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Uma carta para uma pesquisadora…

Mai 3, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Respondi uma carta de uma pesquisadora querendo mais referências – para desenvolvimento de uma pesquisa – sobre juventude e o mundo do trabalho.

Pensei, não vou centrar em livros, mas em gente que faz isso na prática. Pesquisa e ações… Mobilizações… É o que mais faz sentido. Não condeno – quem sou eu para isso – quem está mergulhado, estritamente, nas letras. Isso é válido, talvez não seja completo, porém não pode ser desconsiderado. Base para quem quer ultrapassar, sempre, e não deixar para trás oportunidades sociais vivas, daquelas simples em que em ações comunitárias pessoas montam espaços para jovens e adultos sejam alfabetizados, não pela ótica que ficam sofisticados nas letras apenas, mas na leitura de mundo.

Ou centros culturais periféricos, àqueles que se mantém por pura militância de ativistas culturais. Gente que se preocupa com o desenvolvimento dos outros, sem pestanejar. Bem… Minha resposta para a pesquisadora. Resolvi torná-la pública por considerar que pode contribuir pra mais gente.

 

***

 

Achei o material muito rico e profundo. Pesquisa é assim mesmo, aos trancos e barrancos, sempre falta uma série de coisas. Como pediu referências, e creio não falar apenas de livros, mas também de vídeos e filmes, envio algumas.

Não as colocarei como catalogamos ou citamos na universidade. Apenas mostrarei de modo que conseguirá encontrá-las.

As crianças e os jovens de hoje estão em um contexto de sociedade bem diferente do antigo, estruturado nas redes de conhecimentos mais sofisticados – falo da velocidade que a informação é disseminada, nem tanto a profundidade dos conhecimentos. Mas, essas coisas têm seus efeitos colaterais, preocupantes. Acesso múltiplo aos conhecimentos, bagatela de confusão. Não apenas nos comportamentos sociais, e sim nas escolhas de vida de cada um. Lógico que estou dando um salto teórico e deixando para trás muitos detalhes metodológicos, nessa minha fala levo em consideração muitas leituras que fiz sobre juventude. Mergulhe no Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA.

Quero que se depare com algumas referências na prática sobre o assunto.

Revista Viração

Cidade Escola Aprendiz

Aracati

Ação Educativa

Por enquanto apenas essas. Se você entrar em contato de verdade – tem de olhar com cautela – verá nesses lugares várias publicações que irão contribuir, e muito, em sua pesquisa.

Em meu site agrego conteúdos poéticos sobre juventude. Coloque na parte de pesquisa a palavra “jovem” e verá muitas coisas sobre o assunto. Mas, o que mais gosto, de todos meus textos, foi o que me inspirei no documentário “Frutos do Brasil”. Lindo instrumento que te dará um panorama, breve, sobre a juventude brasileira e as mobilizações tocadas por jovens. Calma, nem vou detalhar. Se assim eu fizesse eu escreveria outro gigante texto sobre o assunto.

Outro material – aparentemente informal – é um vídeo que descreve a interação da juventude com as mídias digitais, os aplicativos todos, não por caprichos ou pura alienação. Tem um vídeo que quero muito que veja.

Hoje, as escolas e algumas organizações não-governamentais pedem aulas de informática, quando o jovem, em seu conhecimento do que está a sua volta, dá um banho em qualquer professor que quer ensinar técnicas de computador. Os lugares ficam vazios, computadores sem serem utilizados. Os jovens sabem mais de Internet que os professores e não aguentam aulas chatas e ultrapassadas.

Os blogs estão por aí, meninos e meninas passam o dia todo online em seus celulares, computadores e tablets. Independente de classe social… Muitos deles adaptam necessidades pessoais para encontrar mais chances de acessar, não se excluir daquilo que todo mundo faz e participa. Na frente dos educadores e professores se apresenta este acontecimento.

Quem conhece as quebradas de Sampa sabe que os fliperamas, casas de jogos, foram substituídos por lan houses. Ainda é uma incógnita a respeito do que vem depois. Por enquanto este é o cenário. Aproveitando-se disso, esses locais não servem só para os jogos. Imagine se eles se transformassem em locais de transmissão de conhecimento, pautando os jovens na importância do uso das mídias digitais enquanto processo de produção de saberes e, ainda de brinde, a oportunidade deles, em tempo real, contarem outras versões dos fatos acerca da realidade que os cerca?

