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Carro blindado deve ser regularizado

Automóvel blindado que não recebeu a autorização do Exército tem até o dia 18 de outubro para regularizar a situação. O prazo foi estabelecido no artigo 67 da Portaria nº 94-COLOG, de 16 de agosto de 2019.

De acordo com a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), proprietários de veículos blindados comprados há mais de dois anos devem verificar se no Certificado de Registro de Licenciamento do Veículo (CRLV) consta a observação “blindagem”.

Em caso negativo, é preciso procurar o Exército para regularizar a situação, sob pena de apreensão do veículo e também dificuldade em realizar uma futura transferência de propriedade. Haverá também impedimento de qualquer procedimento junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Para efetuar a regularização, o proprietário deve agendar perícia em uma empresa blindadora ou assistência técnica que tenha Certificado de Registro no Exército. Não precisa ser a mesma que blindou o veículo.

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Análise do veículo blindado

A empresa deverá realizar uma avaliação técnica de todos os materiais balísticos aplicados no veículo e elaborar um laudo de inspeção.

O laudo é o documento exigido pelo Exército, para que o automóvel seja registrado no Sistema de Controle de Veículos Automotores Blindados e Blindagens Balísticas (Sicovab). O Ministério da Defesa então irá gerar a declaração de blindagem, documento a ser apresentado no Detran.

Segundo a Abrablin, somente após esse procedimento é permitida a troca do CRLV. Nele, deve constar no campo de observação a frase “Veículo Modificado Blindagem”, uma exigência prevista na Resolução nº 292 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), de 29 de agosto de 2008.

“É um procedimento de baixa complexidade e que, se feito a tempo, evitará futuras dores de cabeça ao proprietário”, salienta Andreia Canassa, do comitê de comunicação da Abrablin e consultora da Proacta Assessoria Documental.

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A última etapa consiste em levar o veículo até uma oficina credenciada do Detran, onde receberá vistoria do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para obtenção da regularização definitiva. No site da Abrablin (www.abrablin.com.br) há uma relação de empresas autorizadas pelo Exército para fazer a vistoria.

Preços e prazos

“O tempo de análise pelo Exército varia conforme o Estado. No Rio de Janeiro, por exemplo, a espera pode passar de um mês, enquanto em São Paulo as análises e a emissão de Autorizações e Declarações de Blindagem saem com um ou dois dias úteis”, afirma Andreia.

Na Soma Blindados, segundo o diretor Sandro Giaffone, o preço, que engloba vistoria e laudos, custa cerca de R$ 3.800, e o procedimento leva de três a cinco dias.

O mercado de blindagem cresceu bastante no Brasil a partir de meados da década de 1990. Hoje, o País possui mais de 200 mil carros blindados, a maior frota do gênero do mundo, segundo a Abrablin. E o País registra 20 mil novas blindagens todos os anos, informa a entidade.

Fiscalização

Somente nos últimos dez anos o controle da blindagem passou a ser mais rigoroso na parte documental e na fiscalização das instalações de blindadoras. A maior dificuldade estava na informatização dos processos.

A Abrablin informa que a primeira norma do Exército tratando de veículo blindado surgiu em 2002. Tratava-se da Portaria 13-DLOG, de 19 de agosto de 2002, conhecida como Norblind. Na época, o controle e a autorização eram feitos integralmente por meio de papel.

Em 2011, surgiu o primeiro sistema informatizado para controle das blindagens, mas apenas em 2015 o processo passou a ser 100% eletrônico.

Em 2017, foi concedido prazo de um ano para que os proprietários de blindados fizessem a regularização junto ao Exército. Antes, por deficiência no controle ou por desconhecimento das blindadoras, muitos desses serviços eram realizados sem as formalidades necessárias para regularização. Depois disso, o prazo foi novamente mudado. E a data final está chegando outra vez.

