E no final da tarde…

Jan 23, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Poesias  //  3 Comments

Acabaram-se os raios do sol daquele dia – eles devem ter se escondido em algum lugar que eu não podia ver.

Diante dos meus olhos nasce o começo da noite, com ela uma chuva inspiradora. As frases utópicas que aqui você lê começaram ser desenhadas em um dia como esse. O engraçado é que junto com elas as promessas do passado se tornam concretas, nem consigo acreditar. Vai dando saudades da felicidade infantil. Não que a vida adulta não seja boa – ela apenas perde para completude da criança.

Prometi que não reclamaria, não deu.

Sento para tomar um café e conversar com alguém que me faz bem. Logicamente não estou em casa, exploro a beleza das ruas. Mas, sinto-me à vontade por estar com alguém que gosto de estar, trocar ideias, até um novo amanhecer.

Acusam-me de ser romântico. Quem dera se todos recebessem este tipo de acusação…

Não queria que existissem salas de aula. Elas não são nada românticas. Já estou cheio de ver pessoas engaioladas em seus pensamentos, servindo a modelos educacionais que idolatram o rigor de ficar sentado e prestar atenção naquilo que é dito ou não dito. A testificação nasce em dias de prova, assim dá para ver, sem sombra de dúvidas, se você está apto ou não para durante toda sua vida a ser um serviçal dessa prisão.

Tudo que é romântico tem o poder de atrair pessoas, diferente da estrutura de uma sala de aula, que mais parece uma grande gaiola. Nem os pássaros merecem estar presos, quanto mais os seres humanos. Porém, esta realidade está presente neste modelo tradicional de educação que conhecemos, que perdura por séculos e séculos – não é uma aula em círculo que garante o acontecimento de uma educação realmente libertária, é o cotidiano que diz. Resultados, como os educandos chegam diante do educador – a questão é se eles têm liberdade para tratar de assuntos que com o professor jamais tratariam.

Se fosse levar em conta tudo que aprendi na escola, em algumas que passei, jamais seria escritor. Prendiam minha caneta e as asas de minha imaginação. Aprendi apenas regras da língua portuguesa. Para dizer a verdade, nem me lembro mais quais são. Nem sei se as emprego em meus textos.

Foto: Bianca Mello

Em qualquer parte que eu estiver sentirei vontade de ler um novo livro, contar uma nova história, escrever mais um poema, investir em escrever músicas, acreditar que as palavras podem soprar para o mundo novas realidades que nunca fui capaz de criar, mas as coisas que escrevo podem ajudar outras pessoas a verem verdades que não pude nem sequer ver.

É bem provável que seja uma grande pretensão. Qualquer sonho nasce de uma ambição ou um simples desejo, o meu não é diferente.

Está bem frio, mas prefiro ficar a mercê do vento que gela meu corpo… Meu rosto quer sentir o calor de algum lugar aconchegante. Minhas mãos, endurecidas pelo frio, quer se aproximar da fogueira da praça que fica próxima à Avenida Satélite, Jardim Santa Bárbara – lugar frequentado pelos policiais e pelos malucos -, mas não posso. Ainda preciso continuar ao ar livre, vendo a beleza do luar que deixa ainda mais linda uma importante rua de São Mateus. Tenho orgulho de ter morado por lá durante mais de dezesseis anos de minha vida, mesmo tendo passado por situações perigosas. Só que ao invés de me intimidar, busquei encontrar a beleza de meu bairro – ainda é meu porque uma parte dele ainda está em mim.

Na Rua Nebulosa não posso mais passar, muitos não querem me ver de pé. Lá perto fica a Rua Sol, com outras praças, que também são vistas apenas como lugares que os malucos querem fazer fogueira, tocar violão, fumar um baseado e beijar as meninas que se sentem encantadas pela fala mansa destes grandes articuladores. Um dia isso pode mudar, enquanto isso a história se repete.

Ainda posso ver as estrelas… Elas brilham demais mesmo estando muito longe. Faço uma prece para Deus, ouço Sua voz. Hoje, bem perto de mim. Outros dias muito longe, mas nunca fiquei desamparado. Sempre consolado. Nunca pensei que seria assim, a felicidade batendo à porta. Abri sem ter medo dela. Por quanto tempo ela vai continuar aqui? Até quando eu mesmo permitir. Se existir a eternidade vou escolher este tempo.

Sinto na derme da pele a dor das doutrinas exercidas por pessoas que enxergam educação como uma forma de espalhar suas convicções pessoais para pessoas que poderiam ter ao menos a oportunidade de escolher qual caminho seguir. Além dessa dor, que é simples e constante, ela aumenta quando penso em algumas doutrinas evangélicas. Algumas, outras até dá pra suportar.

No fim de tudo sobra alguma ideias – lugar que não dá mais pra voltar. Enquanto você que percorreu esse texto e viu uma chuva de pensamentos, às vezes até mesmo sem entender direito o que realmente quero dizer, deixo de presente minha opinião sobre o que realmente é uma crônica.

 

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