NKOSI SIKELEL IAFRIKA (DEUS ABENÇOE A ÁFRICA)

Mar 27, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  1 Comment

Neste ano de 2010 os olhos de muitas pessoas no mundo inteiro estavam voltados para a Copa do Mundo da África do Sul. Apesar da breve campanha da seleção brasileira, de certa forma, fiquei feliz com alguns acontecimentos. Adorei ter visto Nelson Mandela. Com seus noventa anos, sem dúvida nenhuma, ele á uma das figuras mais representativas na luta contra o racismo.

Vinte e sete anos de prisão do corpo, mas não da alma. Não tenho a ilusão de que acabou. Porém, não dá para desconsiderar tudo que o mundo pode ver através do trabalho realizado contra o regime apartheid. Daqui pude sentir, mesmo tendo vivido em outra época e muito longe, geograficamente, da África. Isso não faz diferença… Meus antepassados viveram lá e de alguma forma pude ver o que se configurou no continente que foi roubado, depois da colonização.

Que tempo injusto para Nelson Mandela. O melhor foi saber que a semente plantada por ele foi linda. Vivo em uma geração que pode colher coisas importantes, de uma árvore plantada junto aos ribeiros de águas, na luta contra a discriminação racial travada na África do Sul. A coragem que moveu o coração de grandes articuladores, liderados por Nelson Mandela, num país tomado por leis e práticas contra a população negra, é de arrepiar.

É bom colocar que não me esqueci de que no Brasil aconteceram alguns avanços significativos. Não quero tirar o mérito de pessoas renomadas que lutam a favor da igualdade de oportunidades entre brancos e negros no país do futebol. É só lembrar de Zumbi dos Palmares, o libertador que pagou com a morte. Luiz Gama, o maior dos advogados que nunca teve a formalização de sua prática, mas causou uma revolução que ninguém causaria. Celso Prudente e Hédio Silva Júnior, pessoas mais atuais. Cida Bento e Sueli Carneiro. Não tem como citar todas as pessoas que contribuíram para manter viva a chama de Brasil e África – elas estão vivas em meu coração e permanecerão vivas no coração de muitas pessoas. Através de pesquisas dá para conhecer a infinidade das ações que são realizadas por aqui.

Parei para ler a expressão, título desta crônica, em um dos livros que conta a história de Nelson Mandela. É um retrato autorizado, um material lindíssimo, de validade imensurável, com diversas fotos de registro, transmitindo mensagens importantíssimas sobre este grande líder. O prefácio é de Kofi Annan e a introdução do Arcebispo Desmond Tutu – dois homens negros. São líderes notáveis, importantíssimos para formação de outro olhar a respeito dos negros no mundo inteiro. A verdade é que temos poucos homens e mulheres, de cor de pele negra, aparecendo nos grandes meios de comunicação com certa notoriedade, positivados nos enredos jornalísticos. É importante deixar em evidência de que estas pessoas existem, mas não são tiradas do anonimato. Até porque isso não é interessante para muitos.

Poderíamos usar o título deste artigo também para o Brasil. Precisamos de bênçãos. Há muitas coisas – problemas drásticos – que não são assumidas enquanto verdades que nos assolam. O racismo é um exemplo. Como lutar com aquilo que podemos ver, mas que ao mesmo tempo nos é negado pelas autoridades e pelas pessoas que nos cercam? Como trabalhar nas escolas a igualdade de oportunidades entre negros e brancos, sendo que a verdade é mascarada o tempo inteiro, no que diz respeito às discrepâncias educacionais, onde os mais ricos, em sua grande maioria brancos, desfrutam de universidades públicas e os mais pobres, em sua grande maioria negros, lutam para pagar mensalidades absurdas em universidades particulares de qualidade duvidosa? Isso quando chegam até a universidade e não param na educação básica, por terem de trabalhar mais cedo para ajudar no sustento do lar.

Até parece que aqui falo de algo que apenas eu penso. Sei que outras pessoas compartilham da mesma opinião. O ruim é que muitos não têm coragem de dizer. A situação que nos encontramos é preocupante, quase que desde sempre, mas ficamos calados e apenas repetindo o que nos falam para fazer. Está na hora da solução nascer daqui. Somos capazes de enxergar nossa própria realidade e vencer nossos próprios problemas. Fica aqui uma contribuição de um jovem que tem ainda muitas coisas para aprender. Mas, sempre que sobra um pouco de tempo, descubro que algumas coisas já posso ensinar. Fiquei apaixonado pela história de luta que Nelson Mandela travou na África do Sul. Isso continua sendo um exemplo para o mundo inteiro. É preciso apenas ver o quanto ainda precisaremos nos espelhar nas pessoas, antes mesmo de encontrarmos nossa própria saída para a redenção. Não está longe o dia em que poderemos olhar para àqueles que amamos e termos a certeza de que são realmente livres. Um dia saberei que as crianças estão crescendo em um lugar melhor. Quando acaba tudo, sempre sobra a esperança. Dizem que ela é a última que morre. Não acredito nisso. Acho que ela nunca morre, porque ela sempre está viva no coração de alguém. Se isso realmente acontece, sempre tem alguma pessoa, em algum lugar, lutando por um mundo melhor. Será que esta pessoa é você?

http://youtu.be/n3M9DSQisbw

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  • […] um momento de minha vida me deparei com a história de Nelson Mandela. A vida dele foi em detrimento dos outros. Não me deixo levar apenas pela imagem, pelo que me […]

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