Se você parar para observar, concluirá que isso já está acontecendo. Não em grande escala. Só que, é certo, a comunicação hoje em dia está descentralizada, em alguns sentidos rompendo com o monopólio midiático.

Vou parar de enrolação, além dessas coisas que te indiquei antes, você deveria ler um livro chamado “Juventude e Ensino Médio”. Além desse, uma pesquisa da Ação Educativa que demonstra que a juventude não mais vê sentido na escola e, consequentemente, nas relações de trabalho.

Juventude

Acho que na sua pesquisa precisa ter algumas coisas sobre a desigualdade de oportunidades no mundo do trabalho. Você vai encontrar muitos dados no Centro de Estudos de Relações de Trabalho e Desigualdades – CEERT.

Mais que livros para ler, você precisa acessar pessoas que escreveram esses livros, desenvolveram esses estudos. De todas essas organizações que indiquei, muitas delas disponibilizam publicações nas redes e outras você tem de ir até lá. Seu faro de pesquisadora dirá.

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Resenha do livro de autoria de Jean Mello, Crônicas Perdidas

Abr 16, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

PERDIDAS, PORÉM ACHÁVEL.
Por: Germano Gonçalves.

Capa

Conheço Jean Mello e sua obra, procurarei aqui não falar do amigo que é, e toda minha consideração a sua pessoa…

Vou aqui apresentar os fundamentos de sua obra e toda sua maneira de entender ou interpretar as coisas, com integridade. Serei breve como manda uma boa resenha.

As coisas devem ser encontradas e, entre pessoas ou coisas, no meio em que vivemos é preciso recriar o mundo. Em “Crônicas Perdidas”, Mello quer nos direcionar, ou melhor, nos atentar a ver e examinar cuidadosamente as coisas do mundo, os afetos das pessoas, o grau de formalidade ou de intimidade entre os transeuntes de uma cidade, uma vez que o autor nos revela a sua capacidade de notar um vazio nas pessoas  ̶ o desinteresse por uma cultura digna; as pessoas se mostrando apressadas; o orgulho de quem anda de carrão e passa do nada para o nada, como o autor menciona em sua primeira crônica “O pouco que vejo em minha cidade…” (p.15), de onde extraio essa parte do texto: “Foi angustiante ver os carros passando, no trânsito da vida, com pressa, ou nem tanto assim, em direção ao nada que os esperam”. Podemos notar que a humanidade está cada vez mais em um pensamento próprio, diria egoísta, pensando em seu próprio umbigo, porém, vale lembrar, nas palavras do autor, que todos nós vamos para o mesmo lugar, e que desta vida nada se leva.

Esta obra muito espetacular, tanto na qualidade como no conteúdo onde Mello nos relata fatos sociais com firmeza e coerência de atitudes, e com um grande domínio de si mesmo, podemos perceber, caro leitor, a grandeza e a qualidade ou estado de proeminência que as palavras ali escritas junto com os relatos reais do dia-a-dia, vão te impressionar e fazer com que se tenha outra visão de mundo, apresentada pelo autor.

Ele nos mostra, em seus relatos, um processo ligado essencialmente à ação, à consciência e à situação dos homens, pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que apareça o processo (e seus produtos) como indiferente, independente ou superior aos homens, seus criadores. É no decorrer das descrições que podemos notar um estado de espírito, em que encontramos um Marx (ver marxismo), nas situações resultantes dos fatores materiais dominantes da sociedade, sobretudo no sistema capitalista, em que o trabalho do homem se processa de modo que produza coisas que imediatamente são separadas dos interesses e do alcance de quem as produziu, para se transformarem, indistintamente, em mercadorias. Ou até mesmo um Hegel (ver hegelianismo), no processo essencial à consciência, em que para o observador ingênuo o mundo parece constituído de coisas independentes umas das outras, e indiferentes à consciência. Ao valorizar essas teorias, posso afirmar que tudo isso foi pensado por Mello, o que nos remete a rever educadores, que fazem a diferença em um ensino mais qualificado para o lado social, sem repressão e com mais humanidade, dando toda importância para a escola, um lugar que o autor destaca no capítulo: “A importância da comunidade escolar…” (p.24), colocando os professores como verdadeiros heróis e aborda o papel das instituições não governamentais, os terceiros setores, mas não se esquece da criança que vai para a escola por causa da merenda…

Esse escritor está me saindo um belo educador, e é só você, leitor, que ao ler essa obra vai concordar comigo. Leva-nos a retomar a escola de gaiola, muito comentada pelos professores do ensino universitário, em referência ao grande Rubem Alves! E Mello nos torna grandes também porque é entendedor de uma educação mais humanitária, com a participação da família, escola, estado todos em comum acordo para termos um ensino de qualidade.