MAIOR PROCURA É PELOS SUVS

No Brasil, para ter um blindado de porte médio gasta-se em torno de R$ 65 mil. Entre os modelos mais blindados estão SUVs como Jeep Compass, Volkswagen Tiguan e Volvo XC60.

O processo de blindagem emprega aços especiais, vidros e polímeros de alta resistência. No Brasil, os níveis de blindagem seguem a norma de resistência balística NBR 15000, que obedece a padrões internacionais.

A classificação leva em consideração o impacto do projétil contra a blindagem, tendo como base o calibre, o tipo de projétil, seu peso, velocidade média e quantidade de disparos feita durante os testes de homologação.

Os níveis são divididos em uso permitido, restrito e proibido, de acordo com o poder de retenção das balas, e são determinados pelo Exército.

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Nível III-A

O maior nível permitido no País (e o mais utilizado) é o III-A; Suporta até disparos de pistolas 9 mm e revólveres 44 Magnum.

A blindagem nível I resiste a disparos de calibre .38 ou .22. No caso da nível II-A, a blindagem suporta disparos de .357 Magnum e 9 mm. A nível II resiste aos mesmos projéteis, mas a uma velocidade maior (disparo a uma menor distância).

Há também a blindagem nível III, mas seu uso é restrito no Brasil. Assim como as demais, requer autorização do Exército. Ela resiste a disparos de fuzil, com calibre 7.62 ou 5.56. Resistente até a disparos de metralhadoras M60, com munição calibre .30, a nível IV é de uso exclusivo das Forças Armadas e chefes de Estado no País.

Blindar um veículo não é tarefa fácil. O serviço pode durar vários dias, dependendo do carro e da empresa.

O modelo é totalmente desmontado e, então, é feita a aplicação dos materiais, como mantas de aramida e aços. Por fim, são colocados os vidros e os acabamentos.

Até os pneus recebem cintas de aço ou de polímeros especiais. Caso ele seja atingido por um tiro, permite que o automóvel continue rodando.

Por causa do peso extra, o consumo de combustível tende a aumentar. Outra característica é que se deve evitar abrir e fechar os vidros com frequência, sob pena de comprometer o mecanismo.

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CHINESES FORAM OS PRECURSORES

Estima-se que os chineses foram os primeiros a utilizar chapas de metal para reforçar seus navios de guerra. Mais tarde, Leonardo da Vinci criou o precursor dos atuais tanques de guerra. O blindado tinha estrutura recoberta de metal.

Já no século XX, em 8 de dezembro de 1941, o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt foi ao Congresso declarar guerra aos países do Eixo em um Cadillac 1931 blindado. O carro havia pertencido a AlCapone, preso por evasão fiscal.

No Brasil, os primeiros blindados para uso civil surgiram nos anos 1950. Eram feitos pela Massari, uma empresa transportadora de valores. Em 1990, havia no País ao menos outras três grandes empresas: Inbra, G5 e O’Gara. Elas faziam menos de 30 adaptações por mês.

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Dez veículos militares projetados e construídos no Brasil

Você sabia que o Brasil tem um histórico de verdadeira potência na área dos veículos militares? Entre as décadas de 1970 e 1980, o país chegou a ser um dos maiories produtores mundiais, graças sobretudo ao sucesso dos blindados sobre rodas desenvolvidos pela Engesa. Exportados principalmente para os países do Oriente Médio, eles combateram diversas vezes em conflitos reais, com bons resultados. Saiba mais sobre eles a seguir.

Cascavel

Produzido em São José dos Campos pela Engesa, o blindado alcançou enorme sucesso internacional desde que começou a ser feito, em 1980.

Além do Brasil, onde ainda existem mais de 200 unidades em operação, ele foi exportado amplamente para países como Iraque, Líbia, Colômbia e Chipre e, em menor quantidade, para outros países vizinhos (Bolívia, Equador, Paraguai, Suriname, Uruguai e Venezuela).

