Remando contra a maré

Out 6, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog  //  2 Comments

Sempre quem está de fora de uma situação qualquer tem as impressões mais diversas. Porém, quem vive é que sabe, de verdade, o que lhe toca. E assim caminha quem tem coragem de dizer o que enxerga.

Quem vai entender? Apenas alguns poucos, que sabem que, na verdade, lutar em prol das culturas que mais foram marginalizadas durante a história, é ser compreendido de uma infinidade de formas.

Não escolhi ser escritor, educador, amante das palavras, da música, de inovar. Aprendi, em um lugar qualquer, que uma vez que se luta, de algum modo, por justiça social, não tem mais como voltar atrás. Fica grafado no coração, marcado em cada parte do corpo, o desejo de deixar alguma boa marca nesse mundo que perdido está.

E nosso país, pelo menos grande parte das pessoas, ainda não se deu conta de que influir na realidade é mexer no vespeiro. Ainda mais quando o assunto se dá nas estruturas da comunicação e da educação. Sem contar quando se questiona a hegemonia da colonização que se instaurou em cada canto do Brasil, mostrando-nos que – sem sombra de dúvidas – para o legado africano ou indígena ser reconhecido como algo de suma importância à nós brasileiros, pessoas precisam ter disposição de remar contra maré, serem encaradas como ressentidas, acusadas de falarem a favor da Igualdade Racial, por não terem superado traumas do passado. Besteira! As estratégias para tentar descaracterizar quem não abaixa a cabeça diante do racismo, apenas mudam, e colocar quem se dispõe a lutar como doente é um delas.

Cansado não de continuar, e sim de ter de responder as mesmas perguntas. Quem sabe os avanços passem a ser significativos quando formos mais unidos?

Todo sujeito político que se reconhece como tal, sabe que é preciso valorizar cada recomeço. E recomeçar não é vergonha nenhuma. Viver em sinergia com a verdade é, automaticamente, despertar gente que se beneficia da mentira para manter seu domínio pessoal. Falando de modo mais evidente, mentirosos vão até o fim para continuar com o jogo de manipulação. Quem sabe da verdade é obrigado a ser conivente?

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