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Aspectos Históricos sobre o Racismo

Abr 12, 2013   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Texto meu publicado na revista eletrônica número 14 do site Viva Favela.

Não caçamos os pretos, no meio da rua, a pauladas, como nos Estados Unidos. Mas fazemos o que talvez seja pior. A vida do preto brasileiro é toda tecida de humilhações. Nós tratamos com uma cordialidade que é o disfarce pusilâmine de um desprezo que fermenta em nós, dia e noite.

Nelson Rodrigues

Somos o segundo país do mundo em número de negros, ficando apenas atrás da Nigéria, demonstra o Portal Raízes. Isso não quer dizer que temos políticas eficazes direcionadas para um povo que tão mal tratado foi durante a história e, ao mesmo tempo, tão representativo é em nossa cultura.

Segundo o Portal Brasil, os afrodescendentes constituem 51,1% da população brasileira; em 2009, 6,9% das pessoas informaram ser pretas e 44,2% de autodeclararam pardas, o que representa 51,1% dos brasileiros. Números significativos ao levarmos em conta o fato de que as pessoas estão se declarando negras ou pardas, mesmo com uma imagem tão estereotipada do negro nos livros didáticos, na mídia tradicional ou nas redes sociais. Ou seja, inúmeros são os motivos para as pessoas não desejarem serem vistas como negras, descendentes de africanos.

Um salto para um dos acontecimentos em que o racismo mais se evidenciou na história: os tráficos negreiros.

Corro o risco de ouvir argumentos de que a “escravatura foi uma prática de todas as sociedades humanas num ou outro momento da história”, como nos informa a escritora e historiadora Elikia M´Bokolo, em seu livro África Negra: Histórias e Civilizações. Certamente, sabemos que sim. Mas, ao mesmo tempo, a escritora complementa dizendo que “nenhum continente conheceu, durante um período tão longo (séculos VII – XIX), uma sangria tão contínua e tão sistemática como o continente africano”.

Sempre depois de alguma afirmação que acentua a crueldade a que negros e negras do continente africano foram submetidos, vem a clássica pergunta: os próprios negros entraram em acordo comercial com os europeus, a culpa não é dos próprios africanos? Responda você mesmo… Será que cairemos mais uma vez na armadilha de culpar os oprimidos?

Referências para remontarmos os fatores históricos não falta. Mais interessante é olhar para materiais que façam a relação do passado com o presente que hoje vivemos. Um deles, que não me canso de ver é Quanto Vale ou é por Quilo? Trata-se de uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, que forma uma solidariedade de fachada. Sabemos, vemos e nada falamos. Leia mais >>

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O que eles falam sobre os jovens não é sério

Mar 14, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment

 

Texto originalmente publicado em minha coluna de crônicas no Baoobaa

Depois de férias não avisadas – pelo menos das crônicas por aqui – volto mais viajante que nunca.

Nesse site me descobri cronista e por aí dizem que o bom filho a casa torna. Pode parecer um pouco de exagero usar uma expressão assim. Com essas poucas palavras no começo desse escrito posso dar a entender que estou evocando aquela famosa parábola do Filho Pródigo, que andou pelos caminhos do mundo e depois, ao voltar tem direito a uma festa e um anel de ouro no dedo.

Não, nada disso! Quem está fazendo festa por conseguir parar e escrever algo que vem do coração, ao site que aceitou publicar textos que para muitos soam até como produções carregadas prolixidade, sou eu mesmo.

Alegria por discorrer sobre discriminação racial na blogosfera e ter a honra de também percorrer rotas rebeldes como quem está à margem dos cânones editoriais vigentes e pautados pela mídia tradicional. As escritoras e escritores da literatura afro-brasileira que leio sempre, até hoje não estão nos holofotes midiáticos. Denunciar o racismo estrutural tem seu preço, quem entra nessa tem de estar disposto a ser colocado no lado B.

