chega nas questões finais se perde, e isso desconcentra”, disse.
  • Para Matheus Oliveira, 18, que fez o Enem pela terceira vez, a dificuldade encontrada foi nas disciplinas de química e biologia.
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“Esta é a terceira vez que faço o Enem, só que agora valendo, já que nas outras duas vezes eu fiz mais para treinar. Química e biologia estavam bem difíceis, a prova em si foi bem cansativa, mas com esforço, a gente consegue tudo”, relatou o estudante que quer cursar agronomia na Universidade Federal de Roraima (UFRR).

Diferentemente de Edilane e Matheus, a estudante Angélica Dutra sentiu muita dificuldade na disciplina de matemática. A concorrente de 28 anos almeja cursar enfermagem e fez a prova na escola Oswaldo Cruz.

“Para mim, matemática foi bastante difícil. Para questões de porcentagem e regra de três era preciso ter mais atenção, pois tinham um grau alto de dificuldade. Achei a prova bem cansativa, mas acredito que me saí bem”, comentou Angélica, que destacou ainda que preferia quando o Enem era feito em apenas um dia e continha menos questões.

Os entrevistados concordam que os textos longos das provas podem ser melhorados e que se devem abordar assuntos mais atuais.

#Quarentenou: Relatos de estudantes sobre o período de quarentena

Com a suspensão das aulas presenciais, alguns estudantes ficaram tristes, muitos comemoraram, mas uma coisa é fato: uma boa parcela está passando pela mesma realidade de ter que viver em quarentena e estudar a distância.

Diante de tantos desafios (preguiça, vontade de chorar, notificação no zap, irmãos bagunçando), nada melhor do que saber como a galera está lidando com os estudos na quarentena e o que se pode aprender com essas rotinas.

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O podcast Viracast, feito por alunos e alunas do colégio Elvira Brandão, trouxe no episódio dessa semana um pouco das medidas adotadas pela escola nessa nova rotina, além de depoimentos dos estudantes que contam como estão se adaptando a este momento. 

“Tô me adaptando aos poucos com esse novo jeito, mas estou gostando bastante, pois estamos na nossa casa, mais confortável, e na minha opinião acho que conseguimos escutar mais e aprender mais, sem barulho [da sala de aula] e cada um no seu canto.” 

Juliana, aluna do 7ª A do Ensino Fundamental.

“Já eu gosto muito das aulas presenciais, mas achei que deu certo esse jeito que adaptaram as aulas, estou me adaptando bem e até agora não tive nenhuma complicação.”

Mayara, aluna do do 3º B do Ensino Médio.

Confira outros depoimentos no episódio “Quarentena não é férias”, do Viracast:

Mas você acha que é só a galera de Ensino Fundamental e Médio que tá passando pelo processo do ensino a distância? Parece que esses desafios, dificuldades e aprendizados também são parecidos com os da Luciana, que está fazendo uma pós-graduação (!!!) em Administração de Empresas na Stanford University, na Califórnia. 

Batemos um papo com a Luciana no último dia 25. Ela contou que está em seu último período do curso e que, com toda a turma e professores(as) em quarentena, as aulas e atividades passaram a ser 100% on-line. 

“Tudo aconteceu muito rápido. Numa sexta-feira, mandaram e-mail falando que na próxima semana a gente já ia começar a ter aula on-line.

(…) Afetou muita coisa e de uma hora pra outra, então foi difícil de aceitar e de começar a pensar em coisas novas, mas, ao mesmo tempo, acho que também fortaleceu bastante nosso senso de comunidade, de ser criativo e continuar aproveitando do jeito que dá.”

Luciana Barrancos, aluna de MBA na Stanford University

Apesar de manter a rotina de estudos, Luciana conta que houve uma grande movimentação por parte da comunidade estudantil para criar uma rotina de lazer a distância. Afinal, quem aguenta ficar trancado em casa só estudando, né?

Juntos, criaram o movimento Team Positive Contagion (em português: Time do Contágio Positivo), uma agenda de diversas atividades para fazer em conjunto (mas cada um na sua casa, on-line). 

Logo do Team Positive Contagion

Entre as atividades, destacam-se: jogo de perguntas e respostas sobre Harry Potter, yoga, treino funcional, assistir a Meninas Malvadas e depois fazer um debate, entre outros. 

