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É época de pipa

Fev 4, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Hoje acordei cedo pra ver, sentir a brisa da manhã e o sol nascer
É época de pipa, o céu tá cheio, 15 anos atrás eu tava ali no meio
Lembrei de quando era pequeno, eu e os “cara”… faz tempo!
O tempo não para

Racionais MC’s – Fórmula Mágica da Paz

 
Pés descalços ou calçados com um par de chinelos. Olhares repletos de atenção, sem perder de vista as pipas que dão mais cor ao céu de qualquer extremo da cidade. Não é apenas brincadeira de criança, os grandes, chamados barbados, brincam de cortar – pelo menos nas laças – a miséria que insiste em invadir os guetos periféricos.

Quando uma pipa, de qualquer cor, feia ou bonita, rasgada ou inteira, é cortada, a correria é geral. Sincronia, todos indo para a mesma direção. Parece que os pés ganham olhos, correm enquanto os donos não olham para o chão, mas para o alto. Não seria uma metáfora do quanto as pessoas, que moram em lugares em que as casas ainda são de pau e algumas ruas de terra, vão em direção à esperança?

Ela pode ser um sinal de que existe algum tipo de invasão policial, um grupo de meninos incumbidos da missão avisa que a galera inserida no tráfico de drogas tem de vazar. Mesmo assim, em nada perde sua força simbólica. Sim, essa brincadeira, bem como outras, carrega consigo suas virtudes em plenitude. Nos morros, os que empinam suas pipas conseguem chegar num lugar ainda mais longínquo, olhar para longe, serem observados por uma diversidade de pessoas através daquilo que no alto está. Seria um mistério assim como Gilberto Dimenstein descreveu em seu livro O Mistério das Bolas de Gude? Nesse caso, seria o quanto o brincar esconde por si só grande enigma, sua forma contínua de expressão, comunicação, arte, desenvolvimento humano e por que não dizer social? É como se o céu estivesse cheio de pessoas pares e ímpares, gostos de cores das mais diversas, vida e um portar periférico artístico que encontra respaldo na tradição chamada de “época de pipa”.

Sérgio Vaz diz, em seu livro O Colecionador de Pedras, que “a pipa é o pássaro de papel. Está longe da gaiola, mas tem sua liberdade vigiada pelo carretel”. Dá para entender que ele diz o quanto temos nas mãos uma pseudo-liberdade. Como o laço do passarinheiro, a ave pode ir até certos lugares, mas depois é forçada a voltar para sua realidade prisioneira.

A frase também tem outro sentido. Seria um recado, um anúncio de que mesmo os donos do poder são vigiados? Falo isso por alguns questionarem a ordem vigente, a maneira injusta que as pessoas são tratadas, ainda com o agravante de levarem a culpa por não fazerem parte de uma classe abastada da sociedade. Simplesmente um absurdo…

Nem todos estão com o olhar apenas em direção ao horizonte distante, alguém, ou mesmo um grupo de pessoas, não aceita as condições em que foram colocados. Aos poucos as poesias dos saraus corroem o sistema com sua acidez de realidade acumulada com o vasto tempo em que a população mais pobre é oprimida.

E voam bem alto os sonhos… Quem viaja junto pode até ter o risco de perder, por um tempo, de vista seu papagaio na neblina do medo das invasões da polícia pela madrugada. Parece que mesmo quando o vento não está muito forte elas sabem a direção do céu.

PS – Texto meu publicado no site Viva Favela. Revista eletrônica sobre Jogos, brincadeiras e diversão. Incluo um vídeo que resume outros conteúdos da publicação, como um todo.

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Se tudo fosse igual ao teu sorriso – Podcast

Nov 29, 2012   //   by Jean Mello   //   Blog, Podcast  //  No Comments

Preservando a ingenuidade da fé… Mantendo a firmeza de colocar em pauta uma visão pessoal que praticamente inaugurou meu site em 2008. Se tudo fosse igual ao sorriso dela… Nada é… Mas nada me impede de preservar em mim qualquer tipo de utopia!

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Quando isso vai acabar?

Fev 7, 2012   //   by Jean Mello   //   Blog, Poesias  //  1 Comment

A religião é a porta aberta pra dor…

Raiz de males perdidos,

Pensei até em estar ouvindo a voz perfeita

Quando percebi estava novamente no fundo do mar

Palavras doces, sorrisos belos,

Apenas fruto das mais astuta ilusão

Os homens apreciam leis imperfeitas

E tentam nos convencer de que é fruto do mais puro amor, da mais sublime perfeição

 

Quando isso vai acabar?

