Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Prepare seu coração (ou outro órgão menos nobre), hoje o tio vai contar um monte de histórias. Algumas legais, outras meio chatinhas. Vamos lá!

Outro dia um amigo me pergunta preocupado: “meu carro já está com quase 40 mil km rodados. Você acha que devo trocar?”

O carro do cara está ótimo, nada para fazer, roda como 0-km, nunca levou um risco na pintura… o famoso “filé”. Se fosse para dar conselho, eu daria para o carro: “caí fora, arruma um dono melhor que esse cara é um bunda-mole”.

Mas esta síndrome de “quilometragem” é bem difundido, bem brasileiro. “Acho que vai começar a dar trabalho” e compra um carro novinho, se enterrando em prestações. Vale a pena?

Vamos para algumas historinhas da vida real.

Uns 10 anos atrás comprei um Gol 1,8, ainda dos quadrados, com uns 120 mil km rodados. Nota fiscal, manual, chave-reserva na mão e o cara ainda me vendeu barato pois “ninguém quer carro com mais de 100 mil km”. O Golzinho tinha um dono cuidadoso, manutenção em dia e, o principal, era um “carro de estrada”.

As marcas de pedrinhas na frente e no capô denunciavam isso, assim como a história que o ex-dono contava. Ele morava na beirada da rodovia Castello Branco, em São Paulo, e viajava cerca de 200 km por dia, indo e voltando do trabalho em uma cidade distante 100 km de onde ele morava. Ou seja, pelo menos 4.000 km por mês, 48.

000 km por ano, rodando a mais de 100 km/h com o motor tranqüilo. Claro, comprei o Golzinho.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmGolzinho “de estrada”: embreagem trocado aos 150 mil km rodados

Na revisão, nada foi feito, está tudo em ordem. Lá pelos 150 mil km rodados, o pedal de embreagem ficou muito duro, queria começar a patinar e foi trocado o kit (platô, disco e rolamento). Com uns 200 mil km, quando se tirava o pé do acelerador, pelo retrovisor ser via uma leve fumaceada.

Retiramos e fizemos o cabeçote. Só o cabeçote, que geralmente gasta mais rapidamente que a parte “de baixo” do motor (virabrequim, bronzinas, pistões e anéis). Foram trocadas guias, válvulas de escape e aplainado o cabeçote. Rodei mais uns 30/40 mil km antes de vender, e o Golzinho (1.

8) não fumava, não batia e não dava trabalho.

De resto, durante estes mais de 100 mil km que usei o Golzinho, só manutenção de rotina: óleo, correias, velas, algumas borrachas de suspensão, pastilhas e lonas, lâmpadas, palhetas do limpador… bobagens e nada mais. Quando vendi, até os amortecedores continuavam originais. Grande segredo: “carro de estrada” e bem cuidado.

Historinha inversa: alguns anos atrás, um amigo descobriu uma “jóia”, um Honda Civic hatch, 1994, um pequeno quase-clássico. Única dona, uma velhinha que “só ia ao supermercado com o carrinho”, com algo como 50 mil km rodados.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmTrânsito desgasta mais: motor funciona muito e se roda pouca distância

Claro que fomos ver. Um dos piores carros que vi na vida. O depoimento da velhinha parecia honesto: está tudo original, nunca foi repintado. O carro fumaceava (acho que o óleo era original também), tinha pequenas pancadas em todos os lugares (inclusive teto, onde ela apoiava as compras) e o interior, destruído, cheirava azedo. Algum ferro-velho deve ter levado por uns R$ 500.

Estas duas histórias só provam um ponto: quilometragem é muito relativa e julgar um carro pelo que ele rodou é, no mínimo, um julgamento parcial e meio burrinho.

Vamos analisar alguns fatos. Lembram que o Meccia disse aqui mesmo no Ae que os fabricantes consideram 5.000 horas como a vida média de um motor? Quase todo mundo achou pouco e concordo. Mas vamos brincar com esse número. Primeiro, ninguém falou em quilômetros, mas sim em horas trabalhadas.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmNa estrada se faz maior quilometragem com menor desgaste de componentes

O Golzinho, rodando sempre por uma boa estrada, mesmo com engarrafamentos e pequenos trechos urbanos, provavelmente mantinha uma média de 80 km/h ao longo dos anos. Resultado: para rodar 120 mil km, seu motor trabalhou apenas 1.500 horas, menos de um terço de sua “vida útil programada”.