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Mas não só de lazer vivem os alunos da Stanford University. Além do TPC, os estudantes se uniram também para fazer ações de apoio à comunidade local, doando sangue, fazendo compras para pessoas idosas ou do grupo de risco, que não podem sair de casa, enfim… Várias iniciativas legais. Confira a entrevista completa com a Luciana no vídeo abaixo:

Legal, né? Deu pra perceber que, mesmo com idades e realidades diferentes, estudantes dos ensinos Fundamental, Médio e Superior podem ter as mesmas dificuldades, mas também se encontram na criatividade e no senso de coletividade

Reinvente-se!

Apesar dos desafios da quarentena, estamos vivendo um momento muito legal para se reinventar, aprender coisas novas e fortalecer os vínculos, mesmo que virtualmente.

Nesse sentido, o que pode ser feito de proveitoso nesse período de isolamento? O que você acha de organizar uma agenda de lazer com seus amigos também? E que tal se voluntariar, com cuidado e responsabilidade, para fazer compras no mercado para vizinhos que não podem sair?

Essas são só algumas ações que podem ser feitas para facilitar a fase de quarentena, mas tenho certeza de que você vai pensar em muitas outras coisas incríveis também! ????

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Já está fazendo algo interessante, tem alguma dica/ideia muito boa ou apenas quer compartilhar um pouco da sua rotina com outros(as) estudantes? Envie seu relato para o e-mail [email protected], e vamos ficar muito felizes de publicá-lo no blog, porque aqui o expert é você! ????

Sem repasse de verba, escolas têm dificuldade de oferecer merenda aos alunos em Caxias

Educação12/03/2020 | 11h14Atualizada em 12/03/2020 | 11h14

Alunos da Escola Estadual Ensino Médio Prof° Apolinário Alves dos Santos protestaram nesta quinta-feira Foto: Alana Fernandes / agência RBS / agência RBS

Alana Fernandes

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Um grupo de cerca de 20 alunos protestam em frente à Escola Professor Apolinário Alves dos Santos, no bairro Sagrada Família, em Caxias do Sul, na manhã desta quinta-feira (12). Eles pedem a regularização da grade de professores e a oferta adequada de merenda. Eles utilizam cartazes com escritas como “a educação vale a pena”. Não há obstrução ao trânsito no local. 

Conforme a direção da escola, há falta de seis profissionais para as disciplinas de educação física, física, espanhol e química. Diante do déficit de profissionais, os estudantes são liberados mais cedo. Nesta quinta, por exemplo, houve aula até as 10h. 

— A nossa situação está precária, não estamos mais aguentando. Hoje (quinta) só tivemos dois períodos. No restante ficamos sem aula. E precisamos ter essas aulas completas porque pretendemos fazer o Enem — diz a estudante Estela Barth. 

Em relação à merenda, a escola conseguiu oferecer alimentação completa nos primeiros dias do ano letivo. Desde o dia 2, no entanto, os estudantes foram orientados a levar lanche de casa, porque a instituição está conseguindo fornecer apenas banana e maçã.

— É muito complicado. É uma situação caótica. Mas não temos o que fazer, temos que esperar que a verba (do Estado) seja depositada — explica a vice- diretora da tarde Carine Gheno.

— A gente espera que a situação (da merenda) se normalize em duas ou três semanas. Mas o mais grave é a situação dos professores, porque os alunos estão sem aula e saem mais cedo.

Outro problema que tivemos foram os profissionais que aderiram à greve no ano passado. Eles tiveram que cumprir as férias.

Temos professores de inglês, por exemplo, voltando somente essa semana — completa a diretora Marili Rigon Zandoná. 

Conforme a titular da 4ª CRE,  Viviani Devalle, algumas contratações de professores para a escola já estão encaminhadas. 

— Para algumas disciplinas, como espanhol, está difícil pela falta de profissionais inscritos. Estamos fazendo uma força tarefa para agilizar. Porém, o fluxo de atendimento é muito grande.

Até ontem (terça-feira) havíamos liberado 47 contratações. Acredito que até o final de semana vamos aumentar esse número.

Importante ressaltar que, neste ano, do primeiro ao quinto ano, não faltou nenhum professor na rede estadual — argumenta Viviani.

