Browsing articles tagged with " Periferia"

Em um beco crianças jogando bola!

Oct 30, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Futebol na Favela

Em um beco, travessa da Yervant Kissajikian, zona sul de Sampa, Cidade Ademar. De dentro do busão, contemplei algumas crianças jogando bola. Foi pouco tempo, mas parece que durou a eternidade que o momento me permitiu. Tempo duradouro, livre.

A bola parecia velha e, mesmo assim, pude vê-los, meninos sorrindo, gargalhando. Não prestei atenção em mais nada em volta, nem se o ponto que eu ia descer estava chegando, apenas no simples ato de brincar.

É, mas não iria ficar estático, tinha de vir o movimento. Interrompido fui ao, depois de quase ter entrado em êxtase – é muito raro ver crianças brincando perto das movimentadas avenidas –, o contraste me obrigou a observar o bar lotado de pais de família, em plena luz do dia. Detalhe, a maioria composta de homens negros.

Existem várias discussões sobre estas questões. Mas nas periferias não precisa de dados estatísticos para perceber o efeito devastador que isso produz nas famílias e nas relações sociais. Óbvio, reduzir aos efeitos, e não tocar no assunto das causas, seria um caminho um tanto quanto irresponsável de minha parte. Faço uma reflexão em cima das origens em outro texto.

Todo mundo se cala, no assunto ninguém toca. Sério, preferia ter parado na cena das crianças brincando. Não por moralismo, e sim por saber da realidade. Estava bem melhor assim…

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O apetite do trabalhador paulistano

Jun 27, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

por Jean Mello, texto escrito para o site Viva Favela

Nas casinhas ainda inacabadas, em intermináveis reformas, tocam os despertadores. Às 4h da manhã, na região periférica de São Paulo, pais e mães de família pulam da cama para garantir o sustento, o pão de cada dia.

galo que canta é a necessidade de sair, sempre correndo, indo contra o tempo, sem parar para ver o sol nascer. O café da manhã difere bastante daquele servido nos hotéis em que os turistas são recebidos em nosso país.

Em muitos pontos de ônibus, barracas montadas vendendo café com leite, coxinhas fresquinhas, salgados de modo geral, chocolate quente, bolo de muitos sabores etc. Este trabalho é resultado do suor de famílias que dão um duro danado para dar “sustento” aos que também cedo madrugam e não têm tempo para alimentar-se direito. Claro, não poderia deixar de lado, de modo algum, sempre esses espaços estão lotados, gente pagando pouco e comendo bem, tudo quentinho, feito com muito cuidado e carinho.

Em muitos lugares não falta o que colocar na mesa, mas, o tempo é inimigo. Não raro é engolir o que é preparado rapidamente – e não mastigar direito – antes de encarar o busão, ou simplesmente o trânsito, escutando um som num confortável carro popular. Já que o crédito para tirar um seminovo, ou um ainda recém-saído da fábrica, está facilitado, dá pra pagar em até cinco anos, com a possibilidade de refinanciar, caso se enforque no caminho. Leia mais >>

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Só não quero correr o risco de desistir de lutar

Mar 17, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Poesias  //  No Comments

Risco de ganhar

Risco de perder

Risco de viver

Risco de morrer

Risco de não lembrar o nome dela

Risco de abraçar quem se ama

Risco de correr do afeto a todo tempo

Risco de não confiar mais em ninguém

Risco de deixar de lado oportunidades únicas

Risco de abraçar algo e ir até o fim

Riscos que não quero correr

Riscos que tenho a obrigação de correr

Risco de sonhar de modo exagerado

Riscos utópicos

Risco da falta de fé

Risco de contrair alguma fé alienante ou doentia

Risco de perder tudo

Risco de não entender as palavras mais importantes

Sei que todos nós corremos o risco de ir em direção ao nada

Risco de se perder nos labirintos da existência

Alguns riscos vale a pena correr

Outros, porém, é bem melhor deixar de lado

Só não quero correr o risco de desistir de lutar

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É época de pipa

Feb 4, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Hoje acordei cedo pra ver, sentir a brisa da manhã e o sol nascer
É época de pipa, o céu tá cheio, 15 anos atrás eu tava ali no meio
Lembrei de quando era pequeno, eu e os “cara”… faz tempo!
O tempo não para

Racionais MC’s – Fórmula Mágica da Paz

 
Pés descalços ou calçados com um par de chinelos. Olhares repletos de atenção, sem perder de vista as pipas que dão mais cor ao céu de qualquer extremo da cidade. Não é apenas brincadeira de criança, os grandes, chamados barbados, brincam de cortar – pelo menos nas laças – a miséria que insiste em invadir os guetos periféricos.

Quando uma pipa, de qualquer cor, feia ou bonita, rasgada ou inteira, é cortada, a correria é geral. Sincronia, todos indo para a mesma direção. Parece que os pés ganham olhos, correm enquanto os donos não olham para o chão, mas para o alto. Não seria uma metáfora do quanto as pessoas, que moram em lugares em que as casas ainda são de pau e algumas ruas de terra, vão em direção à esperança?

Ela pode ser um sinal de que existe algum tipo de invasão policial, um grupo de meninos incumbidos da missão avisa que a galera inserida no tráfico de drogas tem de vazar. Mesmo assim, em nada perde sua força simbólica. Sim, essa brincadeira, bem como outras, carrega consigo suas virtudes em plenitude. Nos morros, os que empinam suas pipas conseguem chegar num lugar ainda mais longínquo, olhar para longe, serem observados por uma diversidade de pessoas através daquilo que no alto está. Seria um mistério assim como Gilberto Dimenstein descreveu em seu livro O Mistério das Bolas de Gude? Nesse caso, seria o quanto o brincar esconde por si só grande enigma, sua forma contínua de expressão, comunicação, arte, desenvolvimento humano e por que não dizer social? É como se o céu estivesse cheio de pessoas pares e ímpares, gostos de cores das mais diversas, vida e um portar periférico artístico que encontra respaldo na tradição chamada de “época de pipa”.