Já o Civic da velhinha, rodando sempre em uma cidade grande como São Paulo, tinha no máximo 20 km/h como velocidade média. Contas: para rodar os 50 mil km, o motor do Honda trabalhou 2.500 horas, metade da vida útil teórica, e 1.000 horas mais que o Golzinho.

Pior, o “carro da velhinha” sempre trabalhou nas piores condições: motor em fase de aquecimento (gordo, com excesso de combustível) e quando chegava na temperatura ideal, o carro parava: ela tinha chegado no supermercado ou na casa da neta. Freios e suspensões sempre muito solicitados no anda-e-pára da cidade.

O escapamento raramente conseguia expulsar a umidade acumulada, pois cada período de funcionamento era insuficiente para aquecê-lo por inteiro. O estofamento já estava desgastado e destruído, principalmente o banco do motorista, de tanto entra-e-sai, sempre para fazer deslocamentos curtos de apenas alguns minutos.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmAté o escapamento oxida mais quando se faz pequenos percursos urbanos

Ao contrário, o Golzinho quase sempre trabalhava em condições mais próximas do ideal, com o motor aquecido, menor rotação para maior velocidade (em última marcha), sobra de refrigeração, freios e suspensões pouquíssimos exigidos, motor com baixa carbonização por rodar em rotações mais constantes e por aí vai.

Até a embreagem dura mais, pois tanto se arranca menos, que é o que mais a gasta, quanto se troca muito menos marchas na estrada do que na cidade. Bateria também vai ter maior vida longa, pois sua carga quase sempre é máxima em “carros de estrada”.

Em um pequeno deslocamento urbano, de 5 ou 10 minutos, geralmente o alternador nem consegue repor a energia usada para primeira partida matinal.

Conclusão das historietas: vai comprar um carro, esqueça a quilometragem e julgue o carro como um todo. Existem carros que, se voltarem o velocímetro uns 100 mil km, dificilmente isso vai ser percebido. E existem outros que, mesmo com baixa quilometragem real, parecem que rodaram muito mais.

Leia também:  Hatch usados em Mato Grosso Do Sul com Trio eletrico

O estado de um carro usado depende de vários fatores, desde o tipo de uso, quem usa, manutenção que recebe, dorme na garagem, além de, claro, a qualidade construtiva do fabricante para aquele modelo.

E não se iluda, mesmo com os produtos atuais sendo considerados como “carrinhos de plástico” por dinossauros como eu, tudo evoluiu.

Não só a qualidade da maioria dos materiais, como também de pneus, lubrificantes e até dos próprios plásticos e tecidos dos bancos.

Ou seja, bem cuidado, praticamente qualquer carro atual pode rodar mais de 200 mil km se for bem dirigido e não levar grandes pancadas.

Tem algum “porém”? Claro que tem: os carros atuais, independente da vida útil dos componentes mecânicos, vão morrer pela eletrônica. Os sistemas estão cada vez mais complexos, evoluem com enorme rapidez, o que atrapalha e encarece a manutenção e reposição desta eletrônica toda.

Pequeno exemplo. Um amigo meu foi transferido para Miami (a melhor cidade ao Norte do Brasil) e resolveu comprar um Jaguar, seu sonho de infância. Rodou uns 2.000 km, pegou um chuvão e uma inundação.

Desligou o carro (para que o motor não chupasse água e tivesse um calço hidráulico) e na hora de descer do carro entrou um pouco de água. Chamou o seguro, que guinchou o Jaguar. Dias depois, o seguro liga e pede sua conta bancária.

“Como assim?” “Deu Perda Total, molharam os módulos eletrônicos que ficam embaixo do banco traseiro”. O custo dos módulos, e nos Estados Unidos, era maior que o valor do carro.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmQuanto vale um Mercedes sem os módulos eletrônicos que controlam tudo?

Como hoje virei contador de histórias, vai mais uma. Um conhecido, pouco experiente, mas metido a entendido de carro, comprou um Mercedes CLK, um conversível maravilhoso, num leilão de uma financeira. Levou mecânico, tão tontão quanto ele, olharam o carro e acharam que estava tudo bem.

