Browsing articles tagged with " História"

Transparências da Eternidade

Apr 19, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

 

Em um escrito qualquer de Rubem Alves, dentro do livro que carrega o título de Transparências da Eternidade, aparece a afirmação do quanto nas instituições religiosas – tanto evangélicas quanto católicas – os artistas deveriam ter mais voz.

Voz essa que não se assemelha com os exageros do mundo gospel.

Voz essa que não é afinada pelos truques de computador dos inúmeros estúdios de música.

Voz essa que não serve para lotar um prédio em que é dito ser a morada de Deus e nem para defender qualquer ideologia.

Essas vozes já estão muito em voga em nossos dias e não necessitamos da proliferação de mais outras, amplificadas nas dezenas de canais de televisão e estações de rádio nas mãos dos evangélicos e católicos.

Ir além é fundamental e necessário. A arte dentro das igrejas está servindo para reforçar a situação nojenta em que muitos representantes de denominações estão metidos.

Brigas e mais brigas, em rede nacional, reforçando o pensamento presente no imaginário de que religião é sinônimo de guerras, intrigas, disputa por territórios, busca constante de se reforçar como representante de Deus na terra – exemplos que podem ser visto nos discursos mais inflamados nos grandes eventos religiosos e nos templos suntuosos de qualquer capital brasileira. Aliás, disputando a tapas o centro de São Paulo, cada pedaço dele, as denominações montam lugares de destaque para mostrar uma para a outra quem está no comando – São Paulo é apenas exemplo, você pode ver o proselitismo em outros lugares, grandes metrópoles ou cidades escondidas.

Não dá para pegar um fato isolado para construção desse texto. São tantos acontecimentos que o máximo que faço é lembrar dos principais para discorrer nessas ideias. Artistas precisam se valer da arte – assim como aconteceu em uma época em que o Brasil vivia sob rígido regime ditatorial – para provocar os sistemas que mais estão engolindo a riqueza e diversidade cultural que nos pertence, e que a todo tempo é sucateada e demonizada.

Cinemas tradicionais transformando-se em templos da intolerância.

Coletivos de teatro buscando recursos e sobrevivendo apenas pela garra e talento de quem compõe o grupo.

Danças sendo tratadas como adoração ao demônio, enquanto grupos evangélicos são vistos – dentro dos templos da intolerância – como angelicais.

Grupos musicais de conteúdo válido para abrir os olhos de muita gente estão sendo jogados para escanteio em troca das vazias e desafinadas músicas do meio gospel.

Escritores que de alguma forma falam contra sistemas montados com teores fundamentais de crueldade, são tratados como profetas do mal. Quem pensa, sabendo que pensar não é pecado, em templos do medo, da culpa e das negações humanas, é visto como ameaça. Quem dirá então, quem, na verdade, cria coisas que fomenta a beleza do pensar?

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

O homem que queria todas as coisas

Oct 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment

 

Por Germano Gonçalves (O Urbanista Concreto)

 

Quem não quer sonhar num país que diz ser: divertido, descontraído e democrático.

Meninos e meninas, jovens e adolescentes, sonhando em serem: jogadores, músicos, escritores, artistas e modelos ou simplesmente bandoleiros de um sistema que não podemos mudar que temos que seguir custe o que nos custar, mas são livres para pensar, agir e ao menos tentar vamos nos atrever para termos a visão prática das coisas, alguém tem tudo para ser, mas não tem nada para fazer impedido por um conjunto de princípios.  

A ganância é a que nos corrompe é a que nos compra e se não vendemos sofremos, mas não vamos nos alugar vamos lutar. E nós somos assim, fazemos o nosso melhor sonhamos e tentamos não paramos, param conosco, ainda assim Deus está comigo, contigo com nós até o pescoço e realmente é para ser assim fosse o contrario um homem não teria tentado a engolir um caroço, deixando para nós os destroços de um destino à escondida que ninguém sabe o segredo, é preciso fazer uma opção de vida, mostrar o nosso caráter mesmo que os reis, os patrões, a elite nos achem esfarrapados, miseráveis e condenados aos seus poderes de que as forças mentais têm que seguir.