As “Crônicas Perdidas”, caro leitor, deixo-as para você ler, e afirmo será de grande importância, não apenas por mencionar Mello como educador, que suas crônicas servem só para professores, mas entendamos que o autor é um ser humano, que sabe muito bem como escritor colocar as dificuldades de uma sociedade e de quem as pertence, pois menciona em seus relatos, a juventude, os problemas sociais, tendências do pensamento, ou modos de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas. Em se tratando do racismo, encontramos em seu texto: “Racismo ao contrário: pura hipocrisia” (p. 39), o racismo como uma impostura, fingimento, simulação, falsidade e, entre as funções de exprimir a falta de informação sobre determinado fato, a inversão da ordem de valores de uma sociedade. Conseguiremos nos salvar ou estamos mesmo perdidos à nossa própria sorte ou às crônicas da vida real?

Não deixem de ler esta obra, pois não pode ficar no anonimato os ideais deste autor, que nos leva à reflexão da vida, das causas sociais, que afligem com a afetação duma virtude, dum sentimento louvável que não se tem, e que para tanto como ele afirma em: “Continue a escrever o livro da vida” (p. 50), para que não vivamos à deriva. Nesse texto, vamos dizer assim, ele traz menções bíblicas, para nos alertar perante a qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro: viver todos os dias como o último e, ao mesmo tempo, o primeiro, porque a vida é só uma, não se tem segunda chance, então, façamos o melhor (p.51).

Diferente de muitos jovens, pois o autor é jovem, mas possui a consciência de que o tempo passa, e esse atributo não é só para com ele, pois quer chegar à velhice e poder dizer, o racismo acabou, não existe mais injustiças, mas que fique bem claro em forma de reflexão, como ele mesmo afirma: “Estou propondo, aqui, apenas uma reflexão, uma junção de realidade… para diminuir as discrepâncias” (p. 64), e ele se preocupa também com o que irá dizer aos seus filhos!

Chegando ao fim dessas maravilhosas páginas, tenho que mencionar: “Feliz dia das Mães” (p.68), em que o autor agradece por ainda poder dar feliz dia das mães e nos atenta para que todos tentem compreender a situação das crianças que são abandonadas, e respeitem todas as mães, independente das situações familiares em que se encontram. Eu gostei muito deste texto, Mello está de parabéns!

E por falar em terminar esses relatos, no começo disse que não iria falar do amigo escritor, e não vou falar. Não que não mereça, pois teria que lhe direcionar uma biografia, para falar desse grande ser humano, que diz não ao sistema, e quer estar fora dele, e não quer contribuir para construir um… Pois bem, só quero caro leitor, dizer que este autor, que eu digo não querer falar dele… Ele falou de minha pessoa, me fez uma homenagem nessa obra, com um conto que escrevi “O homem que queria todas as coisas” (p. 80). Aqui, quero agradecer por mencionar em sua obra minhas palavras!

E assim termino esse relato, mas não sem antes dizer que Mello também é um escritor periférico, gente da gente, sente em seu coração que tem por obrigação fazer algo pelo social e, como se pode notar aqui nesses escritos, mais ainda pela educação, que ele tanto clama por justiça, as “Crônicas Perdidas”. Mas que fique a dica, tudo pode se encontrar como diz um provérbio português: “Até as pedras se encontram”. Estaremos perdidos entre as crônicas de Mello, mas porém acháveis.

 

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Metáforas reais e imaginárias!

Fev 18, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Músicas  //  No Comments

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Seria fraco alguém que coloca para fora os sentimentos e as emoções?

Insensível é quem faz questão de não ouvir?

Livre é quem fala aquilo que pensa?

Liberdade é a abertura plena para um caminho de responsabilidade?

