Espera…

Abr 18, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas, Músicas  //  2 Comments

Escolho nessa crônica fazer uma breve reflexão sobre uma letra e música que me veio à mente. Apesar de eu ter composto, não digo que a música é minha porque nenhuma arte é de ninguém. A partir do momento que compartilho, a arte que era apenas minha e do infinito, passa a fazer parte da vida de alguém.

Mas no caso dessa música ela já nasceu de modo compartilhado… Estava na casa da minha namorada, chegando de um passeio, desses que geralmente fazemos aos domingos, peguei o violão e começou a chegar um belo refrão – como geralmente me emociono no momento que a obra artística chega bem perto, quase chorei ao perceber que naquela hora nasceria uma canção.

Sempre que vou compor, a música chega sem avisar. Às vezes ela dá até algumas dicas de que está prestes a vir. Porém, quase sempre quando menos espero ela vem, entra em minha criatividade sem nem bater à porta. Quem é que vai esperar? Geralmente me entrego…

O caderno estava no canto, tive de ir depressa procurar uma caneta. Começou a vir a história de alguém que andava por aí, solitário… Geralmente os artistas andam assim quando estão procurando a famosa inspiração – a solidão às vezes é a única forma de alguém se conhecer.

Além da criação, inspiração, essa pessoa queria encontrar um sinal. Quanto tempo esperamos algo que às vezes nem sabemos o que é? Quais são os desejos que podem preencher nosso vazio? Nem sei quantas pessoas podem encontrar as respostas que tanto esperam. Neste mundo de tantas pessoas incompreendidas e que o amor é tão escasso.

Não dá para sorrir completamente quando vemos semelhantes em completo sofrimento. Qual será o final da história de nosso tempo? Faço essas perguntas, compartilho com amigos próximos, almejo encontrar respostas e continuo esperando. Quem é que não espera algo qualquer? Você não está no mesmo barco que eu? Queria apenas ser melhor com as palavras e poder expressar o que está aqui dentro. O que tanto esperamos que nos faz viver de modo a perseguir sonhos que nem sabemos se realmente temos? Acho que um mundo irreal, de valores ilusórios, faz com que todo e qualquer ser humano sinta-se vazio, mesmo com totais condições de alcançar valores na simplicidade da vida.

Depois que a música estava pronta, liguei para um amigo para gravarmos, de uma meneira simples, para retratar a simplicidade que a música deseja passar, mas ao mesmo tempo algo com um sentimento único. Não definirei a qualidade dos arranjos, tampouco o que diz respeito a interpretação de voz e outras coisas mais. Acho que da mesma forma que para mim é particular – mesmo assim resolvi compartilhar. Para você também ter que ser uma experiência única.

Versão em Vídeo:

Para ouvir a música clique aqui.

Olhei pra sua estrada
Era cheia de percalços, caminho imprevisível
Saí de madrugada olhando para o céu
A espera de um sinal, que nunca apareceu
Seu olhar é livre, doce e singelo
Pena que nem sempre posso crer ou posso ver
Só me falta o amor que quero ter,
Encontrar a liberdade, em seus passos descansar

Estou à espera de você aparecer aqui
E contar a sua história
Eu conto no relógio o tempo de te conhecer

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