Na São Caetano, verba do CPM auxiliou na compra da merenda

Situação semelhante ocorre na Escola Estadual de Ensino Médio São Caetano. A instituição está utilizando recursos do Círculo de Pais e Mestres (CPM) para oferecer merenda aos estudantes desde o início do ano letivo, no dia 19 de fevereiro. O estoque de alimentos que sobrou do ano passado também está sendo usado para alimentar os quase 800 alunos que estudam na escola do bairro Bom Pastor. 

Na segunda-feira (9), um bilhete, que seria encaminhado pela direção da escola aos pais solicitando que aos alunos que levassem seus próprios lanches ganhou repercussão nas redes sociais.

O material explicava que “a verba para aquisição de gêneros alimentícios para a merenda escolar de 2020 não foi enviada pela mantenedora”.

O recado pedia também que o envio da alimentação pela família ocorresse a partir desta quarta-feira.

A diretora da escola, Roberta Moares, explica que o bilhete não chegou a ser encaminhado aos alunos. A orientação havia sido publicada, de acordo com a diretora, em um grupo de conversas do CPM. Diante da repercussão e por recomendação da 4ª CRE, o bilhete não foi encaminhado aos pais.

— É uma coisa que as escolas fazem no início do ano (solicitar o lanche de casa), porque a primeira parcela para a compra (verba do Estado) demora para vir — justifica Roberta.

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Ainda segundo ela, o recurso do CPM foi utilizado para a compra de itens para complementar o cardápio, como leite.

— Compramos o que precisava para fazer o lanche. Temos bastante coisa que sobrou do ano passado, como feijão e arroz — explica a diretora.

A titular da 4ª CRE explica que não foi procurada pela direção da Escola São Caetano para tratar sobre o problema de falta de recursos para a merenda. Ela disse que soube por meio das redes sociais. Sobre a situação do Apolinário, Viviani diz que se reuniu com a diretora na tarde de quarta-feira (11), e que “faltam apenas alguns itens da merenda”.

— Eu conversei com a diretora (do São Caetano) e ela me disse que era um hábito, que sempre nessa época enviava um bilhetinho para que os pais colaborassem. Porém isso tomou uma proporção muito grande. Pedi que ela recolhesse os bilhetes, pois não há falta de merenda — diz Viviani.

  • A titular da 4ª CRE afirma que o processo de compra de merenda da rede estadual está empenhado e deve ser pago até o final da semana, resolvendo o problema das duas escolas:
  • — São questões pontuais, não é um problema em toda a rede.
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(PDF) Psicologia escolar e a relação família-escola no ensino médio : estudando as concepções desta relação

  • UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
  • INSTITUTO DE PSICOLOGIA
  • Programa de Pós-Graduação em Psicologia
  • PSICOLOGIA ESCOLAR E A RELAÇÃO
  • FAMÍLIA-ESCOLA NO ENSINO MÉDIO:
  • ESTUDANDO AS CONCEPÇÕES
  • DESTA RELAÇÃO
  • Cynthia Bisinoto Evangelista de Oliveira
  • Brasília, julho de 2007.
  1. ii
  2. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
  3. INSTITUTO DE PSICOLOGIA
  4. Programa de Pós-Graduação em Psicologia
  5. PSICOLOGIA ESCOLAR E A RELAÇÃO
  6. FAMÍLIA-ESCOLA NO ENSINO MÉDIO:
  7. ESTUDANDO AS CONCEPÇÕES
  8. DESTA RELAÇÃO
  9. Cynthia Bisinoto Evangelista de Oliveira
  10. Dissertação apresentada ao Instituto de
  11. Psicologia da Universidade de Brasília,
  12. como requisito parcial à obtenção do título
  13. de Mestre em Psicologia, área de
  14. concentração Desenvolvimento Humano no
  15. Contexto Sócio-Cultural.
  16. Orientadora: Professora Drª. Claisy Maria Marinho-Araújo
  17. Brasília, julho de 2007.
  • iii
  • UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
  • INSTITUTO DE PSICOLOGIA
  • DISSERTAÇÃO DE MESTRADO APROVADA PELA SEGUINTE BANCA
  • EXAMINADORA:
  • ___________________________________________

Profª. Drª. Claisy Maria Marinho-Araújo – Presidente

Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia

___________________________________________

Profª. Drª. Sandra Francesca Conte de Almeida – Membro externo

Universidade Católica de Brasília

___________________________________________

Profª. Drª. Marisa Maria Brito da Justa Neves – Membro interno

Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia

___________________________________________

Profª. Drª. Maria Auxiliadora Dessen – Suplente

Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia

Brasília, julho de 2007.