Palavras ponderadas ditas nos momentos corretos. Gente escorregando nos desígnios desenfreados da vida.

Buracos abertos nas riquezas da existência ou dos sofrimentos.

Seu coração está em prantos? Em qual tempo vai cuidar de você?

Pra qual lugar foi a confiança em você mesmo?

Novas filosofias… Pensamentos de dentro que resolvi colocá-los para fora.

O que chega antes, os pensamentos ou as certezas?

Quais são as leis não ditas, mas entendidas por todos?

Em que tempo você vive?

Passado, presente, futuro ou um que nunca existiu?

No princípio era apenas o Verbo?

Existiu algum tempo antes do Princípio?

Será que estamos perto do Fim?

Aflita está sua alma? Pouco espaço sobrou para os diálogos. Antes eles eram abafados pela ânsia do porvir. Agora então…

Quando não se olha tanto os defeitos os avanços vitais são maiores.

Perdemos muito tempo nos lamaçais, lugares parecidos com areias movediças. Caminham, caminham, sem chances de sair do lugar, afundando nas incertezas disfarçadas de convicções.

Anjo Caído com face de Anjo de Luz.

Mitologias antigas mais que presentes na atualidade.

Irmãos contra irmãos, técnicas avançadas de colonizadores.

Trevas em forma de luz. Nem sabemos mais o que é real ou mentira.

Nunca pensei que o imaginário seria a mais pura realidade. Diante de nossos olhos! Sempre esteve perto e ao mesmo tempo longe.

Metáforas reais e imaginárias. Metáforas de todos os dias. Passado remoto ou imemorial. Metáforas também dos meus dias!

PS – Minha trilha sonora para esse escrito foi um som de Black Alien. Na segunda vinda.

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Especial Jean Mello TV CINEC – Programa Balanço Zona Sul

Fev 1, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Dicas de Livros, Entrevistas, Músicas, Podcast, Vídeos  //  No Comments

O originais desse programa você pode acessar na íntegra por aqui.

Mas fui alertado de que está com muitas falhas técnicas irreversíveis. Por esse motivo, resolvi transformar esse material em uma espécie de programa de rádio. Entrevista e música. Confira…

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Sol e chuva me inspirando!

Jan 5, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Imagens  //  1 Comment
Eu no Parque Villa Lobos, correndo e caminhando, olhei para meu lado esquerdo!

No Parque Villa Lobos correndo e caminhando, olhei para meu lado esquerdo!

Nesse dia eu estava correndo no Parque Villa Lobos. Sei lá, deu vontade de ir lá e correr. Não moro perto, estava de passagem. Tinha trabalhado o dia inteiro.

Entrei, andei pelo parque. Vi pessoas brincando, namorando, sentadas, conversando, dando risada, lendo, cantando. Estava bem bonito o dia. Eu estava muito observador. Pensativo, mas observando tudo. Coisa de quem escreve. Não procuro algo que me inspire. Tudo me inspira. Muitas coisas são encantadoras. As pessoas são, as paisagens também, as músicas do cotidiano, a vida.

Os sonhos também são, ainda mais as realizações em torno daquilo que está apenas na imaginação. Leveza, tudo como a pena da escrita do passado. Sinto-me como os clássicos, dediquei-me muito para lê-los. Meu sentimento é parecido com o deles. Não por me achar genial. Apenas por tê-los como alicerce da escrita. Filósofos são minha base. Educadores também. Psicólogos, muitos. Jornalistas, aos montes. Blogueiros…

Tudo isso quando percebo que são apoiados no passado imemorial ou registrado, não tendencioso, em busca da plena verdade. Acho que no parque eu estava buscando alguma verdade. Fora, mas sei que na verdade o que eu buscava estava dentro de mim. Então fui correr… Correr e pensar!

Mas precisei ver algo que estava ao meu lado esquerdo. O sol… Ele estava gritando, pedindo para ser fotografado. Mesmo com a vista da Selva de Pedra… Mais um Final de Tarde em minha vida. Todos que me leem sabem o quanto isso é caro para mim. Coloque na parte dedicada a pesquisa de conteúdos antigos dessa página e verá quantas vezes aparece Final da Tarde.

