Educação e Comunidade

Out 25, 2011   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

A Educação não está restrita à escola. As pessoas se educam em comunhão, reconhecendo que um pode olhar ao outro. Encontrando a plenitude, posso olhar para meu próximo, sabendo que ele também pode ser meu educador.

Às vezes a pessoa que está ao meu lado pode contribuir para minha formação tanto quanto o professor contribui. Quem é que detém as técnicas? Elas estão restritas apenas às universidades? Considero a importância dos conhecimentos que são adquiridos ao longo de uma formação acadêmica, que jamais acaba. Uma trajetória de ganhos imensuráveis. Mas, não posso restringir a sabedoria a um padrão, por saber que alguns conhecimentos, populares, nenhum doutor possui.

A sabedoria popular é uma universidade livre, que não dá diplomas. O saber transcende um trabalho de conclusão de curso, ou uma banca de apresentação científica. Não tem como comparar o que aprendemos com o que a universidade formal chama de senso comum. É esse senso comum que guia a vida de muitas pessoas, que são felizes. Porém, foi a ciência que legitimou práticas discriminatórias, ou mesmo de inferiorização de determinadas culturas. O que é comunitário não pode ser classificado por nenhuma teoria científica. Dou valor à ciência, mas ela não é soberana. Agora, sou a favor do cientista estar presente em atividades escolares, comunitárias, desde que ele seja mais um participante, contribuindo com seu saber e respeitando os saberes dos outros.

Quem pode perceber o quanto é importante figura dos educadores e psicólogos? Em alguns casos até mesmo da assistente social no ambiente escolar. Estou restringindo a esses profissionais, porém as possibilidades são imensuráveis. Por exemplo, pude ver uma experiência bem sucedida de um administrador que foi chamado pelos professores para trabalhar com alguns jovens que tinham o desejo de aprender mais a respeito disso. Foi tão bem sucedido que se estendeu até mesmo para outras salas, professores e funcionários. Quem poderia prever?

Abordo aqui, de modo introdutório, para dar um gostinho, a importância de ações que são feitas em comunidade, fora do ambiente escolar. Alguns educadores sabiam e sabem que a comunidade é sim uma escola: Sócrates, Jesus Cristo, Paulo Freire, Leonardo Boff, Frei Betto, Ariovaldo Ramos, Nelson Mandela, Martin Luther King, Ferréz, Machado de Assis, etc., não necessariamente nessa ordem, são marginalizados pela história apenas por terem abordado questões sociais de um modo diferente da ideologia dominante. Mais ainda que isso, levaram verdades, assumiram conceitos, criaram novos paradigmas, defenderam pessoas, foram contra grandes sistemas ideológicos e por isso foram colocados como rebeldes. É isso que acontece nas escolas e em lugares que quem pensa não é importante, apenas quem executa o que os outros pensam. Será que em algumas escolas não temos professores, ou mesmo alunos, que se assemelham a essas personalidades que acabei de citar?


Através da diversidade é que existe educação, simplesmente pela riqueza que ela oferece – não entendo como todos os dias é negada nossa riqueza. Como é que a história que nos deveria ser fornecida, não apenas nas escolas, mas em todos os lugares, quanto à versão africana e indígena, bem como de outros povos que estão aqui no Brasil, estão sendo retratadas?

Nessa coluna, você vai acompanhar algumas questões que nos levam a pensar a importância de saber que aquilo que é comum à todos se transforma em uma escola. Sim, a comunidade pode e deve ser a nossa escola, não nos moldes formais que vemos. Ela é muito mais que isso.

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