Ele compartilha alguns componentes mecânicos com o Urutu (veja mais detalhes abaixo), outro blindado produzido pela Engesa, apesar de terem propostas diferentes – enquanto o Urutu transporta tropas, o Cascavel é um veículo de reconhecimento e combate ligeiro. Seu armamento padrão é um canhão de 90 mm, além de metraladores secundárias junto à torre.

Urutu

Provavelmente, esta é a mais conhecida de todas as “cobras” feitas no Brasil. Também, já são mais de quarenta anos desde que o primeiro Urutu entrou em ação, transportando tropas de até 12 soldados – além do motorista e do comandante. Acessibilidade sempre foi um dos pontos fortes do modelo, sendo possível a entrada e a saída dos ocupantes pelas laterais, pela traseira e pelo teto.

Além do uso intenso pelo Exército e pela Marinha do Brasil, ele também fez bastante sucesso internacionalmente.

Países como Iraque, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Colômbia e Líbia adquiriram centenas de unidades.

Mas apesar do sucesso comercial e de algumas soluções técnicas eficazes, como a suspensão traseira do tipo “Boomerang”, o Urutu tornou-se obsoleto em situações de combate atuais.

Jararaca

Eis um caso de modelo nacional cujo foco era a exportação, e não a utilização pelas Forças Armadas daqui. Os países que mais adquiriram unidades do veículo foram Uruguai, Equador, Chipre, Guiné e Gabão, totalizando 63 exemplares vendidos para o exterior.

Produzido pela Engesa, o Jararaca é um veículo de reconhecimento de 4,16 metros de comprimento e ampla autonomia – graças ao tanque com capacidade para 140 litros de diesel, pode rodar até 700 quilômetros. Comporta três tripulantes: motorista, comandante e atirador, o qual opera uma metralhadora calibre 7,62mm. No Brasil, há apenas dois protótipos em funcionamento.

Ogum

Mais um produto da Engesa, mas que, dessa vez, não chegou a ser feito em larga escala. Novamente, que solicitou o modelo foi Saddam Hussein, que desejava um blindado leve transportador de tropas movido por esteiras (mais eficientes que as rodas em terrenos off-road), com características similares às do alemão Wiesel. Assim, foi criado o primeiro protótipo do Ogum, em 1986.

O governo iraquiano pediu modificações, que foram feitas pela Engesa e se materializaram num novo protótipo – no total, foram produzidos quatro exemplares prévios. O ditador do país do Oriente Médio chegou a negociar a aquisição de 200 unidades do Ogum, mas, com o desenrolar dos conflitos na região, a negociação não evoluiu, e o projeto foi abandonado.

Sucuri

Baseado na plataforma do Urutu e do Cascavel, o Sucuri foi um caça-tanques sobre rodas criado pela Engesa nos anos 80 que abria mão de parte de sua capacidade de proteção para surpreender em termos de velocidade – atingia até 115 km/h, com alcance operacional de 600 quilômetros.

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O ponto alto do Sucuri era a força de ataque equivalente à de um tanque, mesmo com um peso total três vezes menor. Seu canhão de 105 mm era montado em uma torre estabilizada. Como armamento secundário, metralhadoras de 12,7 e 7,62 mm. Infelizmente, ele não chegou a entrar em produção.

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Osório

O carro de combate pesado nasceu com audácia e perspectivas de glória. Em meados dos anos 1980, o modelo foi desenvolvido pela Engesa para uma concorrência aberta pela Arábia Saudita.

Submetido a testes no deserto, o protótipo do Osório superou os concorrentes do Reino Unido, França e Itália, e ficou em pé de igualdade com o famoso tanque M1 Abrams dos Estados Unidos.

Houve boatos de que o contrato chegou a ser redigido, estipulando que a venda para os árabes ajudaria a financiar a compra pelo próprio Exército Brasileiro.

Na hora de fechar o acordo, porém, falou mais alto o poderio político e econômico dos americanos. O início da crise que levaria à Guerra do Golfo, em 1990, selaria de vez o destino do Osório, que ainda participaria de outras concorrências na região.