Ainda bem, porque em alguns casos, e a história não me deixa mentir, os revolucionários aos poucos são esquecidos pela multidão e lembrado por alguns poucos que dão continuidade às transformações. Leia mais >>

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Promoção 2012 Ebenezer Cultura

Dez 30, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Promoções  //  7 Comments

Participe da promoção de começo de ano da Ebenezer Cultura.

Basta deixar uma mensagem como comentário nesse blog mesmo,  sobre sua expectativa com relação ao ano de 2012. Não tem limite de caracteres. Deixe seu pensamento fluir… A melhor resposta ganha o livro Perdas e Ganhos, de Lya Luft.

A reposta será divulgada no dia 07 de janeiro, e você tem até o dia 06 de janeiro para postar seu comentário.

Gostou? Compartilhe com seus contatos, assim fica ainda mais emocionante. O melhor é perceber o que pensam as pessoas, que são movidas por diversas coisas, mas, principalmente por seus sonhos e realizações

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É com imenso prazer que anunciamos a ganhadora da Promoção 2012 Ebenezer Cultura.

Durante ano virão mais promoções de incentivo a leitura. Enquanto isso, parabenizem Kamila Gadelha, que receberá o livro Perdas e Ganhos, de Lya Luft. A vencedora tem três dias úteis para enviar seus dados no e-mail ebenezercultura@yahoo.com

 

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Livres do racismo…

Dez 12, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  7 Comments


Tempestade de ideias sobre o que penso acerca de uma questão tão esquecida e ao mesmo tempo tão lembrada em nossa sociedade – o racismo. Qual é o papel de cada cidadão para combater esse atraso que é prejudicial à todos, não apenas aos negros? 


Um dia terei a oportunidade de ajudar a fazer com que muitos se orgulhem de ter descendentes africanos, talvez as escolas também possam fazer isso – teve que virar lei para que as pessoas, pelo menos grande parte delas dentro das escolas, começassem a se mobilizar. Mesmo assim, de certa forma, vejo que ainda tem muito trabalho a ser feito. Os livros de Maria Aparecida Bento cumprem este papel em minha vida, especialmente Cidadania em Preto e Branco. Todo mundo deveria ler este livro, sinto orgulho de saber de onde vim. 

A resolução adotada pelo Conselho Nacional de Educação em 22 de março de 2004, um ano depois de o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter promulgado a Lei 10.639, que torna obrigatório o ensino da História da África na Educação Básica, diz: O sucesso das políticas públicas do Estado brasileiro, institucionais e pedagógicas, visando reparações, reconhecimento e valorização da identidade, da cultura e da história dos negros brasileiros, depende necessariamente de condições (…) favoráveis para o ensino e para as aprendizagens; em outras palavras, todos os alunos negros e não negros, bem como os seus professores, precisam sentir-se valorizados e apoiados. Depende também, de maneira decisiva, da reeducação das relações entre negros e brancos, o que aqui estamos designando como relações étnico-raciais. Depende, ainda, de trabalho conjunto, (…) visto que as mudanças éticas, culturais, pedagógicas e políticas nessas relações não se limitam à escolaDiretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Leia mais >>

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Por uma infância sem racismo

Out 27, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog  //  3 Comments

 

Escola da Zona Norte de São Paulo é pichada com a frase “vamos cuidar do futuro das nossas crianças brancas”, acompanhada pela suástica. Por que isso ainda acontece?

No último dia 20 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançou em São Paulo a campanha contra o racismo: “Por uma infância sem racismo”. A cerimônia aconteceu no CEU Jambeiro, em Guaianases, na Zona Leste da cidade. A iniciativa tem como objetivo fazer um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e sobre a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância.

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Aos diversos cronistas…

Out 10, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas, Músicas  //  3 Comments

Um amigo meu, pessoa que me ajudou a enxergar de forma diferente o conteúdo do livro que estou escrevendo, me disse que minhas crônicas mudam de assunto repentinamente e não aprofundo algumas coisas sérias que abordo. Dentre outras contribuições, das quais, todas elas, sem exceção, apreciei com muito carinho, a que mais chamou atenção foi essa que aponta quanto a forma que levanto os aspectos da sociedade que falo em meus escritos.

