Racismo ao Contrário: Pura Hipocrisia

Mar 27, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  5 Comments

Racismo ao contrário? Acordei pensando nessa expressão tão falada em muitos lugares que circulo. Será que procede tão acusação?

Às vezes desconfio que muitas pessoas que usam esta frase não sabem a diferença entre racismo, discriminação e preconceito. Tratam tudo como se fosse uma coisa só. Existe grande diferença entre todos esses conceitos, vamos ver?

Preconceito: ideia que se forma pela falta de conhecimento. São conceitos formados no individual e não no coletivo. Não é a ação. Neste momento é algo que se constitui apenas no campo das ideias. Uma boa dose de educação de qualidade, investimento intelectual, poderia evitar muitos desses perigosos conceitos ainda não tão bem formados. Não consigo ficar tranquilo ao saber que muitas pessoas são tratadas de maneira diferente, apenas por existir outras que respondem perguntas extremamente complexas sem o mínimo conhecimento. Ou melhor, um saber pautado nas concepções do senso comum.

Discriminação: prática do que antes estava apenas no campo das ideias. É a ação que pode ser coletiva e não apenas do indivíduo – aqui podemos considerar até mesmo políticas institucionais que priorizam determinado perfil de pessoas para ocupar os melhores cargos, baseando-se apenas em um perfil étnico-racial. Isso é outra história que entra em detalhes ideológicos. Por isso, talvez, prefira tratar com mais cuidado em outro momento. Diferente do preconceito, o conhecimento começa a tomar seu lugar. Excluo o outro por ele ameaçar alguma coisa que é minha, ou por ser apenas diferente.

Racismo: aqui o conhecimento predomina. Estamos falando inclusive de dominação histórica e científica – sem contar a continuidade de interesses que são defendidos, mesmo àqueles que foram comprovados ter base científica. A mesma ciência que muitos veneram já afirmou que os negros eram animais e não mereciam ser tratados como humanos. Teorias e práticas que defendem a superioridade ou inferioridade das raças. Na verdade, já citei inclusive em respostas para leitores de minhas crônicas, que a ideia de raça foi criada para legitimar ações de exploração.

Agora, como os negros podem promover racismo se não dominam os meios de comunicação, a formulação de teorias que são disseminadas pelas universidades e outros bens de consumo que estão nas mãos de grupos que continuam perpetuando este modo tão injusto e que causa tanta dor e destruição de famílias? Não posso esperar que alguém sinta culpa por isso… Tem gente que em diversos lugares do mundo ainda defendem a superioridade e inferioridade das raças. Dá pra acreditar? Ainda nos acusam de racismo ao contrário? Depois de tudo que acontece ainda estão arrumando um modo de colocar a culpa na população negra.

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5 Comments

  • manero o texo, ja se alto explica a palavra PRECONCEITO, e um conceito pre adiquirido antes mesmo de conhecimento, e sim meu amigo a comunidade negra sempre sofre, mesmo não tento culpa

  • Entendi

  • [...] Na boca de gente que despreza ou não entende a luta dos movimentos negros no Brasil, racismo virou complexo de inferioridade. Não é raro ouvir acusações dizendo que os negros se colocam sempre em um lugar de inferioridade, ou que quando reivindicam algo cometem o famoso racismo às avessas: [...]

  • [...] Voltando ao assunto inicial, amor… Não apenas esse sentimento pela “mina firmeza”. Amor pela quebrada. Vejo manos de ‘responsa’ quase que gritando para que o povo da periferia, gente que vive na pele os perigos em ser quilombola, zumbi, negro e negra, com uma cultura de força e riqueza imensurável. Gente perseguida, mas quem consegue provar o racismo oculto? Eu mesmo acho foda, como cronista corro com a favela. Já senti na pele, várias vezes, o preço alto de não esquecer que Cristo Jesus, o Deus que andava com excluídos e excluídas, o Deus Negro e que tinha os pés fincados na África, e reforçar isso em toda produção que coloco no ar, a dor de não ser entendido ou às vezes até ameaça. Mas como não dizer? Não sou apenas negro, mas tenho consciência plena de minha negritude. Tomando cuidado para não cair nas armadilhas do Racismo às Avessas. [...]

  • [...] Voltando ao assunto inicial, amor… Não apenas esse sentimento pela “mina firmeza”. Amor pela quebrada. Vejo manos de ‘responsa’ quase que gritando para que o povo da periferia, gente que vive na pele os perigos em ser quilombola, zumbi, negro e negra, com uma cultura de força e riqueza imensurável. Gente perseguida, mas quem consegue provar o racismo oculto? Eu mesmo acho foda, como cronista corro com a favela. Já senti na pele, várias vezes, o preço alto de não esquecer que Cristo Jesus, o Deus que andava com excluídos e excluídas, o Deus Negro e que tinha os pés fincados na África, e reforçar isso em toda produção que coloco no ar, a dor de não ser entendido ou às vezes até ameaça. Mas como não dizer? Não sou apenas negro, mas tenho consciência plena de minha negritude. Tomando cuidado para não cair nas armadilhas do Racismo às Avessas. [...]

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