Pior para a Engesa: ao investir todos os seus recursos no desenvolvimento do tanque para exportação – e sem nenhuma garantia de que o Exército Brasileiro, em grave crise financeira, fosse comprar o Osório – a empresa entraria em concordata anos depois, dando fim a um legado de expertise em blindados.

Astros

Um dos mais bem-sucedidos modelos militares brasileiros mundo afora.

Desenvolvido pela Avibras Indústria Aeroespacial em 1983, ele é um lançador de foguetes de saturação utilizado pelas forças armadas de países como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Indonésia e Iraque – além do próprio Brasil.

É capaz de lançar múltiplos foguetes, de diferentes calibres, a distâncias que variam entre 9 e 300 quilômetros, e deve ganhar uma nova versão, chamada de Astros 2020, compatível com mísseis de cruzeiro.

O Astros II esteve envolvido em algum dos mais conhecidos conflitos do século passado, como a guerra Irã-Iraque, realizada entre 1980 e 1988, e a Guerra do Golfo, ocorrida em 1990 e 1991 – em ambos os casos, serviu às tropas de Saddam Hussein com sucesso comprovado, graças à sua mobilidade e poder de fogo.

Guarani

O mais moderno blindado de transporte médio do Exército Brasileiro teve suas primeiras unidades entregues em 2014, e deve substituir gradualmente o Urutu. Foi desenvolvido pela Iveco, companhia muito conhecida pela produção de caminhões. Com capacidade para até 11 ocupantes, o Guarani é um 6×6 com alcance operacional de até 600 km e que pode alcançar os 110 km/h de velocidade máxima.

Assim como outros veículos militares modernos, o Guarani tem uma estrutura modular, isto é, pode ser modificada e receber outros tipos de dispositivo (armas, sensores, blindagem extra, mecanismos de defesa) de acordo com a demanda.

Seu casco inferior em forma de V é ideal para minimizar os danos causados por minas e explosivos, e a blindagem de série oferece protecão contra tiros de fuzil 7,62 mm.

Seu armamento principal é um canhão automático de calibre 30 mm em uma torre estabilizada controlada remotamente.

O Guarani inclusive já foi assunto de um Impressões ao Dirigir da QUATRO RODAS. Clique aqui para ler a reportagem.

Gaucho

Pode ser tratado como um veículo militar leve de dupla nacionalidade. Isso porque seu projeto teve início em 2004, durante uma reunião no Rio de Janeiro que teve representantes das forças armadas de Argentina e Brasil. De fato, mais de 85% das peças utilizadas em sua construção são feitas nos dois países, predominantemente na Argentina.


Um dos itens feitos por aqui é o motor 2.8 movido a diesel de 130 cavalos de potência. Por ser um veículo leve (2.100 kg) para sua categoria, o Gaucho é ideal para o transporte por aviões. Possui autonomia de 500 quilômetros e velocidade máxima de 120 km/h. Comporta até quatro ocupantes, e oferece como opcionais uma metraladora calibre 7,62mm e um kit de blindagem leve.

Marruá

Com a falência da Engesa, alguns de seus projetos pareciam fadados ao esquecimento. Um deles (o EE-12), porém, teve destino diferente graças à intervenção da Agrale. Em 2003, a companhia anunciou que retomaria seu desenvolvimento, atualizando-o para as necessidades das Forças Armadas brasileiras daquele momento. Nasceu, cinco anos depois, o Marruá.

Foi a Marinha que teve a oportunidade de usá-lo de modo pioneiro, em substituição ao Toyota Bandeirante.

Nos anos seguintes, o modelo passou a ser utilizado também pelo Exército e, depois, foi exportado para países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Equador.

Sua atuação mais notável até aqui é na intervenção brasileira na missão de paz no Haiti, onde o Marruá atua como veículo de carga, de transporte de pessoal ou ambulância.

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