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Anoitecer na periferia

Mai 14, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment
Por Germano Gonçalves

É chegada a hora, a tarde vai-se embora.
E o anoitecer vem chegando às periferias.
A noite vem se apresentando e, com ela, os transeuntes.

Passando de um lado para o outro, uns vêm das fábricas.
Outros vão para as igrejas e muitos já estão ingerindo geladas.
Jovens para a escola, noites de sono na sala, matar aula.

Homens e mulheres em caminhos incertos, e bem ali perto
Andam pelas ruas, luzes nas avenidas insinuando aventuras.
No bar à procura do par para relaxar, músicas e músicos
Misturam-se entre os botecos, fazendo refrão para
Amenizar a solidão.
A mulher bate a porta toda torta
Cansada de o marido esperar, vai se deitar.

A noite é algo mágico, traz consigo vaidades e luxúrias.
Mendigos que pedem comida e moedas.
Meninos sem teto ficam nas calçadas, ao meio-fio
À espera do veículo a estacionar e uns trocados ganhar. Leia mais >>

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Amanhecer na Periferia

Mai 12, 2012   //   by Jean Mello   //   Blog, Poesias  //  2 Comments


 

 

 

 

 

 

A Aurora chega à periferia de braço dado com o poeta, vibra, Lira Periférica.

Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem-se as janelas, das casas e barracões,
de tábuas e alvenarias,
E começa um novo dia.

O bar e mercearia do Seu Joaquim!
Já de portas abertas, pra vender pãozinho francês.
Dona de casa sai pra comprar o pão.
O ocioso, já com copo de álcool no balcão.
Homens e mulheres se enfrentando
nos pontos, à espera de lotação.
Uns já atrasados, outros já cansados.
Todos assalariados. Leia mais >>

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Povo da Periferia

Abr 29, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment

Algumas reações nas quebradas. A periferia ainda pulsa, apesar do clamor de Ndee Naldinho que fala da tristeza nos extremos da cidade ainda fazer sentido nos dias atuais. Mesmo assim, continuo acreditando que realmente a bússola aponta para os lugares que antes eram desacreditados e agora os saraus acontecem aos montes 

Voltei, ainda falando a favor da periferia e tentando quebrar alguns paradigmas. Ainda sensível ao ouvir alguns sons da antiga. Consciência HumanaLembranças. Nem dá para dizer que não tem outras músicas, mas paro na de Ndee de Naldinho, Povo da Periferia.

“É tanta gente triste nessa cidade. É tanta desigualdade, desse outro lado da cidade. Mas eu tenho fé, eu tenho fé eu acredito em Deus. Olhai, por esses filhos teus…”. Anunciava o cantor ao buscar da lembrança aquilo que via todos os dias. Emocionado, porém realista. Com um clamor que se traduzirá ao longo do tempo em um despertar periférico, anunciado em 1997 por Mano Brown dizendo que “a profecia se fez como o previsto”. Sim, nos becos, vielas, quebradas em que os meninos na madrugada não dormem, o sol ainda vai brilhar. Sentimento que ainda está no coração de centenas de jovens que realizam mobilizações sociais de deixar muita gente de cabelo em pé. Um exemplo foi um lugar no Jardim Miriam – que ainda não visitei, mas me chegou a notícia – que deixou de ser um posto policial para ser um polo cultural.

Existe os que não estão fazendo muitas coisas na prática. Só que já incomodam por estarem na adolescência entoando o coro de que não existe amor em São Paulo.

Não só os que moram na beira dos córregos, em que as casas ainda são de pau ou de alvenaria. Do outro lado da cidade tem outros que tem boa comida na mesa, acordam pela manhã para ir para as escolas que ensinam a manter o domínio, gastam muita grana em cervejas importadas, acompanhadas de cocaína ou das balinhas do amor. Podem viajar para os cantos dos colonizadores, mas, mesmo assim, ainda se deixam levar pelo encanto das músicas que falam da realidade, quase nada tem de ilusão.

Mesmo com várias discrepâncias, defendo que aconteçam encontros respeitosos entre a periferia e o centro. Um tem a acrescentar ao outro. Desde que os interesses egoístas não sejam maiores que a causa que São Paulo e o Brasil tanto necessitam. Quem pensar um pouco, apenas alguns minutos, verá que é emergente. Cada anúncio de revolução é abafado pelo amplo repertório do sistema que nos detém. Leia mais >>

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Linhas Periféricas: registro de um novo amanhecer na periferia

Abr 4, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Vídeos  //  4 Comments

Mais uma bela página na história da periferia paulistana. Sinal que ela continua emanando suas riquezas, belezas e seu lado mais contestador acerca da realidade social que insiste em atravessar gerações em São Paulo e no Brasil