O carro não podia ser funcionado, regras da casa, e o mecânico teve até o cuidado de virar o motor para ver se não está “trancado”. Pagou bem baixo, algo como uns R$ 30 mil, e o carro foi de caminhão plataforma para a oficina. Colocaram bateria, viraram a chave e … nada.

Nenhuma luz se acendeu no painel. Vira e procura e descobriram: todos os módulos de gerenciamento eletrônico “da Merça” tinham sido roubados. Orçamento: uns US$ 20 mil e nos Estados Unidos. Fora custos de importação ou de “importabando”.

Desespero total do dono, vontade de sentar na calçada e chorar.

Dias depois, toca o celular, número desconhecido: “Você comprou um Mercedes assim, assim? Pois é, o ex-dono me devia uma grana e me deu todos os módulos dele em pagamento. Quero R$ 15 mil.” O cara pagou, se deu por feliz e nunca mais foi num leilão. Nem de caridade.

Quer comprar bem um carro usadinho? Se você não for uma prostituta idosa em matéria de graxa, não cresceu numa oficina lavando peças ou algo assim, consiga um mecânico bom. Bom, dos bem chatos e com um ouvido de cachorro caçador.

Daqueles que escuta seu carro chegando e, sem abrir o capô, já vai sentenciando: os rolamentos do alternador não vão muito longe, estão começando a chiar.

Leve ele junto para ver o carro, pague o almoço, dê tapinhas nas costas e mande “recomendações à patroa”.

Só para completar, qualidade e durabilidade se analisa nas vilas, na periferia das grandes cidades. Nunca em ruas chiques ou shoppings badalados, cheio de carros novos.

Quando você vê um monte de Santana, Gol, Monza, Escort CHT, Uno (e alguns poucos mais), todos com mais de 20 ou 30 anos, sempre beirando o meio milhão de quilômetros rodados, aí se está comprovando qualidade e durabilidade.

Mesmo fumaceando, rodas tortas, pintura queimada, eles estão lá, cumprindo seu papel de transportar pessoas. Por outro lado, observe os carros dos anos 1980/90 que já sumiram. Alguns, literalmente viraram cinza.

Testes de carros novos mostram projeto, acabamento, conforto… um monte de coisas. Mas não se tem a mais vaga idéia de qualidade e durabilidade ao longo do tempo.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 kmJAC oferece carros usados para jornalistas testarem: experiência pioneira

Nota do Tio que gosta de caco velho: Enquanto cometia este post, encontrei-me socialmente com o Eduardo Pincigher, hoje diretor de comunicação da JAC. Orgulho deste ex-aluno, que trabalhou comigo na revista Oficina Mecânica: ele está propondo que os jornalistas especializados façam testes com os chineses usados, os JAC que entraram como parte de pagamento de carros novos.

Alguns com os temidos 100 mil km. Vai ser uma ótima experiência para vários “coleguinhas”, principalmente a turma que gosta de analisar folgas de painel, luzinhas de cortesia e outras babaquices, a turma do “bloco que impulsiona o carro” ou do “câmbio que comanda o motor”. Boa, Edu! Brilhante idéia e ótima surpresa: pensamos a mesma coisa, ao mesmo tempo, sem que a gente tenha se falado.

JS

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Carro Usado: Honda CR-V é um dos campeões de fidelidade. Veja por quê

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

O Honda CR-V usado é um SUV para quem deseja espaço e versatilidade e não quer gastar muito em um carro zero. Com mecânica confiável, não gosta de visitar oficinas e faz a alegria dos donos, que costumam se manter fiéis ao modelo (daí sua importação mesmo quando sai caríssimo por causa, principalmente, do dólar alto — leia aqui a avaliação do modelo atual).

Segundo a Fipe, um Honda CR-V usado LX 4×2 ano 2012 custa R$ 57.556 –bem menos do que um SUV compacto zero-quilômetro, ou mesmo seminovo. Para quem preferir um CR-V mais novo, o 2015 tem preço médio de R$ 79.174, valor de um SUV básico hoje. A configuração EXL 4WD com tração integral (das fotos) sai por R$ 90.403, também 2015.

