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Antes que seja tarde (levanta e anda)…

Mai 27, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Não carrego o peso da falta de sensibilidade. Tento ao máximo perceber os guetos sociais em que todos estamos inseridos.

Mesmo nestes dias mais drásticos, não me falta esperança. Aliás, quanta esperança, reais sentimentos em dias que todos são os motivos para a falta dela.

Tenho dúvidas se há razões para seguir. Mas muita gente encontra, se acha, levantando-se em meio aos escombros das desigualdades. Não adianta dizer o contrário. Vejo alienações, claro. Porém, as quebradas todas são feitas de guerreiros, gente que não desiste fácil.

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Enquanto isso, fecho os olhos e viajo no refrão, acompanhado da base nervosa, com origens não nos tempos atuais. Convicto de que aponta para um futuro em que nós, humanos, seremos um pouco melhores. Não sou totalmente descrente em nós mesmos, muito pelo contrário. Se assim fosse, não estaria aqui gastando todo esse tempo em muitas palavras, àquelas nascidas na alma, em meio aos risos ou choros, tristezas ou alegrias, satisfação plena ou a tão temida solidão.

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Tempos de escola…

Abr 26, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Educacao

Esqueça, por enquanto, os indicadores e o esforço das políticas nacionais em criar mecanismos de avaliações para medir a qualidade da educação neste amplo território.

Jogue fora, depois você pode até revirar a lata de lixo procurando os métodos de ensino de apostilas, até porque você será cobrado exatamente por isso, os “conhecimentos” condicionantes para o vestibular, quantos alunos entraram na Universidade de São Paulo é o que vale para definir o que é uma boa escola. Mas na verdade não é isso. Alguém inteligente pode nem ter diploma.

Essas técnicas de nada servem quando seus chamados alunos chegam com perguntas acerca da vida, sexualidade, existência… posso ver, em infinitas situações, as indagações dos educandos barradas para que o cronograma, o programa, as imposições de treinamentos, as violências neoliberalistas, para encaixar o sujeito nas normas já estabelecidas, sejam cumpridas, sanadas.

Nem é disso que mais lembramos como coisas boas no ambiente escolar. Tá, o chato às vezes é necessário. Mas tem mesmo que ser a única e insistente opção?

O que é mais importante, se relacionar com as pessoas a sua volta ou os conteúdos que devem ser aplicados?

Lembre-se de como você mesmo era na escola. Hoje, os comportamentos cobrados eram exatamente os que você preservava em seu coração em abundância. Poxa, virou professor e se esqueceu de como você era quando aluno? Leia mais >>

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Escola ou fliperama?

Abr 26, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100Escola ou fliperama? A pergunta ecoava, feita para grupos extensos, adolescentes. Nem precisava se esforçar, o que a galera escolhia?

O resultado vinha nas notas, após dias e dias jogando e deixando de lado as aulas chatas, mas a maioria nem ligava.

Certo ou errado, naquele instante, as pessoas tinham a possibilidade de escolher. Como hoje muita gente tem – preferimos o falso moralismo, o papo de que só há progresso quando as pessoas estão inseridas, até o pescoço, nas normas cultas, ou cultuadas, do ensino tradicional, em escolas prisioneiras do corpo e da alma.

É certo que em alguns aspectos as portas se abrem. Poucas oportunidades têm para quem concluiu apenas a educação básica. Mas e aí, será mesmo que essas etapas garantem saberes não treinados? Àqueles não restritos ao mercado do trabalho ou aos vestibulares. Tirem esses meninos dessas formas que perduram há tempos.

