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Resenha do livro de autoria de Jean Mello, Crônicas Perdidas

Abr 16, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

PERDIDAS, PORÉM ACHÁVEL.
Por: Germano Gonçalves.

Capa

Conheço Jean Mello e sua obra, procurarei aqui não falar do amigo que é, e toda minha consideração a sua pessoa…

Vou aqui apresentar os fundamentos de sua obra e toda sua maneira de entender ou interpretar as coisas, com integridade. Serei breve como manda uma boa resenha.

As coisas devem ser encontradas e, entre pessoas ou coisas, no meio em que vivemos é preciso recriar o mundo. Em “Crônicas Perdidas”, Mello quer nos direcionar, ou melhor, nos atentar a ver e examinar cuidadosamente as coisas do mundo, os afetos das pessoas, o grau de formalidade ou de intimidade entre os transeuntes de uma cidade, uma vez que o autor nos revela a sua capacidade de notar um vazio nas pessoas  ̶ o desinteresse por uma cultura digna; as pessoas se mostrando apressadas; o orgulho de quem anda de carrão e passa do nada para o nada, como o autor menciona em sua primeira crônica “O pouco que vejo em minha cidade…” (p.15), de onde extraio essa parte do texto: “Foi angustiante ver os carros passando, no trânsito da vida, com pressa, ou nem tanto assim, em direção ao nada que os esperam”. Podemos notar que a humanidade está cada vez mais em um pensamento próprio, diria egoísta, pensando em seu próprio umbigo, porém, vale lembrar, nas palavras do autor, que todos nós vamos para o mesmo lugar, e que desta vida nada se leva.

Esta obra muito espetacular, tanto na qualidade como no conteúdo onde Mello nos relata fatos sociais com firmeza e coerência de atitudes, e com um grande domínio de si mesmo, podemos perceber, caro leitor, a grandeza e a qualidade ou estado de proeminência que as palavras ali escritas junto com os relatos reais do dia-a-dia, vão te impressionar e fazer com que se tenha outra visão de mundo, apresentada pelo autor.

Ele nos mostra, em seus relatos, um processo ligado essencialmente à ação, à consciência e à situação dos homens, pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que apareça o processo (e seus produtos) como indiferente, independente ou superior aos homens, seus criadores. É no decorrer das descrições que podemos notar um estado de espírito, em que encontramos um Marx (ver marxismo), nas situações resultantes dos fatores materiais dominantes da sociedade, sobretudo no sistema capitalista, em que o trabalho do homem se processa de modo que produza coisas que imediatamente são separadas dos interesses e do alcance de quem as produziu, para se transformarem, indistintamente, em mercadorias. Ou até mesmo um Hegel (ver hegelianismo), no processo essencial à consciência, em que para o observador ingênuo o mundo parece constituído de coisas independentes umas das outras, e indiferentes à consciência. Ao valorizar essas teorias, posso afirmar que tudo isso foi pensado por Mello, o que nos remete a rever educadores, que fazem a diferença em um ensino mais qualificado para o lado social, sem repressão e com mais humanidade, dando toda importância para a escola, um lugar que o autor destaca no capítulo: “A importância da comunidade escolar…” (p.24), colocando os professores como verdadeiros heróis e aborda o papel das instituições não governamentais, os terceiros setores, mas não se esquece da criança que vai para a escola por causa da merenda…

Esse escritor está me saindo um belo educador, e é só você, leitor, que ao ler essa obra vai concordar comigo. Leva-nos a retomar a escola de gaiola, muito comentada pelos professores do ensino universitário, em referência ao grande Rubem Alves! E Mello nos torna grandes também porque é entendedor de uma educação mais humanitária, com a participação da família, escola, estado todos em comum acordo para termos um ensino de qualidade.

As “Crônicas Perdidas”, caro leitor, deixo-as para você ler, e afirmo será de grande importância, não apenas por mencionar Mello como educador, que suas crônicas servem só para professores, mas entendamos que o autor é um ser humano, que sabe muito bem como escritor colocar as dificuldades de uma sociedade e de quem as pertence, pois menciona em seus relatos, a juventude, os problemas sociais, tendências do pensamento, ou modos de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas. Em se tratando do racismo, encontramos em seu texto: “Racismo ao contrário: pura hipocrisia” (p. 39), o racismo como uma impostura, fingimento, simulação, falsidade e, entre as funções de exprimir a falta de informação sobre determinado fato, a inversão da ordem de valores de uma sociedade. Conseguiremos nos salvar ou estamos mesmo perdidos à nossa própria sorte ou às crônicas da vida real?