Leia mais >>

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Eduardo Galeano: Sangue Latino

Aug 3, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Vídeos  //  6 Comments

Uma das entrevistas mais profundas que já vi… Apenas para ilustrar a militância de um pensador que contribui para manter acesa a chama de algumas práticas em prol das mobilizações sociais.

Esse é o tipo de vídeo que fala por sí só e não precisa de muitas explanações antes das imagens. Além disso, serve de base para formação de educadores – pensadores de um modo geral – que deixaram de ter esperança. Utopia – caminhar para algum lugar é necessário, para isso é preciso ter aspirações. Em diversas das entrevistas dessa série, nomeada como Sangue Latino, criada pelo jornalista Eric Nepomuceno, ele pergunta aos entrevistados como eles definem a questão da utopia. Bem, pra que você possa ver essa entrevista, permita que eu comece praticamente pelo final dela. Deixe o próprio Eduardo Galeano dizer como ele define essa palavra que está entre as que mais aprecio: A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. (Eduardo Galeano)

Eduardo Galeano • Sangue Latino from Breno Cunha on Vimeo.

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Retratos da Alienação

Jul 1, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  6 Comments

Na falta de caminhada e até mesmo na incompreensão é que muitos estão situados, em não entender o mundo em sua plenitude. Qual é a voz que precisa ser ouvida para que possamos entender a tal da realidade? E como é que dá para “classificar” os erros de como nossa sociedade está hierarquizada? Ou seja, será que não conseguimos ver que quase nada na formulação de nossa história, bem como de políticas implantadas, de coisas simples ou complexas, não são calcadas em nenhuma ingenuidade?

Como é que vou dizer que quem não venceu segundo os valores do capitalismo é um incompetente ou um vagabundo? Como é que digo que a polícia é um exemplo de como se deve servir ao povo? Absolutamente, com todas as letras, estaria negando todos esses anos que tenho me dedicado à árdua tarefa de ser um educador social. Estaria jogando todo conhecimento adquirido em dias e dias de leitura e de experiências pedagógicas, das mais diversas, no lixo. Se eu afirmasse essas coisas, como exemplo de dignidade, estaria também eu dentro desse retrato de alienação extrema.

Acho que muita gente está equivocada. Ainda não entenderam que mesmo que algumas pessoas lutem, nunca serão correspondidas em seus anseios, porque o fato de elas serem correspondidas significaria o abandono de poder de outros que não têm nenhum interesse nisso.

O que muita gente vê na televisão, como fala de apresentadores que ganham salários mirabolantes para julgar até mesmo os ditos criminosos, que muitas vezes são mesmo, não dedicam sua energia para denunciar crimes até mais drásticos, ou que desencadeiam a violência urbana, do próprio sistema que eles servem. Para ser mais claro: muita gente denuncia as consequências, só que quase ninguém denuncia a causa. Será que são comprados? É uma pergunta retórica, nem precisa responder.

Quem é que detém o poder da comunicação de massa? Quem é que conta a história oficial? Quem é que forma a opinião pública? Existe uma multidão seguindo a mentira ao invés de olhar com cautela para a verdade que está ao lado. Quem sabe eu e você não somos assim? Sei lá, não sou dono da verdade, creio que ninguém seja, mas tenho consciência de que ela me toca o tempo inteiro. Apenas tenho que ter sensibilidade para percebê-la.

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Allan Santana nos Convida à Estranheza

May 10, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Entrevistas  //  5 Comments

Nessa oportunidade vamos conferir um pouco da trajetória de Allan Santana, morador de Guarulhos, município de São Paulo e criador do blog Convite à Estranheza.

Mas como você que está aí lendo deve imaginar, ele não para por aí. Professor de Sociologia do Ensino Médio da rede pública do Estado de São Paulo, graduando em História e como mesmo se define em seu blog, um arauto da liberdade.