De modo algum discordei, mas, pensando durante vários dias e pesquisando outras pessoas que também considero cronistas [quem se entrega a esse “ofício” de descrever a realidade de modo mais livre e às vezes até “descompromissado”, através da escrita ou de outros tipos de arte que envolve uma maneira mais poética de se dizer aquilo que se vê, é cronista, essa é minha forma de ver], pessoas pelas quais aprendi a ter muito respeito, cheguei a conclusão de que muitas manifestações artísticas têm seu tema central e depois disso o discorrer em cima do tema ou de vários temas. Sim, eu sei que na origem etimológica e prática as crônicas tinham outro objetivo e sentido. Usando a definição de Konder, uma das que considero que mais faz sentido, a palavra crônica deriva do Latim chronica, que significava, no início da era cristã, o relato de acontecimentos em ordem cronológica (a narração de histórias segundo a ordem em que se sucedem no tempo). Era, portanto, um breve registro de eventos. Com o passar do tempo isso mudou. Mas, mesmo que não tivesse mudado, sem desvalorizar a origem das coisas, que sentido teria algo que não pudéssemos atribuir outros sentidos?

Um artista que não atribui “seu próprio sentido às coisas” não é artista. Naturalmente pode se entregar e entregar aos outros, a quem lhe acessa ou é acessado por sua arte, essa riqueza originada daquilo que vem de dentro, transformando pensamento e sentimento em livro, quadro ou música. Na música brasileira, por exemplo, temos vários cronistas, gente que fala o que vê sem se preocupar com os ditos métodos. Nem falei logo de cara da literatura, porque está mais que explícito que as crônicas, poesias ou romances, são praticamente a porta de entrada para quem se apaixona pelo ato de ler e depois o de escrever, se expressar pela veia poética.

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EMICIDA: a revolução silenciosa

Out 10, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas, Músicas  //  1 Comment

Muita gente tem falado do trampo do Emicida. Acompanho uma coisa ou outra que vem pipocando por aí. Ele está com certa visibilidade na mídia. Quando falo isso não estou tendo nenhuma conotação irônica. Isso muito me agrada [não apenas pelos posicionamentos de simplicidade que ele tem], é a representatividade de uma “maneira nova” de militar em prol de uma causa, aproveitando as “lacunas do sistema”. Essa característica não é apenas do Emicida – outros artistas entram nos lugares com sutileza, mas ao mesmo tempo com a força da mensagem. Na entrevista que inaugura a série Sangue Latino, criada pelo jornalista Eric Nepomuceno, Chico Buarque cita esse instigante fato de alguns artistas preservarem esse “dom” de estar à contramão da hegemonia dominante.

Na página do Emicida no Twitter, podemos ver diversas mensagens que motiva a galera a encarar a vida valorizando a realidade – trampo, cultura, organização, infância, trechos de letras de músicas, enfim, uma infinidade de possibilidades, repertório vasto de ideias. Em uma época que ouvimos tantas bobagens que vem das ditas celebridades, dá certa felicidade quando vemos gente conhecida falando coisas que vale a pena ouvir e que motiva a galera a pensar em um presente de muita correria para, depois de plantar muitas sementes, ter um futuro melhor. Aliás, apenas um adendo, em um país de riqueza cultural de dar inveja, me pergunto quase todos os dias, a respeito das coisas e das pessoas que tomam o lugar de destaque. Futilidade… Ainda bem que sobrou alguns espaços com um pouco mais de liberdade para que as informações circulem, como a Internet, por exemplo.

Não podemos esquecer que o Emicida colhe o que outros plantaram. Se não fosse, por exemplo, a posição que muitas vezes é até acusada de radicalismo, de outros grupos de Rap, jamais veríamos isso que estou chamando de um novo tempo. Isso não anula o talento do Emicida. Baixei o novo CD dele, não paro de ouvir. Espero que você faça o mesmo… A faixa que mais gostei compartilho por aqui.

EMICIDA (Doozicabraba) – 1989

PS – Enquanto escrevia esse material saiu a primeira parte do documentário de ascensão do Emicida.

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