Eu e você no divã da existência…

Oct 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  2 Comments

 

 

É na mesa do escritor e também em seu escritório que se pode ver um pouco de sua personalidade. Apenas resquícios de sua história se manifesta através dos livros jogados. Um pouco de café também fica ao lado do computador. Algumas fotos para inspirar. Uma música de fundo para dar gosto ao que se ouve. Qualquer intromissão, mesmo que seja a mais sutil, ou mesmo a mais inesperada, a que mais grita na alma, serve apenas para acabar com as ideias ou para ver surgir outras ainda com mais poder.

Quem é que pode responder as perguntas que não têm resposta?

É para essas questões difíceis que o escritor instaura sua eterna busca, se debruça em direção ao nada que ao mesmo tempo se transforma em tudo, para alguém que contempla ou para o próprio sujeito que escreve.

Fica o olhar e o pensamento tentando encontrar sentido para o que impulsiona o desejo de criar. Em todo caso, o que dá início a algo que se resume enquanto artístico é a procura da resposta para sanar um trauma qualquer. Sim, todo escritor, pelo menos os que se dedicam com seriedade ao ofício, nasceu depois de qualquer grande tristeza na vida que o fez aprender que a expressão dela, em forma de palavras, que de tão vivas vão tomando até mesmo forma de figuras, lembranças passadas, acabam fazendo com que a escrita seja a única alternativa para se encontrar a cura de qualquer mal. Ou seja, o trauma é que gera o escritor.

Sei lá se isso é certo, é apenas uma das explicações que tenho para definir esse alguém “intocável”. O lugar do escritor acaba quando sua própria fonte de inspiração cessa. Será mesmo que ela um dia acaba?

Quem está a sua volta [do escritor quando busca seu eu nas palavras] sabe, que a solidão é um pré-requisito para a (des) construção de paradigmas. Mais um gigante na alma e humilde na maneira de se posicionar ao mundo que o cerca. Um pouco confuso pra você? Não é para facilitar, às vezes até complica mais que isso. Quando olhar em meus olhos saberá o que quero dizer. Enquanto esse dia não chega, você pode me ver por intermédio dessas palavras, que não são apenas minhas, mas com certeza, assim desejo, também quero que faça parte de seus mais belos pensamentos.

Como adultos podemos falar de tudo, pela própria janela implícita e explícita da alma. Eu e você no divã da existência pessoal.

Com as fantasias do imaginário e com aquele olhar que apenas eu e você podemos contemplar, em um lugar qualquer e sem nenhum tipo de moralismo, subjetivo ou mesmo objetivo. Nada é tabu, apenas nós mesmos e a nossa culpa de assim desejar. Quem é que pode prender os nossos desejos? Apenas algumas barreiras que foram colocadas pela ética em nada fazer de errado, em busca de algo que nos surpreenda, para não deixar que um caminho lindo comece da forma errada. Se assim não fosse estaríamos lado a lado nesse divã, em um processo terapêutico. Apenas nós dois sabemos desse segredo. Será que mais alguém sabe? Tudo se resume em palavras… Nem sei em qual intensidade está o sentimento, apenas sei que ele já existe.

Que sociedade é essa que nos prende? Em qual história estamos realmente situados? Se é que dá pra obter qualquer resposta para qualquer outra pergunta. Não tem saída para aquilo que nem sabemos quando e como chegou e, agora, faz parte de nós. Sabe ao certo do que estou falando? Confuso, apenas para eu e você entender: no divã existencial, buscando nossa própria existência, fazendo de nós dois apenas um. Seria bom… Seria a mais bela terapia… Um poema em forma de amor… Em que será que o leitor está pensando? Posso imaginar, mas nem quem realmente me conhece sabe do que realmente estou falando, apenas eu e você. Não é verdade? Fica aqui o nosso segredo, apenas nosso, e sempre, digo para sempre, será apenas meu e seu. Eu e você no divã da existência, àquele que nos faz existir como se fossemos apenas um.

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  • […] Sem querer interromper, mas me lembro, nunca vou me esquecer de como escrevi uma crônica em que estou no Divã da Existência. […]

  • […] Sem querer interromper, mas me lembro, nunca vou me esquecer de como escrevi uma crônica em que estou noDivã da Existência. […]

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