Psicologia Comunitária

Out 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog  //  1 Comment

 

Nos últimos anos pude participar e mediar algumas sessões de Terapia Comunitária em escolas, parques, organizações não governamentais e até mesmo em igrejas evangélicas.

É bom perceber que tem jovens que estão questionando certos padrões que já não mais funcionam. Não apenas no sentido religioso, mas nas questões tradicionais.

A tradição que não contribui para a formação de pensadores, e sim de reprodutores de “verdades” que ninguém sabe em que lugar surgiu.

Tradição que reprime professores que ao invés de levar aulas prontas, escolhem aprender e ensinar ao mesmo tempo. Lógico que para isso a preparação tem que ser mais que a daquele que apenas é um papagaio, quem também apenas reproduz.

Tradição que não traduz os anseios que a era da informação produz nas crianças e jovens – a velocidade da internet, sobretudo das redes sociais, não estão sendo acompanhadas pela maioria das pessoas que viveram em uma era passada. Risos.

Tradição que nos ensinou muitas coisas que hoje são essenciais para nós. Mas, ela mesma, não assume os legados que não são mais úteis e que não podem nos ajudar a entender algumas questões até mesmo existenciais.

Tradição que repudia processos comunitários…

É nesse sentido que algumas pessoas escolhem ir por outro caminho. Por isso, defendo aqui o que acontece na Terapia Comunitária. Não que esse seja um espaço único de intervenções. Mas é bem importante e deve ser valorizado.

Algo característico é o fato de termos nessas ações pessoas falando de questões familiares. A terapia contribui na mediação de conflitos, não como mágica, mas como um processo terapêutico que pertence à comunidade participante.

Existe a mediação, que pode ser feita por qualquer pessoa do grupo que se sinta a vontade de tocar o processo. Quem é que detém as técnicas? Não precisa disso, apenas do reconhecimento do grupo a respeito das figuras que irão viver as experiências comunitárias.
Nesses processos comunitários pude vislumbrar adultos que não sabiam ler e escrever, após o aprendizado, ensinar outros a ler a palavra e o mundo.

Descobertas dolorosas, pela consciência da origem de algum problema que perdura ao longo da vida, esses que tem como núcleo patológico a própria infância. Depois, após uma pequena dose de tristeza, que pode chegar até a depressão, pessoas encontrando o caminho, alicerçadas pelos amigos e profissionais, nesse longo processo comunitário.

Jovens trocam as drogas pelos livros.

Questões relacionadas à sexualidade serem vistas com mais maturidade.

Também pude ver gente que encontrou caminhos longe do previsto. Quem é que pode prever os fenômenos humanos?

São apenas exemplos, não de mágicas ou de milagres, até porque cada ser humano é capaz de encontrar seu próprio caminho. O que ressalto aqui é apenas a importância e valorização de tudo que é comunitário.

Nesse espaço você vai poder desfrutar – em textos formulados através de atividades feitas em terapia comunitária – de casos que nasceram no espaço terapêutico. Postaremos também fotos e quem sabe até mesmo vídeos, desses encontros que podem acontecer em um lugar qualquer. São encontros esporádicos. Quem sabe em um deles, quando os convites também forem postados por aqui, não nos encontraremos? 

Related Post

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Comentários Facebook

1 Comment

Leave a comment

CommentLuv badge

Colabore

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 2.5 Brasil.
Email
Print
Read previous post:
Violência (só) nas escolas?

  Por Marcos Siqueira   Na semana passada eu soube de mais um caso chocante: um menino de 10 anos...

Close