Publicado em Outras Palavras

A primeira vez que me deparei com o documentário Linhas Periféricas, realizado por estudantes da Universidade Metodista, foi no blog de Jéssica Balbino. Em seu breve post ela diz “nada saber sobre o documentário” e esboça emoção ao dizer que viu um de seus livros no fundo da tela, “ao lado de outros volumes da coleção Tramas Urbanas, da editora Aeroplano”, quando Heloísa Buarque de Hollanda, coordenadora da Universidade das Quebradas, aparece dizendo que vasto número de acadêmicos não consideram a literatura da margem como literatura: é classificada por muitos como um fenômeno sociológico que com certeza vai passar. Como se fosse alguém em surto que, ao certo, depois de voltar à realidade, apenas torce para que não tenha afetado nenhum mecanismo do funcionamento cerebral.

A aparente timidez de Jéssica para no registro feito em seu blog — em novo texto no site Rap Nacional, mais informações são disponibilizadas. Aliás, quem sou eu para dizer que uma das escritoras de maior relevância no cenário chamado marginal é tímida em suas palavras? Na verdade, ainda bem que posso me corrigir a tempo, ela em seu primeiro texto quis apenas dar ressonância a voz “dos poetas, ao microfone, declamando sua revolta, indignação, o seu amor, a sua cor e, como não poderia deixar de ser, a sua dor”. Isso tudo abunda no registro de vinte e cinco minutos que percorre três bairros periféricos da cidade de São Paulo.

O vídeo documentário começa com a imagem do metrô que chega quase ao extremo sul da capital, em um dia qualquer com um pouco de sol e, logo após, um menino negro correndo em becos, escadas inacabadas, ruas ainda de terra, com o famoso chinelo de dedo desgastado, um livro de Ferréz nas mãos. A capa é inconfundível: Capão Pecado. 

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E no final da tarde…

Jan 23, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Poesias  //  3 Comments

Acabaram-se os raios do sol daquele dia – eles devem ter se escondido em algum lugar que eu não podia ver.

Diante dos meus olhos nasce o começo da noite, com ela uma chuva inspiradora. As frases utópicas que aqui você lê começaram ser desenhadas em um dia como esse. O engraçado é que junto com elas as promessas do passado se tornam concretas, nem consigo acreditar. Vai dando saudades da felicidade infantil. Não que a vida adulta não seja boa – ela apenas perde para completude da criança.

Prometi que não reclamaria, não deu.

Sento para tomar um café e conversar com alguém que me faz bem. Logicamente não estou em casa, exploro a beleza das ruas. Mas, sinto-me à vontade por estar com alguém que gosto de estar, trocar ideias, até um novo amanhecer.

Acusam-me de ser romântico. Quem dera se todos recebessem este tipo de acusação…

Não queria que existissem salas de aula. Elas não são nada românticas. Já estou cheio de ver pessoas engaioladas em seus pensamentos, servindo a modelos educacionais que idolatram o rigor de ficar sentado e prestar atenção naquilo que é dito ou não dito. A testificação nasce em dias de prova, assim dá para ver, sem sombra de dúvidas, se você está apto ou não para durante toda sua vida a ser um serviçal dessa prisão. Leia mais >>

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O Urbanista Concreto

Abr 6, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Entrevistas  //  4 Comments

Lançamento do Livro Pelas Periferias do Brasil - Germano está de blusa azul com listra branca

O Urbanista Concreto, Germano Gonçalves Arruda, nascido em São Caetano do Sul, em abril de 1963, inaugura uma série de entrevistas que serão publicadas nesse espaço. Um dos objetivos é dar visibilidade a algumas ações que remam contra maré no Brasil e em outros países.

Germano é ativista cultural, escritor, participante e educador do Projeto Social Cultural Gente, localizado no Parque São Rafael, Zona Leste de São Paulo. Tive a oportunidade de visitar Germano em seu espaço de atuação pedagógica e perceber um pouco mais de perto, detalhes de seu trabalho de incentivo à leitura com crianças, jovens e adultos.

Em seu blog, apresenta-se como o caminho para a literatura, pelas diversas atividades que faz em prol ao incentivo à leitura, que vão desde a escrita e leitura, até a distribuição de livros e outros materiais para fomentar o conhecimento da história de seu bairro e até mesmo de sua veia poética. Vamos à entrevista…

Jean Mello – Que atividades você praticou e pratica (com alguma freqüência), de incentivo a leitura?

Germano Gonçalves – Atualmente eu pratico as oficinas de incentivo à cultura no meu Espaço Urbanista concreto na Casa de Cultura do Pq. São Rafael, mas realizei dois trabalhos de incentivo à leitura denominado de: “O DIA DO LIVRO NA MÃO” e o “FANZINE RUAS”.

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