  1. iv
  2. AGRADECIMENTOS
  3. Muitos foram os que participaram e contribuíram para a realização deste objetivo,
  4. sempre me incentivando e acreditando que a concretização deste objetivo era possível.
  5. Assim, agradeço à minha querida família, Lucas, Sueli e Kelen, pelo apoio,

incentivo e compreensão. O amor e o carinho de vocês foram essenciais.

  • À querida Claisy, professora, orientadora e grande exemplo profissional. Seu apoio
  • e suporte foram fundamentais para a realização deste sonho, confiando em meu potencial,
  • esclarecendo minhas dúvidas, norteando meus questionamentos e compartilhando as
  • angústias dessa longa jornada.
  • À professora Marisa Brito, por trazer alegria e risos em momentos de tanta
  • seriedade, além de ponderamentos importantes à construção deste trabalho. Também, pela
  • disponibilidade para participar da banca examinadora desta dissertação.
  • À professora Dora, pelo incentivo, confiança e pelos aprendizados que foram e
  • serão essenciais em minha carreira acadêmica. E, também, por aceitar o convite de
  • participar da banca examinadora desta dissertação e contribuir mais uma vez para o
  • desenvolvimento deste trabalho.
  • À professora Sandra Francesca, por suas contribuições teóricas e por aceitar o
  • convite de participar da banca examinadora desta dissertação e, assim, colaborar para o
  • enriquecimento deste trabalho.
  • Às amigas do laboratório e do Mestrado – Denilva, Érika, Gláucia, Miriam, Paula e
  • Tati – com quem compartilhei inúmeros momentos de cansaço e de satisfação, de alegria e

de angústia, de sufoco e de alívio. Meninas, eis aqui o resultado do nosso esforço.

Aos demais colegas e professores do Instituto de Psicologia, por terem participado

deste processo de formação acadêmica.

  1. v
  2. Ao meu grande amor, Luciano, por me ensinar a viver e a ser feliz.
  3. Às amigas da vida que compreenderam minhas ausências e me ajudaram a aliviar o
  4. estresse em alguns momentos.
  5. Ao meu grupo de terapia que, insistentemente, vem me ajudando a deixar de ser SS
  6. sem, contudo, deixar de ser eu mesma.
  7. Ao Sagarana, querida escola, que me despertou a curiosidade para investigar o tema
  8. da relação família-escola e que, a cada dia, vem me enriquecendo com suas vivências e
  9. discussões. Obrigada, também, por acreditarem que os desdobramentos deste estudo
  10. podem se concretizar entre nós.
  11. Às psicólogas escolares, professores e professoras, pais e mães, alunos e alunas que
  12. participaram deste estudo e que, com suas ricas vivências, possibilitaram a concretização
  13. deste trabalho. Obrigada por se colocarem a disposição de forma tão aberta, sincera e
  14. inteira.

vi

Oliveira, C. B. E. de (2007). Psicologia Escolar e a relação família-escola no Ensino

Médio: estudando as concepções desta relação. Dissertação de Mestrado. Brasília:

  • Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia.
  • RESUMO
  • A relação família-escola é um dos campos de atuação da Psicologia Escolar, a qual
  • contribui para a promoção do processo educativo por meio de compromisso teórico e
  • prático com as questões relativas à escola, seus processos e atores. Família e escola são os
  • dois primeiros contextos educativos e socializadores em que a criança vive e servem de
  • referência à vida em sociedade. Apesar de compartilharem a tarefa de preparar crianças e
  • jovens para a vida sócio-econômica e cultural, são sistemas com funções distintas que
  • divergem nos objetivos de ensinar. O levantamento histórico sobre a relação família-escola
  • aponta que a escola tem um modelo idealizado de família, culpabiliza as famílias pelas
  • dificuldades vivenciadas pelos alunos na escola e instrumentaliza os pais para a ação
  • educacional tentando adequar os filhos e famílias às necessidades escolares. Tendo como
  • pressupostos conceituais a perspectiva Histórico-Cultural do Desenvolvimento Humano, a
  • teoria das Relações e Interações Sociais e o Desenvolvimento de Competências, este
  • estudo teve como objetivo investigar as concepções acerca da relação família-escola junto
  • a psicólogos escolares, professores, pais e alunos do Ensino Médio de escolas do Distrito
  • Federal. Os dados foram construídos a partir de entrevistas individuais realizadas com 16
  • participantes e entrevistas coletivas com dois grupos. A análise qualitativa forneceu uma
  • representação dos dados por meio de categorias que definiram e representaram as idéias
  • principais dos participantes. Os resultados indicaram que nas concepções dos participantes
  • o objetivo da relação família-escola é a formação integral dos filhos-alunos, sendo que o
  • padrão desta relação, mantido pelos pais e pela escola, está baseado na ocorrência de
  • problemas. Na concepção dos professores existe um modelo familiar mais adequado às
  • necessidades educacionais que não é cumprido pelos pais, levando a escola a ensiná-los o
  • que precisam fazer. Família e escola conhecem suas responsabilidades específicas e as do
  • outro; entretanto, não reconhecem as funções compartilhadas pelos dois sistemas em
  • decorrência da função educativa que têm. Segundo os professores, os pais não podem
  • participar de questões de conteúdo e planejamento, pois estas são competências
  • pedagógicas específicas do professor. Quanto ao papel mediador dos alunos, o adolescente
  • é apontado como mensageiro entre família e escola, não havendo conhecimento de formas
  • diferentes de como operacionalizar a mediação dos alunos. Diante destes dados, defende-se
  • a atuação preventiva e relacional da Psicologia Escolar junto à relação família-escola,
  • focalizando os aspectos objetivos e subjetivos da relação e contribuindo para o
  • estabelecimento do diálogo e da escuta aos dois sistemas. Enfatiza-se a importância de que
  • os diferentes atores envolvidos na relação conscientizem-se dos sentidos subjetivos que a
  • permeiam; a identificação de formas diferentes dos sistemas se relacionarem, independente
  • de problemas; o posicionamento do aluno enquanto elemento central e mediador da relação
  • família-escola, trazendo novos olhares para a relação e para as ações dos demais atores; a
  • definição de como os pais podem participar em questões escolares; a identificação das
  • funções comuns aos sistemas, evitando incômodos decorrentes de expectativas não
  • correspondidas; a responsabilidade e competência específica da escola e de seus
  • profissionais diante da transformação da relação família-escola.
  • Palavras-chave: psicologia escolar, relação família-escola, subjetividade, desenvolvimento
  • de competências e mediação.

vii

Oliveira, C. B. E. de (2007). Psicologia Escolar e a relação família-escola no Ensino

Médio: estudando as concepções desta relação. Dissertação de Mestrado. Brasília:

  1. Universidade de Brasília, Instituto de Psicologia.
  2. ABSTRACT
  3. The family-school relation is a field of School Psychology, which contributes to the
  4. improvement of educative process by theoretical and practical committing with questions
  5. related to school, its processes and actors. Family and school are the two first’s social and
  6. educational contexts where child lives and they function as reference to life in society.
  7. Although they share the task of preparing children and adolescents to the partner-economic
  8. and cultural life, they have distinct functions and differ in their teaching objectives. The
  9. historical review about the family-school relation points that school has an idealized
  10. familiar model, it blames the families for the difficulties lived by the students at school and
  11. teaches the parents to act in the educational process, trying to adequate children and family
  12. to school’s necessity. Having as conceptual bases the historical-cultural perspective of the
  13. Human Development, the Theory of Social Relations and Interactions and the Abilities’
  14. Development, this work had as objective to investigate the conceptions concerned the
  15. family-school relation, next to school psychologists, teachers, parents and students of
  16. Distrito Federal high schools. The data were constructed from individual interviews with
  17. 16 participants and collective interviews with two groups. The qualitative analysis supplied
  18. a data representation by categories that defined and represented the participants’ main
  19. ideas. The results indicated that the objective of family-school relation is the integral
  20. formation of the son-students, in which the standard of this relation, kept for the parents

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