Tempos de escola…

Apr 26, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Educacao

Esqueça, por enquanto, os indicadores e o esforço das políticas nacionais em criar mecanismos de avaliações para medir a qualidade da educação neste amplo território.

Jogue fora, depois você pode até revirar a lata de lixo procurando os métodos de ensino de apostilas, até porque você será cobrado exatamente por isso, os “conhecimentos” condicionantes para o vestibular, quantos alunos entraram na Universidade de São Paulo é o que vale para definir o que é uma boa escola. Mas na verdade não é isso. Alguém inteligente pode nem ter diploma.

Essas técnicas de nada servem quando seus chamados alunos chegam com perguntas acerca da vida, sexualidade, existência… posso ver, em infinitas situações, as indagações dos educandos barradas para que o cronograma, o programa, as imposições de treinamentos, as violências neoliberalistas, para encaixar o sujeito nas normas já estabelecidas, sejam cumpridas, sanadas.

Nem é disso que mais lembramos como coisas boas no ambiente escolar. Tá, o chato às vezes é necessário. Mas tem mesmo que ser a única e insistente opção?

O que é mais importante, se relacionar com as pessoas a sua volta ou os conteúdos que devem ser aplicados?

Lembre-se de como você mesmo era na escola. Hoje, os comportamentos cobrados eram exatamente os que você preservava em seu coração em abundância. Poxa, virou professor e se esqueceu de como você era quando aluno?

Sem saudosismo, não posso cair nessa cilada, armadilha sem volta. Resgate em sua memória, tempos de escola. Tempo em que o primeiro beijo era mais importante que os esforços para os dias de prova. As amizades, os sorrisos, exageros adolescentes, os choros desenfreados, as buscas infinitas por sentido na vida.

Mas tudo isso, os métodos caros de ensino não leva em consideração. Se levassem não seriam comprados por nenhuma escola atual, dessas que colocam as faixas revelando ao mundo quantos alunos foram bem classificados nessas universidades de ponta, tratando os alunos como troféus.

Necessário, por serem as conquistas impressas como o topo das realizações pessoais. Saberes programados são mais valiosos que as inteligências diversas. Existem saberes raros, mas nos lugares programados eles vão para lata do lixo.

Beco sem saída estão as escolas, os professores, diretores. É, outros espaços também estão indo para o mesmo caminho. Antes enchiam os pulmões da arrogância, afirmando que as escolas eram ultrapassadas. Olho para alguns lugares que num passado remoto preservavam práticas educacionais diferenciadas, e vejo o quanto são duplamente condicionados hoje em dia.

Tem volta, mas mexeria não só com estruturas políticas tão bem consolidadas. Teriam de jogar fora os egos, a flor da pele. Acho mais difícil lidar com os programados. Os programadores sabem que estão errados, reacionários quase que assumidos para quem ainda têm alguns neurônios em funcionamento saudável.

No início de tudo eu falava de tempos passados. Caí na tentação de meter o bedelho em tempos atuais. Bom, é que ainda persisto em pensar que nesse tempo em que chegamos ainda dá tempo de mudar.

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