Longe das amarras do sistema… Perto do amor…

Out 17, 2012   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Músicas  //  1 Comment

Uma infinidade de pessoas debruçaram-se sobre apenas uma palavra, aquela que se chama amor. Não apenas para explicar, mas para tentar viver algumas das muitas definições e derivações dele.

Não é o objetivo desse texto discorrer sobre as divagações, ainda que sérias, como filosofias úteis e outras inúteis, sendo mais uma voz a ecoar o já dito. Também não tenho a pretensão de dizer algo novo, já que essas breves palavras, alternadas com trilhas sonoras de casais apaixonados, ou de artistas que falam o que muita gente não quer ver, se traduzem em uma simples, singela, homenagem ao meu amor.

Nem digo que é inédita essa minha atitude nessa página. Inúmeras vezes dediquei palavras e mais palavras para louvar a pessoa que amo. Oxalá essa minha atitude possa inspirar ou encorajar outras pessoas a fazer o mesmo. Valorizar um momento da vida, sem dar tanta atenção ao pessimismo que nos invade, pode aumentar as chances de vivência intensa de um momento qualquer.

Se chove, aquelas águas das lembranças duradouras, é uma nova chance para reviver o que passou. Não como um reviver amargo. Lembranças de preciosidade, em que a oferta pode ser maior que a recepção. Liberdade de escolha, não limitada a nenhum padrão estabelecido, simplicidade em optar pelo lado que for.

Uma flor, que pode ser uma que é dada de presente em uma data qualquer, ou simplesmente a que desabrocha na primavera da falta de esperança, pode simbolizar a plenitude da beleza e, ao mesmo tempo, dolorosa, sonoridade poética. É como o mundo se mostra e ao mesmo tempo tenta esconder sua real face. Os chamados de loucos, em muitos casos, enxergaram verdades de insanidade. Os titulados, com insígnias de aclamação, muitas vezes, sem generalizar, especializaram-se em esconder a verdade, ressaltar o oculto, sem necessariamente dizer, com todas as letras, o que nos domina sem sabermos.

Ainda corroendo, aos poucos, o sistema com o ácido de minhas crônicas. Não com palavras violentas ou pagando na mesma moeda, mas ressaltando, em um pedestal de esperança, a plenitude do amor. Apenas assim, ou como uma das formas, dá para combater o ódio que insiste em se esconder nas raízes covardes que alicerça o sistema que nos corrói.

Falar de amor, principalmente em meio a quem já se dedica a desbravar contra as injustiças do mundo, parece uma dose exacerbada de alienação. Infelizmente o mesmo sistema fez questão de fragmentar o que é holístico.

Julgamos os semelhantes, debatemos contra quem está no mesmo barco, falamos bem dos opressores, quando na verdade eles estão nos fazendo grande mal. Só que o que sonham, em suas alucinações noturnas, como projetos de ganância, do dia para noite ficam de pé e ainda com a contribuição do povo. Enquanto fica a míngua quem quer colocar em prática sonhos dotados de realidade, “fome e sede de justiça”.

Não sabemos descansar a sombra de nossas utopias. Antes de resolvermos agir assim elas já são descaracterizadas pela fluidez de nossa liquida modernidade que zomba do ato de amar. Um tempo em que temos medo da entrega. Uma época em que sabemos, mesmo que de modo não consciente, que a ordem vem para tirar nossa sensibilidade de viver o hoje.

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