Não precisamos nos entregar para o fim… Leia mais >>

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Livres do racismo…

Dez 12, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  7 Comments


Tempestade de ideias sobre o que penso acerca de uma questão tão esquecida e ao mesmo tempo tão lembrada em nossa sociedade – o racismo. Qual é o papel de cada cidadão para combater esse atraso que é prejudicial à todos, não apenas aos negros? 


Um dia terei a oportunidade de ajudar a fazer com que muitos se orgulhem de ter descendentes africanos, talvez as escolas também possam fazer isso – teve que virar lei para que as pessoas, pelo menos grande parte delas dentro das escolas, começassem a se mobilizar. Mesmo assim, de certa forma, vejo que ainda tem muito trabalho a ser feito. Os livros de Maria Aparecida Bento cumprem este papel em minha vida, especialmente Cidadania em Preto e Branco. Todo mundo deveria ler este livro, sinto orgulho de saber de onde vim. 

A resolução adotada pelo Conselho Nacional de Educação em 22 de março de 2004, um ano depois de o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter promulgado a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História da África na Educação Básica, diz: O sucesso das políticas públicas do Estado brasileiro, institucionais e pedagógicas, visando reparações, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros, depende necessariamente de condições (…) favoráveis para o ensino e para as aprendizagens; em outras palavras, todos os alunos negros e não negros, bem como os seus professores, precisam sentir-se valorizados e apoiados. Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre negros e brancos, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais. Depende, ainda, de trabalho conjunto, (…) visto que as mudanças éticas, culturais, pedagógicas e políticas nessas relações não se limitam à escolaDiretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Leia mais >>

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Psicologia Comunitária

Out 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog  //  1 Comment

 

Nos últimos anos pude participar e mediar algumas sessões de Terapia Comunitária em escolas, parques, organizações não governamentais e até mesmo em igrejas evangélicas.

É bom perceber que tem jovens que estão questionando certos padrões que já não mais funcionam. Não apenas no sentido religioso, mas nas questões tradicionais.

A tradição que não contribui para a formação de pensadores, e sim de reprodutores de “verdades” que ninguém sabe em que lugar surgiu.

Tradição que reprime professores que ao invés de levar aulas prontas, escolhem aprender e ensinar ao mesmo tempo. Lógico que para isso a preparação tem que ser mais que a daquele que apenas é um papagaio, quem também apenas reproduz.

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Disseram que meu olhar é triste…

Out 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  2 Comments

 

 

Disseram que meu olhar é triste… Não respondi nada quando ouvi essa afirmação. A intenção de quem perguntava era julgar, contestar minha opção em indagar a maneira como essa sociedade se posiciona em relação à educação, religião, preconceito e outras coisas que apenas serve para atrasar o real progresso para o povo brasileiro. Como não terei o olhar triste ao ver o que todos os dias a beleza da diversidade cultural que há no Brasil é diminuída, quando não tratada como nada?

A multidão prefere viver a ilusão, para não ter a dor de enfrentar a realidade.

Fala de pessoas “notáveis” convence mais que a sinceridade das palavras de homens e mulheres que trabalham mais de oito horas por dia, ganhando um salário que mal dá para garantir as necessidades básicas – crueldade ver que famílias poderiam viver numa condição melhor. O egoísmo é que fortalece a desigualdade. O que sustenta a riqueza de muitos financia o genocídio que podemos ver sem nenhum esforço no chamado País Tropical. É muita crueldade o que se pode enxergar sem ao menos precisar ir muito longe. Quem pode duvidar? Que crueldade o que é feito com centenas de famílias. Basta apenas abrir a janela e ver a falta de amor no acúmulo de riquezas que não seriam gastas nem se as pessoas que as possuem vivessem mais de cem anos aqui nessa terra de ninguém. Aliás, como fui ingênuo agora… Essa terra tem alguns poucos donos, desde a colonização os donos são mais que exploradores, colonização que nunca acabou, vem apenas mudando de face e assumindo agora mais agressividade, sua forma é a globocolonização.

Ninguém quer se deparar com o sofrimento. Não querem pensar que nem sempre as sementes da esperança são colhidas da forma que se espera.

Apesar de saber que é bem difícil falar, sei que não posso calar minha voz. Nem posso pestanejar em pensar que estou errado ao falar para quem quiser ouvir a respeito da falsidade desse evangelho que está sendo pregado. Nunca com ódio, sabendo que não dá pra ser por força e nem por violência, tendo como guia a sabedoria que tanto peço a Deus. Na verdade, não posso negar que o fato de poucas pessoas ouvirem e praticarem a verdade causa uma enorme tristeza em mim.