Leia também:  Hatch Ford Ka 2020 com Vidro elétrico

+Avaliação: já aceleramos o Jeep Renegade que faz 45 km/l
Toyota Corolla Cross e mais 40 SUVs que chegam no próximo ano
+Avaliação: vale a pena pagar quase R$ 80.000 na Fiat Strada Volcano?
+Jeep Compass turbo x VW Tarek: comparativo adianta disputa no Brasil
+VW Gol e Polo batem Chevrolet Onix e Joy e mantêm a Volkswagen na liderança

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Em 2012, o Honda tinha o motor 2.0 16V a gasolina com opcão de câmbio automático de cinco marchas ou manual de seis. Este foi abolido na linha 2013, com a chegada do motor flex com 155 cv e 19,4 kgfm. “Não é um carro para se andar rápido, mas tem bom desempenho. Circulo a maior parte do tempo com o botão ECON [atua na injeção e no ar-condicionado para economizar] e faço médias entre 8,5 e 9 km/l. Abusando, faço 6,5 km/l a 7 km/l. Está ótimo pelo que o carro proporciona”, pondera Carlos Eduardo. “O consumo urbano é um pouquinho alto, mas, na estrada, é possível fazer médias de 15 km/l”, comenta ADG.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

O aproveitamento de espaço é um ponto forte do SUV, com uma alavanca de câmbio elevada que libera muito espaço para porta-objetos e porta-copos no console central

Carlos Eduardo diz que nunca passou apuros com seu Honda CR-V usado. “O SUV só pediu manutenções básicas, como trocas de óleo. As pastilhas de freio duraram cinco anos”, conta. Os proprietários entrevistados gostam de exaltar o quanto o carro é confiável (e isso contribui para o alto índice de fidelidade com o modelo).

“Foi uma oportunidade de negócio. Gosto de Honda, são modelos muito bem construídos”, comenta ADG. Já Carlos Eduardo diz que só troca o CR-V se for por outro CR-V. “Estou com ele há cinco anos. Meu antigo carro era uma Chevrolet Zafira. É bom, mas não há comparação entre eles. Tanto que agora desejo trocá-lo por um outro CR-V, só que mais novinho”, conclui.

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Pelo mesmo preço

Chevrolet Captiva 2015 R$ 59.171

Chevrolet Captiva 2015

O SUV combina motor 2.4 a câmbio automático de cinco marchas para entregar 171 cv de potência e 22,2 kgfm de torque. Mais forte que o CR-V. As dimensões de 4,576 m de comprimento, 2,707 m de entre-eixos e 821 litros de porta-malas também são superiores ao SUV da Honda.

Kia Sportage EX 2012 – R$ 54.746Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

O utilitário sul-coreano tem motor 2.0 casado a uma boa transmissão automática de seis marchas. São 178 cv de potência e 21,4 kgfm, quando abastecido com etanol. É um pouco menor que o Honda, com 4,45 m de comprimento e porta-malas de ainda ótimos 564 litros.

Hyundai IX35 2.0 2012 – R$ 51.338

O “primo” do Kia Sportage tem um tamanho ligeiramente menor. O Hyundai IX35 tem 4,410 m de comprimento (exatamente a medida do Jeep Compass) e um compartimento de bagagens de 591 litros. A seu favor, joga o visual dinâmico e bem resolvido até os dias atuais.

FICHA TÉCNICA

Honda CR-V LX 2WD (2012)
Preço básico R$ 57.556

Motor: quatro cilindros em linha 2.0, 16V, comando continuamente variável
Cilindrada: 1997 cm3
Combustível: gasolina
Potência: 155 cv a 6.500 rpm
Torque: 19,4 kgfm a 4.

