Cabelos Grisalhos

Mar 27, 2011   //   by Jean Mello   //   Blog, Crônicas  //  4 Comments

Estarei de cabelos grisalhos, num dia distante, e não vou parar de discursar a favor da liberdade. Ainda que muitos achem que falo apenas tendo como base o radicalismo, não penso em mudar minhas práticas, apenas no que diz respeito ao amadurecimento que o tempo vai trazer. Como negar o que vejo de modo tão evidente?

O essencial é sempre estar com a consciência tranquila e saber que trabalhar para o fim da discriminação racial é atuar em prol de um país que não sufoque a riqueza da diversidade.

Utopia? Prefiro acreditar em uma das afirmações do escritor José Saramago: utopia é apenas o amanhã. Para ele esta palavra não sinaliza algo que nunca vai existir. Ela é apenas o discurso do não existente hoje. Ao passar dos dias algo de agradável pode acontecer. Isso tudo pude ver no Fórum Social Mundial de 2005, em Porto alegre.

Para os que acreditam que não existe racismo, pude ouvir um amigo meu dizer que uma criança negra estava raspando seu braço no concreto para ver se deixava de ser negra. Este depoimento foi registrado no livro Heróis Invisíveis. Não são coisas que apenas ouvi, pude ver acontecimentos parecidos que não dá para comentar nesse limitado espaço. Escolhi abordar a parte mais espinhosa.

Meu trabalho deve ser para que o Brasil seja livre do racismo. Quero inspirar outras pessoas para que vejam sentido nessa causa. Não dá para ficar de braços cruzados, apenas criticando, quando não com um comportamento eternamente submisso, esperando algo acontecer ou apenas a ajuda de Deus.

Mesmo que as pessoas tenham de lutar até o fim dos seus dias, pela mesma causa. Ainda que sejam vistas como radicais e ultrapassadas, tenho certeza de que vale a pena. Centenas de pessoas serão beneficiadas na presente geração e nos futuros séculos.

Ao ver uma notícia, constatei que um jovem disse que o alagamento que matou centenas de pessoas no Rio de Janeiro foi uma obra de Deus. Em uma comunidade do Orkut ele criou o seguinte tópico: rezo para que mais negros morram.

Como vou parar de dizer o que penso acerca dessa sociedade tão injusta? Está evidente que o que antes era velado, agora está para quem quiser ver. Existe alguma possibilidade de minha voz se calar diante de tantas calamidades? Está fora de cogitação não me esforçar para demonstrar que grande parte da população é oprimida. Estou propondo aqui apenas uma reflexão. Uma junção de realidades para explicar de um modo mais incisivo o quanto vale a pena gastar forças para diminuir as discrepâncias.

O silêncio de quem tem muito a dizer me incomoda… Enquanto isso, inverdades acerca do que acontece no Brasil e no mundo são disseminadas às crianças e adolescentes, formando uma geração que poderá ser mais cruel que a atual. Quero te chamar para participar, publicar seus pensamentos, músicas ou poesias, crônicas ou artigos formais, vídeos ou manifestações criativas. Não fique vendo a realidade passar, todos nós fazemos parte do que acontece.

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