Quero dizer novamente que o objetivo dessa entrevista, e de todas que até o momento realizei, é a valorização do trabalho de pessoas que agem de alguma forma na transformação de realidades que muita gente não se dá conta. Principalmente no que diz respeito à educação e outras ações que articulam de algum modo, aspectos do que pensadores, anônimos ou conhecidos, consideram as contradições da humanidade. Mesmo que pareça que essas ações estão apenas em fase inicial, sabemos que a realidade está aí para ser modificada, não podemos segui-la ao pé da letra. É nesse sentido que convido você leitor à estranheza através do que Allan Santana tem para dizer…

É importante disseminar detalhes dessas atuações. O que aqui queremos é saber de alguns elementos que leve quem ler a entender um pouco mais disso tudo. Ir um pouco à contramão da ideia de que o jovem não deve ser levado a sério – conheço diversos jovens que não são àqueles que a mídia descreve e outros que estão em situação de vulnerabilidade por conta da desigualdade social e outras questões que estão relacionadas com o pseudoconhecimento passado pelos meios de comunicação de massa.

Leia mais >>

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Educador, diferença na vida dos educandos…

Apr 27, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  1 Comment

Uma história pedagógica de algo que aconteceu comigo… Sempre amei a escola e sabia que lá era um bom lugar para estar. Quando entrei no ginásio aconteceu algo fascinante, diversas mudanças, vários professores. Ao invés de apenas uma pessoa com a responsabilidade de estar com diversos alunos na maior parte da carga horária, um mundo de ideias que acompanhava meus mais novos professores.

Dentre diversos professores, alguns sérios e outros nem tanto, conheci na sexta-série um professor chamado Robson. Ele me deu aula de História durante alguns anos em uma escola particular na Zona Leste de São Paulo. De todas as aulas era a que eu mais participava, acho que por ter mais espaço de fazer isso ou por ter afinidade com que lá era tratado e também com o educador que compartilhava coisas bem importantes.

Algo bem interessante era o modo como esse educador valorizava aspectos da diversidade brasileira, dizendo em suas aulas que as questões internacionais eram importantes, mas a realidade brasileira, no que diz respeito a nossa própria história, deveria ser tratada como prioridade dentro de sala de aula. Além disso, ele foi o primeiro professor que tive que usava letras de música e outros conteúdos artísticos para demonstrar o quão importante é relacionar o que é produzido por pessoas que às vezes não passaram nem pelos bancos escolares, mas que dão contribuições mais significativas que muitos especialistas da educação. Bem, essa é outra questão que não preciso me deter em mais linhas. Você que está aí deve saber bem o que quero dizer com isso.

Leia mais >>

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Dennis Portell, educador…

Apr 14, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Entrevistas  //  5 Comments

Na semana passada alguns leitores acompanharam a entrevista que fiz com o Urbanista Concreto, um grande escritor e responsável por grandes articulações de incentivo à leitura.

Nesta oportunidade converso com alguém mais jovem. Mas, nem sempre juventude é sinônimo de inexperiência ou falta de mobilizações sociais, ainda que elas sejam mais virtuais, como é o caso de Dennis Portell, estudante de História e Geografia, músico e criador do blog Manifestando-se.

Alguns sabem que se trata de um grande amigo que vem desvendando o caminho da educação. Engana-se quem acha que apenas por ser estudante ele não tem experiência – cada coisa tem seu tempo e a maturidade vai nascendo a cada vivência.
Ao longo da entrevista quero dar ênfase na questão das mobilizações virtuais que são feitas por Dennis e alguns encontros, pelo menos os últimos que ele participou, em sua opinião apenas como aprendiz. Na verdade, nem a mobilização que ele tem feito no mundo virtual está desdobrando o que ele espera. Porém, em minha modesta opinião também como uma espécie de mediador, sabendo que os mais experientes também vê um quê de esperança em ver alguém tão jovem e tão mobilizador, ao mesmo tempo, acho que o que ele considera pouco tem sido suficiente. Na verdade, esse é um espaço que também serve para que a pessoa entrevistada possa pensar suas próprias práticas, acertos e erros, conquistas e passos importantes a dar e tirar suas próprias conclusões quanto a fase que está na vida. É por isso que nessa série de entrevistas farei questão de conversar com uma diversidade de pessoas. É a diversificação de ideias e de visões de mundo que devem estar nesse blog. Por isso, as falas não são de Jean Mello. Este, que proporciona esse pequeno espaço, é um mero mediador.

Leia mais >>

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS
Páginas:«123

Colabore

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 2.5 Brasil.