300 rpm
Câmbio: automático, cinco marchas
Direção: assistência elétrica
Suspensões: MacPherson (d) e braços sobrepostos (t)
Freios: Disco ventilado (d) e disco sólido (t)
Tração: dianteira
Dimensões: 4,530 m (c), 1,820 m (l), 1,650 m (a)
Entre-eixos: 2,620 m
Pneus: 225/65 R17
Porta-malas: 589 litros
Tanque: 58 litros
Peso: 1.516 kg
0-100 km/h:13s5
Velocidade máxima: 171 km/h
Consumo cidade: 9,8 km/l
Consumo estrada: 12,5 km/l
Emissão de CO2 116g/km
Com etanol = 0 g/km
Consumo nota B
Nota do Inmetro: B*
Classificação na categoria: C* (Médio)

Suv Honda usados Quilometragem Até 28,780 km

Veja também

+ Truque para espremer limões vira mania nas redes sociais + Mulher finge ser agente do FBI para conseguir comida grátis e vai presa + MasterChef: Fogaça compara prato com comida de cachorro + Zona Azul digital em SP muda dia 16; veja como fica + Veja os carros mais vendidos em outubro + Baleia jubarte quase engole duas mulheres em caiaque; veja o vídeo + Conheça o phloeodes diabolicus “o besouro indestrutível” + Estudo revela o método mais saudável para cozinhar arroz + Arrotar muito pode ser algum problema de saúde? + Tubarão é capturado no MA com restos de jovens desaparecidos no estômago + Cinema, sexo e a cidade + Descoberta oficina de cobre de 6.500 anos no deserto em Israel

Vale a pena comprar um carro muito rodado?

Para o comprador, pode ser uma vantagem. Pagar menos que a tabela de referência por causa da quilometragem alta. Mas essa vantagem tem um risco. O barato pode sair caro, já que o preço mais em conta pode vir acompanhado da necessidade de reparos e revisões caras.

Antes de dispensar o candidato à vaga de sua garagem, vale a pena analisar caso a caso. Um veículo mais novo certamente dispensa grande parte das preocupações no que diz respeito à parte mecânica, principalmente por ainda estar dentro de garantia de fábrica. Já existem, inclusive, planos de manutenção estendida e garantia sem limite de quilometragem.

Na prática, os especialistas afirmam que não há necessariamente relação comprovada entre o estado do veículo e a sua quilometragem rodada.

“A qualidade de um carro seminovo não depende da sua quilometragem, mas sim da forma como ele foi utilizado nos seus anos anteriores”

Uma prova disso é o uso em rodovias, por exemplo. Nestes caso, a quilometragem será maior, mas o veículo circula em condições ideais, ou seja, com menos troca de marchas, menos tráfego urbano, menos desgaste de peças mecânicas.

Ou seja, um carro com alta quilometragem feita em rodovia é, na verdade, um excelente negócio. Na estrada, a velocidade constante e os longos trechos fazem com que o carro rode por grandes distâncias em sua condição ideal de funcionamento (isso inclui temperatura e regime de giro). Até a suspensão e carroceria sofrem menos nessa condição.

Leia também:  Carros Fiat Strada em Paraná a Flex Não blindado

Os carros de uso urbano acabam ficando muito tempo no trânsito. E isso tem um peso que o hodômetro ignora: o tempo de funcionamento do motor em horas.

Por exemplo, em grandes cidades é possível levar até duas horas para concluir um trajeto de 20 quilômetros. O hodômetro irá registrar pouco, mas isso significa que o veículo andou por um tempo significativo a meros 10 km/h, no anda e para, e centenas de trocas de marcha e acionamentos de embreagem.

Essas condições são caracterizadas como “uso severo”. Como muitos usuários só trocam óleo olhando para a quilometragem, não para o tempo de uso, é possível que o fluido seja substituído muito além do prazo ideal. Ou seja, manutenção irregular e maior possibilidade de problemas mecânicos – apesar da quilometragem baixa.

Se tomarmos o mesmo carro rodando duas horas seguidas, mas a 100 km/h, teremos no hodômetro 200 km adicionais. Porém, o percurso foi feito com refrigeração adequada, poucas trocas de marcha e rotação constante do motor.

Para o engenheiro mecânico e proprietário da Oficina Motor-Max, Rubens Venosa, um carro com quilometragem mais elevada não é necessariamente um carro velho e que desperte desconfiança: “um carro de alta quilometragem pode não ter sido usado por muito tempo. O motorista pode, apenas, andar muito em estradas”, explica. “Nas estradas, o motor trabalha em regime constante, tem menos acionamento do freio, menos troca de marcha.”

