Browsing articles tagged with " Preconceito"

Escola ou fliperama?

Apr 26, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

VLUU L100, M100  / Samsung L100, M100Escola ou fliperama? A pergunta ecoava, feita para grupos extensos, adolescentes. Nem precisava se esforçar, o que a galera escolhia?

O resultado vinha nas notas, após dias e dias jogando e deixando de lado as aulas chatas, mas a maioria nem ligava.

Certo ou errado, naquele instante, as pessoas tinham a possibilidade de escolher. Como hoje muita gente tem – preferimos o falso moralismo, o papo de que só há progresso quando as pessoas estão inseridas, até o pescoço, nas normas cultas, ou cultuadas, do ensino tradicional, em escolas prisioneiras do corpo e da alma.

É certo que em alguns aspectos as portas se abrem. Poucas oportunidades têm para quem concluiu apenas a educação básica. Mas e aí, será mesmo que essas etapas garantem saberes não treinados? Àqueles não restritos ao mercado do trabalho ou aos vestibulares. Tirem esses meninos dessas formas que perduram há tempos.

Lógico é… um beijo, os amassos, as longas risadas, ensinam bem mais. As conversas inspiradoras na hora do intervalo ou as trocas, chamadas alienadas ou não, no fundo da sala ou em qualquer lugar da escola, gruda na memória, diferente da Fórmula de Bhaskara. Importante para o futuro? Pode até ser… mas acho, em minha vasta ignorância e uma pré-disposição em insistir na escrita de textos “fora da realidade”, intervenções diferentes poderiam ser feitas no ambiente escolar. Sei que em inúmeros exemplos elas são feitas, realizadas, com gente de todo Brasil fazendo a diferença na cultura e na educação. Basta? Não, o sistema se protege, ele não mudou. A educação alternativa pode tentar corroer as grades prisioneiras dos programas estabelecidos por todos os anos, até a entrada da galera no mundo universitário, mas como está tudo ali, instaurado como maquiagem do saber, é como dar murros em ponta de faca.

Mesmo assim, os resultados são inúmeros, quando vemos práticas alternativas, de comunicação e cultura, de um modo mais amplo, realizadas em escolas, principalmente as públicas.

E não paramos de perpetuar gaiolas ao invés de asas. É, quanta ingenuidade a minha. Encorajar o voo tira as pessoas do controle das grades impostas. Mas, de forma inconsciente, a galera resiste ao que é imposto. Em minha época, pelo menos em meio aos meninos a pergunta era escola ou fliperama. Hoje em dia preciso me atualizar. A pergunta deve ser qual? Só busco saber qual deve ser a pergunta, porque a resposta deve permanecer a mesma…

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

A ilusão da ostentação

Apr 27, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

O problema da ostentação é justamente a exaltação exagerada do consumo. Poder em que o que é caro pode calar vozes que antes tinham o que dizer. Irmãos e irmãs ajoelhados diante das ilusões enfiadas goela abaixo.

Calma, deixe-me explicar meu singelo ponto de vista. Demorou para chegar nas mãos dos mais pobres o direito capitalista de consumir – em quantas parcelas for necessário – aquilo que antes era impossível a população de baixa renda ter acesso. Os efeitos disso não são imediatos, as parcelas são longas e ainda sem entrada. Como tudo, vai demorar muito tempo para que percebam. Até lá inventam outra coisa.

Problema nenhum quem nada tinha ter o direito de ter, desde que o produto não se transforme no deus nosso de cada dia. Sim, parece que os carrões que vemos circulando nas quebradas, os celulares com mais músicas que as baladas, os computadores, as motos etc., serviram como algo paliativo para diminuir ainda mais a possibilidade de percepção de que ainda falta educação de qualidade, uma saúde que realmente atenda as necessidades das pessoas que mais precisam, a falta ou sucateamento de espaços para promoção da cultura das e nas periferias do Brasil.

Pode parecer demagogia, quem não quer ter o melhor? Quem não quer impressionar? A resposta é simples: o que mais vale não é o que queremos, e sim o que realmente precisamos. Quais coisas almejamos realmente? O que nos impulsionaria a ter ligação não apenas com os bens simbólicos, e sim com o poder de mudar a realidade? Não precisa se esconder e nem colocar debaixo do tapete a sua resposta. Se coloque para que possamos ouvir o que realmente pensa, sem máscaras, sem qualquer maquiagem. Cansei de falsos sorrisos quando o que realmente precisamos é de sinceridade.

Excesso de motos, carros, desejo, perdição, ostentação. Antes não tínhamos nada disso, agora temos. Legal, mas estão nos negando outra coisa maior.

