As pessoas estão perdidas?

Abr 8, 2016   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  1 Comment

Nova interpretação, instrumental tocante, poesias soltas no ar para combater qualquer mal que nos assola desde tempos não alcançados por qualquer memória histórica.

Dez anos depois do lançamento da versão original de Ainda há tempo, Criolo nos presenteia novamente. Música muito conhecida pelos fãs. Uma das mais famosas.

Será mesmo que já conhecíamos ou tínhamos conhecimento de apenas uma face dela? Ninguém melhor que o autor para nos mostrar…

Antes do lançamento desse novo single, li em vários sites que será feito o mesmo com outras faixas do disco de uma década atrás, revisitarão uma por uma, agregando novas batidas. Anunciaram também uma turnê, contendo surpresas audiovisuais e de outras naturezas, com alicerce na força exuberante da cultura.

Produção de Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral. Música recheada de arranjos raros no que conhecemos como Rap Nacional. Como sempre, ultrapassando e quebrando barreiras, regras impostas como corretas no cenário musical.

“Flutuando na hipocrisia do lodo e do fascismo” (citando um trecho de Ainda há tempo), anuncia com precisão o que vivemos em 2016. Como pode ser tão atual? A música, em sua versão original, foi lançada em 2006. Dom de um grande filósofo de nosso tempo.

Sempre gostei dessa letra e até escrevi sobre essa mesma música há tempos atrás.

Ainda há tempo

Acredito, as pessoas não são más, estão perdidas. Também não posso negar, perdição gerando maldade. Relativizar não é o caminho. Simples, imaginamos mesmo, disso tenho certeza, não quero te ver triste assim não. Muitas devem ser as músicas para te trazer amor.

Penso, como compositor, que quando uma criação dessas vem à tona, estava no interior faz tempo, na alma. Não no porão da Psiquê (personificação da alma). Tá, algo citado nesse parágrafo já foi representado faz tempo, Metamorfose Ambulante.

Não tenho direito de fugir do foco. Ainda dá tempo de percebermos que muito precisamos fazer, nos falta pouco tempo para recuperarmos o lado belo de ser humano.

Esse Rap é Humanista. Compare as letras com algumas afirmações de Carl Rogers e verá. Recomendo um dos mais conhecidos, Tornar-se Pessoa.

Pode estender sua busca – também – ao existencialismo de Jean Paul Sartre. Sem medo de errar, a riqueza do conteúdo faz interlocução com alguns livros que li.

Mas aqui não escrevo para disparar uma metralhadora de citações. Apenas ouça a mensagem, compare com a realidade que está diante de seus olhos, mas não se esqueça de fazer ligação com outras linguagens de conhecimentos profundos.

Ainda dá tempo. Tempo em que ainda temos tempo de transformações internas e, por consequência, coletivas.

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