Não deixem de ler esta obra, pois não pode ficar no anonimato os ideais deste autor, que nos leva à reflexão da vida, das causas sociais, que afligem com a afetação duma virtude, dum sentimento louvável que não se tem, e que para tanto como ele afirma em: “Continue a escrever o livro da vida” (p. 50), para que não vivamos à deriva. Nesse texto, vamos dizer assim, ele traz menções bíblicas, para nos alertar perante a qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro: viver todos os dias como o último e, ao mesmo tempo, o primeiro, porque a vida é só uma, não se tem segunda chance, então, façamos o melhor (p.51).

Diferente de muitos jovens, pois o autor é jovem, mas possui a consciência de que o tempo passa, e esse atributo não é só para com ele, pois quer chegar à velhice e poder dizer, o racismo acabou, não existe mais injustiças, mas que fique bem claro em forma de reflexão, como ele mesmo afirma: “Estou propondo, aqui, apenas uma reflexão, uma junção de realidade… para diminuir as discrepâncias” (p. 64), e ele se preocupa também com o que irá dizer aos seus filhos!

Chegando ao fim dessas maravilhosas páginas, tenho que mencionar: “Feliz dia das Mães” (p.68), em que o autor agradece por ainda poder dar feliz dia das mães e nos atenta para que todos tentem compreender a situação das crianças que são abandonadas, e respeitem todas as mães, independente das situações familiares em que se encontram. Eu gostei muito deste texto, Mello está de parabéns!

E por falar em terminar esses relatos, no começo disse que não iria falar do amigo escritor, e não vou falar. Não que não mereça, pois teria que lhe direcionar uma biografia, para falar desse grande ser humano, que diz não ao sistema, e quer estar fora dele, e não quer contribuir para construir um… Pois bem, só quero caro leitor, dizer que este autor, que eu digo não querer falar dele… Ele falou de minha pessoa, me fez uma homenagem nessa obra, com um conto que escrevi “O homem que queria todas as coisas” (p. 80). Aqui, quero agradecer por mencionar em sua obra minhas palavras!

E assim termino esse relato, mas não sem antes dizer que Mello também é um escritor periférico, gente da gente, sente em seu coração que tem por obrigação fazer algo pelo social e, como se pode notar aqui nesses escritos, mais ainda pela educação, que ele tanto clama por justiça, as “Crônicas Perdidas”. Mas que fique a dica, tudo pode se encontrar como diz um provérbio português: “Até as pedras se encontram”. Estaremos perdidos entre as crônicas de Mello, mas porém acháveis.

 

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Tardes Periféricas

Mai 13, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Dicas de Livros  //  1 Comment

Por Germano Gonçalves

O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão, deitar ao chão, nuvens no céu
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentados na praça a olhar
a rua calma, as pessoas passam.

O vento sopra o tempo.
Tardes pra andar.
Tardes pra pensar.
Tardes pra descansar.
Todas as tardes do mundo nós ficamos
como gira-mundo.
Andando sem rumo.
Da casa pra rua, da rua pra praça.
Da praça pra casa. Leia mais >>

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Amanhecer na Periferia

Mai 12, 2012   //   by Jean Mello   //   Blog, Poesias  //  2 Comments


 

 

 

 

 

 

A Aurora chega à periferia de braço dado com o poeta, vibra, Lira Periférica.

Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem-se as janelas, das casas e barracões,
de tábuas e alvenarias,
E começa um novo dia.

