O artificial sobrepõe o real?

Fev 24, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Músicas, Vídeos  //  No Comments

Poucas pessoas param para pensar e discursar acerca do impacto que as revoluções tecnológicas causa no cotidiano das pessoas.

Enquanto fenômeno de caráter social – quando penso no número de informações que as pessoas acessam no cotidiano – os acessos à internet, de qualquer lugar, dinamiza, e muito, a visão que as pessoas passam a ter da realidade. São versões diversificadas de um mesmo acontecimento. Agora não apenas de algumas mídias oficiais, centradas apenas em compromissos com patrocinadores, chegam as notícias.

Reflexão densa, com enfoques inúmeros enquanto possibilidades de abordagem. Cuidado para não pirar quando perceber a emergência que é tratar com zelo a realidade que temos nas mãos, nas ruas, nos blogs, nas redes como um todo. Sim, parto da minha tela e, agora, enquanto você para por alguns minutos, de seu precioso tempo, pra pensar na versão desse que apenas compartilha um ponto de vista que para muitos é comum, mas, para grande maioria, trata-se de mais palavras que podem ser jogadas ao vento. Não aquele de Caetano, em que caminhava por aí sem lenço e nem documento.

O dia em que eu parar  de forma passiva em frente de qualquer discurso alienante, sem manifestar qualquer pensar, será pura loucura. E lógico, sem leitura crítica da realidade, distante de qualquer leitura de mundo, como nos alertou o mestre Paulo Freire, qualquer coisa aliena, fecha os olhos. Não é diferente com relação aos recursos tecnológicos aos quais dispomos hoje em dia.

Os mistérios da bola de gude

As relações presenciais são trocadas pelas artificiais; a mágica do abraço perde seu belo sentido; as horas de conversa, de nada valem, quando disputadas com “diálogos” entre telas; olho no olho virou piada, mesmo nos encontros presenciais, as pessoas preferem se entregar aos celulares; imagens de alta resolução têm mais sentido que as que vemos a olho nu; brincadeiras de infância, as tradicionais, deixam de ter relevância, as crianças pedem brinquedos sofisticados.

Realmente, olhando para um tempo não muito distante, pensadores já previam o lado bom e os efeitos colaterais disso tudo que hoje vivemos. Parece pouco, mas não. Tudo que diz respeito às relações humanas, ou a fragilidade, liquidez dos relacionamentos, é necessário ter pessoas debruçadas para, então, compartilhar algo.

Leitura, musicalidade, entrega, reflexões, pensamentos, diálogos saudáveis, amar, ser amado, parar para sentir a água fria de um rio, fazer caminhadas, descansar antes de o corpo começar a gritar por socorro, não guardar mágoas no coração, perdoar quase que de modo divino, buscar o amor ágape. Tudo isso é guardar o coração de qualquer tipo de virtualidades desnecessárias, tempo em que ainda dá tempo de mudar as prioridades nas relações, respirar a beleza da vida.

Related Post

Share and Enjoy

  • Facebook
  • Twitter
  • Delicious
  • Digg
  • Add to favorites
  • Email
  • RSS

Comentários Facebook

Leave a comment

CommentLuv badge

Colabore

Licença Creative Commons
Este obra foi licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 2.5 Brasil.
Email
Print
Read previous post:
Velhos e novos sons

Música e literatura transformaram-se, nos últimos cinco anos, em minhas maiores expressões de vida. Em diversas de minhas produções compartilho...

Close