Sérgio Vaz diz, em seu livro O Colecionador de Pedras, que “a pipa é o pássaro de papel. Está longe da gaiola, mas tem sua liberdade vigiada pelo carretel”. Dá para entender que ele diz o quanto temos nas mãos uma pseudo-liberdade. Como o laço do passarinheiro, a ave pode ir até certos lugares, mas depois é forçada a voltar para sua realidade prisioneira.

A frase também tem outro sentido. Seria um recado, um anúncio de que mesmo os donos do poder são vigiados? Falo isso por alguns questionarem a ordem vigente, a maneira injusta que as pessoas são tratadas, ainda com o agravante de levarem a culpa por não fazerem parte de uma classe abastada da sociedade. Simplesmente um absurdo…

Nem todos estão com o olhar apenas em direção ao horizonte distante, alguém, ou mesmo um grupo de pessoas, não aceita as condições em que foram colocados. Aos poucos as poesias dos saraus corroem o sistema com sua acidez de realidade acumulada com o vasto tempo em que a população mais pobre é oprimida.

E voam bem alto os sonhos… Quem viaja junto pode até ter o risco de perder, por um tempo, de vista seu papagaio na neblina do medo das invasões da polícia pela madrugada. Parece que mesmo quando o vento não está muito forte elas sabem a direção do céu.

PS – Texto meu publicado no site Viva Favela. Revista eletrônica sobre Jogos, brincadeiras e diversão. Incluo um vídeo que resume outros conteúdos da publicação, como um todo.

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O lixo invade sua casa

Sep 15, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Vídeos  //  No Comments

Fui apenas buscar alguma conta para pagar em minha caixa de correio. Quando chego, vejo que o chão de meu quintal está infestado de folhetos de propagandas de políticos, dos mais diversos. Nem foram eleitos, mas já chegam invadindo nossa casa com todo esse lixo.

Não é em todos os lugares que passa pela cabeça deles em fazer boca de urna, comícios, estimular o voto de cajado, entrar na mente das pessoas com as mentiras mais deslavadas. 

Sentimento que perdura depois que um deles ocupa o poder, sabendo que nunca estão sozinhos, que chegam lá, também, por conta de alianças, compromissos, conchavos dos mais deslavados.

Revolucionários históricos se travestem daquilo que seus discursos mais condenam. E continua o lixo, o fingimento, as peças de teatro em tempo real.

Na verdade, sistema mais que montado. Democracia fingida, promessas que não podem ser cumpridas, palanque que só é feito para esconder os combinados de bastidores. E nós, eu e você, usados para legitimar o que é fingido com maestria.

Quem mais sofre é quem nada sabe. Geralmente, quem descobre arruma uma forma de se aproveitar daquilo que desvenda. Se não arruma um modo qualquer é tratado como maluco, pessimista, ‘conspiracionista’ e outros mais adjetivos que não merecem ser colocados nessa página.

Enquanto isso, nas telas não apenas televisivas, os sorrisos vão dizendo o que muitas pessoas acreditam ser verdade. Não apenas quem assiste crê. Muitas vezes quem transmite também se entrega às fantasias. “Iludidos com aplausos e elogios, com um pedestal”, como bem diz o Fruto Sagrado.

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A periferia pulsa!

Jun 3, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Vídeos  //  No Comments

Pouco mais de quinze minutos de vídeo resgatando o que as quebradas de São Paulo falam há muito tempo, mesmo com inúmeras coisas tentando abafar seu lado mais contestador. Lógico que pode soar como um grito apaixonado: a favela pulsa! Dá a impressão de que ainda está dormindo. Apenas parece, ela não conta com os holofotes da elite.

Estatísticas de pobreza vemos até em jornais tendenciosos. Raro é ter acesso, nesses veículos do dinheiro, a sugestões para combater o problema. Qualquer opinião que vá contra a hegemonia da informação é descartada ou jogada ao vento.

Pernicioso é não ver que a elite tem artifícios para fazer os culpados serem idolatrados. Oprimidos tornam-se perseguidos. Quem não deveria ser réu é forçado a estar nesse lugar. Menos para os endinheirados que escondem seus erros o tempo inteiro. Mas quando não dá e os escândalos vêm à tona, correm para pagar fiança ou em busca de algum furo na lei para que o problema não perdure. São permitidos a fazer assim, parece que as coisas estão arquitetadas para beneficiar quem não merece o mínimo de misericórdia.

É o que as mídias alternativas denunciam com maestria. Desde os blogs mais simples e, às vezes, escondidos nesse emaranhado de informações, até sites, jornais e revistas que são acessadas aos montes, mas, mesmo assim, guerreiam todos os dias para sobreviver. Um dos motivos me parece óbvio, não estão de mãos dadas com os donos do capital. Da mesma forma que esse documentário.Vai de leste a oeste, norte a sul, sem temer falar a verdade.

Parece que a capilaridade e a qualidade das informações que estão percorrendo a internet contribuem para que pessoas de lugares distantes se encontrem em suas semelhanças ou diferenças. Pode não ser fisicamente. De qualquer forma, ajuda a anunciar que o grito é de uma multidão e não apenas de um pequeno grupo. É em sinergia, e não fragmentado.

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