Naquele dia era pra ser assim. E agora que consegui registrar. Quantos foram os dias que você não conseguiu registrar, mas realmente foram de suma importância? Procuro registrar todos. Isso é mais importante que qualquer quantia financeira. Leia mais >>

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Saudade Poética!

Jan 2, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Músicas, Vídeos  //  No Comments

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Saudade também é gatilho para inspiração. Essa é minha trilha sonora de agora.

Podemos sentir saudade do ontem. Sentir saudade do que nunca existiu. Temos essa única chance de ser quem somos ou aprimorar nosso ser.

Quase ia me esquecendo. Podemos simplesmente ter saudade de existir como humanos.

Palavras podem desencadear saudade. Imagens, fotografias de um tempo bom.

Pode existir também saudade do presente ou do porvir. Como é possível saudade de algo que acontece nesse momento ou de algo que ainda nem aconteceu? Simples, saudade é sensação, dentre outras coisas.

Existe a saudade poética. Essa apenas os poetas sentem. Não por exclusividade, mas pela diferença no sentir…

 

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Asfalto e ar escasso! Sampa!

Dez 7, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Imagens, Poesias, Vídeos  //  No Comments

Vale

É bom caminhar pelo centro de Sampa, mesmo com as discrepâncias sociais e as desumanidades diante dos olhos.

Dá gosto em ver que na multidão de prédios também existe beleza.

Tristeza ao ver que muitos anjos das ruas estão jogados no chão ou baforando lança-perfume.

Tristeza também ao ver muita gente olhando para quem está jogado no chão com desprezo. Indiferença!

Não consigo dar as costas para outro ser humano. Assim me sinto desumano.

Vida e morte, uma ao lado da outra. Mais vida ou mais morte, depende do olhar.

Existe amor em SP. Mas esse amor precisa ser cavucado, procurado. Sei que vai encontrar.

Basta olhar para a cidade – nada acolhedora – e ver seu lado bom.

Vale 2

Como ver lado bom em uma cidade com transporte público escasso, gente se empurrando, pessoas se agredindo no trânsito, violência gratuita e preocupante, além de outro problemas sociais?

Veja um lado bom em você. Cada um faz seu papel para construção de um mundo melhor, mais humano. Ou melhor dizendo, focado mais no lado bom da humanidade.

Temos empreendedores sociais nessa cidade. Tem gente promovendo ações sociais nas periferias. Projetos de alfabetização de adultos acontecendo aos montes. Organizações mobilizando e sendo mobilizadas.

Acontece muitas coisas debaixo dos nossos olhos. Cena cultural pulsando. É acessível? Claro… Se pensarmos cultura de um modo amplo, às vezes tem um sarau perto de sua casa e você nem sabe.

Cercados de prédios não podemos perder nossa humanidade.

Violências de diversas formas não podem nos influenciar em nossos comportamentos. Vida e mais vida!

Café em Sampa

Tomo um café e atiço as ideias. Penso. Reflito. Nasce uma crônica poética.

Sampa é inspiradora. Paulista, Capão Redondo, Campo Limpo, Carrão, Patriarca, Vila Madalena, Cidade Ademar, Liberdade, Brooklin, Vale do Anhangabaú, Parque do Ibirapuera, Jardim Ester, Vila Joaniza, Jabaquara, Vila Santa Catarina, São Mateus. Infinidade de lugares. Cada um tem riqueza e miséria. Nem falo de grana. Falo das atitudes humanas.

Dar um rolê por Sampa e ver com cautela é também perceber as metáforas de atualidade.

Asfalto, carros passando pra lá e pra cá, gente que não se olha.

Um pouco de ar tão escasso nessa cidade.

Prédios com antenas no topo. Não são antenas ingênuas. São radiofônicas.

Mais asfalto, barulho, riquezas materiais, desigualdades, mais gente tomando café e lendo, outras fissuradas no celular.

***

Recomeçar não é vergonha. Vergonha é não ter coragem de assumir os recomeços da vida.

Maturidade é perceber as guinadas naturais que vêm com o tempo.

Dar alguns passos para trás – em situações de necessidade extrema – é sabedoria. Recomeço é alicerce, fundamento.

Não se iluda com as mentiras de que você sempre vai vencer, segundo os moldes sociais estabelecidos.

Agradeço por perceber. Agradeço por ser. Agradeço por poder recomeçar.

***

Metáforas de existência! Metáforas dos meus dias!

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