Mesa farta de escritos…

Dez 31, 2015   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Dicas de Livros, Músicas  //  No Comments
Imagem: Sylvio Ayala

Imagem: Sylvio Ayala

Pra quem simplesmente observa, essa é uma mesa repleta de escritos, raros ou não, gêneros aleatórios.

Olhando de modo mais atento vemos, no mínimo, pessoas que colocaram a alma no papel, em diferentes épocas e contextos. Mas no dia em que essa mesa estava posta, eu me fazia presente a convite do mestre Sylvio Ayala.

Local? Instituto Verdescola… Fica na Barra do Sahy, litoral norte de São Paulo. Tive a oportunidade de ver mais coisas – além da farta mesa literária – e de refutar o mito de que crianças, adolescentes e adultos, de regiões de vulnerabilidade social não se interessam pela leitura ou pela escrita, pelas artes, de um modo geral.

Desde 2014 sou convidado para fazer umas oficinas esporádicas por lá. Geralmente de comunicação com foco em mídias digitais, musicalização e outras temáticas caras ao universo educacional e cultural, brasileiro e mundial. Sempre fui bem recebido.

Nessa época eu era autor de apenas um livro, Crônicas Perdidas. Quantas coisas boas de lá para cá.

Agora, em 2015, sem desconsiderar qualquer momento passado dessa história, o convite foi ainda mais especial. Verde Festival. Preciso me explicar. Utilizarei as palavras do Instituto, que comemorou 10 anos de existência, aproveitando o momento propício do evento, você pode entender melhor em que consiste o festival.

(…) durante todo o dia houve apresentações dos alunos e espaços com oficinas, exposições e vivências que de alguma maneira faziam os visitantes conhecerem e outros relembrarem estes anos da história do Instituto na comunidade. Por este ano ser mais que um festival e ser também um motivo de comemoração de aniversário, mais do que nunca os alunos capricharam nas apresentações e nos espaços decorados com temas, como, por exemplo, a sala de comunicação que virou um túnel do tempo relembrando o nascimento de jornais e revistas, primeiros tipos de escrita e a exposição com os veículos de comunicação – rádios antigos, telefones, máquina de escrever entre outros.

Por volta de mil famílias passaram pelo local no dia 09 de dezembro de 2015. Tem mais preciosidades que peguei no blog do Verdescola.

E para descontrair ainda mais o grupo de teatro do projeto “Espetáculo” que faz as oficinas aos sábados, fez uma apresentação sobre “Vida no Sertão” falando sobre as pessoas que deixaram o nordeste em busca de uma vida melhor. Histórias de vida parecidas com as dos moradores da comunidade da Vila Sahy.

Não apenas histórias parecidas com as dos moradores daquela região. As apresentações refletiram, em minha opinião, complexidades humanas universais, raramente abordadas em instituições educacionais e, ainda mais, nas relações sociais do cotidiano.

Aprecio quando vejo educadores inserirem os clássicos filosóficos em suas oficinas pedagógicas, integrando esses densos conhecimentos às artes inúmeras.

Ainda preservo em mim a apreciação utópica em perceber os momentos em que seres humanos são transformados por intervenções poéticas e artísticas.

Guardo isso em mim por saber que participar de tudo isso é simplesmente uma oportunidade de me inserir na história que nesse momento acontece.

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