  • “A qualidade de um carro seminovo não depende da sua quilometragem, mas sim da forma como ele foi utilizado nos anos anteriores”, afirma o coordenador do MBA de Cadeia Automotiva da FGV, Antônio Jorge Martins.
  • Em linhas gerais, só vale a pena comprar um carro muito rodado quando a quilometragem for o fator de menor importância na avaliação geral do carro.

Para Venosa, se a manutenção preventiva no carro foi feita em dia e se há registros dos locais, datas e peças utilizadas, a quilometragem não é fator determinante. Mas se a idade do carro não interfere, qual é o grande critério de avaliação?

O histórico do seminovo conta, e muito. Aqui, há duas possibilidades: a primeira é quando o antigo (ou antigos) proprietários, apesar de circularem muito com o carro, realizaram as revisões em dia, manutenções preventivas e tiveram cuidado com o veículo. A outra, é quando o antigo dono não fez nenhuma dessas coisas e acabou descuidando do carro, independentemente de sua quilometragem.

Nesses casos, mais importante do que a rodagem é atentar-se ao estado de conservação do carro em linhas gerais, avaliando o interior e também o exterior, como a lataria e pintura.

Desconfie sempre: atente-se ao hodômetro e veja se a quilometragem apontada é compatível com a idade do carro. Tudo tem que coincidir: tempo de uso, a condição do acabamento interno, pintura e pneus. Um hodômetro “baixo” em um carro desgastado pode ser sinal de adulteração da marcação, embora a prática seja considerada crime. Atente-se ao desgaste de volantes, manoplas, bancos e pedais.

Um carro de alta quilometragem nem sempre está com seu primeiro dono. Por isso, é possível que já não tenha mais acesso aos registros originais, como os comprovantes de manutenção do carro, por exemplo. Para isso, a saída é levar o veículo em uma oficina de confiança para uma avaliação das condições mecânicas do carro e qualidade das peças.

Avalie o motor pelos ruídos, vazamentos, fumaça e também o câmbio. Para Venosa, carros acima de 150 mil km não devem ser comprados sem essa avaliação prévia: “A partir desse ponto, a quilometragem pouco importa, e sim as condições mecânicas”.

Outro detalhe importante é o preço. Vale lembrar que os valores base já são determinados pela tabela Fipe, que leva em consideração o estado de conservação, quilometragem e ano de fabricação do veículo. Mais uma vez, tudo isso deve estar em sintonia.

Dois modelos semelhantes fabricados no mesmo ano, mas com quilometragens muito diferentes devem ter preços diferentes também. Quando se trata de carros com maior rodagem, é aconselhável que se compare os preços com o mesmo modelo, e o mais rodado deve consequentemente ter menor preço, pela possibilidade de manutenções futuras.

De acordo com Martins, comprar um usado com alta rodagem não necessariamente representa um prejuízo financeiro, mas na maioria das vezes, é sinônimo de vantagem para o comprador. “Um seminovo é economicamente e financeiramente mais vantajoso, porque você deixa de contar com a alta depreciação que um carro novo possui em curtos períodos de tempo” explica.

Para ele, outra tendência do mercado automotivo que acaba se tornando um facilitador na compra de um seminovo é a extensão do prazo de garantia de fábrica. Com prazos maiores, o proprietário pode comprar um carro usado ainda dentro da garantia concedida pela montadora, e com isso sentir-se mais seguro com relação à possíveis problemas.

A média percorrida anualmente por motoristas brasileiros é de 15 a 20 mil km, de acordo com Martins. Sendo assim, um número muito acima disso é considerado fora da média do mercado, o que faz com que os consumidores evitem de imediato.

Se tivermos carros com o mesmo ano de fabricação, mas diferentes quilometragens e ambos ainda com garantia de fábrica, a diferença virá pelo preço.

saiba mais USADO BOA COMPRA: FIAT TORO VOLCANO 2.0 TURBODIESEL 2016/2017

Para ele, a análise técnica é o detalhe mais importante que antecede a compra: “você deve saber analisar, ou conhecer alguém que saiba analisar a sua compra de forma técnica , inclusive na questão de preço pedido pelo carro, mas certamente, se a mecânica está em boas condições, você só tende a ganhar”, conta.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*