Pensamento puro? Consciência plena de articulações que poderiam salvar o mundo? Vemos no máximo a reprodução de discursos prontos, perniciosos, que exaltam corporações e abafa o que eles mesmos causam.

É difícil uma pessoa que já foi educada para ter apenas um pensamento coletivo ter algum outro tipo de conclusão intelectual que seja individual. Talvez nem seja possível esperar de alguém algum tipo de reação que não seja fruto de uma interpretação errada da sociedade, do amor verdadeiro, que não tem interesse em oferecer para ter algo em troca, mas que trata gente como gente. É bem provável que se eu fosse responder a pergunta talvez fosse com as seguintes palavras…

Como posso não ter o olhar triste ao ver que quase tudo tem objetivos mercadológicos?

Será que poderia ficar feliz ao perceber que existem ações sociais de fachada?

Poderia permanecer com um sorriso no rosto ao perceber que a maioria prefere o caminho mais fácil e ilusório, apenas para não olhar ao redor e ver a verdadeira vida que os cercam? Alguns acreditam e não assumem…

Será que a minha consciência poderia ficar tranquila ao saber que enquanto uma pequena parte da população mundial está com o bolso cheio de grana e grande parte passa fome? Meu olhar poderia não ser triste?

Como não ficar triste ao saber que poucas pessoas leram Paulo Freire? Como ficar feliz ao perceber que a Teologia da Libertação é ridicularizada? Pena que a maioria das pessoas não conhece Leonardo Boff, e alguns que o conhecem o tratam como um teólogo qualquer.

Homens de cabelos grisalhos e com um topete que não sai do lugar, de tanto laquê, são considerados os mais importantes servos de Deus que todos. Alienam a população até pela falta de conhecimento.

Só não ficaria triste se fechasse meus olhos e me convencesse de que nada está acontecendo. Como sou de carne e osso, sei que é impossível. Como sou um ser humano normal sei que a angústia que sinto outras pessoas também sente.

Não dá para sorrir sabendo que ainda existe racismo.

Ficaria eu feliz ao ver templos imensos e escolas sucateadas?

Hoje, pregadores famosos chamam as pessoas de miseráveis. Mesmo assim, àqueles que são chamados de miseráveis, falam que esses mesmos caras são ungidos de Deus. Montam seus impérios particulares. Visitam os mais lindos países. Tomam as mais caras bebidas, dão até mesmo joias às suas filhas e esposas, compram carros importados aos filhos, pagam para eles estudarem em colégios em países europeus ou naqueles que se localizam no norte do mundo, tudo com o dinheiro do povo. Como dá para ficar em estado de felicidade vendo tudo isso? Só mesmo sendo cego… Acho que apenas entrando num transe…

Quando a educação for valorizada abrirei um grande sorriso.

No dia em que as crianças de periferia não estiverem a cada dia mais conhecendo as armas de fogo e as drogas.

No tempo em que a igreja não estiver entre quatro paredes.

Na época que o sonho das pessoas não for chegar ao poder.

Talvez ao saber que um número menor de pais de família está gastando o dinheiro do pão num boteco qualquer.

Quando os pais não precisarem mais enterrar seus filhos.

No momento em que a arte e o artista forem mais valorizados.

O que me dá felicidade é que meus cabelos estarão grisalhos e ainda continuarei falando daquilo que penso, sem temer.

Agora entendem por qual motivo meu olhar é triste? É uma porcaria saber que quem conhece a verdade não tem garantia nenhuma de que sabe como contar a boa nova.

Peço para Deus sabedoria para ajudar meus amados e seguir uma trajetória pessoa de vida, sabendo que não existe ninguém de carne e osso que possa me fazer ser mais nobre.

Enquanto o tempo passa, a vida inteira passa em minha cabeça, mesmo meu vizinho podendo ser chamado de solidão.

Com a juventude ainda na idade busco a maturidade que está diante de meus olhos.

Olhar triste não quer dizer que não acredite em algum tipo de transformação, esperança que é diferente da pura espera, da espera vã.


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Um poema nosso… A força de uma palavra qualquer…

Out 8, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas, Poesias  //  2 Comments

Quando nasce uma poesia junto com ela vem o sentimento, alegre ou triste;
Simplista meu detalhamento acerca dos sentimentos não é? São apenas palavras…
As palavras se juntam e dá pra ler ainda mais que o que está no papel,
Não se restringe ao que está escrito, dito, compartilhado
Diz muito mais que as palavras impressas, fala até mais que o poeta
Não precisa de rima e nem de algumas regras desnecessárias,
O que não pode ficar de fora é a alma no papel
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