Asfalto e ar escasso! Sampa!

Dez 7, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas, Imagens, Poesias, Vídeos  //  No Comments

Vale

É bom caminhar pelo centro de Sampa, mesmo com as discrepâncias sociais e as desumanidades diante dos olhos.

Dá gosto em ver que na multidão de prédios também existe beleza.

Tristeza ao ver que muitos anjos das ruas estão jogados no chão ou baforando lança-perfume.

Tristeza também ao ver muita gente olhando para quem está jogado no chão com desprezo. Indiferença!

Não consigo dar as costas para outro ser humano. Assim me sinto desumano.

Vida e morte, uma ao lado da outra. Mais vida ou mais morte, depende do olhar.

Existe amor em SP. Mas esse amor precisa ser cavucado, procurado. Sei que vai encontrar.

Basta olhar para a cidade – nada acolhedora – e ver seu lado bom.

Vale 2

Como ver lado bom em uma cidade com transporte público escasso, gente se empurrando, pessoas se agredindo no trânsito, violência gratuita e preocupante, além de outro problemas sociais?

Veja um lado bom em você. Cada um faz seu papel para construção de um mundo melhor, mais humano. Ou melhor dizendo, focado mais no lado bom da humanidade.

Temos empreendedores sociais nessa cidade. Tem gente promovendo ações sociais nas periferias. Projetos de alfabetização de adultos acontecendo aos montes. Organizações mobilizando e sendo mobilizadas.

Acontece muitas coisas debaixo dos nossos olhos. Cena cultural pulsando. É acessível? Claro… Se pensarmos cultura de um modo amplo, às vezes tem um sarau perto de sua casa e você nem sabe.

Cercados de prédios não podemos perder nossa humanidade.

Violências de diversas formas não podem nos influenciar em nossos comportamentos. Vida e mais vida!

Café em Sampa

Tomo um café e atiço as ideias. Penso. Reflito. Nasce uma crônica poética.

Sampa é inspiradora. Paulista, Capão Redondo, Campo Limpo, Carrão, Patriarca, Vila Madalena, Cidade Ademar, Liberdade, Brooklin, Vale do Anhangabaú, Parque do Ibirapuera, Jardim Ester, Vila Joaniza, Jabaquara, Vila Santa Catarina, São Mateus. Infinidade de lugares. Cada um tem riqueza e miséria. Nem falo de grana. Falo das atitudes humanas.

Dar um rolê por Sampa e ver com cautela é também perceber as metáforas de atualidade.

Asfalto, carros passando pra lá e pra cá, gente que não se olha.

Um pouco de ar tão escasso nessa cidade.

Prédios com antenas no topo. Não são antenas ingênuas. São radiofônicas.

Mais asfalto, barulho, riquezas materiais, desigualdades, mais gente tomando café e lendo, outras fissuradas no celular.

***

Recomeçar não é vergonha. Vergonha é não ter coragem de assumir os recomeços da vida.

Maturidade é perceber as guinadas naturais que vêm com o tempo.

Dar alguns passos para trás – em situações de necessidade extrema – é sabedoria. Recomeço é alicerce, fundamento.

Não se iluda com as mentiras de que você sempre vai vencer, segundo os moldes sociais estabelecidos.

Agradeço por perceber. Agradeço por ser. Agradeço por poder recomeçar.

***

Metáforas de existência! Metáforas dos meus dias!

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