“Por uma educação informal”

Dec 30, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  2 Comments

 

Muitos escritores que escrevem de maneira mais livre e aparentemente descompromissada, por não seguir certas regras acadêmicas, não por desconsiderá-las, mas por achar que existe outro espaço que seja ideal para fazer isso, são tratados como não capacitados para se dedicar ao “ofício” da escrita. É assim que consigo escrever, de modo opinativo e convidativo.

Quando criei esse site pensei em fazer desse ambiente um lugar “informal”. Assim posso revelar através de qualquer coisa aqui escrita opiniões, às vezes até carregadas de obviedades e certezas coletivas, mas, mesmo assim, são coisas que alguém está dizendo com toda sinceridade e espera que o leitor possa permear esses escritos com seriedade. Só que a seriedade não consiste em uma cara fechada, sem a presença do sorriso que dá formosura ao rosto. Seriedade significa compromisso com o que está se comprometendo. É com comprometimento que o educador conquista o respeito dos educandos.

Geralmente quem se compromete com um modo mais “informal” de produzir conhecimentos, também faz isso na prática. Ou seja, na execução das ideias. Isso também não vale para todos. Seria leviano da minha parte afirmar com todas as letras algo que padronizasse os seres humanos.

Alguns mais experientes em educação, ou em ciências humanas de um modo geral, nem querem ler textos de um jovem ou trata-lo como referência de qualquer temática. Mesmo que não assumam, eles acham que juventude significa necessariamente inexperiência. Sem contar àqueles que ainda são presos a ideia de que educam a mais de vinte anos e por isso não precisam aprender mais nada. Apenas respeito… Concordar? Jamais! Somos seres sempre inacabados, felizmente ou infelizmente.

Agora, por outro lado, também não vou dizer que jogo fora a experiência das pessoas. Não! Sempre ouço os que têm algo a dizer. Não importa a idade… Não dá pra achar que sabemos mais que qualquer outra pessoa. Quando coloco essa frase, sem pestanejar, digo que até mesmo uma criança pode nos alertar acerca de qualquer coisa, basta que nossos ouvidos estejam abertos e que possamos admitir sempre os bons conselhos. Uma característica que não pode faltar no educador é a humildade. A educação genuína não nega que cada pessoa pode ensinar da mesma forma que essa mesma pessoa pode aprender. Por mais que no discurso isso seja falado aos quatro ventos, percebo que é bem difícil funcionar na prática.

Só o que não se deve esperar é que todos fiquem docilizados, apenas esperando o nunca chegado momento de manifestar sua opinião, contar uma piada em meio a explicação do professor, aproveitar qualquer fala para concretizar uma frase. Quando o educador sabe aproveitar o que os educados falam, “mesmo que não seja alguma fala séria” , a sala fica mais interativa e os educandos passam a enxergar o educador como gente e não como uma figura distante e que deve ser respeitado apenas a base do grito.
É necessário ir além e demonstrar que até mesmo através da informalidade dos desenhos, músicas, escritos, matérias jornalísticas, vídeos dos mais diversos, dá para trabalhar os conteúdos que às vezes foge do controle de quem se propõe a ensinar. Vamos deixar que eles [os educandos] fujam do controle. Quem sabe assim [descontrolados], eles possam ter mais liberdade para dizer: professor, quero mais, quero aprender mais contigo. Será que dá para em uma aula começar a nascer um livro? Um desenho? Algumas músicas? Imagens das mais diversas? Histórias que possam elucidar como cada pessoa ali presente enxerga o mundo? Depende da interação… Depende de você…

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