Estão nos entretendo, não mais apenas com as histórias colossais novelísticas ou do amplo mercado cinematográfico. Não mais apenas com as drogas mais pesadas e com alto poder destrutivo. Multiplicou-se o foco ilusório aos quais estamos submetidos. Sim, duro admitir, mesmo com novidades que podem ser comemoradas sem nenhum tipo de culpa, arrogância ou exagero: nossas quebradas estão quebradas. Ainda estamos divididos na percepção ou não percepção. Ainda, infelizmente, iludidos.

Retratos alienados, mentes vazias ou ocupadas apenas pelo desejo de ter mais. No meu entendimento estamos cercados de artifícios que não permitem que realmente tenhamos a chance de saber o que está a nossa volta. Nossos sonhos estão quebrados, em detrimento do exacerbado consumo. “Pobre é o diabo, eu odeio ostentação”, diz Mano Brown. Não odeio quem ostenta, apenas não gosto do que tentam imprimir na multidão enquanto prioridade, acima de tudo e de todos. Quem não quer ter? Isso vale mais que os seres humanos?

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Segunda dose… Mais alguns sons pra você!

Feb 23, 2013   //   by Jean Mello   //   Blog, Músicas, Vídeos  //  No Comments

Mais sons, esses não ouvi no final da tarde. Foi em um horário qualquer… Algumas mensagens de família… Outras delas sobre coisas da vida! Repetindo a recomendação, se ligue na mensagem, nada mais que as palavras, deixando de lado o preconceito que é responsável por muitas barreiras que já vimos. Está preparado para repetir a dose?

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

É época de pipa

Feb 4, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Hoje acordei cedo pra ver, sentir a brisa da manhã e o sol nascer
É época de pipa, o céu tá cheio, 15 anos atrás eu tava ali no meio
Lembrei de quando era pequeno, eu e os “cara”… faz tempo!
O tempo não para

Racionais MC’s – Fórmula Mágica da Paz

 
Pés descalços ou calçados com um par de chinelos. Olhares repletos de atenção, sem perder de vista as pipas que dão mais cor ao céu de qualquer extremo da cidade. Não é apenas brincadeira de criança, os grandes, chamados barbados, brincam de cortar – pelo menos nas laças – a miséria que insiste em invadir os guetos periféricos.

Quando uma pipa, de qualquer cor, feia ou bonita, rasgada ou inteira, é cortada, a correria é geral. Sincronia, todos indo para a mesma direção. Parece que os pés ganham olhos, correm enquanto os donos não olham para o chão, mas para o alto. Não seria uma metáfora do quanto as pessoas, que moram em lugares em que as casas ainda são de pau e algumas ruas de terra, vão em direção à esperança?

Ela pode ser um sinal de que existe algum tipo de invasão policial, um grupo de meninos incumbidos da missão avisa que a galera inserida no tráfico de drogas tem de vazar. Mesmo assim, em nada perde sua força simbólica. Sim, essa brincadeira, bem como outras, carrega consigo suas virtudes em plenitude. Nos morros, os que empinam suas pipas conseguem chegar num lugar ainda mais longínquo, olhar para longe, serem observados por uma diversidade de pessoas através daquilo que no alto está. Seria um mistério assim como Gilberto Dimenstein descreveu em seu livro O Mistério das Bolas de Gude? Nesse caso, seria o quanto o brincar esconde por si só grande enigma, sua forma contínua de expressão, comunicação, arte, desenvolvimento humano e por que não dizer social? É como se o céu estivesse cheio de pessoas pares e ímpares, gostos de cores das mais diversas, vida e um portar periférico artístico que encontra respaldo na tradição chamada de “época de pipa”.

Sérgio Vaz diz, em seu livro O Colecionador de Pedras, que “a pipa é o pássaro de papel. Está longe da gaiola, mas tem sua liberdade vigiada pelo carretel”. Dá para entender que ele diz o quanto temos nas mãos uma pseudo-liberdade. Como o laço do passarinheiro, a ave pode ir até certos lugares, mas depois é forçada a voltar para sua realidade prisioneira.

A frase também tem outro sentido. Seria um recado, um anúncio de que mesmo os donos do poder são vigiados? Falo isso por alguns questionarem a ordem vigente, a maneira injusta que as pessoas são tratadas, ainda com o agravante de levarem a culpa por não fazerem parte de uma classe abastada da sociedade. Simplesmente um absurdo…

Nem todos estão com o olhar apenas em direção ao horizonte distante, alguém, ou mesmo um grupo de pessoas, não aceita as condições em que foram colocados. Aos poucos as poesias dos saraus corroem o sistema com sua acidez de realidade acumulada com o vasto tempo em que a população mais pobre é oprimida.

