Antes que seja tarde (levanta e anda)…

Mai 27, 2014   //   by Jean Mello   //   Artigos, Blog, Crônicas  //  No Comments

Não carrego o peso da falta de sensibilidade. Tento ao máximo perceber os guetos sociais em que todos estamos inseridos.

Mesmo nestes dias mais drásticos, não me falta esperança. Aliás, quanta esperança, reais sentimentos em dias que todos são os motivos para a falta dela.

Tenho dúvidas se há razões para seguir. Mas muita gente encontra, se acha, levantando-se em meio aos escombros das desigualdades. Não adianta dizer o contrário. Vejo alienações, claro. Porém, as quebradas todas são feitas de guerreiros, gente que não desiste fácil.

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Enquanto isso, fecho os olhos e viajo no refrão, acompanhado da base nervosa, com origens não nos tempos atuais. Convicto de que aponta para um futuro em que nós, humanos, seremos um pouco melhores. Não sou totalmente descrente em nós mesmos, muito pelo contrário. Se assim fosse, não estaria aqui gastando todo esse tempo em muitas palavras, àquelas nascidas na alma, em meio aos risos ou choros, tristezas ou alegrias, satisfação plena ou a tão temida solidão.

Sabendo, penso que sei, não ser merecedor de maestria alguma. É, mesmo que digam que sou, recebi tudo de graça, mesmo a força para continuar.

Levante, ande, caminhe, corra! Eu sei que não raros são os dias em que as lágrimas jorram. Só não desista de ser, viver…

Infâncias não perdidas. Sei, as raízes de seus pensamentos e daquilo que você é, lá está. Sei ainda mais, todos seus amigos perdidos antes do tempo, muito antes dos próprios pais, ainda faz com que pense por quais motivos e para quais missões você ainda está vivo.

Sei o quanto uma multidão gigantesca luta para sair de lugares estabelecidos pelos aspectos históricos mal explicados pela história chamada oficial.

Sonhadores são acusados de serem sujeitos fora da realidade. Geralmente quem critica um sonhador que realiza, são pessoas que gostariam de ter a mesma coragem.

Penso como um chamado, como palavras que não podem ser colocadas em direção ao vento que tudo leva. Sombra de injustiças em todas quebradas.

Aos olhos de quase ninguém!

Não há mais prazo para recuar… Atitudes, ainda que as mais imediatadas, podem gerar o impossível.

Vá em frente e não se esqueça de que não pode ir sozinho.


Antes que seja tarde

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

[Bertold Brecht]

PS – Para ouvir o som que inspirou esta crônica, pensamento, é só clicar na imagem deste texto.

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