Lógico é… um beijo, os amassos, as longas risadas, ensinam bem mais. As conversas inspiradoras na hora do intervalo ou as trocas, chamadas alienadas ou não, no fundo da sala ou em qualquer lugar da escola, gruda na memória, diferente da Fórmula de Bhaskara. Importante para o futuro? Pode até ser… mas acho, em minha vasta ignorância e uma pré-disposição em insistir na escrita de textos “fora da realidade”, intervenções diferentes poderiam ser feitas no ambiente escolar. Sei que em inúmeros exemplos elas são feitas, realizadas, com gente de todo Brasil fazendo a diferença na cultura e na educação. Basta? Não, o sistema se protege, ele não mudou. A educação alternativa pode tentar corroer as grades prisioneiras dos programas estabelecidos por todos os anos, até a entrada da galera no mundo universitário, mas como está tudo ali, instaurado como maquiagem do saber, é como dar murros em ponta de faca.

Mesmo assim, os resultados são inúmeros, quando vemos práticas alternativas, de comunicação e cultura, de um modo mais amplo, realizadas em escolas, principalmente as públicas.

E não paramos de perpetuar gaiolas ao invés de asas. É, quanta ingenuidade a minha. Encorajar o voo tira as pessoas do controle das grades impostas. Mas, de forma inconsciente, a galera resiste ao que é imposto. Em minha época, pelo menos em meio aos meninos a pergunta era escola ou fliperama. Hoje em dia preciso me atualizar. A pergunta deve ser qual? Só busco saber qual deve ser a pergunta, porque a resposta deve permanecer a mesma…

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O artificial sobrepõe o real?

Fev 24, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Músicas, Vídeos  //  No Comments

Poucas pessoas param para pensar e discursar acerca do impacto que as revoluções tecnológicas causa no cotidiano das pessoas.

Enquanto fenômeno de caráter social – quando penso no número de informações que as pessoas acessam no cotidiano – os acessos à internet, de qualquer lugar, dinamiza, e muito, a visão que as pessoas passam a ter da realidade. São versões diversificadas de um mesmo acontecimento. Agora não apenas de algumas mídias oficiais, centradas apenas em compromissos com patrocinadores, chegam as notícias.

Reflexão densa, com enfoques inúmeros enquanto possibilidades de abordagem. Cuidado para não pirar quando perceber a emergência que é tratar com zelo a realidade que temos nas mãos, nas ruas, nos blogs, nas redes como um todo. Sim, parto da minha tela e, agora, enquanto você para por alguns minutos, de seu precioso tempo, pra pensar na versão desse que apenas compartilha um ponto de vista que para muitos é comum, mas, para grande maioria, trata-se de mais palavras que podem ser jogadas ao vento. Não aquele de Caetano, em que caminhava por aí sem lenço e nem documento. Leia mais >>

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Eligir a vida

Fev 8, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Poesias  //  No Comments

Diariamente busco com afinco as palavras mais próximas de resumir sentimentos, acontecimentos, realidades, fantasias, premissas observadas pela sensibilidade afiada que o ato de escrever e de ler o que está em cada esquina de minha existência só faz crescer, multiplicar em meu ser.

vida imensa

Entre as inúmeras sentenças gramaticais, frases e mais frases, ideias soltas e consolidadas na concretude, uma me salta aos olhos, quase gritando para ser grafada: gratidão.

Simplesmente pelo alento do viver, sem peso.

Pelas poesias caminhando ao vento e que param na inspiração cotidiana, livre, descompromissada com qualquer tipo de prisão.

Pelo tempo que passa, mas podemos guardar na memória, em fotografias ou em belas canções.

No saber ou não saber. Na luta de andar no contra fluxo das propostas alienantes. Não na contramão, porque quem assim anda pode fazer o pior, bater de frente ou machucar muita gente. Isso não é sábio.

Exalando esperança e sonhos, com vasta alegria no peito. O pessimismo deu lugar às certezas adormecidas. Dá pra ver um mesmo acontecimento de formas diversas, com olhares cortantes, otimismo. Nem sempre o que sobra é o pior.

Revisão: Cris Santana

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Utopias realizadas! Uma prova de que o impossível pode ser real…

Nov 9, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Publicado em Afrokut, em primeira mão!

Jean Mello

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

(Eduardo Galeano)

 

Em 2008 criei um singelo site (http://jeanmello.org/novo). Emergiu em mim um espírito militante, manifestação virtual daquilo que na realidade já sentia e participava há tempos. Influência de grandes mentores, gente que faz a diferença na história do Brasil. Lá cito os nomes deles e delas, principalmente os das mulheres negras.

