Retratos da Alienação

Jul 1, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  6 Comments

Na falta de caminhada e até mesmo na incompreensão é que muitos estão situados, em não entender o mundo em sua plenitude. Qual é a voz que precisa ser ouvida para que possamos entender a tal da realidade? E como é que dá para “classificar” os erros de como nossa sociedade está hierarquizada? Ou seja, será que não conseguimos ver que quase nada na formulação de nossa história, bem como de políticas implantadas, de coisas simples ou complexas, não são calcadas em nenhuma ingenuidade?

Como é que vou dizer que quem não venceu segundo os valores do capitalismo é um incompetente ou um vagabundo? Como é que digo que a polícia é um exemplo de como se deve servir ao povo? Absolutamente, com todas as letras, estaria negando todos esses anos que tenho me dedicado à árdua tarefa de ser um educador social. Estaria jogando todo conhecimento adquirido em dias e dias de leitura e de experiências pedagógicas, das mais diversas, no lixo. Se eu afirmasse essas coisas, como exemplo de dignidade, estaria também eu dentro desse retrato de alienação extrema.

Acho que muita gente está equivocada. Ainda não entenderam que mesmo que algumas pessoas lutem, nunca serão correspondidas em seus anseios, porque o fato de elas serem correspondidas significaria o abandono de poder de outros que não têm nenhum interesse nisso.

O que muita gente vê na televisão, como fala de apresentadores que ganham salários mirabolantes para julgar até mesmo os ditos criminosos, que muitas vezes são mesmo, não dedicam sua energia para denunciar crimes até mais drásticos, ou que desencadeiam a violência urbana, do próprio sistema que eles servem. Para ser mais claro: muita gente denuncia as consequências, só que quase ninguém denuncia a causa. Será que são comprados? É uma pergunta retórica, nem precisa responder.

Quem é que detém o poder da comunicação de massa? Quem é que conta a história oficial? Quem é que forma a opinião pública? Existe uma multidão seguindo a mentira ao invés de olhar com cautela para a verdade que está ao lado. Quem sabe eu e você não somos assim? Sei lá, não sou dono da verdade, creio que ninguém seja, mas tenho consciência de que ela me toca o tempo inteiro. Apenas tenho que ter sensibilidade para percebê-la.

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6 Comments

  • Excelente observação Jean.

    Não seria exagero dizer que me dão náuseas ao ver a mídia exaltando o valor de nossa “democracia”.

    Onde está o acesso daqueles que não detém capital [nós, hehe] à transmissão de ideias pela televisão?

    Quando teremos espaço [de verdade, não apenas frações de horas] em rede aberta para discutir a realidade sem compromisso financeiro, com fins a efetivar, de fato, a democracia?

  • Excelente observação Jean.

    Não seria exagero dizer que tenho náuseas ao ver a mídia exaltando o valor de nossa “democracia”.

    Onde está o acesso daqueles que não detém capital [nós, hehe] à transmissão de ideias pela televisão?

    Quando teremos espaço [de verdade, não apenas frações de horas] em rede aberta para discutir a realidade sem compromisso financeiro, com fins a efetivar, de fato, a democracia?

  • Jean, ignore este e o primeiro comentário.

  • A verdade é que nos não acreditamos no nosso potencial. Nao acreditamos que unidos somos muitos. Aceitamos a midia manipular nossas ideias. Gostaria de ver a favela ocupando aquela belissima sacada e gritando que sao deles… Certamente falariam que é MST hahaha

    Continuo buscando o meu eu útopico hipócrita que se encaixe numa sociedade hipócrita útopica!

  • Se observarmos por um lado, eis aí o não convir de Deus com a mídia, por que todas as pessoas são realmente influenciadas por ela, modas são lançadas através dela, ideologias, padrões e etc. Tá de parabens Jean, genial a sua dissertação

  • […] Retratos alienados, mentes vazias ou ocupadas apenas pelo desejo de ter mais. No meu entendimento estamos cercados de artifícios que não permitem que realmente tenhamos a chance de saber o que está a nossa volta. Nossos sonhos estão quebrados, em detrimento do exacerbado consumo. “Pobre é o diabo, eu odeio ostentação”, diz Mano Brown. Não odeio quem ostenta, apenas não gosto do que tentam imprimir na multidão enquanto prioridade, acima de tudo e de todos. Quem não quer ter? Isso vale mais que os seres humanos? […]

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