O bar e mercearia do Seu Joaquim!
Já de portas abertas, pra vender pãozinho francês.
Dona de casa sai pra comprar o pão.
O ocioso, já com copo de álcool no balcão.
Homens e mulheres se enfrentando
nos pontos, à espera de lotação.
Uns já atrasados, outros já cansados.
Todos assalariados. Leia mais >>

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Cronista de um tempo tormentoso

Jan 19, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  2 Comments

 

 

Não é possível falar de Literatura Marginal sem mencionar Ferréz, sua obra que salta para novas mídias, seu compromisso duradouro com a periferia

@jeanmello12

“A conclusão que eu tive é que achei muito ridículo o discurso oficial [midiático e político] que defende que ‘podem voltar todos ao normal’. São Paulo está vivendo um novo período e ainda não descobriram. Muitas vezes me perguntam se caminhamos para uma guerra. Eu acho que isso já é uma guerra”. Neste trecho, de Ninguém é Inocente em São Paulo, Ferréz expõe sua visão sobre os conflitos que marcam a cidade — para usar a expressão de Mano Brown, outro desbravador das culturas periféricas – “a garoa rasga a carne”.

Não dá para pensar na ascensão da Literatura Marginal, e em sua visibilidade no cenário nacional e internacional, sem relação direta com os livros de Ferréz (no cartório, Reginaldo Ferreria da Silva). Ele estreou em 1997, com a Fortaleza da Ilusão, e permanece ativo e provocador desde entãoSerá mera coincidência ter surgido no mesmo ano do Sobrevivendo no Inferno, disco dos Racionais de mensagem contundente e um milhão e meio de cópias vendidas?

No livro Capão Pecado, seu primeiro romance (primeira edição, de 2000, esgotada em apenas dois meses), a relação entre o escritor e o rap fica ainda mais evidente. Poetas, cantores, escritores e articuladores do movimento hip-hop intercalam suas contribuições, registradas no livro, com a história, de tirar o fôlego e prender a atenção até o momento em que o enredo finalmente se resolve. Leia mais >>

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Caminhos do Passado…

Dez 31, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog  //  No Comments

 

Relacionei no post Caminhos Cruzados… O que 2011 foi pra mim? alguns dos meus artigos que foram publicados na blogosfera. Algumas pessoas que entraram em contato com o conteúdo pediram pra que eu relacionasse outros textos do meu próprio blog, separando-os por temáticas. Como aprecio a ideia de comunicação compartilhada, mesmo em seu modo mais simples, acato a sugestão e farei o máximo para nortear àqueles que desejam ler alguns dos textos. Boa leitura! Leia mais >>

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O homem que queria todas as coisas

Out 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment

 

Por Germano Gonçalves (O Urbanista Concreto)

 

Quem não quer sonhar num país que diz ser: divertido, descontraído e democrático.

Meninos e meninas, jovens e adolescentes, sonhando em serem: jogadores, músicos, escritores, artistas e modelos ou simplesmente bandoleiros de um sistema que não podemos mudar que temos que seguir custe o que nos custar, mas são livres para pensar, agir e ao menos tentar vamos nos atrever para termos a visão prática das coisas, alguém tem tudo para ser, mas não tem nada para fazer impedido por um conjunto de princípios.  

A ganância é a que nos corrompe é a que nos compra e se não vendemos sofremos, mas não vamos nos alugar vamos lutar. E nós somos assim, fazemos o nosso melhor sonhamos e tentamos não paramos, param conosco, ainda assim Deus está comigo, contigo com nós até o pescoço e realmente é para ser assim fosse o contrario um homem não teria tentado a engolir um caroço, deixando para nós os destroços de um destino à escondida que ninguém sabe o segredo, é preciso fazer uma opção de vida, mostrar o nosso caráter mesmo que os reis, os patrões, a elite nos achem esfarrapados, miseráveis e condenados aos seus poderes de que as forças mentais têm que seguir.

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Sarau Virtual… [entrevista com André Luiz dos Santos e Angélica Rente]

Ago 29, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Entrevistas  //  7 Comments

Angélica Rente e André Luiz dos Santos são meus amigos de faculdade, de quando estudava na Universidade São Marcos. É até irônico chamar um professor de amigo, o tradicionalismo acadêmico não permite tamanha “heresia”. Só não deixo passar que estou falando de alguém com uma bagagem técnica, prática e teórica, que inspirou e inspira muita gente na universidade e fora dela. Essas são palavras minhas e não dele. André Luiz dos Santos

Ao mesmo tempo, nem sei o que perguntar, para uma das pessoas que me deu um empurrão, mesmo sem perceber, para que meus olhos se abrissem para a sinergia entre a arte e a educação, por exemplo. Sim, nem sei se ela sabe, mas, Angélica Rente contribuiu para isso…

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