***

Alerto que este não é um relato acadêmico, tampouco jornalístico. Trata-se de um texto livre, repleto de impressões e de coragem em compartilhar algo que conceituo como militância virtual, enquanto reflexo de mobilizações que acontecem na realidade. Apesar de aproveitar este espaço para falar um pouco de minha experiência com a questão, sei que não sou o único a embarcar nessa com intensidade.

Importante é o trabalho de quem insiste em remar contra maré, dizer o que não vemos nos canais televisivos de alienação.

Só não posso deixar de relatar, quem toca mídias alternativas, em sua grande maioria, são pessoas de classe média, quando não da alta. Mas eu disse em sua grande maioria, não significa que sejam todos. A juventude negra também está dando sua versão dos fatos. Isso não é de hoje, tornou-se apenas mais evidente.

Loucura, ousadia, tudo ao mesmo tempo… Eu também tenho alguns sonhos. Eles todos podem ser resumidos em uma só frase: igualdade de oportunidades para todos. Sim, jovens da periferia, sabendo que a grande maioria tem a cor de pele preta, tem de chegar de igual para igual, apropriando-se dos conhecimentos mais sofisticados. Isso inclui o uso da comunicação e das novas tecnologias. Podem ostentar, mas, em primeiro lugar, conhecimento.

Em um mundo repleto de complexidades, mais uma, em nosso tempo atual, trouxe para meu lado, sem pretensão de me colocar no lugar do saber, a descoberta do quanto a comunicação, que se pauta em dinâmicas sociais comunitárias, mexe com estruturas até então intocáveis na história.

Imagine colocar as mãos em um vespeiro? Tocar uma mídia alternativa no Brasil, que tenha consideráveis níveis de audiência, diária ou semanal, é mais ou menos isso. Leia mais >>

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Utopia é apenas o amanhã que espera o utópico

Mai 25, 2013   //   by Jean Mello   //   Blog  //  No Comments

Um processo de escrita que nasce de modo inusitado, como quase sempre. São palavras não entendidas na plenitude, apenas por alguns poucos poetas e depressivos que enxergam esse mundo de um modo que muitos encaram como pessimista e que eu considero como algo próximo de uma interpretação daquilo que Freud descreveu com tanta densidade. Longe de mim achar que entendi as contribuições teóricas e práticas que ele, com brilhantismo, propôs ao mundo. Mas, qualquer leigo que entrar em contato com qualquer um de seus livros verá que, ainda hoje, fazem um sentido que parece que foram publicados ontem.

Isso vale para muitos clássicos filosóficos, até livros bíblicos, que ainda nos brindam com holofotes de sabedoria.

Eu infinitas vezes pensei em desistir de escrever. Não deu, tentativas não tão bem sucedidas, já que as frases chegam completamente prontas sem que eu mesmo queira. Chega uma hora que descobrimos algum pedaço da missão pessoal. Daí pra frente, não por egoísmo, apenas por amor ou por não ter como escolher, não se para, nem por um segundo, de tentar dar alguma contribuição existencial, ou que poderá ser imortalizada, para outros seres humanos.

Bem, pra mim escrever não é uma fuga doentia ou alguma saída desesperada diante dos problemas. Consiste apenas em uma das formas de expressar o que está na sangria da alma ou nas elucubrações daquilo que nasce depois de algumas análises, algumas superficiais e outras mais profundas, do que está a minha volta, do que ouço as pessoas dizerem.

Muitos dos meus escritos não nascem da dor, mas da saudade, inexplicável. Outros emergem em meio à fraqueza que eu mesmo gostaria que não existisse em meu interior. Outros, difícil admitir, nascem de traumas que me fizeram – aí digo com toda humildade do mundo – abrir os olhos para o hoje ou o amanhã. Resumi em meu post anterior, que chamei, singelamente, de Palavras.

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