E voam bem alto os sonhos… Quem viaja junto pode até ter o risco de perder, por um tempo, de vista seu papagaio na neblina do medo das invasões da polícia pela madrugada. Parece que mesmo quando o vento não está muito forte elas sabem a direção do céu.

PS – Texto meu publicado no site Viva Favela. Revista eletrônica sobre Jogos, brincadeiras e diversão. Incluo um vídeo que resume outros conteúdos da publicação, como um todo.

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

O Rappa – Minha Alma ( A Paz Que Eu Não Quero )

Jun 23, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Músicas  //  4 Comments

Textos curtos… O foco dessa série que inauguro não está nas letras. Compartilharei algumas músicas que utilizo na discussão com jovens em oficinas de comunicação. Essa é uma delas… Geralmente pego o violão, distribuo para cada um deles a letra e cantamos todos juntos. Simples assim? Mas e o detalhamento do percurso metodológico? Isso fica a critério de cada um…

Não se resume a isso! Discutimos o conteúdo, pensamos em alguma forma de expressar os sentimentos, impressões, indignações, novos significados, manifestos, aproveitar experiências pessoais que estão ligadas a temática apresentada, etc., através de alguma ferramenta de comunicação que esteja ao nosso alcance. Pode ser um simples cartaz ou algumas outras coisas mais complexas. Às vezes acontece de uma atividade como essa permear outros momentos de um longo percurso.

Nós educadores somos tentados a conduzir as coisas levando apenas em consideração as bandeiras que defendemos. Ao fazer isso deixamos de escutar o que outras pessoas estão sedentas em dizer.

Apenas falar empobrece. Reduzir-se a ouvir, sem intervenções qualificadas, demonstra despreparo. O recomendável é buscar o meio termo, para conhecer o público que você trabalha e, logicamente, para que também te conheçam enquanto sujeito político, dotado de diversas leituras de mundo e maneiras de articular o discurso com a prática.

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Liberdade! Vamos lutar por ela?

Jun 3, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  2 Comments

Pensando na realidade brasileira que quase ninguém quer mostrar… Olhando para a falsa democracia racial – para muitos a população negra é invisível. Justificam dizendo que o preconceito social é maior que o racial.

Isso não procede quando pensamos que a maioria dos negros moram em favelas, em situações degradantes. Se a questão é exclusivamente social, independente da cor da pele, por qual motivo isso permanece?

Façamos um recorte étnico/racial educacional e veremos como se dá a questão na universidade e na pós-graduação, se bem que nem precisaria chegar até essa fase para perceber que já na educação básica temos grandes problemas a serem tratados, que são esquecidos diariamente. Quem que toca no assunto?

É com certeza que afirmo que as desigualdades sociais são em grande maioria étnicas e raciais. É uma especialidade brasileira deixar de lado os fatores que dizem respeito à diversidade humana – diferenças que foram classificadas em diversos momentos da história e que até hoje sofremos grandes consequências das atitudes bem pensadas a favor de determinados grupos e contra outros. A verdade é que Brasil é sinônimo de cegueira para o diferente.

Mulheres lutaram e continuam lutando para ter seu espaço garantido. Crianças morrem, e ainda continuamos vendo imagens da miserabilidade em alguns lugares do continente africano – mesmo que não seja apenas isso que é a África -, sendo que por aqui não é tão difícil assim encontrar o que todos os dias queremos refutar. Quem é que vai falar alguma coisa?

Quando é que vamos acordar para a realidade que está aí para quem quiser ver? Podemos contemplar nas escolas, empresas, famílias, ruas, em diversos espaços virtuais.

Não dá pra ficar parado, as ações devem ser calculadas – radicalismo não leva a nada. Porém, o que não leva ninguém a um lugar melhor é a submissão eterna que se pode ver ao nosso redor sem nenhum esforço. Temos de ter fome e sede de justiça.

São dois extremos que não gostaria de ver em mim mesmo e em meus semelhantes. O equilíbrio para lidar com o que se pode ver é fundamental para vencer essa grande luta a favor da liberdade – tornar o Brasil livre do racismo é o sonho de muitos. Quem dera se essa realidade estivesse perto. Mais feliz ainda ficaria se os avanços fossem reconhecidos. Nem um e nem outro, o racismo continua silencioso, pernicioso e covarde.

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS
Páginas:«12345»

Colabore

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 2.5 Brasil.